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27 de fevereiro de 2017

Melhores Livros de Terror e Suspense de 2016

Como já é canônico no site, o ano só começa após a lista dos melhores livros do ano anterior, desta vez a lista saiu em um formato um pouco diferente, ao invés de me ater a apenas livros que foram lançados no ano, a formação da lista levou em consideração as melhores leituras, entre livros de terror e suspense, independente de sua data de lançamento. Como sempre, reforço que a escolha é baseada puramente em gosto pessoal, são livros que conseguiram me conquistar seja pela qualidade de sua escrita, inovação ao abordar um tema, condução da narrativa, desenvolvimento do suspense, entre outras coisas. Enfim, vamos dar início ao sexto ano de atividades da Biblioteca do Terror!

   Socorro! de Thomas H. Block é um ótimo exemplo da síntese de uma das premissas mais famosas de livros de suspense, na qual os protagonistas estão enclausurados em um cenário sem saída e são antagonizados por uma temível ameaça iminente. Este tipo de estória se abordada corretamente tem um grande potencial empático com o leitor, a sensação claustrofóbica de angustia e desespero dos protagonistas tem que ser totalmente palatável, seja na figura de um personagem que enfrenta uma noite solitária em uma casa assombrada, ou na de um explorador perdido nas profundezas de catacumbas de civilizações perdidas, a identificação com algo passível de acontecer, verossímil, faz toda a diferença durante a leitura. Socorro! consegue esse efeito através da inserção de  protagonistas improváveis  na cabine de um avião avariado, Thomas H. Block é um piloto profissional e sua experiência com aviação é imprescindível para a criação do texto, a condução narrativa ficou a cargo de Nelson DeMille, um reconhecido escritor de suspense que curiosamente não é creditado na edição nacional. O resultado é um romance explosivo e excitante que tem uma das descrições mais detalhadas de um acidente aéreo de toda literatura. 

   Erik Larson consegue em O Demônio na Cidade Branca um feito único, uma reconstrução criteriosa e exata da vida de um serial killer, dissecando sua mente psicopata não apenas através de suas ações, mas situando-a geográfica e temporalmente dentro do contexto social da época que a produziu. Para contar a história de um homem, é preciso antes conhecer o ambiente que o moldou e cada palavra presente dentro dessas páginas é real.  Cada nome, cada morte, cada sentimento é perturbadoramente real. Para conseguir o nível de exatidão histórica presente em seu texto o autor realizou uma minuciosa pesquisa,  as últimas sessenta páginas são uma compilação de notas e fontes, obtidas através de livros, cartas e artigos que serviram de embasamento para a história. A narrativa é a mistura de um supense policial, construído a partir de um romance histórico e com um toque biográfico, que a torna bastante assustadora. Não é um livro de leitura fácil, Erik Larson utiliza cada parágrafo necessário para contar sua história, não se preocupando com a agilidade do texto, mas sim com a precisão histórica dos fatos. É uma leitura tão desafiadora que às vezes chega a ser desgastante, os personagens entram na cabeça do leitor e seus sentimentos se mesclam com seus próprios medos criando uma simbiose de emoções angustiante. 


  O final de O Quarto Dia provavelmente não agradará a todos, principalmente porque não entrega uma certeza, deixando margem para várias interpretações e dependendo do seu olhar é o momento em que dezenas de questões são respondidas e as implicações das respostas são gigantescas, numa trama tão intrincada quanto Lost. Há cenas arrepiantes de degradação física e moral, além de que nota-se nos fantasmas de Sarah Lotz uma grande influência do horror asiático. O trunfo da narrativa está na construção do suspense ao longo das páginas, o ambiente claustrofóbico de um navio à deriva aliado ao desespero apocalíptico de um caos emergente e a  ação de seres sobrenaturais garante a satisfação dos leitores de horror.

   Melodia do Mal é um livro violento que disseca o lado obscuro da alma humana atrás da resposta para a questão da origem da maldade humana, John Ajvide Lindqvist constrói um suspense magistral imerso em um horror psicológico sufocante, sua protagonista, Theres, é uma das personagens mais complexas do autor, ao mesmo tempo em que conquista o leitor com seu sofrimento e inocência, o afasta com suas manifestações de violência explícita. Se você nunca leu uma descrição detalhada de como é o som de uma cabeça humana sendo esmagada por um martelo, prepare-se, porque esta é apenas a abertura do Show de Horrores de Theres. Não perca a atração principal.


Eles Merecem a Morte de Peter Swanson
   Em Eles Merecem a Morte Peter Swanson conduz o leitor por um intrincado labirinto de suspense psicológico, formado por personagens misteriosos e reviravoltas tão surpreendentes que mudam completamente a direção da estória, quando você pensa que conseguiu resolver o quebra-cabeça que lhe revelará o segredo da trama, descobre que aquele segredo é apenas parte de algo maior, e essa sensação cresce em um ritmo vertiginoso durante a leitura até que você se vê diante de uma situação que parece não ter solução, completamente extasiado pela complexidade da mesma. A narrativa começa na sala de espera de um aeroporto, onde dois estranhos, um homem e uma mulher, trocam seus segredos mais obscuros, embalados pelo álcool e a certeza de que jamais se verão novamente. Quando o homem revela o desejo de matar sua esposa, devido à descoberta de uma traição, recebe a curiosa resposta da estranha oferecendo ajuda na sua vingança. O que se segue a essa resposta é um dos banhos de sangue mais imersivos que já encontrei em um livro, muito antes da metade do livro acontece a primeira reviravolta e a partir de então é impossível parar a leitura.

O Exorcismo de Thomas B. Allen reconstitui os principais momentos do fatídico exorcismo que aconteceu em St. Louis em 1949, através de um dos relatos mais completos sobre o assunto já documentados, o diário do padre exorcista que realizou o ritual. O caso do menino possuído ganhou as manchetes da época, os poucos detalhes revelados não impediram a mídia de lançar sua imaginação ao redor do acontecimento, anos depois essa cobertura despertaria a curiosidade de William Peter Blatty para o tema e seria a gênese do aclamado O Exorcista.   Exorcismo é uma leitura bastante pesada que, mesmo com sua escrita direta e concisa, demanda várias pausas reflexivas para a análise e digestão dos fatos. Crendo ou não na veracidade daquilo que você está lendo, é impossível passar pelas páginas sem ser atingido psicologicamente pelas descrições simples e ao mesmo tempo brutais do ritual, um exemplo é a chocante cena do batismo do possuído, o ambiente e claustrofóbico da igreja ultrapassa o papel e envolve o leitor como uma pesada mortalha sufocante. Diferente de uma obra de ficção, Exorcismo não permite ao leitor a luxúria de pausar a leitura durante os momentos de angústia, e refrescar a mente com o pensamento de que aquilo que está lendo não é real. O mal descrito nessas páginas é assustadoramente real.

Passeio Noturno de Everaldo Rodrigues
   Everaldo Rodrigues é um dos nomes da nova geração de escritores de terror que germinou no fértil solo da internet, crescendo por entre as frestas deixadas pelas grandes editoras, através da auto-publicação. Passeio Noturno é sua primeira coletânea e evidencia toda sua qualidade como contador de histórias, são oito contos que apresentam protagonistas comuns, cuja realidade é sacudida por um contato direto com o sobrenatural, seja um personagem que acometido por uma estranha coceira vê sua sanidade ser desfiada pedaço por pedaço como sua própria pele irritada ou uma cidadezinha acometida por um inexplicável surto de combustão espontânea. Passeio Noturno é o sopro pútrido de criatividade pelo qual você estava procurando.

   The Bad Seed, A Menina Má, foi publicado originalmente em 1954 e foi recebido com furor pela comunidade literária, muitos o consideraram um suspense aterrorizante, enquanto outros criticaram a morbidez e violência da história. Mas nada disso impediu o livro de se tornar um sucesso de vendas, ocasionando uma rentável e popular adaptação teatral, e posteriormente uma cinematográfica. William March constrói sua trama por meio da exploração do horror de uma mãe, ao descobrir o lado assassino de sua filha, seu êxito está na forma como coloca a criança protagonista através dos olhos da mãe, cada percepção de uma faceta maligna de sua personalidade é um prego cirurgicamente atravessado no coração materno.  A questão central do livro é a gênese da maldade. Será que todos nascemos com a semente do mal dentro de nós e é o ambiente de criação que a faz florescer? Ou há um gene maldito que nos condiciona a praticar atos violentos desde a tenra infância? O autor insere essas dúvidas com perfeição na mente do leitor e ao longo das páginas disseca cada hipótese mergulhando no turbilhão de loucura e deterioração mental da mãe, confrontada por um dilema mortal, o instinto protetor para com sua filha e o dever moral perante a sociedade, os segredos sangrentos de sua vida particular aos poucos transbordam por entre a ilusão de felicidade erguida pela sociedade. 

   O Menino que Desenhava Monstros é uma narrativa singela sobre os medos da infância.  Keith Donohue vai em contramão  à moda atual dos livros comerciais, cuja trama é feita para ser devorada em uma só noite, e conta uma história assustadora em seu próprio ritmo, utilizando cada segundo necessário para moldá-la em seus pequenos detalhes. O grande trunfo do livro está no seu final brutalmente esmagador, que só é tão surpreendente assim graças ao desenvolvimento de pequenas cenas dentro da trama, que à primeira vista parecem desconexas, mas são um soco no estômago no fim. A sensação é: como eu não consegui ver isso antes! Sem sombra de dúvidas O Menino que Desenhava Monstros tem um dos finais mais surpreendentes que já li e isso o coloca como o melhor lançamento do gênero do primeiro semestre!

   Os Condenados é mais do que uma simples história sobrenatural sobre assombrações, é um envolvente suspense psicológico que fala sobre os fantasmas pessoais, nascidos das cicatrizes de traumas da infância e de relacionamentos abusivos, e a força necessária para enfrentá-los, cuja semente está no poder do amor. Andrew Pyper constrói um clima sólido de suspense, cenas de ação e tensão são complementadas por ótimos personagens, sua escrita é mais pessoal e intimista, consegue envolver o leitor através de uma empatia e carisma que não estavam presentes em Demonologista, o vilão aqui é muito mais assustador por seu caráter único, é alguém que você ama. A narrativa é rápida, mas não é apressada, há uma história para ser contada aqui, as aflições de um homem em sua batalha individual contra seus demônios particulares, e Andrew Pyper toma o tempo necessário para fazê-lo. Em comparação com O Demonologista, em Os Condenados há uma liberdade maior para a criação do ambiente sobrenatural, já que o autor não é limitado pela obra de terceiros e nem pela preocupação de ferir a crença religiosa de alguém, não há linhas em branco para sua imaginação preencher, o final é fechado e não deixa margens para interpretações. Não é um livro que vai te dar medo, mas é um livro que vai te fazer prender o fôlego e devorar suas páginas até a última linha, roendo as unhas de tensão. Se você procura uma leitura instigante e divertida Os Condenados é o livro perfeito para você.

Evangelho de Sangue de Clive Barker
   Evangelho de Sangue se inicia com um dos prólogos mais insanos já escritos, uma overdose de visões chocantes embaladas numa refinada e  escatológica compilação de cenas que fertilizarão o solo da sua mente para uma bela safra de pesadelos.   Evangelho de Sangue é uma mistura de suspense sobrenatural com fantasia permeado com cenas sangrentas e profanas, Clive Barker mergulha suas mãos nas vísceras pútridas de seu universo de personagens para conectar as cicatrizes de antigos pesadelos, estórias passadas, criando assim interseções de começos e fins. Sua escrita é bastante pesada, carregada de adjetivos macabros e cenas chocantes que fazem até o mais empedernido dos leitores de horror respirar fundo e engolir seco, na tentativa de digerir o que seus olhos leem. Como sempre, não indico Clive Barker aos que possuem estômago fraco ou se chocam com facilidade, nada do que você tenha lido antes consegue te preparar para o que é a real sensação de ler uma estória de Clive Barker, a excitação se mescla com a repulsão, uma curiosidade pegajosa e mórbida similar àquela que nos guia em direção a acidentes fatais. Clive Barker conhece como ninguém os recônditos mais sombrios da alma humana, em especial aquele pedaço animalesco que saliva com o cheiro de sangue. 


   Frank é um jovem que vive isolado em uma ilha com seu pai, como forma de aliviar a angústia de uma vida difícil e solitária, ele cria pequenos ritos diários que envolvem atos bizarros de violência, crueldade e profanação. O mais perturbador de Fábrica de Vespas é a forma banal que o protagonista encara a violência, o olhar desinteressado sobre a dor e o prazer nos métodos de causá-la, impregnam a mente do leitor como uma mancha negra, deixando seu cérebro tão anestesiado cenas de crueldade, que chega um momento em que o mesmo já não é mais capaz de distinguir o que é violência e o que não é. Para completar o pacote, quando você menos espera é nocauteado por um final que te faz sentir como se seu cérebro tivesse sido arrancado de dentro da cabeça e batido dentro de um liquidificador.

      Spider traz a história de um homem atormentado por lembranças de sua adolescência. Desde o início o leitor é confrontado por uma narrativa irregular, é possível experimentar a loucura e o desespero do narrador na sua busca por reunir os fragmentos de memórias, para determinar o que realmente aconteceu. Tudo parece confluir para dois momentos traumáticos: o assassinato de sua mãe e a chegada da prostituta que veio viver com seu pai. Isso é tudo o que você precisa saber para adentrar o labirinto da mente de Spider, caminhe com cuidado e preste muita atenção às interseções, pois a descoberta que lhe aguarda no final é tão angustiante que vai quebrar algo dentro de você.

 Ed e Lorraine Warren: Demonologistas é a biografia que narra a trajetória deste casal, desde suas primeiras experiências com o sobrenatural, atravessando seus principais e mais difíceis casos, até o início dos anos oitenta, época em que o livro foi publicado. A finalidade da obra não é assustar, mas sim trazer informação sobre os perigos que nos espreitam na escuridão, embora muitas passagens sejam tão tensas que conseguem te deixar completamente arrepiado e com a incômoda sensação de estar sendo observado, mesmo estando sozinho no aposento. O autor, Gerald Brittle, soube transpor as entrevistas para o papel de um modo didático e instigante, a forma como os casos foram abordados conquista nossa curiosidade desde a primeira página e como o próprio afirma em uma passagem: "a qualquer um que solicite provas de "verdadeiros casos de possessão" a Ed e Lorraine Warren é melhor munir-se de coragem o suficiente para permanecer sentado durante a reposta."


   Os Meninos é um livro pequeno e a narrativa rápida e concisa de Juan José Plans faz com que a leitura seja deliciosamente ininterrupta, escrito um ano antes do conto As Crianças no Milharal de Stephen King, hoje é um livro praticamente desconhecido, apesar de seu texto ter envelhecido razoavelmente bem, seus personagens tornaram-se o típico casal clichê das histórias de terror dos anos setenta. A única edição nacional é da editora Artenova de 1976, que para variar conta com erros ortográficos ultrajantes. A história foi adaptada para o cinema no mesmo ano com o titulo ¿Quién puede matar a un niño? (Os Meninos) e em um remake de 2012, Come Out and Play (Brincadeiras de Criança). Se você procura uma leitura viciante e descompromissada, boa companhia para uma viagem ou uma tarde ensolarada, Os Meninos é a indicação perfeita para você.


O Mythos: O Fim do Mundo é logo ali de M.R.Terci

   Mythos: O Fim do Mundo é logo ali é a consolidação da grandiosa mitologia da obra de M. R. Terci, completada pela a série o Bairro da Cripta e a Trilogia Caídos, e a expressão máxima do horror e dos poderes dos Deuses Antigos Brasileiros. Quando os primeiros jesuítas portugueses colocaram os pés na colônia, com ordens para catequizar o povo indígena da região, descobriram que as crenças locais eram povoadas por criaturas assustadoras e de grande poder, em Abandonai Toda a Esperança, um pouco deste primeiro embate é mostrado. Mythos se passa nos dias atuais, com profundas referências a Monteiro Lobato, o nosso Abdul Alhazred, mostra uma realidade profundamente afetada pelos deuses indígenas, mesclando suspense policial com fantasia urbana, traz como resultado uma aventura imperdível e nostálgica. 


Ultra Carnem de Cesar Bravo

   Ultra Carnem é Cesar Bravo no ápice de sua imaginação, o mestre da literatura de terror nacional que surgiu nos confins mais obscuros da internet, selou um pacto com a editora Darkside Books e sua primeira cria monstruosa é nada menos que uma expansão do universo do, já clássico, Além da Carne. O cerne de Ultra Carnem está em uma tinta mágica feita de sangue, concebida durante um pacto entre um cigano e o diabo, que atiça a cobiça de homens e demônios, em uma narrativa que une cirurgicamente quatro estórias através de suas entranhas pútridas. A leitura é deliciosamente visceral, a mesma frase que tê seduz, te enoja, em uma constante altercação entre o belo e o profano, marca registrada do estilo autêntico e único de Cesar Bravo. Minha leitura favorita de 2016!


Bom Dia, Verônica de Andrea Killmore

Bom dia, Verônica foi a grande surpresa de 2016, um suspense policial que alia uma estória sensacional, tão macabra quanto inovadora, com uma escrita primorosa, que seduz pela qualidade e agilidade do enredo e uma protagonista inesquecível que enfrenta um vilão assustador, não pelos métodos cruéis pelo qual tortura e mata, mas sim pela semelhança com a realidade. É um livro brutal e perturbador, é quase como se suas páginas fossem feitas de cacos de vidro e giletes e cada vez que o leitor avança de uma para outra é cortado profundamente por seu conteúdo. É o tipo de leitura que atinge fundo o âmago de  cada um, faz refletir e provoca mudanças, é difícil acreditar que este é o primeiro livro de Andrea Killmore, muitas vezes o monstro não vive na escuridão da noite ou escondido em florestas sombrias, às vezes você interage com ele e não sabe, seu disfarce é perfeito, ele pode ser a pessoa que dá bom dia todas as manhãs ou que senta ao seu lado no ônibus diariamente. Pior, ele pode ser a pessoa com quem você divide a cama todas as noites.

Jantar Secreto de Raphael Montes

   Jantar Secreto é um livro para ser devorado sem moderação, Raphael Montes acertou a mão nesta narrativa que mistura a agilidade de um bom suspense com o toque macabro da antropofagia gourmet. Na estória um grupo de jovens do interior é forçado a adotar medidas drásticas para sobreviver na cidade grande, através de uma página na internet anunciam o serviço de jantares secretos, exclusivos para a nata da alta sociedade carioca, cujo prato principal é nada menos que carne humana. Raphael Montes consegue capturar a atenção do leitor logo nas primeiras páginas e a mantém através de um clima sufocante de suspense que aumenta sua pressão à cada linha, um livro que cumpre sua função e no final deixa como herança a sensação de saciedade, ou seria a vontade de degustar uma carne mais exótica?

Alien: Surgido das Sombras de Tim Lebbon

  Alien: Surgido das Sombras é o ótimo início da trilogia que expande o universo cinematográfico do xenomorfo, o livro é uma continuação direta do primeiro filme, mas apesar disso funciona extremamente bem como livro solo. Alien tem uma premissa comum no gênero, um grupo de pessoas visita um local que não deveria e acaba despertando forças além de sua compreensão, só que a estória ao invés de se passar em uma cabana no meio da floresta ou em ruínas de construções antigas, tem como ambientação o espaço. Eis o segredo da trama, a claustrofobia e a noção de que não há ajuda em um raio de dezenas de anos-luz. Tim Lebbon explora com perfeição essas emoções, superando a novelização de Alan Dean Foster, com descrições de cenários e personagens que desafiam a imaginação do leitor. O livro traz algumas respostas aos fãs de Alien, mas como bom primeiro livro de trilogia, serve mais como base para acontecimentos futuros do que qualquer outra coisa, de modo que cada resposta sua gera novos questionamentos mais complexos que o anteriores.

A Cidade dos Espelhos de Justin Cronin

A Cidade dos Espelhos é a aguardada conclusão da trilogia A Passagem de Justin Cronin, os fãs podem respirar aliviados porque cada segundo de espera valeu a pena, o resultado é um dos maiores clássicos pós-apocalípticos de todos os tempos. O primeiro ponto a se destacar é a forma suave como este livro se encaixa com os outros dois, cada pequena linha narrativa tem seu par, cada personagem é tratado com carinho e tem um final conclusivo, todas as pontas são amarradas, cada ponto obscuro é iluminado, enfim se você gosta de narrativas em que cada detalhe é explicado, Cidade dos Espelhos vai te causar um orgasmo. A sensação ao completar a leitura é de realização e saciedade, é difícil uma série conseguir isso, quase sempre fica um ponto em aberto, mas Justin Cronin consegue criar um final belo e emocionante. A Trilogia A Passagem toma seu lugar como um dos clássicos da nossa era.

9 comentários :

  1. Amei a lista!!!!! E que bom que o blog tá no sexto ano e ativo!Parabéns , Rafa.

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  2. otima lista. Alguns ja conhecia, esses outro vou procura ler. Parabens pelo site, é íncrivel. <3

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  3. Obrigado pela menção. Encontrar meu nome na Biblioteca do Terror é sempre um prazer insano! Abração

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  4. É o "Oscar da Literatura de Horror" nas terras tupiniquins. O emblemático Biblioteca do Terror consolida a tradição ao destacar os melhores livros do gênero. Eu vejo escritores de renome internacional, vejo grandes revelações no meio literário nacional, vejo pessoas que admiro e vejo meu nome entre eles. Rafa, não posso afirmar que é uma honra, pois a honra é um atributo humano que é aplicado aos indivíduos que se comportam estritamente de acordo com as normas morais e sociais. E, eu fui um menino muito, muito mal durante o ano de 2016. De maneira que em 2017 vou ser muito pior. Obrigado. Meu ano começou agora.

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  5. Gostei demais da lista. Alguns eu não conhecia e aproveitei para adicionar na minha lista.

    Bjos

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  6. Parabéns pelo sexto ano! Que continue sempre ativo nos dando sempre o melhor do terror! Tive muitas surpresas nessa lista, pois conheço poucas obras, (as mais novas somente) Como sempre o blog está show! Parabéns Rafael!!

    www.lendo1bomlivro.com.br;
    Instagram :) @lendo1bomlivro;

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  7. Dark Side deu um show em 2016, torcendo para um 2017 melhor ainda, Rapha some não cara,kkkkk.

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  8. Não sei nem o que dizer ao ver meu livro no meio dessa galera :D Muito obrigado :)

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  9. Melodia do mal é surreal de bom! Me surpreendeu de um jeito que eu não esperava, e olha que não sou fraco pro terror, mas a passagem que vc descreveu me fez parar a leitura para respirar...hahah
    Abraço

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