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3 de maio de 2017

Strange Weather | Conheça o novo livro de Joe Hill

Enquanto aguardamos o anúncio oficial da editora Arqueiro sobre a data de publicação de The Firemam no Brasil, foram revelados detalhes sobre o novo livro de Joe Hill, Strange Weather. O livro conterá quatro novelas: uma envolvendo fragmentos de cristais afiados que inexplicavelmente começam a cair do céu; um paraquedista que se vê abandonado em uma nuvem sólida; um segurança mentalmente desajustado e uma câmera que apaga memórias.

Strange Weather chegará às livrarias americanas em 24 de Outubro.

1 de maio de 2017

Resenha: A Cidade dos Espelhos de Justin Cronin

“O emocionante final de uma trilogia que será reconhecida como um dos grandes feitos da ficção fantástica americana.” – Stephen King

“Nesta conclusão de sua trilogia épica, Justin Cronin apresenta toda a dor, a alegria e as reviravoltas do destino que os eventos de A passagem e Os Doze prenunciaram. Como nos livros anteriores, traz um grande elenco de personagens, todos eles com personalidades plenamente desenvolvidas e que cativam o leitor.” – Publishers Weekly

A Ascensão do Mito do Vampiro
   Crenças e mitos sobre vampiros surgiram em várias culturas ao redor do mundo ao longo dos séculos, histórias que mesclavam o misticismo à religião em um amálgama que era uma fonte real de terror para a população, tanto que o vampiro clássico, assim como o conhecemos hoje, o cadáver que se ergue de seu caixão para sugar o sangue dos vivos e assim manter sua aparência eternamente jovem, nasceu através dos relatos de histeria coletiva que assombraram a Europa na Idade Média. Um dos casos históricos mais famosos que ilustra o clima de horror da época é o de Peter Plogojowitz, que  morreu em setembro de 1828, aos 62 anos, em um pequeno vilarejo sérvio.

  Três dias após sua morte, Plogojowitz apareceu à noite para sua família exigindo comida, duas noites depois quando retornou, seu filho, que se recusou a atendê-lo, foi encontrado morto na manhã seguinte. O pavor tomou conta do vilarejo quando vários moradores começaram a apresentar os sintomas de uma estranha doença, palidez e indisposição, cuja causa foi identificada como perda excessiva de sangue. Logo se espalharam relatos de sonhos nos quais Plogojowitz fazia uma visita noturna às vítimas para sugar seu sangue através de uma mordida no pescoço. Nove pessoas morreram desta estranha doença nas semanas seguintes. 

  Um grupo foi reunido para exumar os cadáveres, mas quando os caixões foram abertos foi notado que o corpo de Plogojowitz estava bem conservado, seus olhos estavam abertos e sua pele corada, porém o mais terrível era que havia sangue fresco em seus lábios. Uma estaca foi cravada em seu coração e diz-se que sangue verteu da ferida, seu corpo então foi queimado e os restos de suas supostas vítimas, após verificado não haver sinais de vampirismo, foram envoltos em alho e enterrados em solo sagrado novamente. 

   Relatos como esse acenderam o temor público dos vampiros, com tamanha popularidade não demorou muito para que as criaturas invadissem também a literatura. As primeiras estórias eram francamente inspiradas em fatos reais e o vampiro era retratado como nada mais que um parasita morto-vivo, cuja única preocupação era a alimentação. E assim o vampiro começou a assombrar as páginas da ficção, porém o público dessas estórias eram em grande parte nobres que na segurança de seus castelos e mansões viam a tudo aquilo como uma fantasia camponesa. Foi então que o vampiro passou por sua primeira grande transformação, para se inserir no ambiente de seu leitor, a criatura sanguinária ganhou atributos carismáticos e sensuais, uma figura sombria que reina até hoje e cujo filho pródigo mais sombrio é o Drácula de Bram Stoker. 

O Apocalipse Vampiro e o Renascimento Vampírico
   Lançado em 1897, Drácula de Bram Stoker se tornou o padrão de comparação para qualquer outro romance sobre vampiros, seu grande sucesso fez com que as histórias vampíricas se popularizassem e nas décadas seguintes dezenas de livros inflaram o subgênero até a decadência. O mundo havia mudado, duas guerras atualizaram as definições de horror da humanidade e os monstros que  jaziam em castelos europeus obscuros já não causavam medo nos leitores. Foi só em 1954 que surgiu outra obra que conseguiu ter o mesmo impacto e ousar para além dos limites conhecidos do gênero.  Foi Richard Matheson e seu clássico Eu sou a Lenda.

  Matheson inovou ao realizar a dissecação do mito clássico do vampiro através de uma ótica científica, considerando o próprio vampirismo como uma doença, porém mais do que isso, ele é responsável por trazer as criaturas sanguinárias de sua morada européia para o ambiente comum do americano médio. Nos últimos anos o apocalipse ganhou popularidade na cultura popular e o tema do apocalipse vampiro voltou a ser explorado pelos escritores. Pode-se destacar como exemplo a fantástica Trilogia da Escuridão de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan; o nacional Noite Maldita de André Vianco ou a trilogia A Caçada de Andrew Fukuda. Mas nenhum mergulhou tão fundo no gênero como Justin Cronin e sua Trilogia da Passagem.

A Cidade dos Espelhos ou a Épica Conclusão de um Clássico!

  E com toda essa explicação histórica este é o exato ponto onde eu queria chegar: para uma obra conseguir se afirmar como um clássico da literatura é preciso forçar os limites do gênero e percorrer caminhos nunca antes explorados; é preciso tatear pela escuridão da incerteza guiado apenas pela luz da criatividade, sem saber o que irá encontrar no final ou até mesmo se chegará até lá. Justin Cronin consegue fazer isso e o resultado é a trilogia A Passagem, um épico que rompe as fronteiras do horror, da ficção científica e da fantasia para ser a obra definitiva sobre o apocalipse vampiro.

   A Cidade dos Espelhos é a peça final que se encaixa com perfeição no grande mosaico formado por A Passagem e Os Doze, sua narrativa além de elevar a trama principal a outro patamar, explicita com perfeição cada ponto obscuro deixado pelos livros anteriores. "Origens", "porquês" e "comos" são amarrados com maestria, em nenhum momento Cronin força uma conclusão apressada, as mais de seiscentas páginas do livro tomam o tempo necessário para contar sua estória, seja através dos flashbacks que constroem a base para o entendimento dos acontecimentos do presente ou no próprio desenvolvimento da narrativa. 

  A estória do último livro da trilogia começa alguns anos depois da conclusão de Os Doze, após um século de escravidão e terror, a humanidade finalmente está passando por uma época de paz e sossego, tanto que a própria lembrança do que aconteceu está começando a desbotar e adquirir o tom místico das lendas antigas. A Queda aconteceu há tanto tempo que as novas gerações já esqueceram de como era a vida nas grandes cidades, hoje gigantescos monumentos fúnebres que marcam o que a humanidade perdeu; e o mais importante esqueceram que o mal se originou em meio aquelas ruínas e que ainda jaz naqueles destroços, apenas esperando a hora certa para ressurgir. E esse momento se aproxima cada vez mais. 

   Se você gostou dos dois primeiros livros, A Cidade dos Espelhos não vai te decepcionar. Justin Cronin cumpre com toda a expectativa que cresceu ao longo dos anos, cada segundo de espera para o aguardado lançamento deste livro vale a pena quando você lê a página final e se despede dos protagonistas, o autor consegue surpreender dando um final belo e emocionante para uma trilogia que se iniciou de forma tão violenta e assustadora. Há muito tempo eu não terminava a leitura de uma trilogia me sentindo tão satisfeito e saciado com as respostas que encontrei, geralmente os autores preferem deixar espaço para a imaginação do leitor completar o quadro final, mas a trilogia A Passagem não. E a sensação é ótima. É uma leitura obrigatória a todo fã do gênero, ou melhor, a todo leitor que adora uma história bem contada.  

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

30 de abril de 2017

Lista dos Vencedores do Bram Stoker Awards 2016

   O Bram Stoker Awards, o prêmio máximo da literatura de horror, é concedido anualmente pela The Horror Writers Association para os trabalhos que mais se destacaram em cada uma das onze categorias da premiação, que vão desde melhor romance de estreia até melhor roteiro. Este ano o evento nomeado em homenagem ao autor do clássico Drácula, aconteceu na noite de sábado, dia 29 de abril, confira a lista dos ganhadores e respectivas sinopses:

Superior Achievement in a Novel (Melhor Romance)
The Fisherman de John Langan 
  No estado de New York, nos arredores de Woodstck, o Dutchman’s Creek flui para fora do reservatório Ashokan. Sua inclinação torna a correnteza rápida, oferecendo a promessa de boa pesca e de algo mais, uma possibilidade fantástica demais para ser real. Quando Abe e Dan, dois viúvos que encontram consolo na companhia um do outro e na paixão compartilhada por pescaria, ouvem o rumor sobre o rio e o que pode ser encontrado lá, o remédio para suas perdas, eles o descartam como sendo apenas mais uma história de pescador. No entanto, logo se veem envolvidos em uma lenda tão antiga e profunda quanto o reservatório. É uma história sobre pactos sombrios, segredos enterrados há muito tempo e de uma figura misteriosa conhecida como: o Pescador. Ele colocará Abe a Dan face a face com tudo o que perderam e com o preço de deverão pagar para recuperá-lo.


Superior Achievement in a First Novel (Melhor Romance de Estreia) 
Haven de Tom Deady
   Em 1961, a pequena cidade de Haven pensou que havia se livrado de seu monstro. Depois de uma série de assassinatos de crianças, Paul Greymore foi encontrado carregando uma menina ferida. Seu rosto, desfigurado por um acidente na infância, parecia confirmar que ele era o monstro que a comunidade buscava. Com Paul na prisão, os assassinatos pararam. Por dezessete anos, Haven conheceu a calmaria novamente.
   Mas Paul cumpriu sua pena e agora retornou a Haven - a cidade onde cresceu e cenário de seus supostos crimes. Ele insiste que ele não cometeu esses crimes e várias pessoas da cidade acreditam nele, incluindo o padre local, um rapaz chamado Denny, e seu melhor amigo Billy. O problema é que, agora que Paul está de volta em casa, os assassinatos bizarros começaram novamente - e os padrões combinam com as mortes do passado de Haven. Se Paul não é o assassino, quem é? Ou o QUE é?
   Um grupo improvável de aventureiros tenta descobrir a verdade, mergulhando em túneis há muito escondidos que podem ser habitados por uma estranha criatura predatória. Haven é um épico de horror convincente no espírito de It - A Coisa ou Summer of Night, um romance de estreia impressionante de um talentoso autor que sabe que os horrores mais sombrios espreitam dentro dos seres humanos, mesmo quando há um monstro à solta.

Superior Achievement in a Young Adult Novel (Melhor Romance Juvenil)
Snowed de Maria Alexander
   Charity Jones é uma adolescente de 16 anos, gênio em engenharia, que sofre intimidação em sua escola, por conta sua origem e seu ceticismo, no conservador Condado de Oak, Califórnia. Tudo muda em sua vida quando sua mãe, assistente social, traz para casa um jovem fugitivo chamado Aidan para passar as férias. Semelhantes em vários sentidos, Charity e Aidan rapidamente se apaixonam. Mas parece que ele não é a única novidade: Charity encontra o cadáver, brutalmente assassinado, de um dos seus piores perseguidores da escola e juntando as peças descobre que um assassino está agindo no Condado de Oak. Enquanto ela e seu clube de céticos investigam esta e outras mortes, chegam à conclusão de que a cada descoberta o mistério torna-se mais sombrio e mortal. Uma coisa é certa: há uma batalha sangrenta nesta temporada de férias que vai mudar suas vidas - e história da humanidade - para sempre. Eles estarão prontos?

Superior Achievement in Long Fiction (Melhor Ficção Longa/Novela) 
The Winter Box de Tim Waggoner
   É o aniversário de vinte e um anos de casamento de Todd e Heather. Uma nevasca explode fora de sua casa, mas está muito mais frio lá dentro. Seu casamento está caindo aos pedaços, o amor que uma vez compartilharam acabou e em seu lugar há apenas um ressentimento amargo. À medida que a noite avança, coisas estranhas começam a acontecer na casa - coisas ruins. Se eles conseguirem trabalhar juntos, podem encontrar uma maneira de sobreviver até de manhã ... mas apenas se não abrirem a Caixa de Inverno.

Superior Achievement in Short Fiction (Melhor Conto)
“The Crawl Space” de Joyce Carol Oates, publicado em Ellery Queen Magazine

Superior Achievement in a Fiction Collection (Melhor Coletânia de Contos)
The Doll-Master and Other Tales of Terror de Joyce Carol Oates
   De uma das escritoras contemporâneas mais importantes, The Doll-Master e and Other Tales of Terror é uma coleção de seis histórias assustadoras. Na história do título, um jovem se torna obcecado com a boneca de sua prima, após ela morrer tragicamente de leucemia. À medida que envelhece, ele começa a coletar "bonecas encontradas" em bairros vizinhos e armazena seus tesouros em uma estação abandonada na propriedade de sua família. Mas que tipo de bonecas será que são aquelas? Em "Gun Accident", uma adolescente fica emocionada quando seu professor favorito lhe pede para cuidar de sua casa enquanto está fora, mas quando um intruso invade a residência enquanto ela está lá, o destino de mais de uma vida é mudado para sempre. Em The Doll-Master e and Other Tales of Terror, Joyce Carol Oates evoca o "fascínio da abominação" que está no cerne da mais profunda, mais perturbadora e mais memorável história humana.

Superior Achievement in an Anthology (Melhor Antologia)
Borderlands 6 org. de Oliva F. Monteleone & Thomas F. Monteleone
  Esta antologia não temática de horror apresenta obras nunca antes publicadas de: Louis Dixon, John McIlveen, Jack Ketchum, Rebecca J. Allred, Dan Waters, Michael Bailey, John Boden, Trent Zelazny e Brian Knight, Bob Pastorella, Peter Salomon, Carol Pierson Holding, Steve Rasnic Tem, Darren O. Godfrey, David Annandale, Anya Martin, G. Daniel Gunn e Paul Tremblay, Gordon White, Sean M. Davis, Tim Wagoner, Bradley Michael Zerbe e Gary A. Braunbeck . Incluindo também uma novela, já publicada anteriormente de David Morrell

Superior Achievement in Non-Fiction (Melhor Não-Ficção)
Shirley Jackson: A Rather Haunted Life de Ruth Franklin
   Ainda reconhecida por milhões principalmente como autora de The Lottery, Shirley Jackson (1916-1965) está curiosamente ausente do cânone literário americano mainstream. Um gênio do suspense literário e horror psicológico, Jackson sondou a ansiedade cultural da América do pós-guerra mais profundamente do que ninguém. Agora, a biógrafa Ruth Franklin revela a vida tumultuada da autora de clássicos como A Assombração na Casa da Colina e Sempre Vivemos no Castelo.
   Colocando Jackson dentro da tradição gótica americana, cujas raízes remetem à Hawthorne e Poe, Franklin demonstra como sua contribuição única para este gênero veio de seu foco no "horror doméstico". Quase duas décadas antes de a Mística Feminina acender o movimento das mulheres, as histórias de Jackson e as crônicas de não-ficção já exploravam a exploração e o isolamento desesperado das mulheres, particularmente das mulheres casadas, na sociedade americana.
   Cada vez mais presciente, Shirley Jackson emerge como uma ferozmente talentosa, determinada e prodigiosamente criativa escritora em um tempo quando era incomum para uma mulher ter uma família e uma profissão. Uma mãe de quatro filhos e a esposa do proeminente crítico e acadêmico do New Yorker Stanley Edgar Hyman, Jackson viveu uma vida aparentemente bucólica na cidade de North Bennington, Vermont, na Nova Inglaterra. No entanto, bem como suas histórias, que canalizavam o ocultismo enquanto explorava a claustrofobia do casamento e da maternidade, a ascensão criativa de Jackson era assombrada por um lado mais sombrio. Como sua carreira progrediu, seu casamento tornou-se mais tênue, sua ansiedade aumentou, e ela tornou-se viciado em anfetaminas e tranquilizantes. Em detalhes, Franklin examina com perspicácia os efeitos da educação de Jackson na Califórnia, na sombra de uma mãe hipercrítica, seu relacionamento com seu marido, justapondo as infidelidades de Hyman, comportamento dominador e ciúme profissional com sua infalível admiração pela ficção de Jackson.
   Com base em uma abundante correspondência previamente desconhecida e dezenas de novas entrevistas, Shirley Jackson - uma exploração de um talento surpreendente formada por uma infância prejudicial e um casamento turbulento - torna-se a biografia definitiva de um avatar geracional e de um gigante literário americano.

Superior Achievement in a Poetry Collection (Coletânea de poemas)
Brothel de Stephanie M. Wytovich
   Wytovich interpreta uma madame em uma coleção de horror erótico que desafia a conexão filosófica entre a morte e o orgasmo. Há um striptease que acontece no bordel que não é nem fato nem ficção, nem fantasia e nem memória. É uma dança do erotismo, da morte e da decadência. O corpo humano torna-se uma estação de serviço para a dor, para o prazer, para o solitário e o confuso. A sexualidade está pendurada na porta e o ato de amar está longe de tudo o que é decente. Suas mulheres abrem suas pernas para a violência, para em seguida, fumar um cigarro e ficar de quatro patas. Eles usam seus corpos como armas e aprendem a encontrar-se no clímax dos limites que cruzam, a fim de definir sua humanidade... ou falta dela.
   Wytovich nos mostra que a definição do feminino não está associada à palavra vítima. Seus personagens ressuscitam uma e outra vez, lutando contra estereótipos, matando expectativas. Ela nos mostra que o sexo não é sobre o amor; é sobre controle. E quando o controle é desproporcional à fantasia, ela nos mostra o verdadeiro significado de femme fatale.

Superior Achievement in a Graphic Novel (Melhor Graphic Novel)
Kolchak the Night Stalker: The Forgotten Lore of Edgar Allan Poe
   Entre histórias de corações delatores e enterros prematuros, de gatos pretos e da morte vermelha, o repórter Carl Kolchak luta com horror e loucura cada vez mais profundos quando os eventos dos contos de Edgar Allan Poe ganham vida na moderna Baltimore.

Superior Achievement in a Screenplay (Melhor Roteiro)
A Bruxa, roteiro de Robert Eggers
   Nova Inglaterra, década de 1630. O casal William e Katherine leva uma vida cristã com suas cinco crianças em uma comunidade extremamente religiosa, até serem expulsos do local por sua fé diferente daquela permitida pelas autoridades. A família passa a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Um dia, o bebê recém-nascido desaparece. Teria sido devorado por um lobo? Sequestrado por uma bruxa? Enquanto buscam respostas à pergunta, cada membro da família enfrenta seus piores medos e seu lado mais condenável.

26 de abril de 2017

5 Motivos para aguardar ansiosamente o Coração Satânico de William Hjorstberg voltar a pulsar!

   Coração Satânico é uma das minhas leituras favoritas de todos os tempos, sempre que alguém me pede uma indicação de livro de terror este é um dos nomes que está na ponta da língua, e  não é só porque durante a leitura, a mistura realista entre suspense policial e terror, me fez pensar duas vezes antes de enfrentar a escuridão da madrugada para ir ao banheiro, ou pelo final extremamente perturbador, mas também porque todas as pessoas me deram feedback da leitura foram unânimes: este é um livro assustador pra cacete! A obra, que estava em estado de raridade, recebeu uma transfusão de sangue dark e uma nova edição diabólica está sendo invocada. No próximo mês os leitores já poderão dissecar e degustar seus próprios corações satânicos, mas nada melhor pra aguçar o apetite do que uma breve lista de motivos para aguardar ansiosamente esta preciosidade.

1. O final vai explodir sua mente, partir sua alma ao meio e despedaçar seu coração!
   É sério. Coração Satânico tem um dos finais mais perturbadores que eu já li. Do tipo que você devora as páginas em um primeiro momento e depois relê várias vezes até conseguir acreditar que realmente é aquilo o que acontece. 

2. Um noir místico-ocultista-satânico!
   Coração Satânico mescla a agilidade de um suspense policial com o clima de uma história de horror, é uma trama insidiosa que testa a sua sanidade com ataques rápidos e ferozes, o primeiro é uma facada no cérebro, a mente é desafiada a acompanhar o desenrolar do mistério inicial, quando você começa a achar que está entendendo, o próximo ataque é desferido direto no coração, o medo e a tensão aumentam sua frequência cardíaca causando arrepios e calafrios, e então quando você menos espera, surge o ataque mais baixo, um horror que corrói os intestinos e deixa um gosto ruim na boca, transformando toda sua coragem em um pântano fecal.

3. Reinventando velhos medos!
  Coração Satânico foi publicado originalmente em 1978, numa época em que o furor das conspirações satânicas no gênero estava em decadência, o sucesso que O Bebê de Rosemary e O Exorcista alcançaram fez com que suas premissas fossem replicadas exaustivamente, Hjorstberg imprimiu um novo fôlego para o gênero ao trazer uma abordagem mais realista e obscura, mergulhando fundo em temas tabus, como o vodu, para descobrir novas criaturas rastejando nos velhos medos.

4. Viciante e vertiginoso.
   Se você tiver coragem o suficiente para encarar a leitura é melhor separar um tempo para Coração Satânico, pois uma vez que você começa a ler é extrememente difícil se afastar do livro, é como se seu espírito fosse possuído e aprisionado dentro daquelas páginas... E no final, talvez você descubra que uma parte dele jamais sairá de lá.

5. A Edição da Darkside Books.
   Coração Satânico é mais um livro que a Darkside Books retira do estado de raridade, a única edição brasileira era a da Best Seller de 1988, a capa da nova edição conseguiu capturar a aura mística e de estranhamento da estória de um modo que só é possível entender após se recuperar do choque das páginas finais, um coração humano embrenhado com uma serpente e uma galinha preta. Coração Satânico chegará as livrarias no final de maio, em capa dura e com 320 páginas!

23 de abril de 2017

Resenha: Bazar dos Sonhos Ruins de Stephen King

   Stephen King fez sucesso escrevendo sobre as sombras da noite, mesmo mostrando que podia discorrer sobre as quatro estações, foi sua tripulação de esqueletos que o tornou conhecido, deste modo acabou mergulhando depois da meia noite em pesadelos e paisagens noturnas para mostrar que tudo é eventual e agora, ao cair da noite, em meio a escuridão total sem estrelas, nos mostra seu bazar de sonhos ruins. O próprio King adverte: fique à vontade para escolher seus produtos, mas tenha cuidado, pois os melhores têm dentes.

  O Bazar dos Sonhos Ruins é a nova coleção de contos de Stephen King e reúne seus últimos trabalhos no gênero, formada por 19 contos (coincidência?) e dois poemas, grande parte já publicados em revistas ou em formato digital, sendo que dois deles, Mister Delícia e Obituários são inéditos, este último recebeu o Edgar Alan Poe Award de melhor conto.  O diferencial desta coleção está nas breves introduções que Stephen King faz antes da cada uma das estórias, uma espécie de carta direta para o seu leitor fiel na qual discute suas inspirações e contextualiza aspectos pessoais presentes no texto. O que, é claro, melhora ainda mais a experiência da leitura.

   Não há como definir a coleção dentro de um só gênero, especialmente para este bazar Stephen King escolheu suas criações mais brilhantes e sombrias, desde o horror explícito de um carro canibal em Milha 81 até o suspense dramático de Obituários. É possível, porém traçar um tema comum à todas as narrativas, a morte é uma presença que paira através de cada linha e seu abraço gelado é a fonte de todos os sonhos ruins... 

  Os protagonistas de todas as estórias, de forma direta ou indireta, são forçados à encarar a morte, seja a de um estranho ou um ente querido, em um acidente ou um assassinato, ou até mesmo enfrentar a estranha jornada de sua própria morte. King descreve com detalhes seus sonhos ruins acerca da mortalidade e o medo do que nos espera no além, alguns escritos na mesma época que o sombrio Revival, sua incursão mais aprofundada ao tema.

   Ler esta coleção de Stephen King é como entrar em uma casa assombrada, a grande emoção está em testar cada maçaneta para descobrir que tipo de estória bizarra jaz atrás de cada uma das portas obscuras, por isso não vou entrar em detalhes sobre cada conto. Mas deixo o breve aviso: cuidado com o garotinho malvado e não escreva obituários. Sua única luz ao caminhar pelas páginas deste livro será a pequena lanterna que King oferecerá antes de cada conto, não a desperdice. Stephen King não decepciona em O Bazar de Sonhos Ruins.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)