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26 de abril de 2017

5 Motivos para aguardar ansiosamente o Coração Satânico de William Hjorstberg voltar a pulsar!

   Coração Satânico é uma das minhas leituras favoritas de todos os tempos, sempre que alguém me pede uma indicação de livro de terror este é um dos nomes que está na ponta da língua, e  não é só porque durante a leitura, a mistura realista entre suspense policial e terror, me fez pensar duas vezes antes de enfrentar a escuridão da madrugada para ir ao banheiro, ou pelo final extremamente perturbador, mas também porque todas as pessoas me deram feedback da leitura foram unânimes: este é um livro assustador pra cacete! A obra, que estava em estado de raridade, recebeu uma transfusão de sangue dark e uma nova edição diabólica está sendo invocada. No próximo mês os leitores já poderão dissecar e degustar seus próprios corações satânicos, mas nada melhor pra aguçar o apetite do que uma breve lista de motivos para aguardar ansiosamente esta preciosidade.

1. O final vai explodir sua mente, partir sua alma ao meio e despedaçar seu coração!
   É sério. Coração Satânico tem um dos finais mais perturbadores que eu já li. Do tipo que você devora as páginas em um primeiro momento e depois relê várias vezes até conseguir acreditar que realmente é aquilo o que acontece. 

2. Um noir místico-ocultista-satânico!
   Coração Satânico mescla a agilidade de um suspense policial com o clima de uma história de horror, é uma trama insidiosa que testa a sua sanidade com ataques rápidos e ferozes, o primeiro é uma facada no cérebro, a mente é desafiada a acompanhar o desenrolar do mistério inicial, quando você começa a achar que está entendendo, o próximo ataque é desferido direto no coração, o medo e a tensão aumentam sua frequência cardíaca causando arrepios e calafrios, e então quando você menos espera, surge o ataque mais baixo, um horror que corrói os intestinos e deixa um gosto ruim na boca, transformando toda sua coragem em um pântano fecal.

3. Reinventando velhos medos!
  Coração Satânico foi publicado originalmente em 1978, numa época em que o furor das conspirações satânicas no gênero estava em decadência, o sucesso que O Bebê de Rosemary e O Exorcista alcançaram fez com que suas premissas fossem replicadas exaustivamente, Hjorstberg imprimiu um novo fôlego para o gênero ao trazer uma abordagem mais realista e obscura, mergulhando fundo em temas tabus, como o vodu, para descobrir novas criaturas rastejando nos velhos medos.

4. Viciante e vertiginoso.
   Se você tiver coragem o suficiente para encarar a leitura é melhor separar um tempo para Coração Satânico, pois uma vez que você começa a ler é extrememente difícil se afastar do livro, é como se seu espírito fosse possuído e aprisionado dentro daquelas páginas... E no final, talvez você descubra que uma parte dele jamais sairá de lá.

5. A Edição da Darkside Books.
   Coração Satânico é mais um livro que a Darkside Books retira do estado de raridade, a única edição brasileira era a da Best Seller de 1988, a capa da nova edição conseguiu capturar a aura mística e de estranhamento da estória de um modo que só é possível entender após se recuperar do choque das páginas finais, um coração humano embrenhado com uma serpente e uma galinha preta. Coração Satânico chegará as livrarias no final de maio, em capa dura e com 320 páginas!

23 de abril de 2017

Resenha: Bazar dos Sonhos Ruins de Stephen King

   Stephen King fez sucesso escrevendo sobre as sombras da noite, mesmo mostrando que podia discorrer sobre as quatro estações, foi sua tripulação de esqueletos que o tornou conhecido, deste modo acabou mergulhando depois da meia noite em pesadelos e paisagens noturnas para mostrar que tudo é eventual e agora, ao cair da noite, em meio a escuridão total sem estrelas, nos mostra seu bazar de sonhos ruins. O próprio King adverte: fique à vontade para escolher seus produtos, mas tenha cuidado, pois os melhores têm dentes.

  O Bazar dos Sonhos Ruins é a nova coleção de contos de Stephen King e reúne seus últimos trabalhos no gênero, formada por 19 contos (coincidência?) e dois poemas, grande parte já publicados em revistas ou em formato digital, sendo que dois deles, Mister Delícia e Obituários são inéditos, este último recebeu o Edgar Alan Poe Award de melhor conto.  O diferencial desta coleção está nas breves introduções que Stephen King faz antes da cada uma das estórias, uma espécie de carta direta para o seu leitor fiel na qual discute suas inspirações e contextualiza aspectos pessoais presentes no texto. O que, é claro, melhora ainda mais a experiência da leitura.

   Não há como definir a coleção dentro de um só gênero, especialmente para este bazar Stephen King escolheu suas criações mais brilhantes e sombrias, desde o horror explícito de um carro canibal em Milha 81 até o suspense dramático de Obituários. É possível, porém traçar um tema comum à todas as narrativas, a morte é uma presença que paira através de cada linha e seu abraço gelado é a fonte de todos os sonhos ruins... 

  Os protagonistas de todas as estórias, de forma direta ou indireta, são forçados à encarar a morte, seja a de um estranho ou um ente querido, em um acidente ou um assassinato, ou até mesmo enfrentar a estranha jornada de sua própria morte. King descreve com detalhes seus sonhos ruins acerca da mortalidade e o medo do que nos espera no além, alguns escritos na mesma época que o sombrio Revival, sua incursão mais aprofundada ao tema.

   Ler esta coleção de Stephen King é como entrar em uma casa assombrada, a grande emoção está em testar cada maçaneta para descobrir que tipo de estória bizarra jaz atrás de cada uma das portas obscuras, por isso não vou entrar em detalhes sobre cada conto. Mas deixo o breve aviso: cuidado com o garotinho malvado e não escreva obituários. Sua única luz ao caminhar pelas páginas deste livro será a pequena lanterna que King oferecerá antes de cada conto, não a desperdice. Stephen King não decepciona em O Bazar de Sonhos Ruins.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

22 de abril de 2017

Resenha Especial: Os Pássaros de Frank Baker & Daphne du Maurier & Alfred Hitchcock

   Os Pássaros de Alfred Hitchcock de 1963 foi um dos primeiros filmes de suspense a explorar com grande êxito a premissa das histórias protagonizadas por animais assassinos, fugindo da perspectiva da ficção-científica, a qual explicava a origem de seus vilões através de mutações radioativas ou como vindos de outra galáxia, para destilar o horror através da máxima de que um simples animal inofensivo em grupo tornava-se um predador feroz.

   Na literatura esse subgênero floresceu nas décadas seguintes e não houve criatura que não inspirasse pesadelos sombrios e asquerosos: James Herbert colocou seus personagens para enfrentar uma multidão esfomeada de ratos em A Invasão dos Ratos; David Fisher explorou o horror de uma família ao enfrentar uma matilha de cães raivosos em A Matilha Assassina, cinco anos antes de Stephen King dar vida ao assustador Cujo; 

   Martin Cruz Smith mergulhou no misticismo indígena para dar vida a horda sanguinária de morcegos-vampiros de Terrores da Noite; Thomas Paige invocou das profundezas ancestrais do planeta besouros carnívoros em A Praga de Hefesto, assim como Ezekiel Boone invocou aranhas canibais em A Colônia; Arthur Herzog mostrou que abelhas são mortíferas em A Invasão das Abelhas e é claro, os pássaros ganharam destaque nas obras de  Frank Baker e Daphne du Maurier, coincidência que mais tarde acabou em polêmica.

   Voltando a Hitchcock, no final de agosto de 1961, ele se deparou com uma notícia bizarra sobre  uma cidadezinha americana, segundo o Santa Cruz Sentinel, os moradores locais foram acordados às três da manhã com o estrondo de centenas de pássaros caindo em cima de suas casas. Os mais corajosos, que pegaram suas lanternas e saíram para ver o que estava acontecendo, foram atacados por bicos e garras num frenesi de violência incitado pela luz.

   Na manhã seguinte as ruas da cidade estavam cobertas por um tapete de penas e sangue, vidros quebrados de janelas e muitas histórias de confrontos entre seres humanos e pássaros. Hitchcock interessou-se pelo tema e iniciou então uma pesquisa para seu próximo filme. O roteiro foi escrito por Evan Hunter, mais conhecido talvez como Ed Mcbain, cuja versão oficial diz que o filme Os Pássaros foi baseado em um conto de Daphne du Maurier publicado na coleção The Apple Tree, em 1952, posteriormente foi levantada a questão da similaridade da premissa do mesmo com o romance de Frank Baker, publicado em 1936.

As Aves de Daphne du Maurier
   The Apple Thee foi publicado no Brasil em 1953 pela editora Mérito, com o tíltulo de Beija-me outra vez, desconhecido e traz a única tradução do conto de Daphne du Maurier, num português anterior à Reforma Ortográfica de 1971. Contém seis estórias: Monte Veritá, uma novela que mescla fantasia e suspense, centrada em uma seita de mulheres que possui  vida eterna, com uma narrativa ágil e imersiva; As Aves; A Macieira, uma interessante estória de vingança entre um casal; O Pequeno Fotógrafo, um drama com um final trágico, porém clichê; Beija-me Outra Vez, Desconhecido, uma história chata com um plot twist interessante e O Velho, pequeno conto com um excelente final.

   As Aves é a melhor estória da coletânea e basicamente é um grande clímax onde um homem do campo tenta proteger sua família de uma invasão de pássaros, seu principal trunfo está exatamente na rapidez com que o suspense evolui, Daphne du Maurier consegue explorar maravilhosamente a sensação claustrofóbica que os protagonistas experimentam ao se verem presos em casa, fazendo uma  grande metáfora com gaiolas. A narrativa é totalmente absorvente e o texto prende o leitor até o final da leitura, muito similar ao apresentado por Hitchcock.

Os Pássaros de Frank Baker
   Há uma grande similaridade entre as narrativas de Os Pássaros de Frank Baker (1936) e A Praga Escarlate de Jack London (1912), ambas utilizam o fim do mundo como premissa para examinar os costumes sociais da Londres de suas épocas. Baker e London abordam o apocalipse de modos diferentes, enquanto o segundo opta pela destrutiva rapidez de uma doença mortal, o primeiro se apóia no lento desgastar das engrenagens sociais como efeito da invasão dos pássaros, porém os resultados são basicamente os mesmos: críticas aos costumes da época, às relações de trabalho e sociedade, assim como uma dissecação do comportamento das pessoas diante de uma catástrofe.

   Frank Baker utiliza o medo, personificado através da figura dos pássaros como ponto de partida para suas análises. A edição da Darkside Books possui uma introdução de Ken Moog, que faz uma ponte essencial entre obra e autor, contextualizando o período real com o ficcional, há muitos traços do próprio autor inseridos no protagonista e conhecendo esse paralelo entende-se melhor algumas das atitudes do personagem. O tom apocalíptico do livro não se foca no fim do mundo como um lugar físico, mas sim na própria ideia de sociedade, aproveitando até o último suspiro da civilização para descrever o quão frágil a mesma é.   

   Como livro de terror Os Pássaros tem um desenvolvimento lento, a escrita de Baker é bem descritiva e o suspense é entregue em pequenas doses ao leitor, o horror é inserido de modo subjetivo nas cenas, como uma senhora sendo atacada em meio à rua durante um belo entardecer, que servem mais para contextualizar as mudanças internas do personagem do que como cenas de horror gráfico. Mesmo assim o ritmo narrativo prende a atenção, a constante ameaça que paira no horizonte aliada a claustrofóbica narração em primeira pessoa, são ingredientes que potencializam a força da conclusão. São as páginas finais que trazem a vertiginosa explosão de penas e sangue que sacia a sede do fã do gênero.  

Sobre Pássaros e Plágios

   O primeiro ponto a se ressaltar é que o filme de Hitchcock possui muito mais em comum com o livro de Frank Baker do que com o conto de du Maurier, dizem que o próprio autor pensou em seguir adiante com um processo por direitos autorais com o filme, mas foi aconselhado sobre a dificuldade que seria efetivamente provar as semelhanças. A polêmica se estendeu à literatura, já que foi descoberto que du Maurier era parente do editor da primeira edição do livro Baker, mas o conflito não foi adiante, Baker e du Maurier entraram em um entendimento amigável, esta afirmou em uma correspondência que desejava que Hitchcock tivesse comprado seu romance ao invés do conto, já que o mesmo é mais profundo e melhor desenvolvido.

  Comparando as duas obras, livro e conto, nota-se que o desenvolvimento narrativo de ambas são muito similares, tanto que o conto poderia ser utilizado como um prólogo para o romance. A época em que ambos foram escritos dita o tom de violência presente, Baker a introduz de forma mais velada, enquanto du Maurier a utiliza de maneira explícita, sendo que sua estória possui menos consciência crítica. Se você procura uma história sobre pássaros que seja rápida e ágil indico sem sombra de dúvidas du Maurier. Agora se procura uma estória mais profunda, que incite reflexão, é em Frank Baker que você encontrará alento. Diferenças à parte, se você gosta do tema animais assassinos encontrará diversão na leitura de ambas as obras.

As Aves de Daphne du Maurier: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)
Os Pássaros de Frank Baker: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

11 de abril de 2017

Na Escuridão da Mente | Detalhes sobre a edição nacional do assustador livro de Paul Tremblay


Na Escuridão da Mente de Paul Tremblay, tradução de A Head Full of Ghosts, finalmente chegará às livrarias no final deste mês, a Bertrand Brasil divulgou a capa e a sinopse da obra:

"Um dos livros mais assustadores do ano, vencedor do prêmio Bram Stoker Award. A vida dos Barrett é virada do avesso quando Marjorie, de 14 anos, começa a demonstrar sinais de esquizofrenia aguda. Depois que os médicos se mostram incapazes de deter os acessos bizarros e o declínio de sua sanidade, o lar se transforma em um circo de horrores, e a família se vê recorrendo a um padre da região. Acreditando que seja um caso de possessão demoníaca, o padre Wanderly sugere um exorcismo e entra em contato com uma produtora que está ávida para documentar tudo. Com o pai de Marjorie desempregado e as dívidas se acumulando, a família hesitantemente aceita, sem imaginar que A Possessão se tornaria um sucesso imediato. Quinze anos depois, uma autora best-seller entrevista Merry, a irmã mais nova de Marjorie. Ao se recordar dos acontecimentos de sua infância, uma narrativa alucinante de terror psicológico é desencadeada, levantando questões sobre memória e realidade, ciência e religião... e sobre a real natureza do mal."

Na Escuridão da Mente recebeu o prêmio Bram Stoker Award de melhor livro de 2015, ano cuja competição era encabeçada por Evangelhos de Sangue de Clive Barker, além de críticas extremamente elogiosas o comparando ao clássico O Exorcista de William Peter Blatty, com as mais empolgadas declarando que a obra redefiniu o subgênero dos livros de exorcismo. A edição brasileira terá 266 páginas e já está em pré-venda com data de lançamento em 28/04/2017.

22 de março de 2017

1977: Enfield | Darkside Books lançará livro sobre o Poltergeist de Enfield!

1977: Enfield é como se chamará a edição da Darkside Books de This House Is Haunted: The Investigation of the Enfield Poltergeist, escrito pelo investigador Guy Lyon Playfair. Ainda não há nenhuma confirmação sobre data de lançamento ou capa oficial, mas sabemos que a edição brasileira terá 288 páginas com tradução de Giovanna Louise Libralon, a mesma responsável pela versão em português de Ed & Lorraine Warren: Demonologistas.

Guy Lyon Playfair é um parapsicólogo que se dedica à pesquisa de fenômenos paranormais, seu primeiro livro A Força Desconhecida, publicado no Brasil pela Editora Record em 1975, é fruto de seu trabalho no Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas e relata alguns dos casos mais intrigantes de mediunidade, como por exemplo as cirurgias psíquicas do cirurgião da faca enferrujada, Arigó.

A lenda que envolve o  Poltergeist de Enfield, assim como a história da casa de Amityville, é cercada por controversas, a investigação conduzida por Guy Lyon Playfair e  Maurice Grosse se estendeu por meses, entre os vários relatos de testemunhos de fenômenos paranormais, jaz a descoberta de que alguns deles foram "fabricados" pela própria família, este é o ponto central defendido pelos céticos, embora os investigadores tenham chegado a conclusão de que havia uma entidade no local.

As críticas a esse livro falam sobre o excesso de credulidade de Playfair, ao mesmo tempo que exaltam o valor da obra como um dos poucos documentos detalhados sobre uma investigação de campo sobre um fenômeno poltergeist. Enfim, nossas dúvidas só serão saciadas durante a leitura. Vale a pena lembrar que Invocação do Mal 2 foi levemente baseado no caso de Enfield.