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2 de janeiro de 2017

Reféns do Demônio, livro de Malachi Martin sobre exorcismos, ganha nova edição

   Hostage to the Devil de Malachi Martin estava em estado de raridade no Brasil desde meados da década de setenta, a única edição brasileira datava de  1976, publicada  pela Editora Novo Tempo, com o nome de Reféns do Diabo.  Recentemente a Editora Ecclesiae relançou a obra, agora como Reféns do Demônio, a nova edição contém 532 páginas que trazem cinco relatos perturbadores de casos de possessão e exorcismos analisados pela ótica de um teólogo. 

Sinopse:
    Malachi Martin, famoso padre exorcista, narra aqui cinco casos de possessão demoníaca e exorcismo de cidadãos americanos das décadas de 1970-80. Martin escreveu esta obra a partir das transcrições exatas dos relatos dos envolvidos nos casos.  Trata-se, portanto, de relatos reais e contemporâneos, transpostos para a narrativa com o mínimo ajuste necessário para preservar a identidade dos envolvidos. Além de narrar os casos, Martin ainda oferece explicações detalhadas de como se dão a possessão e o exorcismo e disponibiliza sua tradução do antigo Ritual Romano de Exorcismo de 1614. Esta edição ainda contém o prefácio do autor à edição americana de 1992, que traz dados estatísticos perturbadores quanto à presença e prática do satanismo nos EUA de hoje. 


24 de dezembro de 2016

Resenha: Trilogia Bill Hodges - Achados e Perdidos / Último Turno de Stephen King

      Repetindo o trabalho cuidadoso do ano passado, a Editora Suma de Letras investiu bastante na obra de Stephen King em 2016, tivemos o relançamento de Cujo, um dos livros clássicos mais pedidos pelos leitores,  que estava em estado de raridade no Brasil desde a década de oitenta, em uma bela edição especial de capa dura, sendo o primeiro volume da nova coleção Biblioteca Stephen King. Porém o lançamento mais ambicioso foi a aguardada trilogia policial, protagonizada pelo policial aposentado Bill Hodges, formada por Mr. Mercedes, Achados e Perdidos e O Último Turno. Lá fora a trilogia foi publicada ao longo de três anos, enquanto por aqui tivemos lançamentos trimestrais, sendo que o último livro foi publicado com a diferença de poucos meses do lançamento original nos Estados Unidos. Eu já falei sobre Mr. Mercedes anteriormente, você pode ler a resenha aqui, o foco desta análise é nos dois últimos livros da trilogia.

Achados e Perdidos
   O principal problema de Achados e Perdidos é que ele é um livro extremamente descartável dentro da trilogia e não tem importância alguma para a história principal, ao invés de ser uma obra de ligação entre Mr. Mercedes e O Último Turno, importante para o desenvolvimento da trilogia, é um livro que não faz a menor diferença se você ler ou não. Desde que eu vi a notícia de que em Achados e Perdidos o vilão de Mr. Mercedes não iria aparecer, sabendo de sua importância no contexto geral, fiquei receoso sobre o que encontraria nesta história, seria difícil para Stephen King criar outro antagonista interessante em tão pouco tempo, mas então a primeira metade do livro me desarmou completamente. Uma estória sobre o vício da literatura, tanto seu aspecto benigno, como maligno, protagonizada por Morris Bellamy e Peter Saubers, escrita com a paixão de um professor e amante de literatura diretamente para um leitor que ama a literatura tanto quanto. E é aí que jaz o segredo,  Achados e Perdidos não é um livro sobre Bill Hodges, mas sim sobre Bellamy e Saubers.
    O "famoso" detetive só aparece lá pela página 100 e sua história é um balde de água fria no que estava acontecendo até então, todo o suspense gerado pela antecipação do clímax é brutalmente assassinado por uma estória chata e sem importância alguma. A sensação é tão estranha que fui verificar o nome do autor na capa outra vez, para ter certeza de que era apenas Stephen King escrevendo e não mais uma daquelas obras de James Patterson e fulano de tal desconhecido. O pior é que há toda uma "conspiração do destino" para que Hodges acabe se envolvendo com o caso de Saubers, o que torna todo o enredo bizarramente inverossímil para quem é fã da própria verossimilhança do universo de Stephen King. Se um grupo de crianças conseguiu enfrentar uma criatura de outra dimensão em It: A Coisa, se um garoto atravessou territórios hostis para salvar um reino em O Talismã e um casal de jovens enfrentou um carro assassino em Christine, porque diabos um adolescente, protagonista de um livro de  Stephen King, sendo este ou não uma obra sobrenatural, não daria conta de um simples vilão humano?
   Não é crível a maneira como Hodges se envolve com o caso e não é crível o modo como eles descobrem o que está acontecendo, a tecnologia facilitou muito as coisas em livros policiais, mas um mistério que há mais de trinta anos está em aberto, sem nenhuma conclusão, ser solucionado por uma simples busca no google através de um celular é decepcionante. Chega a ser desleixado. Como fã de Stephen King me senti decepcionado com o rumo que tomou Achados e Perdidos, principalmente depois de ser surpreendido positivamente com a primeira parte. O gosto que fica na boca após a leitura é o mesmo que experimentar sua comida favorita e sentir que um dos ingredientes estava estragado, sem falar que como fã de suspense policial me senti insultado pelas resoluções rápidas e toscas. A primeira parte da estória é sensacional, o King de sempre. Mas é só Hodges entrar em ação que a qualidade cai vertiginosamente. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (5/10 Caveiras)

Último Turno
   O Último Turno é a prova do por quê Stephen King é relembrado por seus vilões e poucas vezes por seus protagonistas, o retorno de Brady Hartsfield, o "diabólico Assassino do Mercedes" é o sopro pútrido de ação que a trilogia precisava, mas ao invés de trazer alguma novidade para o enredo,  a impressão que é passada  é a de que estamos lendo a segunda parte de Mr. Mercedes, ou seja mais do mesmo. A trilogia como um todo ficaria muito melhor se King simplesmente tivesse esquecido essa ideia de três livros e condensado o primeiro e o último num volume só, um livro de seiscentas páginas nos mesmos moldes de Novembro de 63 ou Saco de Ossos. Na primeira metade da trama fica evidente a "encheção de linguiça" é só próximo ao final que o suspense verte das páginas e consegue prender o leitor.
   A adição do sobrenatural é um elemento destoante de tudo o que havia sido mostrado até então, existem casos em que essa mistura dentro do romance policial funciona, um exemplo é Coração Satânico de William Hjorstberg, o sobrenatural no livro é um elemento a mais durante a investigação, mas aqui King fracassa, por que o usa como uma muleta para dar andamento a sua narrativa. As páginas que mostram o desenvolvimento dos poderes de Brady suscitam aquela sensação esmagadora de dejà vu em quem já leu Zona Morta, agora eu entendo a fala de King criticando os autores de suspense que só reescrevem a mesma estória com nova roupagem. Em comparação com autores policiais contemporâneos de primeira linha, como Lee Child, Jeffery Deaver e Jo Nesbo, a trama de O Último Turno parece até infantil, não consegue passar a sensação de perigo iminente e nem convence o leitor de que o vilão é uma verdadeira ameaça.
  O livro consegue se salvar na reta final, quando o que deveria ter acontecido logo no primeiro livro, o confronto entre Brady e Bill Hodges, finalmente ocorre. Stephen King não decepciona na questão entretenimento, mas fica muito aquém de suas habilidades, se você nunca leu King é provável que goste do que encontrará nas linhas da trilogia, afinal é uma leitura fácil que não oferece nenhum desafio, mas se você é um leitor constante, acredito que sentirá falta da força do velho King. Há muitos anos não encontrava um livro do King em que após ler a última linha, ao invés de tomar fôlego por causa do clímax final, suspirei agradecido por finalmente acabar a leitura. Como disse anteriormente a trilogia toda ficaria muito melhor em livro só.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (7/10 Caveiras)

18 de dezembro de 2016

Os Melhores Livros Pós-Apocalípticos

  O mundo pode acabar de várias maneiras, desde que a humanidade aprendeu a registrar suas histórias na forma de escrita existem relatos sobre o final dos tempos, mostrando que o apocalipse é um tema que sempre nos fascinou. E ao longo dos anos, na literatura, os autores vem se superando ao imaginar destruições devastadoras, invasões de seres de outra dimensão e até mesmo grandes desastres ecológicos como arautos da nossa extinção. Mas e se as profecias religiosas e mitos estiverem errados? E se este desastre não acabar com a humanidade? E se restarem alguns poucos sobreviventes? Como eles viverão daqui para frente? Confira a seguir uma lista com os livros que tem as respostas mais interessantes e curiosas para essas perguntas.

A Praga Escarlate de Jack London (1912)
   Jack London escreve uma comovente fábula sobre os últimos estertores de uma sociedade dizimada pela peste, através das lembranças de um velho professor revisita o horror dos últimos dias, retratando com emoção todo o medo e desespero que embalaram o caos da destruição, além de mergulhar na selvageria que emergiu por entre os destroços da sociedade. É um livro pequeno, pode ser devorado em poucas horas, mas tão bem escrito, que suas ideias permanecem na mente muito tempo após a leitura. Emocionante, nostálgico e atemporal. 

Devastação ou A Volta a Natureza de René Barjavel (1943)
   Quando René Barjavel escreveu Devastação, em meados do século XX, sua imaginação previa que demoraria ao menos cem anos para que a eletricidade fosse um dos componentes básicos de todas as atividades humanas. Essa era sua visão mais pessimista. O seu apocalipse é bem simples: de repente toda a eletricidade acaba e as grandes máquinas tecnológicas criadas pelo homem tornam-se obsoletas. A verossimilhança do livro com os dias atuais é assustadora, se uma simples noite sem luz consegue nos tirar o sono, imagina então, se essa escuridão se estender dia após dia. 
   A deterioração dos serviços básicos é rápida, logo a comida começa a faltar, o dinheiro perde seu valor e com a fome e o desespero surge a selvageria. É assustador se pararmos para pensar no quanto da comida que consumimos diariamente é fruto de um processo industrializado. Devastação é um livro que dialoga tanto sobre a nossa dependência da tecnologia, como também sobre a forma como tratamos a natureza. 

Só a Terra Permanece de George Stewart (1949)
   E o mundo não acaba com um suspiro, mas sim com um espirro. Só a Terra Permanece é um dos poucos livros que consegue exprimir o verdadeiro sentimento presente na expressão "o fim do mundo", toda a solidão que advém da morte de todas as pessoas que você conhece ou a tristeza da descoberta diária de que cada um dos pequenos prazeres que a civilização nos proporciona acabaram-se para todo o sempre. George Stewart escreve com perfeição sobre a lenta decomposição de tudo aquilo que a nossa sociedade criou em pouco mais de dois mil anos de história, ao mesmo tempo em que acompanhamos o nascimento de uma nova cultura, cujo interesse em nossos feitos tem o mesmo desdém no olhar com o qual vemos hoje as pirâmides do Egito.

Eu sou a Lenda de Richard Matheson (1954)
   O clássico Eu sou a Lenda de Richard Matheson traz a assustadora estória de um homem em um mundo completamente habitado por vampiros. Mais uma vez o apocalipse cavalgou nas costas de um vírus mortal, a única diferença aqui é que as vítimas ao invés de continuarem mortas retornavam  à vida com sede de sangue.                              Leia aqui a resenha

Chung-Li A Agonia do Verde de John Cristopher (1956)
   Chung-Li A Agonia do Verde de John Cristopher explora uma das versões mais assustadoras do apocalipse: a morte da natureza. Um vírus extremamente contagioso ataca a família das gramíneas, que formam praticamente a base da alimentação de todos os animais terrestres, destruindo toda a cobertura verde do planeta. Os efeitos na cadeia alimentar são devastadores, regiões inteiras do globo perecem de fome, é então que o lado mais sombrio do homem acorda na ânsia de sobreviver a qualquer custo.                                       Leia a resenha aqui

Um Cântico para Leibowitz de Walter M. Miller, Jr. (1959)
    Mais uma vez a humanidade foi destruída por um holocausto nuclear, após a primeira bomba cair o inferno se abriu na Terra, aqueles que sobreviveram a primeira tribulação tiveram de enfrentar não apenas a aridez de um planeta estéril mas também seus próprios semelhantes degenerados, a violência emergiu com uma força brutal. No meio desse caos, uma pequena semente de iluminação luta para não ser destruída, a Ordem de São Leibowitz tomou para si o protagonismo de preservar o saber humano, para que quando a razão superasse a selvageria, o homem pudesse retomar os caminhos da ciência.                                           Leia aqui a resenha

As Crisálidas de John Wyndham (1965)
   A geografia dos Estados Unidos mudou drasticamente após um holocausto nuclear, onde antes haviam grandes cidades, hoje jaz um solo estéril e desértico, as áreas que sobraram foram maculadas pela radiação, vegetação e animais sofreram mutações estranhas, assim como os seres humanos. No meio dessa desolação os sobreviventes se organizaram em pequenas comunidades rurais, que retrocederam suas crenças para uma espécie de cristianismo fundamentalista, as mutações passaram a ser consideradas obras do diabo e aqueles que as apresentam são banidos para as terras estéreis. Em As Crisálidas, John Wyndham debate sobre os direitos humanos e o fanatismo religioso, como pano de fundo para as discussões, além do cenário desesperador e claustrofóbico, utiliza uma nova geração de crianças que, devido ao desenvolvimento em um meio ambiente radioativo, desenvolveram telepatia. 

Não tenho Boca e Preciso Gritar de Harlan Ellison (1967)
   Não tenho Boca e Preciso Gritar é um conto de Harlan Ellison, que pode ser encontrado no Brasil na coletânea Máquinas que Pensam, que é considerado uma das visões pós-apocalípticas mais assustadoras de todos os tempos. A humanidade conseguiu criar um supercomputador com inteligência artificial, porém a máquina, após descobrir que foi criada apenas com o propósito de servir como um escravo aos caprichos do homem, se rebelou. A humanidade foi completamente aniquilada, exceto um pequeno grupo de pessoas, que sofrem diariamente as torturas mais cruéis que a máquina pode imaginar. Não tenho Boca e Preciso Gritar é a brutal estória dessa vingança. 

A Dança da Morte de Stephen King (1978)
   A Dança da Morte é a obra de Stephen King que ao lado de It - A Coisa divide o primeiro lugar entre as listas de melhores obras do autor. É um grandioso épico sobre sobrevivência que explora as qualidades e defeitos do ser humano, através de personagens críveis e reais. Como você agiria perante o apocalipse? Após uma gripe matar 99% da humanidade, os escassos sobreviventes começam a se reunir em dois pólos diferentes. Um conflito mortal é inevitável.   

A Estrada de Cormac MacCarthy (2006)
   A Estrada é um dos livros mais perturbadores que  já li pelo simples motivo de que o mundo está tão ferrado que é difícil imaginar outro final para os protagonistas senão a morte, não há nenhuma esperança no horizonte, não há lugar para ir, não há escapatória. A narrativa de Cormac MacCarthy é exuberante e maravilhosa, parte da beleza da leitura surge do modo como a história é contada. É uma leitura inesquecível.                          Leia a resenha aqui

A Trilogia da Escuridão de Guillermo del Toro (2009)
   Os vampiros de Guillermo del Toro estão em uma zona perdida entre a ciência e o sobrenatural, após um avião pousar em New York carregando uma macabra carga, a semente da destruição é plantada e uma estranha doença se espalha entre a população. Ao longo da trilogia os cenários da devastação são maravilhosamente construídos, um destaque especial para a fazenda de seres humanos, gerenciada pelos vampiros, onde as pessoas são criadas como gado para alimentação.

A Passagem de Justin Cronin (2010)
   O apocalipse vampiro de Justin Cronin começa em uma floresta peruana, após um ataque de morcegos, um dos membros da equipe de pesquisadores morre e retorna à vida com uma estranha condição. Os cientistas logo tratam de tentar reproduzir esse efeito em outros seres humanos, doze prisioneiros são selecionados como cobaias para os testes. Eles conseguem, mas as criaturas são incontroláveis. Quando as paredes das celas provam não serem fortes o suficiente para mantê-los presos, não sobra uma gota de sangue para contar a história da queda da humanidade. A trilogia intercala a narrativa do próprio apocalipse com a dos descendentes dos sobreviventes, cem anos depois, que precisam lutar contra essas criaturas para assegurar a liberdade da raça humana.

Faca de Água de Paolo Bacigalupi (2015)
  Em Faca de Água o futuro é árido, após anos de excessos e uso descontrolado a água atingiu um nível de escassez alarmante, tornou-se um artigo de luxo, e grandes corporações batalham pelo direito de explorar nascentes e lagos. Paolo Bacigalupi cria uma narrativa assustadora e verossímil sobre um futuro próximo onde as mudanças climáticas cobraram seus juros da humanidade. Com a sede, o abismo social entre os ricos e pobres cresceu, enquanto nas ruas pessoas morrem por poucos mililitros de água, nos hotéis de luxo o desperdício continua a todo vapor. É o tipo de livro  que deveria ser de leitura obrigatória.

27 de novembro de 2016

Resenha: Os Meninos de Juan Jose Plans


Sinopse:
A Ilha de Tha, na costa da Espanha, é uma réplica do paraíso. Sol, mar, gaivotas, pescadores e paz. Malco, um escritor de contos infantis, conheceu-a há muitos anos, ainda menino. Agora resolve voltar, de férias, em companhia de Nona, sua mulher, grávida do terceiro filho. A ilha continua linda, com seu casario branco da arquitetura mediterrânea. O mesmo sol, o mesmo mar, a mesma paz. Mas alguma coisa estranha paira no ar. Onde estão os adultos?

16 de novembro de 2016

Resenha: A Colônia de Ezekiel Boone


Sinopse:
   Nas profundezas de uma floresta no Peru, uma massa negra devora um turista americano. Em Mineápolis, nos Estados Unidos, um agente do FBI descobre algo terrível ao investigar a queda de um avião. Na Índia, estranhos padrões sísmicos assustam pesquisadores em um laboratório. Na China, o governo deixa uma bomba nuclear cair “acidentalmente” no próprio território. Enquanto todo tipo de incidente bizarro assola o planeta, um pacote misterioso chega em um laboratório em Washington... E algo está tentando escapar dele. O mundo está à beira de um desastre apocalíptico. Uma espécie ancestral, há muito adormecida, finalmente despertou. E a humanidade pode estar com os dias contados.