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27 de fevereiro de 2017

Melhores Livros de Terror e Suspense de 2016

Como já é canônico no site, o ano só começa após a lista dos melhores livros do ano anterior, desta vez a lista saiu em um formato um pouco diferente, ao invés de me ater a apenas livros que foram lançados no ano, a formação da lista levou em consideração as melhores leituras, entre livros de terror e suspense, independente de sua data de lançamento. Como sempre, reforço que a escolha é baseada puramente em gosto pessoal, são livros que conseguiram me conquistar seja pela qualidade de sua escrita, inovação ao abordar um tema, condução da narrativa, desenvolvimento do suspense, entre outras coisas. Enfim, vamos dar início ao sexto ano de atividades da Biblioteca do Terror!

   Socorro! de Thomas H. Block é um ótimo exemplo da síntese de uma das premissas mais famosas de livros de suspense, na qual os protagonistas estão enclausurados em um cenário sem saída e são antagonizados por uma temível ameaça iminente. Este tipo de estória se abordada corretamente tem um grande potencial empático com o leitor, a sensação claustrofóbica de angustia e desespero dos protagonistas tem que ser totalmente palatável, seja na figura de um personagem que enfrenta uma noite solitária em uma casa assombrada, ou na de um explorador perdido nas profundezas de catacumbas de civilizações perdidas, a identificação com algo passível de acontecer, verossímil, faz toda a diferença durante a leitura. Socorro! consegue esse efeito através da inserção de  protagonistas improváveis  na cabine de um avião avariado, Thomas H. Block é um piloto profissional e sua experiência com aviação é imprescindível para a criação do texto, a condução narrativa ficou a cargo de Nelson DeMille, um reconhecido escritor de suspense que curiosamente não é creditado na edição nacional. O resultado é um romance explosivo e excitante que tem uma das descrições mais detalhadas de um acidente aéreo de toda literatura. 

   Erik Larson consegue em O Demônio na Cidade Branca um feito único, uma reconstrução criteriosa e exata da vida de um serial killer, dissecando sua mente psicopata não apenas através de suas ações, mas situando-a geográfica e temporalmente dentro do contexto social da época que a produziu. Para contar a história de um homem, é preciso antes conhecer o ambiente que o moldou e cada palavra presente dentro dessas páginas é real.  Cada nome, cada morte, cada sentimento é perturbadoramente real. Para conseguir o nível de exatidão histórica presente em seu texto o autor realizou uma minuciosa pesquisa,  as últimas sessenta páginas são uma compilação de notas e fontes, obtidas através de livros, cartas e artigos que serviram de embasamento para a história. A narrativa é a mistura de um supense policial, construído a partir de um romance histórico e com um toque biográfico, que a torna bastante assustadora. Não é um livro de leitura fácil, Erik Larson utiliza cada parágrafo necessário para contar sua história, não se preocupando com a agilidade do texto, mas sim com a precisão histórica dos fatos. É uma leitura tão desafiadora que às vezes chega a ser desgastante, os personagens entram na cabeça do leitor e seus sentimentos se mesclam com seus próprios medos criando uma simbiose de emoções angustiante. 


  O final de O Quarto Dia provavelmente não agradará a todos, principalmente porque não entrega uma certeza, deixando margem para várias interpretações e dependendo do seu olhar é o momento em que dezenas de questões são respondidas e as implicações das respostas são gigantescas, numa trama tão intrincada quanto Lost. Há cenas arrepiantes de degradação física e moral, além de que nota-se nos fantasmas de Sarah Lotz uma grande influência do horror asiático. O trunfo da narrativa está na construção do suspense ao longo das páginas, o ambiente claustrofóbico de um navio à deriva aliado ao desespero apocalíptico de um caos emergente e a  ação de seres sobrenaturais garante a satisfação dos leitores de horror.

   Melodia do Mal é um livro violento que disseca o lado obscuro da alma humana atrás da resposta para a questão da origem da maldade humana, John Ajvide Lindqvist constrói um suspense magistral imerso em um horror psicológico sufocante, sua protagonista, Theres, é uma das personagens mais complexas do autor, ao mesmo tempo em que conquista o leitor com seu sofrimento e inocência, o afasta com suas manifestações de violência explícita. Se você nunca leu uma descrição detalhada de como é o som de uma cabeça humana sendo esmagada por um martelo, prepare-se, porque esta é apenas a abertura do Show de Horrores de Theres. Não perca a atração principal.


Eles Merecem a Morte de Peter Swanson
   Em Eles Merecem a Morte Peter Swanson conduz o leitor por um intrincado labirinto de suspense psicológico, formado por personagens misteriosos e reviravoltas tão surpreendentes que mudam completamente a direção da estória, quando você pensa que conseguiu resolver o quebra-cabeça que lhe revelará o segredo da trama, descobre que aquele segredo é apenas parte de algo maior, e essa sensação cresce em um ritmo vertiginoso durante a leitura até que você se vê diante de uma situação que parece não ter solução, completamente extasiado pela complexidade da mesma. A narrativa começa na sala de espera de um aeroporto, onde dois estranhos, um homem e uma mulher, trocam seus segredos mais obscuros, embalados pelo álcool e a certeza de que jamais se verão novamente. Quando o homem revela o desejo de matar sua esposa, devido à descoberta de uma traição, recebe a curiosa resposta da estranha oferecendo ajuda na sua vingança. O que se segue a essa resposta é um dos banhos de sangue mais imersivos que já encontrei em um livro, muito antes da metade do livro acontece a primeira reviravolta e a partir de então é impossível parar a leitura.

O Exorcismo de Thomas B. Allen reconstitui os principais momentos do fatídico exorcismo que aconteceu em St. Louis em 1949, através de um dos relatos mais completos sobre o assunto já documentados, o diário do padre exorcista que realizou o ritual. O caso do menino possuído ganhou as manchetes da época, os poucos detalhes revelados não impediram a mídia de lançar sua imaginação ao redor do acontecimento, anos depois essa cobertura despertaria a curiosidade de William Peter Blatty para o tema e seria a gênese do aclamado O Exorcista.   Exorcismo é uma leitura bastante pesada que, mesmo com sua escrita direta e concisa, demanda várias pausas reflexivas para a análise e digestão dos fatos. Crendo ou não na veracidade daquilo que você está lendo, é impossível passar pelas páginas sem ser atingido psicologicamente pelas descrições simples e ao mesmo tempo brutais do ritual, um exemplo é a chocante cena do batismo do possuído, o ambiente e claustrofóbico da igreja ultrapassa o papel e envolve o leitor como uma pesada mortalha sufocante. Diferente de uma obra de ficção, Exorcismo não permite ao leitor a luxúria de pausar a leitura durante os momentos de angústia, e refrescar a mente com o pensamento de que aquilo que está lendo não é real. O mal descrito nessas páginas é assustadoramente real.

Passeio Noturno de Everaldo Rodrigues
   Everaldo Rodrigues é um dos nomes da nova geração de escritores de terror que germinou no fértil solo da internet, crescendo por entre as frestas deixadas pelas grandes editoras, através da auto-publicação. Passeio Noturno é sua primeira coletânea e evidencia toda sua qualidade como contador de histórias, são oito contos que apresentam protagonistas comuns, cuja realidade é sacudida por um contato direto com o sobrenatural, seja um personagem que acometido por uma estranha coceira vê sua sanidade ser desfiada pedaço por pedaço como sua própria pele irritada ou uma cidadezinha acometida por um inexplicável surto de combustão espontânea. Passeio Noturno é o sopro pútrido de criatividade pelo qual você estava procurando.

   The Bad Seed, A Menina Má, foi publicado originalmente em 1954 e foi recebido com furor pela comunidade literária, muitos o consideraram um suspense aterrorizante, enquanto outros criticaram a morbidez e violência da história. Mas nada disso impediu o livro de se tornar um sucesso de vendas, ocasionando uma rentável e popular adaptação teatral, e posteriormente uma cinematográfica. William March constrói sua trama por meio da exploração do horror de uma mãe, ao descobrir o lado assassino de sua filha, seu êxito está na forma como coloca a criança protagonista através dos olhos da mãe, cada percepção de uma faceta maligna de sua personalidade é um prego cirurgicamente atravessado no coração materno.  A questão central do livro é a gênese da maldade. Será que todos nascemos com a semente do mal dentro de nós e é o ambiente de criação que a faz florescer? Ou há um gene maldito que nos condiciona a praticar atos violentos desde a tenra infância? O autor insere essas dúvidas com perfeição na mente do leitor e ao longo das páginas disseca cada hipótese mergulhando no turbilhão de loucura e deterioração mental da mãe, confrontada por um dilema mortal, o instinto protetor para com sua filha e o dever moral perante a sociedade, os segredos sangrentos de sua vida particular aos poucos transbordam por entre a ilusão de felicidade erguida pela sociedade. 

   O Menino que Desenhava Monstros é uma narrativa singela sobre os medos da infância.  Keith Donohue vai em contramão  à moda atual dos livros comerciais, cuja trama é feita para ser devorada em uma só noite, e conta uma história assustadora em seu próprio ritmo, utilizando cada segundo necessário para moldá-la em seus pequenos detalhes. O grande trunfo do livro está no seu final brutalmente esmagador, que só é tão surpreendente assim graças ao desenvolvimento de pequenas cenas dentro da trama, que à primeira vista parecem desconexas, mas são um soco no estômago no fim. A sensação é: como eu não consegui ver isso antes! Sem sombra de dúvidas O Menino que Desenhava Monstros tem um dos finais mais surpreendentes que já li e isso o coloca como o melhor lançamento do gênero do primeiro semestre!

   Os Condenados é mais do que uma simples história sobrenatural sobre assombrações, é um envolvente suspense psicológico que fala sobre os fantasmas pessoais, nascidos das cicatrizes de traumas da infância e de relacionamentos abusivos, e a força necessária para enfrentá-los, cuja semente está no poder do amor. Andrew Pyper constrói um clima sólido de suspense, cenas de ação e tensão são complementadas por ótimos personagens, sua escrita é mais pessoal e intimista, consegue envolver o leitor através de uma empatia e carisma que não estavam presentes em Demonologista, o vilão aqui é muito mais assustador por seu caráter único, é alguém que você ama. A narrativa é rápida, mas não é apressada, há uma história para ser contada aqui, as aflições de um homem em sua batalha individual contra seus demônios particulares, e Andrew Pyper toma o tempo necessário para fazê-lo. Em comparação com O Demonologista, em Os Condenados há uma liberdade maior para a criação do ambiente sobrenatural, já que o autor não é limitado pela obra de terceiros e nem pela preocupação de ferir a crença religiosa de alguém, não há linhas em branco para sua imaginação preencher, o final é fechado e não deixa margens para interpretações. Não é um livro que vai te dar medo, mas é um livro que vai te fazer prender o fôlego e devorar suas páginas até a última linha, roendo as unhas de tensão. Se você procura uma leitura instigante e divertida Os Condenados é o livro perfeito para você.

Evangelho de Sangue de Clive Barker
   Evangelho de Sangue se inicia com um dos prólogos mais insanos já escritos, uma overdose de visões chocantes embaladas numa refinada e  escatológica compilação de cenas que fertilizarão o solo da sua mente para uma bela safra de pesadelos.   Evangelho de Sangue é uma mistura de suspense sobrenatural com fantasia permeado com cenas sangrentas e profanas, Clive Barker mergulha suas mãos nas vísceras pútridas de seu universo de personagens para conectar as cicatrizes de antigos pesadelos, estórias passadas, criando assim interseções de começos e fins. Sua escrita é bastante pesada, carregada de adjetivos macabros e cenas chocantes que fazem até o mais empedernido dos leitores de horror respirar fundo e engolir seco, na tentativa de digerir o que seus olhos leem. Como sempre, não indico Clive Barker aos que possuem estômago fraco ou se chocam com facilidade, nada do que você tenha lido antes consegue te preparar para o que é a real sensação de ler uma estória de Clive Barker, a excitação se mescla com a repulsão, uma curiosidade pegajosa e mórbida similar àquela que nos guia em direção a acidentes fatais. Clive Barker conhece como ninguém os recônditos mais sombrios da alma humana, em especial aquele pedaço animalesco que saliva com o cheiro de sangue. 


   Frank é um jovem que vive isolado em uma ilha com seu pai, como forma de aliviar a angústia de uma vida difícil e solitária, ele cria pequenos ritos diários que envolvem atos bizarros de violência, crueldade e profanação. O mais perturbador de Fábrica de Vespas é a forma banal que o protagonista encara a violência, o olhar desinteressado sobre a dor e o prazer nos métodos de causá-la, impregnam a mente do leitor como uma mancha negra, deixando seu cérebro tão anestesiado cenas de crueldade, que chega um momento em que o mesmo já não é mais capaz de distinguir o que é violência e o que não é. Para completar o pacote, quando você menos espera é nocauteado por um final que te faz sentir como se seu cérebro tivesse sido arrancado de dentro da cabeça e batido dentro de um liquidificador.

      Spider traz a história de um homem atormentado por lembranças de sua adolescência. Desde o início o leitor é confrontado por uma narrativa irregular, é possível experimentar a loucura e o desespero do narrador na sua busca por reunir os fragmentos de memórias, para determinar o que realmente aconteceu. Tudo parece confluir para dois momentos traumáticos: o assassinato de sua mãe e a chegada da prostituta que veio viver com seu pai. Isso é tudo o que você precisa saber para adentrar o labirinto da mente de Spider, caminhe com cuidado e preste muita atenção às interseções, pois a descoberta que lhe aguarda no final é tão angustiante que vai quebrar algo dentro de você.

 Ed e Lorraine Warren: Demonologistas é a biografia que narra a trajetória deste casal, desde suas primeiras experiências com o sobrenatural, atravessando seus principais e mais difíceis casos, até o início dos anos oitenta, época em que o livro foi publicado. A finalidade da obra não é assustar, mas sim trazer informação sobre os perigos que nos espreitam na escuridão, embora muitas passagens sejam tão tensas que conseguem te deixar completamente arrepiado e com a incômoda sensação de estar sendo observado, mesmo estando sozinho no aposento. O autor, Gerald Brittle, soube transpor as entrevistas para o papel de um modo didático e instigante, a forma como os casos foram abordados conquista nossa curiosidade desde a primeira página e como o próprio afirma em uma passagem: "a qualquer um que solicite provas de "verdadeiros casos de possessão" a Ed e Lorraine Warren é melhor munir-se de coragem o suficiente para permanecer sentado durante a reposta."


   Os Meninos é um livro pequeno e a narrativa rápida e concisa de Juan José Plans faz com que a leitura seja deliciosamente ininterrupta, escrito um ano antes do conto As Crianças no Milharal de Stephen King, hoje é um livro praticamente desconhecido, apesar de seu texto ter envelhecido razoavelmente bem, seus personagens tornaram-se o típico casal clichê das histórias de terror dos anos setenta. A única edição nacional é da editora Artenova de 1976, que para variar conta com erros ortográficos ultrajantes. A história foi adaptada para o cinema no mesmo ano com o titulo ¿Quién puede matar a un niño? (Os Meninos) e em um remake de 2012, Come Out and Play (Brincadeiras de Criança). Se você procura uma leitura viciante e descompromissada, boa companhia para uma viagem ou uma tarde ensolarada, Os Meninos é a indicação perfeita para você.


O Mythos: O Fim do Mundo é logo ali de M.R.Terci

   Mythos: O Fim do Mundo é logo ali é a consolidação da grandiosa mitologia da obra de M. R. Terci, completada pela a série o Bairro da Cripta e a Trilogia Caídos, e a expressão máxima do horror e dos poderes dos Deuses Antigos Brasileiros. Quando os primeiros jesuítas portugueses colocaram os pés na colônia, com ordens para catequizar o povo indígena da região, descobriram que as crenças locais eram povoadas por criaturas assustadoras e de grande poder, em Abandonai Toda a Esperança, um pouco deste primeiro embate é mostrado. Mythos se passa nos dias atuais, com profundas referências a Monteiro Lobato, o nosso Abdul Alhazred, mostra uma realidade profundamente afetada pelos deuses indígenas, mesclando suspense policial com fantasia urbana, traz como resultado uma aventura imperdível e nostálgica. 


Ultra Carnem de Cesar Bravo

   Ultra Carnem é Cesar Bravo no ápice de sua imaginação, o mestre da literatura de terror nacional que surgiu nos confins mais obscuros da internet, selou um pacto com a editora Darkside Books e sua primeira cria monstruosa é nada menos que uma expansão do universo do, já clássico, Além da Carne. O cerne de Ultra Carnem está em uma tinta mágica feita de sangue, concebida durante um pacto entre um cigano e o diabo, que atiça a cobiça de homens e demônios, em uma narrativa que une cirurgicamente quatro estórias através de suas entranhas pútridas. A leitura é deliciosamente visceral, a mesma frase que tê seduz, te enoja, em uma constante altercação entre o belo e o profano, marca registrada do estilo autêntico e único de Cesar Bravo. Minha leitura favorita de 2016!


Bom Dia, Verônica de Andrea Killmore

Bom dia, Verônica foi a grande surpresa de 2016, um suspense policial que alia uma estória sensacional, tão macabra quanto inovadora, com uma escrita primorosa, que seduz pela qualidade e agilidade do enredo e uma protagonista inesquecível que enfrenta um vilão assustador, não pelos métodos cruéis pelo qual tortura e mata, mas sim pela semelhança com a realidade. É um livro brutal e perturbador, é quase como se suas páginas fossem feitas de cacos de vidro e giletes e cada vez que o leitor avança de uma para outra é cortado profundamente por seu conteúdo. É o tipo de leitura que atinge fundo o âmago de  cada um, faz refletir e provoca mudanças, é difícil acreditar que este é o primeiro livro de Andrea Killmore, muitas vezes o monstro não vive na escuridão da noite ou escondido em florestas sombrias, às vezes você interage com ele e não sabe, seu disfarce é perfeito, ele pode ser a pessoa que dá bom dia todas as manhãs ou que senta ao seu lado no ônibus diariamente. Pior, ele pode ser a pessoa com quem você divide a cama todas as noites.

Jantar Secreto de Raphael Montes

   Jantar Secreto é um livro para ser devorado sem moderação, Raphael Montes acertou a mão nesta narrativa que mistura a agilidade de um bom suspense com o toque macabro da antropofagia gourmet. Na estória um grupo de jovens do interior é forçado a adotar medidas drásticas para sobreviver na cidade grande, através de uma página na internet anunciam o serviço de jantares secretos, exclusivos para a nata da alta sociedade carioca, cujo prato principal é nada menos que carne humana. Raphael Montes consegue capturar a atenção do leitor logo nas primeiras páginas e a mantém através de um clima sufocante de suspense que aumenta sua pressão à cada linha, um livro que cumpre sua função e no final deixa como herança a sensação de saciedade, ou seria a vontade de degustar uma carne mais exótica?

Alien: Surgido das Sombras de Tim Lebbon

  Alien: Surgido das Sombras é o ótimo início da trilogia que expande o universo cinematográfico do xenomorfo, o livro é uma continuação direta do primeiro filme, mas apesar disso funciona extremamente bem como livro solo. Alien tem uma premissa comum no gênero, um grupo de pessoas visita um local que não deveria e acaba despertando forças além de sua compreensão, só que a estória ao invés de se passar em uma cabana no meio da floresta ou em ruínas de construções antigas, tem como ambientação o espaço. Eis o segredo da trama, a claustrofobia e a noção de que não há ajuda em um raio de dezenas de anos-luz. Tim Lebbon explora com perfeição essas emoções, superando a novelização de Alan Dean Foster, com descrições de cenários e personagens que desafiam a imaginação do leitor. O livro traz algumas respostas aos fãs de Alien, mas como bom primeiro livro de trilogia, serve mais como base para acontecimentos futuros do que qualquer outra coisa, de modo que cada resposta sua gera novos questionamentos mais complexos que o anteriores.

A Cidade dos Espelhos de Justin Cronin

A Cidade dos Espelhos é a aguardada conclusão da trilogia A Passagem de Justin Cronin, os fãs podem respirar aliviados porque cada segundo de espera valeu a pena, o resultado é um dos maiores clássicos pós-apocalípticos de todos os tempos. O primeiro ponto a se destacar é a forma suave como este livro se encaixa com os outros dois, cada pequena linha narrativa tem seu par, cada personagem é tratado com carinho e tem um final conclusivo, todas as pontas são amarradas, cada ponto obscuro é iluminado, enfim se você gosta de narrativas em que cada detalhe é explicado, Cidade dos Espelhos vai te causar um orgasmo. A sensação ao completar a leitura é de realização e saciedade, é difícil uma série conseguir isso, quase sempre fica um ponto em aberto, mas Justin Cronin consegue criar um final belo e emocionante. A Trilogia A Passagem toma seu lugar como um dos clássicos da nossa era.

2 de janeiro de 2017

Reféns do Demônio, livro de Malachi Martin sobre exorcismos, ganha nova edição

   Hostage to the Devil de Malachi Martin estava em estado de raridade no Brasil desde meados da década de setenta, a única edição brasileira datava de  1976, publicada  pela Editora Novo Tempo, com o nome de Reféns do Diabo.  Recentemente a Editora Ecclesiae relançou a obra, agora como Reféns do Demônio, a nova edição contém 532 páginas que trazem cinco relatos perturbadores de casos de possessão e exorcismos analisados pela ótica de um teólogo. 

Sinopse:
    Malachi Martin, famoso padre exorcista, narra aqui cinco casos de possessão demoníaca e exorcismo de cidadãos americanos das décadas de 1970-80. Martin escreveu esta obra a partir das transcrições exatas dos relatos dos envolvidos nos casos.  Trata-se, portanto, de relatos reais e contemporâneos, transpostos para a narrativa com o mínimo ajuste necessário para preservar a identidade dos envolvidos. Além de narrar os casos, Martin ainda oferece explicações detalhadas de como se dão a possessão e o exorcismo e disponibiliza sua tradução do antigo Ritual Romano de Exorcismo de 1614. Esta edição ainda contém o prefácio do autor à edição americana de 1992, que traz dados estatísticos perturbadores quanto à presença e prática do satanismo nos EUA de hoje. 


24 de dezembro de 2016

Resenha: Trilogia Bill Hodges - Achados e Perdidos / Último Turno de Stephen King

      Repetindo o trabalho cuidadoso do ano passado, a Editora Suma de Letras investiu bastante na obra de Stephen King em 2016, tivemos o relançamento de Cujo, um dos livros clássicos mais pedidos pelos leitores,  que estava em estado de raridade no Brasil desde a década de oitenta, em uma bela edição especial de capa dura, sendo o primeiro volume da nova coleção Biblioteca Stephen King. Porém o lançamento mais ambicioso foi a aguardada trilogia policial, protagonizada pelo policial aposentado Bill Hodges, formada por Mr. Mercedes, Achados e Perdidos e O Último Turno. Lá fora a trilogia foi publicada ao longo de três anos, enquanto por aqui tivemos lançamentos trimestrais, sendo que o último livro foi publicado com a diferença de poucos meses do lançamento original nos Estados Unidos. Eu já falei sobre Mr. Mercedes anteriormente, você pode ler a resenha aqui, o foco desta análise é nos dois últimos livros da trilogia.

Achados e Perdidos
   O principal problema de Achados e Perdidos é que ele é um livro extremamente descartável dentro da trilogia e não tem importância alguma para a história principal, ao invés de ser uma obra de ligação entre Mr. Mercedes e O Último Turno, importante para o desenvolvimento da trilogia, é um livro que não faz a menor diferença se você ler ou não. Desde que eu vi a notícia de que em Achados e Perdidos o vilão de Mr. Mercedes não iria aparecer, sabendo de sua importância no contexto geral, fiquei receoso sobre o que encontraria nesta história, seria difícil para Stephen King criar outro antagonista interessante em tão pouco tempo, mas então a primeira metade do livro me desarmou completamente. Uma estória sobre o vício da literatura, tanto seu aspecto benigno, como maligno, protagonizada por Morris Bellamy e Peter Saubers, escrita com a paixão de um professor e amante de literatura diretamente para um leitor que ama a literatura tanto quanto. E é aí que jaz o segredo,  Achados e Perdidos não é um livro sobre Bill Hodges, mas sim sobre Bellamy e Saubers.
    O "famoso" detetive só aparece lá pela página 100 e sua história é um balde de água fria no que estava acontecendo até então, todo o suspense gerado pela antecipação do clímax é brutalmente assassinado por uma estória chata e sem importância alguma. A sensação é tão estranha que fui verificar o nome do autor na capa outra vez, para ter certeza de que era apenas Stephen King escrevendo e não mais uma daquelas obras de James Patterson e fulano de tal desconhecido. O pior é que há toda uma "conspiração do destino" para que Hodges acabe se envolvendo com o caso de Saubers, o que torna todo o enredo bizarramente inverossímil para quem é fã da própria verossimilhança do universo de Stephen King. Se um grupo de crianças conseguiu enfrentar uma criatura de outra dimensão em It: A Coisa, se um garoto atravessou territórios hostis para salvar um reino em O Talismã e um casal de jovens enfrentou um carro assassino em Christine, porque diabos um adolescente, protagonista de um livro de  Stephen King, sendo este ou não uma obra sobrenatural, não daria conta de um simples vilão humano?
   Não é crível a maneira como Hodges se envolve com o caso e não é crível o modo como eles descobrem o que está acontecendo, a tecnologia facilitou muito as coisas em livros policiais, mas um mistério que há mais de trinta anos está em aberto, sem nenhuma conclusão, ser solucionado por uma simples busca no google através de um celular é decepcionante. Chega a ser desleixado. Como fã de Stephen King me senti decepcionado com o rumo que tomou Achados e Perdidos, principalmente depois de ser surpreendido positivamente com a primeira parte. O gosto que fica na boca após a leitura é o mesmo que experimentar sua comida favorita e sentir que um dos ingredientes estava estragado, sem falar que como fã de suspense policial me senti insultado pelas resoluções rápidas e toscas. A primeira parte da estória é sensacional, o King de sempre. Mas é só Hodges entrar em ação que a qualidade cai vertiginosamente. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (5/10 Caveiras)

Último Turno
   O Último Turno é a prova do por quê Stephen King é relembrado por seus vilões e poucas vezes por seus protagonistas, o retorno de Brady Hartsfield, o "diabólico Assassino do Mercedes" é o sopro pútrido de ação que a trilogia precisava, mas ao invés de trazer alguma novidade para o enredo,  a impressão que é passada  é a de que estamos lendo a segunda parte de Mr. Mercedes, ou seja mais do mesmo. A trilogia como um todo ficaria muito melhor se King simplesmente tivesse esquecido essa ideia de três livros e condensado o primeiro e o último num volume só, um livro de seiscentas páginas nos mesmos moldes de Novembro de 63 ou Saco de Ossos. Na primeira metade da trama fica evidente a "encheção de linguiça" é só próximo ao final que o suspense verte das páginas e consegue prender o leitor.
   A adição do sobrenatural é um elemento destoante de tudo o que havia sido mostrado até então, existem casos em que essa mistura dentro do romance policial funciona, um exemplo é Coração Satânico de William Hjorstberg, o sobrenatural no livro é um elemento a mais durante a investigação, mas aqui King fracassa, por que o usa como uma muleta para dar andamento a sua narrativa. As páginas que mostram o desenvolvimento dos poderes de Brady suscitam aquela sensação esmagadora de dejà vu em quem já leu Zona Morta, agora eu entendo a fala de King criticando os autores de suspense que só reescrevem a mesma estória com nova roupagem. Em comparação com autores policiais contemporâneos de primeira linha, como Lee Child, Jeffery Deaver e Jo Nesbo, a trama de O Último Turno parece até infantil, não consegue passar a sensação de perigo iminente e nem convence o leitor de que o vilão é uma verdadeira ameaça.
  O livro consegue se salvar na reta final, quando o que deveria ter acontecido logo no primeiro livro, o confronto entre Brady e Bill Hodges, finalmente ocorre. Stephen King não decepciona na questão entretenimento, mas fica muito aquém de suas habilidades, se você nunca leu King é provável que goste do que encontrará nas linhas da trilogia, afinal é uma leitura fácil que não oferece nenhum desafio, mas se você é um leitor constante, acredito que sentirá falta da força do velho King. Há muitos anos não encontrava um livro do King em que após ler a última linha, ao invés de tomar fôlego por causa do clímax final, suspirei agradecido por finalmente acabar a leitura. Como disse anteriormente a trilogia toda ficaria muito melhor em livro só.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (7/10 Caveiras)

18 de dezembro de 2016

Os Melhores Livros Pós-Apocalípticos

  O mundo pode acabar de várias maneiras, desde que a humanidade aprendeu a registrar suas histórias na forma de escrita existem relatos sobre o final dos tempos, mostrando que o apocalipse é um tema que sempre nos fascinou. E ao longo dos anos, na literatura, os autores vem se superando ao imaginar destruições devastadoras, invasões de seres de outra dimensão e até mesmo grandes desastres ecológicos como arautos da nossa extinção. Mas e se as profecias religiosas e mitos estiverem errados? E se este desastre não acabar com a humanidade? E se restarem alguns poucos sobreviventes? Como eles viverão daqui para frente? Confira a seguir uma lista com os livros que tem as respostas mais interessantes e curiosas para essas perguntas.

A Praga Escarlate de Jack London (1912)
   Jack London escreve uma comovente fábula sobre os últimos estertores de uma sociedade dizimada pela peste, através das lembranças de um velho professor revisita o horror dos últimos dias, retratando com emoção todo o medo e desespero que embalaram o caos da destruição, além de mergulhar na selvageria que emergiu por entre os destroços da sociedade. É um livro pequeno, pode ser devorado em poucas horas, mas tão bem escrito, que suas ideias permanecem na mente muito tempo após a leitura. Emocionante, nostálgico e atemporal. 

Devastação ou A Volta a Natureza de René Barjavel (1943)
   Quando René Barjavel escreveu Devastação, em meados do século XX, sua imaginação previa que demoraria ao menos cem anos para que a eletricidade fosse um dos componentes básicos de todas as atividades humanas. Essa era sua visão mais pessimista. O seu apocalipse é bem simples: de repente toda a eletricidade acaba e as grandes máquinas tecnológicas criadas pelo homem tornam-se obsoletas. A verossimilhança do livro com os dias atuais é assustadora, se uma simples noite sem luz consegue nos tirar o sono, imagina então, se essa escuridão se estender dia após dia. 
   A deterioração dos serviços básicos é rápida, logo a comida começa a faltar, o dinheiro perde seu valor e com a fome e o desespero surge a selvageria. É assustador se pararmos para pensar no quanto da comida que consumimos diariamente é fruto de um processo industrializado. Devastação é um livro que dialoga tanto sobre a nossa dependência da tecnologia, como também sobre a forma como tratamos a natureza. 

Só a Terra Permanece de George Stewart (1949)
   E o mundo não acaba com um suspiro, mas sim com um espirro. Só a Terra Permanece é um dos poucos livros que consegue exprimir o verdadeiro sentimento presente na expressão "o fim do mundo", toda a solidão que advém da morte de todas as pessoas que você conhece ou a tristeza da descoberta diária de que cada um dos pequenos prazeres que a civilização nos proporciona acabaram-se para todo o sempre. George Stewart escreve com perfeição sobre a lenta decomposição de tudo aquilo que a nossa sociedade criou em pouco mais de dois mil anos de história, ao mesmo tempo em que acompanhamos o nascimento de uma nova cultura, cujo interesse em nossos feitos tem o mesmo desdém no olhar com o qual vemos hoje as pirâmides do Egito.

Eu sou a Lenda de Richard Matheson (1954)
   O clássico Eu sou a Lenda de Richard Matheson traz a assustadora estória de um homem em um mundo completamente habitado por vampiros. Mais uma vez o apocalipse cavalgou nas costas de um vírus mortal, a única diferença aqui é que as vítimas ao invés de continuarem mortas retornavam  à vida com sede de sangue.                              Leia aqui a resenha

Chung-Li A Agonia do Verde de John Cristopher (1956)
   Chung-Li A Agonia do Verde de John Cristopher explora uma das versões mais assustadoras do apocalipse: a morte da natureza. Um vírus extremamente contagioso ataca a família das gramíneas, que formam praticamente a base da alimentação de todos os animais terrestres, destruindo toda a cobertura verde do planeta. Os efeitos na cadeia alimentar são devastadores, regiões inteiras do globo perecem de fome, é então que o lado mais sombrio do homem acorda na ânsia de sobreviver a qualquer custo.                                       Leia a resenha aqui

Um Cântico para Leibowitz de Walter M. Miller, Jr. (1959)
    Mais uma vez a humanidade foi destruída por um holocausto nuclear, após a primeira bomba cair o inferno se abriu na Terra, aqueles que sobreviveram a primeira tribulação tiveram de enfrentar não apenas a aridez de um planeta estéril mas também seus próprios semelhantes degenerados, a violência emergiu com uma força brutal. No meio desse caos, uma pequena semente de iluminação luta para não ser destruída, a Ordem de São Leibowitz tomou para si o protagonismo de preservar o saber humano, para que quando a razão superasse a selvageria, o homem pudesse retomar os caminhos da ciência.                                           Leia aqui a resenha

As Crisálidas de John Wyndham (1965)
   A geografia dos Estados Unidos mudou drasticamente após um holocausto nuclear, onde antes haviam grandes cidades, hoje jaz um solo estéril e desértico, as áreas que sobraram foram maculadas pela radiação, vegetação e animais sofreram mutações estranhas, assim como os seres humanos. No meio dessa desolação os sobreviventes se organizaram em pequenas comunidades rurais, que retrocederam suas crenças para uma espécie de cristianismo fundamentalista, as mutações passaram a ser consideradas obras do diabo e aqueles que as apresentam são banidos para as terras estéreis. Em As Crisálidas, John Wyndham debate sobre os direitos humanos e o fanatismo religioso, como pano de fundo para as discussões, além do cenário desesperador e claustrofóbico, utiliza uma nova geração de crianças que, devido ao desenvolvimento em um meio ambiente radioativo, desenvolveram telepatia. 

Não tenho Boca e Preciso Gritar de Harlan Ellison (1967)
   Não tenho Boca e Preciso Gritar é um conto de Harlan Ellison, que pode ser encontrado no Brasil na coletânea Máquinas que Pensam, que é considerado uma das visões pós-apocalípticas mais assustadoras de todos os tempos. A humanidade conseguiu criar um supercomputador com inteligência artificial, porém a máquina, após descobrir que foi criada apenas com o propósito de servir como um escravo aos caprichos do homem, se rebelou. A humanidade foi completamente aniquilada, exceto um pequeno grupo de pessoas, que sofrem diariamente as torturas mais cruéis que a máquina pode imaginar. Não tenho Boca e Preciso Gritar é a brutal estória dessa vingança. 

A Dança da Morte de Stephen King (1978)
   A Dança da Morte é a obra de Stephen King que ao lado de It - A Coisa divide o primeiro lugar entre as listas de melhores obras do autor. É um grandioso épico sobre sobrevivência que explora as qualidades e defeitos do ser humano, através de personagens críveis e reais. Como você agiria perante o apocalipse? Após uma gripe matar 99% da humanidade, os escassos sobreviventes começam a se reunir em dois pólos diferentes. Um conflito mortal é inevitável.   

A Estrada de Cormac MacCarthy (2006)
   A Estrada é um dos livros mais perturbadores que  já li pelo simples motivo de que o mundo está tão ferrado que é difícil imaginar outro final para os protagonistas senão a morte, não há nenhuma esperança no horizonte, não há lugar para ir, não há escapatória. A narrativa de Cormac MacCarthy é exuberante e maravilhosa, parte da beleza da leitura surge do modo como a história é contada. É uma leitura inesquecível.                          Leia a resenha aqui

A Trilogia da Escuridão de Guillermo del Toro (2009)
   Os vampiros de Guillermo del Toro estão em uma zona perdida entre a ciência e o sobrenatural, após um avião pousar em New York carregando uma macabra carga, a semente da destruição é plantada e uma estranha doença se espalha entre a população. Ao longo da trilogia os cenários da devastação são maravilhosamente construídos, um destaque especial para a fazenda de seres humanos, gerenciada pelos vampiros, onde as pessoas são criadas como gado para alimentação.

A Passagem de Justin Cronin (2010)
   O apocalipse vampiro de Justin Cronin começa em uma floresta peruana, após um ataque de morcegos, um dos membros da equipe de pesquisadores morre e retorna à vida com uma estranha condição. Os cientistas logo tratam de tentar reproduzir esse efeito em outros seres humanos, doze prisioneiros são selecionados como cobaias para os testes. Eles conseguem, mas as criaturas são incontroláveis. Quando as paredes das celas provam não serem fortes o suficiente para mantê-los presos, não sobra uma gota de sangue para contar a história da queda da humanidade. A trilogia intercala a narrativa do próprio apocalipse com a dos descendentes dos sobreviventes, cem anos depois, que precisam lutar contra essas criaturas para assegurar a liberdade da raça humana.

Faca de Água de Paolo Bacigalupi (2015)
  Em Faca de Água o futuro é árido, após anos de excessos e uso descontrolado a água atingiu um nível de escassez alarmante, tornou-se um artigo de luxo, e grandes corporações batalham pelo direito de explorar nascentes e lagos. Paolo Bacigalupi cria uma narrativa assustadora e verossímil sobre um futuro próximo onde as mudanças climáticas cobraram seus juros da humanidade. Com a sede, o abismo social entre os ricos e pobres cresceu, enquanto nas ruas pessoas morrem por poucos mililitros de água, nos hotéis de luxo o desperdício continua a todo vapor. É o tipo de livro  que deveria ser de leitura obrigatória.

27 de novembro de 2016

Resenha: Os Meninos de Juan Jose Plans


Sinopse:
A Ilha de Tha, na costa da Espanha, é uma réplica do paraíso. Sol, mar, gaivotas, pescadores e paz. Malco, um escritor de contos infantis, conheceu-a há muitos anos, ainda menino. Agora resolve voltar, de férias, em companhia de Nona, sua mulher, grávida do terceiro filho. A ilha continua linda, com seu casario branco da arquitetura mediterrânea. O mesmo sol, o mesmo mar, a mesma paz. Mas alguma coisa estranha paira no ar. Onde estão os adultos?