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21 de junho de 2017

[Entrevista] Guy Lyon Playfair, autor de 1977: Enfield

   Em parceria com a Darkside Books, o Biblioteca do Terror entrevistou Guy Lyon Playfair, autor de 1977: Enfield. Playfair passou mais de catorze meses pesquisando e documentando o poltergeist de Enfield, o resultado é um dos relatos mais completos sobre um caso do gênero. Nesta entrevista ele falou, entre outras coisas, sobre sua relação com o Brasil, as primeiras impressões sobre Enfield e sua opinião sobre as adaptações da história para o cinema e televisão. Confira: 

Biblioteca do Terror: Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela entrevista e a oportunidade aos leitores brasileiros de conhecerem mais sobre um dos autores por trás de 1977: Enfield. Partindo do princípio, como surgiu o seu interesse pelo sobrenatural? A maioria das pessoas que estão envolvidas com a paranormalidade sempre relatam um primeiro contato que foi decisivo para despertar o interesse sobre o tema. Você presenciou algum acontecimento do gênero?

Guy Lyon Playfair: Eu evito usar uma palavra como “sobrenatural”, que significa “além da natureza”. Poltergeists não são “além da natureza”, eles têm sido reportados por pelo menos 500 anos, principalmente por Martin Luther, então acho que já está na hora de eles serem levados a sério. Também evito usar a palavra “paranormal”, que significa apenas “não explicado - ainda”. Minha mãe era um membro da Sociedade de Pesquisa Psíquica (SPR) e eu costumava ler o jornal deles e curtir os artigos sobre fantasmas, apesar de nunca ter visto um.

BdT: Você tem uma ligação bastante íntima com o Brasil, tendo vivido vários anos no país pesquisando sobre a paranormalidade e chegando até a escrever sobre Zé Arigó e Chico Xavier. Qual o fenômeno paranormal que você presenciou em terras brasileiras que te deixou mais impressionado?

GLP: Eu passei 14 anos no Brasil, trabalhando normalmente para Time, Associated Press, Business Week, etc. Eu conheci Chico Xavier e fiquei muito impressionado com ele, e por muitos dos seus primeiros livros, em especial Parnaso de Além-Túmulo. Quanto aos eventos "paranormais", acho todos impressionantes porque me lembram o quanto ainda não sabemos. Talvez os mais impressionantes sejam os incidentes em que objetos sólidos parecem atravessar outros objetos sólidos, como, por exemplo, quando pedras parecem cair pelo teto. 

BdT: 1977: Enfield é considerado um dos relatos mais detalhados sobre um caso de poltergeist, vamos partir do princípio: como você se envolveu no caso de Enfield?

GLP: Eu tive muita sorte. O caso foi tornado público no Daily Mirror um dia ou dois depois que começou, e meu colega da SPR, Maurice Grosse, e eu decidimos cobri-lo até o final. Se soubéssemos que ele duraria 14 meses, poderíamos ter hesitado, mas, felizmente, não o fizemos.

BdT: Qual foi a sua primeira impressão ao entrar na casa? Você poderia falar um pouco sobre os fenômenos que encontrou por lá?

GLP: Minha primeira impressão foi a atmosfera de medo. A família estava aterrorizada e confusa, e você não consegue fingir esse tipo de coisa. Por que você iria fazer isso? Quanto aos fenômenos, eles começaram na minha primeira visita e, em pouco tempo, tive o suficiente para escrever um livro. Eu não consigo quantificar os incidentes - um dia eu decidi que manteria o registro de cada um deles, mas mesmo com um gravador eu achei isso impossível. Naquele mesmo dia, houveram dez incidentes em um minuto. No total, haviam centenas, talvez milhares. Às vezes eles aconteciam mais rápido do que eu conseguia escrever.

BdT: Em 1977: Enfield você se limita a narrar os acontecimentos que presenciou nos meses em que passou pesquisando a família e a casa, mas como em todo caso envolvendo o sobrenatural, surgiram vários céticos criticando a veracidade destes acontecimentos, ainda mais quando foi-se constatado que alguns dos fenômenos eram fingimento das crianças. Qual sua opinião sobre esses comentários? O que você diria para estes céticos?

GLP: Eu tenho compaixão por eles. Essas coisas são difíceis de se acreditar a menos que você tenha visto por conta própria - e ainda assim é difícil de aceitar. Sabíamos que as crianças brincavam com algumas coisas, e que elas sabiam o que nós também sabíamos. Eu não tinha o direito de dizer o que cada um devia fazer dentro de sua própria casa, mas elas sempre admitiram que nós as havíamos flagrado.

BdT: A história de Enfield já foi adaptada várias vezes para televisão e para o cinema, qual sua opinião sobre o tratamento que a ficção deu para a história? Acredita que o sensacionalismo com o qual filmes de terror "baseados em fatos reais" exploram o sobrenatural contribui para o ceticismo nas pessoas ao julgar relatos como 1977: Enfield?

GLP: Sim. A série de TV da Sky, The Enfield Haunting, foi dividida em três partes e diz ter se baseado em meu livro. Em um debate público com o produtor, perguntei por que ele havia deixado de lado todos os melhores incidentes relatados no livro. Sua resposta foi surpreendentemente honesta: “ninguém acreditaria neles”. Ele também admitiu que era muito mais importante que a série “parecesse boa” do que mostrasse o que realmente aconteceu.  Esse é o problema com a TV - está sempre tentando melhorar a vida real. 

BdT: O caso de Enfield voltou a ser tema de discussões em grande parte devido ao lançamento de Invocação do Mal 2, que romantiza a participação do casal Warren na investigação. Você teve algum contato com Ed e Lorraine Warren durante essa investigação?

GLP: Nada além de um breve encontro. Eu não queria ter nada a ver com eles. Eu nunca assisti ao filme, mas vi o trailer, e já foi o suficiente. Ao menos o filme as séries de TV ajudaram a vender muitos livros.

BdT: Você está envolvido ou acompanha alguma pesquisa paranormal atualmente?

GLP: Chega de poltergeists - eles são muito cansativos. No momento eu estou mais interessado em gêmeos e suas experiências de telepatia, que nunca ninguém pesquisou adequadamente.

BdT: Os leitores brasileiros estão empolgados com o lançamento de 1977: Enfield. Gostaria de deixar algum recado?

GLP: Estou feliz por entrar em contato com o Brasil novamente, eu vivi aí por 14 anos e conheci muitas pessoas incríveis - e vários poltergeists excelentes que, por alguma razão muito estranha, são raros em Londres. 



18 de junho de 2017

Resenha: 1977: Enfield de Guy Lyon Playfair


Sinopse:
   Enfield, subúrbio de Londres. Na fria noite de 31 de agosto de 1977, a vida de uma família simples e comum mudaria para sempre. Pequenas batidas e sons inexplicáveis, móveis caindo sem nenhum motivo aparente, esse parecia um verdadeiro caso de poltergeist. Desde os primeiros dias, os pesquisadores de atividades psíquicas Maurice Grosse e Guy Lyon Playfair acompanharam o caso e conseguiram documentar mais de seiscentas páginas de transcrição de fitas cassetes e registros em vídeo dos surpreendentes e assustadores eventos, aqui relatados exatamente como aconteceram.

Opinião:
   Existem várias teorias que tentam explicar porque o cérebro humano é tão fascinado pelo terror. O que motiva alguém a continuar devorando as páginas de um livro que faz seu coração disparar? Ou a assistir a uma cena de filme que lhe embrulha o estômago? Uma das explicações é a adrenalina que essas sensações injetam em nosso sangue, em outras palavras o medo é viciante; outra explicação vai além e invoca um sentimento primal de sobrevivência: nós vivenciamos essas sensações de horror na ficção como uma espécie de teste preparatório, para que quando formos confrontados com um desafio real, estarmos preparados. Mas jamais iremos enfrentar um vampiro ou um fantasma na vida real, não é?

   O principal refúgio que a mente do leitor de terror possui é o pensamento de que todos os horrores descritos naquelas páginas não passam de ficção, nos acostumamos a procurar a origem do sangue falso ou a costura nas costas do monstro, não para acabar com a graça da cena, mas para conseguir dormir em paz à noite. O problema com as histórias baseadas em fatos reais é que esse raciocínio não funciona, histórias como 1977: Enfield transformam a leitura em um desafio. O horror não está na descrição dos objetos que se movem sozinhos ou nos sussurros e sons estranhos que preenchem o silêncio de cômodos vazios. Não, o medo está no drama de uma família, tão real e palpável, que tira o sono pela simples percepção de que aquilo poderia acontecer com qualquer um.

   1977: Enfield não é uma leitura fácil, possui o tipo de história que ultrapassa as páginas do livro e se instala no fundo da mente, naquele recôndito escuro onde os pesadelos ficam escondidos e que só é acessível à noite, quando você está próximo de ultrapassar a barreira que separa a vigília do sono. Playfair deixa claro em seu prefácio, se você procura uma história que tenha um clímax hollywoodiano este livro não é para você. Um fenômeno poltergeist real é mais perturbador que o retratado pelos cinemas, a vida não segue um roteiro, não há nenhum controle sobre como ou quando o sobrenatural vai se manifestar, não existem heróis que aparecem no último minuto para salvar o dia. 

    Por esse motivo a narrativa do livro é bastante irregular, embora o suspense esteja presente desde a primeira página, muitas vezes o capítulo seguinte àquele cheio de ação não mostra nenhuma evolução da manifestação, quando você acha que terá um vislumbre inquestionável de atividade paranormal, ela simplesmente acaba. Diferente do que Jay Anson fez em Horror em Amityville, Playfair não romantizou a história, não a tornou mais palatável para os leitores, ao contrário, cada acontecimento é detalhado com precisão e exaustão, o sobrenatural nunca é a primeira explicação, cientificamente tenta-se reproduzir cada evento que ocorre em Enfield. Esse cuidado torna o livro ainda mais perturbador.

     1977: Enfield não é um livro para ser devorado de uma só vez, sua história é feita para ser desmembrada aos poucos, cada capítulo é um passo em direção ao final de um corredor cheio de portas trancadas, ao leitor é dado apenas um pequeno vislumbre do que há por trás de cada uma delas, só percebemos aquilo que a limitação de nossos sentidos e da tecnologia permitem, deixando a interpretação à cargo das crenças, ou da falta delas, de cada um. Isso faz com que a experiência da leitura seja extremamente pessoal, o que a história representa para mim será diferente do que ela representa para você. Enfim, se você gostou de Demonologistas de Gerald Brittle e Exorcismo de Thomas B. Allen encontrará o mesmo prazer sombrio em meio às páginas deste livro. Você terá coragem de abrir as portas de Enfield?

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

11 de junho de 2017

Resenha: A Dádiva de Deus de Bernard Taylor


Sinopse:
   Primeiro a moça, a desconhecida. Depois veio o bebê. Depois a morte. Para Alan, Kate e seus filhos, a paz e a felicidade pareciam ter sido destruídas para sempre. Mas, no final das contas, isso talvez não fosse verdade: eles tinham ainda Bonnie. A linda Bonnie, de cabelos louros e de olhos azuis. Em sua dor e seu desespero, a pequenina Bonnie era uma dadiva de Deus. Mas era mesmo? Um acidente fatal pode ser suportado. Mas seria o único? Gradualmente, sem qualquer justificativa, Alan descobre-se perseguido por suspeitas tão fortes e tão terríveis que ele teme pela própria sanidade mental. Que poder maléfico é esse que ameaça destruir sua família?

Opinião:
   Na linha temporal da evolução dos livros de terror sobre sobre crianças assassinas é possível destacar o abismo que há entre o suspense psicológico de A Menina Má de William March (1954) e o horror explícito de Melodia do Mal de John Ajvide Lindqvist (2010), ambas estórias abordam a maldade como uma herança genética, partindo do pressuposto de que todos nascemos com a semente do mal em nosso íntimo, com a diferença que algumas pessoas possuem o coração tão negro e putrefato que esta semente encontra o solo perfeito pra florescer. O diferencial entre esses dois livros está na abordagem do tema, enquanto em A Menina Má a violência é tratada com mais subjetividade e o horror é tecido através da implicação da inocência com a violência; Melodia do Mal mergulha nas vísceras sangrentas do gênero para trazer a visão mais explícita possível, mesclando gore com um denso suspense psicológico. A Dádiva de Deus de Bernard Taylor (1976) seria mais um livro entre tantos outros do tema, senão fosse por sua abordagem ousada, baseada diretamente no sobrenatural.

   Na natureza existe uma espécie de pássaro  parasita: o cuco. Diferente de outras aves, a fêmea do cuco, não faz ninho para seus ovos, na verdade quando chega a hora mágica ela procura o ninho de outro pássaro e deposita seus ovos entre os que já estiverem lá. Quando a verdadeira "mamãe" retorna a seu ninho, mal sabe que está chocando ovos que não são seus. Assim que os filhotes de cuco nascem eles começam a se livrar de seus "irmãos adotivos", para que assim possam ter mais espaço para crescer e a total atenção da "mãe" na alimentação. É a natureza em seu estado mais brutal. Esta é uma boa metáfora para a estória de A Dádiva de Deus, a família protagonista conhece uma jovem grávida e por educação acaba convidando-a para uma visita,  após um estranho jantar ela entra em trabalho de parto e em meio a confusão que segue ao nascimento da criança, acabam descobrindo que a jovem simplesmente desapareceu, deixando em sua cama uma linda menininha desprotegida. O bebê de aparência angelical ganha o nome de Bonnie e é adota pela família, porém conforme os anos vão se passando, mortes bizarras começam a acontecer ao seu redor. Serão apenas coincidências? 

   O segredo de A Dádiva de Deus está na narrativa de Bernard Taylor, diferentemente de outros livros dos anos setenta, ele consegue fazer com que o leitor crie uma conexão real com os personagens e seja afetado pelas mortes que acontecem. A narrativa é contada do ponto de vista dos pais e a construção da sensação de normalidade e sua consequente desconstrução ao longo das páginas geram o suspense que permeia toda a história. Em seu íntimo o leitor sabe o que lhe espera no final, mas há uma força maior que o impele a continuar lendo e se torturar com a tensão, naquele típico livro feito para ser devorado de uma vez só. Dádiva de Deus não chega a ser explícito em suas cenas de violência, mas a forma com que a trama é conduzida a partir da segunda metade, transforma o suspense em um horror psicológico tão fascinante quanto. É um livro que possui um final perturbadoramente maléfico, se você é fã do terror dos anos setenta e gosta do sabor ácido do horror nonsense da época, este livro é para você!

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

28 de maio de 2017

Resenha: Na Escuridão da Mente de Paul Tremblay

"Me assustou pra valer, e eu não sou nada fácil de assustar." Stephen King

"Um dos livros mais assustadores que você lerá neste ou em qualquer ano." Guardian

Sinopse:
   A vida dos Barrett é virada do avesso quando Marjorie, de 14 anos, começa a demonstrar sinais de esquizofrenia aguda. Depois que os médicos se mostram incapazes de deter os acessos bizarros e o declínio de sua sanidade, o lar se transforma em um circo de horrores, e a família se vê recorrendo a um padre da região. Acreditando que seja um caso de possessão demoníaca, o padre Wanderly sugere um exorcismo e entra em contato com uma produtora que está ávida para documentar tudo. Com o pai de Marjorie desempregado e as dívidas se acumulando, a família hesitantemente aceita, sem imaginar que A Possessão se tornaria um sucesso imediato. Quinze anos depois, uma autora best-seller entrevista Merry, a irmã mais nova de Marjorie. Ao se recordar dos acontecimentos de sua infância, uma narrativa alucinante de terror psicológico é desencadeada, levantando questões sobre memória e realidade, ciência e religião... e sobre a real natureza do mal.


Opinião:
   O exorcismo na literatura de terror é um tema bastante controverso, suas raízes estão arraigadas no cerne de todas as grandes religiões, cada uma dessas crenças possui seus próprios textos sagrados e rituais utilizados para expulsar espíritos malignos e demônios. Inúmeras obras de ficção e não-ficção já tentaram dissecar o tema da "possessão" a partir de diversas perspectivas, desde a ótica do ceticismo científico até a completa imersão no misticismo religioso, independente da abordagem todas tem um ponto em comum: dialogam diretamente com um dos medos mais profundos da humanidade, o medo do desconhecido. Um exorcismo é o campo de batalha final localizado entre o plano físico e espiritual onde sacerdotes religiosos enfrentam poderes sombrios além de sua compreensão, colocando sua própria alma imortal em perigo para salvar da danação eterna uma alma inocente. 

   O Exorcista de William Peter Blatty praticamente fundou o subgênero  no início da década de setenta, descrevendo passo a passo o processo de possessão de uma jovem e seu consequente ritual de exorcismo. Quarenta anos depois, o que se podia perceber na literatura sobre o tema, eram narrativas que pouco evoluíram em sua abordagem, que percorria a mesma lógica regida pelo clássico de Peter Blatty. Isto é, até o lançamento de Na Escuridão da Mente de Paul Tremblay, um dos livros de terror mais celebrados dos últimos tempos, vencedor da categoria de melhor livro do Bram Stoker Awards de 2015 e famoso por assustar o próprio mestre do terror, Stephen King. Então você pergunta, o que este livro tem de tão especial?

   Paul Tremblay mergulha no centro do subgênero para tecer uma narrativa que ao mesmo tempo em que abraça os clichês, através de várias referências à clássicos da cultura popular, percorre caminhos inexplorados atualizando as definições de "possessão demoníaca" para o século XXI. Na Escuridão da Mente funciona como um catalisador para as próprias crenças do leitor, que é conduzido através de uma trama obscura que a todo momento questiona a própria construção dos fatos: será a protagonista realmente uma alma atormentada por demônios ou não passa de uma adolescente com problemas psiquiátricos lutando para compreender sua própria condição? O véu que separa a realidade da histeria é tão fino que a tensão prende o leitor dentro das páginas até a última palavra na ânsia de uma resposta para seus temores.

   O livro traz a história Merry Barrett, uma jovem que através de uma série de entrevistas relembra o período mais traumático de sua infância, o exorcismo de sua irmã mais velha, Marjorie. A partir sua perspectiva infantil da época, ela narra as mudanças no comportamento de sua irmã, visitas a psicólogos e padres e o desespero familiar ao enfrentar problemas financeiros e os ataques cada vez mais comuns de Marjorie. Em meio a todo o horror e desesperados para pagar as dívidas, os Barretts concordam com a ideia de documentar através de uma série de televisão todos os preparativos e o próprio ritual. A estória se constrói a partir do enfrentamento da dualidade entre doença mental e possessão demoníaca ao mesmo em que critica a exposição da mídia e o próprio fanatismo religioso.

  O horror presente em Na Escuridão da Mente não é do tipo que se baseia em vozes demoníacas ou móveis se arrastando pelos cômodos para impressionar seu leitor, mas sim na profunda e inquietante tensão psicológica que permeia o ambiente familiar, retorcendo pequenos detalhes para causar uma sensação de estranhamento e insegurança que afeta a todos os personagens, até o próprio leitor. Mas talvez o grande trunfo do livro seja seu final, construído com perfeição a partir das últimas páginas é um grito de horror cujo desespero fica ecoando na mente muito tempo após a leitura. Na Escuridão da Mente é uma obra-prima moderna que vai agradar aos fãs do gênero sedentos por novos pesadelos.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 de maio de 2017

Strange Weather | Conheça o novo livro de Joe Hill

Enquanto aguardamos o anúncio oficial da editora Arqueiro sobre a data de publicação de The Firemam no Brasil, foram revelados detalhes sobre o novo livro de Joe Hill, Strange Weather. O livro conterá quatro novelas: uma envolvendo fragmentos de cristais afiados que inexplicavelmente começam a cair do céu; um paraquedista que se vê abandonado em uma nuvem sólida; um segurança mentalmente desajustado e uma câmera que apaga memórias.

Strange Weather chegará às livrarias americanas em 24 de Outubro.

1 de maio de 2017

Resenha: A Cidade dos Espelhos de Justin Cronin

“O emocionante final de uma trilogia que será reconhecida como um dos grandes feitos da ficção fantástica americana.” – Stephen King

“Nesta conclusão de sua trilogia épica, Justin Cronin apresenta toda a dor, a alegria e as reviravoltas do destino que os eventos de A passagem e Os Doze prenunciaram. Como nos livros anteriores, traz um grande elenco de personagens, todos eles com personalidades plenamente desenvolvidas e que cativam o leitor.” – Publishers Weekly

A Ascensão do Mito do Vampiro
   Crenças e mitos sobre vampiros surgiram em várias culturas ao redor do mundo ao longo dos séculos, histórias que mesclavam o misticismo à religião em um amálgama que era uma fonte real de terror para a população, tanto que o vampiro clássico, assim como o conhecemos hoje, o cadáver que se ergue de seu caixão para sugar o sangue dos vivos e assim manter sua aparência eternamente jovem, nasceu através dos relatos de histeria coletiva que assombraram a Europa na Idade Média. Um dos casos históricos mais famosos que ilustra o clima de horror da época é o de Peter Plogojowitz, que  morreu em setembro de 1828, aos 62 anos, em um pequeno vilarejo sérvio.

  Três dias após sua morte, Plogojowitz apareceu à noite para sua família exigindo comida, duas noites depois quando retornou, seu filho, que se recusou a atendê-lo, foi encontrado morto na manhã seguinte. O pavor tomou conta do vilarejo quando vários moradores começaram a apresentar os sintomas de uma estranha doença, palidez e indisposição, cuja causa foi identificada como perda excessiva de sangue. Logo se espalharam relatos de sonhos nos quais Plogojowitz fazia uma visita noturna às vítimas para sugar seu sangue através de uma mordida no pescoço. Nove pessoas morreram desta estranha doença nas semanas seguintes. 

  Um grupo foi reunido para exumar os cadáveres, mas quando os caixões foram abertos foi notado que o corpo de Plogojowitz estava bem conservado, seus olhos estavam abertos e sua pele corada, porém o mais terrível era que havia sangue fresco em seus lábios. Uma estaca foi cravada em seu coração e diz-se que sangue verteu da ferida, seu corpo então foi queimado e os restos de suas supostas vítimas, após verificado não haver sinais de vampirismo, foram envoltos em alho e enterrados em solo sagrado novamente. 

   Relatos como esse acenderam o temor público dos vampiros, com tamanha popularidade não demorou muito para que as criaturas invadissem também a literatura. As primeiras estórias eram francamente inspiradas em fatos reais e o vampiro era retratado como nada mais que um parasita morto-vivo, cuja única preocupação era a alimentação. E assim o vampiro começou a assombrar as páginas da ficção, porém o público dessas estórias eram em grande parte nobres que na segurança de seus castelos e mansões viam a tudo aquilo como uma fantasia camponesa. Foi então que o vampiro passou por sua primeira grande transformação, para se inserir no ambiente de seu leitor, a criatura sanguinária ganhou atributos carismáticos e sensuais, uma figura sombria que reina até hoje e cujo filho pródigo mais sombrio é o Drácula de Bram Stoker. 

O Apocalipse Vampiro e o Renascimento Vampírico
   Lançado em 1897, Drácula de Bram Stoker se tornou o padrão de comparação para qualquer outro romance sobre vampiros, seu grande sucesso fez com que as histórias vampíricas se popularizassem e nas décadas seguintes dezenas de livros inflaram o subgênero até a decadência. O mundo havia mudado, duas guerras atualizaram as definições de horror da humanidade e os monstros que  jaziam em castelos europeus obscuros já não causavam medo nos leitores. Foi só em 1954 que surgiu outra obra que conseguiu ter o mesmo impacto e ousar para além dos limites conhecidos do gênero.  Foi Richard Matheson e seu clássico Eu sou a Lenda.

  Matheson inovou ao realizar a dissecação do mito clássico do vampiro através de uma ótica científica, considerando o próprio vampirismo como uma doença, porém mais do que isso, ele é responsável por trazer as criaturas sanguinárias de sua morada européia para o ambiente comum do americano médio. Nos últimos anos o apocalipse ganhou popularidade na cultura popular e o tema do apocalipse vampiro voltou a ser explorado pelos escritores. Pode-se destacar como exemplo a fantástica Trilogia da Escuridão de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan; o nacional Noite Maldita de André Vianco ou a trilogia A Caçada de Andrew Fukuda. Mas nenhum mergulhou tão fundo no gênero como Justin Cronin e sua Trilogia da Passagem.

A Cidade dos Espelhos ou a Épica Conclusão de um Clássico!

  E com toda essa explicação histórica este é o exato ponto onde eu queria chegar: para uma obra conseguir se afirmar como um clássico da literatura é preciso forçar os limites do gênero e percorrer caminhos nunca antes explorados; é preciso tatear pela escuridão da incerteza guiado apenas pela luz da criatividade, sem saber o que irá encontrar no final ou até mesmo se chegará até lá. Justin Cronin consegue fazer isso e o resultado é a trilogia A Passagem, um épico que rompe as fronteiras do horror, da ficção científica e da fantasia para ser a obra definitiva sobre o apocalipse vampiro.

   A Cidade dos Espelhos é a peça final que se encaixa com perfeição no grande mosaico formado por A Passagem e Os Doze, sua narrativa além de elevar a trama principal a outro patamar, explicita com perfeição cada ponto obscuro deixado pelos livros anteriores. "Origens", "porquês" e "comos" são amarrados com maestria, em nenhum momento Cronin força uma conclusão apressada, as mais de seiscentas páginas do livro tomam o tempo necessário para contar sua estória, seja através dos flashbacks que constroem a base para o entendimento dos acontecimentos do presente ou no próprio desenvolvimento da narrativa. 

  A estória do último livro da trilogia começa alguns anos depois da conclusão de Os Doze, após um século de escravidão e terror, a humanidade finalmente está passando por uma época de paz e sossego, tanto que a própria lembrança do que aconteceu está começando a desbotar e adquirir o tom místico das lendas antigas. A Queda aconteceu há tanto tempo que as novas gerações já esqueceram de como era a vida nas grandes cidades, hoje gigantescos monumentos fúnebres que marcam o que a humanidade perdeu; e o mais importante esqueceram que o mal se originou em meio aquelas ruínas e que ainda jaz naqueles destroços, apenas esperando a hora certa para ressurgir. E esse momento se aproxima cada vez mais. 

   Se você gostou dos dois primeiros livros, A Cidade dos Espelhos não vai te decepcionar. Justin Cronin cumpre com toda a expectativa que cresceu ao longo dos anos, cada segundo de espera para o aguardado lançamento deste livro vale a pena quando você lê a página final e se despede dos protagonistas, o autor consegue surpreender dando um final belo e emocionante para uma trilogia que se iniciou de forma tão violenta e assustadora. Há muito tempo eu não terminava a leitura de uma trilogia me sentindo tão satisfeito e saciado com as respostas que encontrei, geralmente os autores preferem deixar espaço para a imaginação do leitor completar o quadro final, mas a trilogia A Passagem não. E a sensação é ótima. É uma leitura obrigatória a todo fã do gênero, ou melhor, a todo leitor que adora uma história bem contada.  

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

30 de abril de 2017

Lista dos Vencedores do Bram Stoker Awards 2016

   O Bram Stoker Awards, o prêmio máximo da literatura de horror, é concedido anualmente pela The Horror Writers Association para os trabalhos que mais se destacaram em cada uma das onze categorias da premiação, que vão desde melhor romance de estreia até melhor roteiro. Este ano o evento nomeado em homenagem ao autor do clássico Drácula, aconteceu na noite de sábado, dia 29 de abril, confira a lista dos ganhadores e respectivas sinopses:

Superior Achievement in a Novel (Melhor Romance)
The Fisherman de John Langan 
  No estado de New York, nos arredores de Woodstck, o Dutchman’s Creek flui para fora do reservatório Ashokan. Sua inclinação torna a correnteza rápida, oferecendo a promessa de boa pesca e de algo mais, uma possibilidade fantástica demais para ser real. Quando Abe e Dan, dois viúvos que encontram consolo na companhia um do outro e na paixão compartilhada por pescaria, ouvem o rumor sobre o rio e o que pode ser encontrado lá, o remédio para suas perdas, eles o descartam como sendo apenas mais uma história de pescador. No entanto, logo se veem envolvidos em uma lenda tão antiga e profunda quanto o reservatório. É uma história sobre pactos sombrios, segredos enterrados há muito tempo e de uma figura misteriosa conhecida como: o Pescador. Ele colocará Abe a Dan face a face com tudo o que perderam e com o preço de deverão pagar para recuperá-lo.


Superior Achievement in a First Novel (Melhor Romance de Estreia) 
Haven de Tom Deady
   Em 1961, a pequena cidade de Haven pensou que havia se livrado de seu monstro. Depois de uma série de assassinatos de crianças, Paul Greymore foi encontrado carregando uma menina ferida. Seu rosto, desfigurado por um acidente na infância, parecia confirmar que ele era o monstro que a comunidade buscava. Com Paul na prisão, os assassinatos pararam. Por dezessete anos, Haven conheceu a calmaria novamente.
   Mas Paul cumpriu sua pena e agora retornou a Haven - a cidade onde cresceu e cenário de seus supostos crimes. Ele insiste que ele não cometeu esses crimes e várias pessoas da cidade acreditam nele, incluindo o padre local, um rapaz chamado Denny, e seu melhor amigo Billy. O problema é que, agora que Paul está de volta em casa, os assassinatos bizarros começaram novamente - e os padrões combinam com as mortes do passado de Haven. Se Paul não é o assassino, quem é? Ou o QUE é?
   Um grupo improvável de aventureiros tenta descobrir a verdade, mergulhando em túneis há muito escondidos que podem ser habitados por uma estranha criatura predatória. Haven é um épico de horror convincente no espírito de It - A Coisa ou Summer of Night, um romance de estreia impressionante de um talentoso autor que sabe que os horrores mais sombrios espreitam dentro dos seres humanos, mesmo quando há um monstro à solta.

Superior Achievement in a Young Adult Novel (Melhor Romance Juvenil)
Snowed de Maria Alexander
   Charity Jones é uma adolescente de 16 anos, gênio em engenharia, que sofre intimidação em sua escola, por conta sua origem e seu ceticismo, no conservador Condado de Oak, Califórnia. Tudo muda em sua vida quando sua mãe, assistente social, traz para casa um jovem fugitivo chamado Aidan para passar as férias. Semelhantes em vários sentidos, Charity e Aidan rapidamente se apaixonam. Mas parece que ele não é a única novidade: Charity encontra o cadáver, brutalmente assassinado, de um dos seus piores perseguidores da escola e juntando as peças descobre que um assassino está agindo no Condado de Oak. Enquanto ela e seu clube de céticos investigam esta e outras mortes, chegam à conclusão de que a cada descoberta o mistério torna-se mais sombrio e mortal. Uma coisa é certa: há uma batalha sangrenta nesta temporada de férias que vai mudar suas vidas - e história da humanidade - para sempre. Eles estarão prontos?

Superior Achievement in Long Fiction (Melhor Ficção Longa/Novela) 
The Winter Box de Tim Waggoner
   É o aniversário de vinte e um anos de casamento de Todd e Heather. Uma nevasca explode fora de sua casa, mas está muito mais frio lá dentro. Seu casamento está caindo aos pedaços, o amor que uma vez compartilharam acabou e em seu lugar há apenas um ressentimento amargo. À medida que a noite avança, coisas estranhas começam a acontecer na casa - coisas ruins. Se eles conseguirem trabalhar juntos, podem encontrar uma maneira de sobreviver até de manhã ... mas apenas se não abrirem a Caixa de Inverno.

Superior Achievement in Short Fiction (Melhor Conto)
“The Crawl Space” de Joyce Carol Oates, publicado em Ellery Queen Magazine

Superior Achievement in a Fiction Collection (Melhor Coletânia de Contos)
The Doll-Master and Other Tales of Terror de Joyce Carol Oates
   De uma das escritoras contemporâneas mais importantes, The Doll-Master e and Other Tales of Terror é uma coleção de seis histórias assustadoras. Na história do título, um jovem se torna obcecado com a boneca de sua prima, após ela morrer tragicamente de leucemia. À medida que envelhece, ele começa a coletar "bonecas encontradas" em bairros vizinhos e armazena seus tesouros em uma estação abandonada na propriedade de sua família. Mas que tipo de bonecas será que são aquelas? Em "Gun Accident", uma adolescente fica emocionada quando seu professor favorito lhe pede para cuidar de sua casa enquanto está fora, mas quando um intruso invade a residência enquanto ela está lá, o destino de mais de uma vida é mudado para sempre. Em The Doll-Master e and Other Tales of Terror, Joyce Carol Oates evoca o "fascínio da abominação" que está no cerne da mais profunda, mais perturbadora e mais memorável história humana.

Superior Achievement in an Anthology (Melhor Antologia)
Borderlands 6 org. de Oliva F. Monteleone & Thomas F. Monteleone
  Esta antologia não temática de horror apresenta obras nunca antes publicadas de: Louis Dixon, John McIlveen, Jack Ketchum, Rebecca J. Allred, Dan Waters, Michael Bailey, John Boden, Trent Zelazny e Brian Knight, Bob Pastorella, Peter Salomon, Carol Pierson Holding, Steve Rasnic Tem, Darren O. Godfrey, David Annandale, Anya Martin, G. Daniel Gunn e Paul Tremblay, Gordon White, Sean M. Davis, Tim Wagoner, Bradley Michael Zerbe e Gary A. Braunbeck . Incluindo também uma novela, já publicada anteriormente de David Morrell

Superior Achievement in Non-Fiction (Melhor Não-Ficção)
Shirley Jackson: A Rather Haunted Life de Ruth Franklin
   Ainda reconhecida por milhões principalmente como autora de The Lottery, Shirley Jackson (1916-1965) está curiosamente ausente do cânone literário americano mainstream. Um gênio do suspense literário e horror psicológico, Jackson sondou a ansiedade cultural da América do pós-guerra mais profundamente do que ninguém. Agora, a biógrafa Ruth Franklin revela a vida tumultuada da autora de clássicos como A Assombração na Casa da Colina e Sempre Vivemos no Castelo.
   Colocando Jackson dentro da tradição gótica americana, cujas raízes remetem à Hawthorne e Poe, Franklin demonstra como sua contribuição única para este gênero veio de seu foco no "horror doméstico". Quase duas décadas antes de a Mística Feminina acender o movimento das mulheres, as histórias de Jackson e as crônicas de não-ficção já exploravam a exploração e o isolamento desesperado das mulheres, particularmente das mulheres casadas, na sociedade americana.
   Cada vez mais presciente, Shirley Jackson emerge como uma ferozmente talentosa, determinada e prodigiosamente criativa escritora em um tempo quando era incomum para uma mulher ter uma família e uma profissão. Uma mãe de quatro filhos e a esposa do proeminente crítico e acadêmico do New Yorker Stanley Edgar Hyman, Jackson viveu uma vida aparentemente bucólica na cidade de North Bennington, Vermont, na Nova Inglaterra. No entanto, bem como suas histórias, que canalizavam o ocultismo enquanto explorava a claustrofobia do casamento e da maternidade, a ascensão criativa de Jackson era assombrada por um lado mais sombrio. Como sua carreira progrediu, seu casamento tornou-se mais tênue, sua ansiedade aumentou, e ela tornou-se viciado em anfetaminas e tranquilizantes. Em detalhes, Franklin examina com perspicácia os efeitos da educação de Jackson na Califórnia, na sombra de uma mãe hipercrítica, seu relacionamento com seu marido, justapondo as infidelidades de Hyman, comportamento dominador e ciúme profissional com sua infalível admiração pela ficção de Jackson.
   Com base em uma abundante correspondência previamente desconhecida e dezenas de novas entrevistas, Shirley Jackson - uma exploração de um talento surpreendente formada por uma infância prejudicial e um casamento turbulento - torna-se a biografia definitiva de um avatar geracional e de um gigante literário americano.

Superior Achievement in a Poetry Collection (Coletânea de poemas)
Brothel de Stephanie M. Wytovich
   Wytovich interpreta uma madame em uma coleção de horror erótico que desafia a conexão filosófica entre a morte e o orgasmo. Há um striptease que acontece no bordel que não é nem fato nem ficção, nem fantasia e nem memória. É uma dança do erotismo, da morte e da decadência. O corpo humano torna-se uma estação de serviço para a dor, para o prazer, para o solitário e o confuso. A sexualidade está pendurada na porta e o ato de amar está longe de tudo o que é decente. Suas mulheres abrem suas pernas para a violência, para em seguida, fumar um cigarro e ficar de quatro patas. Eles usam seus corpos como armas e aprendem a encontrar-se no clímax dos limites que cruzam, a fim de definir sua humanidade... ou falta dela.
   Wytovich nos mostra que a definição do feminino não está associada à palavra vítima. Seus personagens ressuscitam uma e outra vez, lutando contra estereótipos, matando expectativas. Ela nos mostra que o sexo não é sobre o amor; é sobre controle. E quando o controle é desproporcional à fantasia, ela nos mostra o verdadeiro significado de femme fatale.

Superior Achievement in a Graphic Novel (Melhor Graphic Novel)
Kolchak the Night Stalker: The Forgotten Lore of Edgar Allan Poe
   Entre histórias de corações delatores e enterros prematuros, de gatos pretos e da morte vermelha, o repórter Carl Kolchak luta com horror e loucura cada vez mais profundos quando os eventos dos contos de Edgar Allan Poe ganham vida na moderna Baltimore.

Superior Achievement in a Screenplay (Melhor Roteiro)
A Bruxa, roteiro de Robert Eggers
   Nova Inglaterra, década de 1630. O casal William e Katherine leva uma vida cristã com suas cinco crianças em uma comunidade extremamente religiosa, até serem expulsos do local por sua fé diferente daquela permitida pelas autoridades. A família passa a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Um dia, o bebê recém-nascido desaparece. Teria sido devorado por um lobo? Sequestrado por uma bruxa? Enquanto buscam respostas à pergunta, cada membro da família enfrenta seus piores medos e seu lado mais condenável.