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19 de agosto de 2017

Resenha: Noturno de Scott Sigler

Sinopse:
Você já teve um sonho que jurou ser real? Ou até mesmo aquela sensação de déjà-vu ao passar por um lugar em que com certeza nunca esteve? Imagine se esse local for uma cena de crime e você, um detetive de homicídios? Para piorar: e se, nos sonhos, você fosse o próprio assassino para, num piscar de olhos, acordar e estar no mundo real com uma pessoa morta aos seus pés?

Opinião:
   Noturno não é um livro de terror, muito menos um romance policial e embora se encaixe bem na definição de fantasia urbana é mais como se fosse uma mistura de todos esses gêneros, batida em um liquidificador com várias referências à cultura pop, que resulta em um grande amálgama literário. Essa liga se mantém coesa boa parte do tempo, privilégio das suas cenas explosivas de ação, mas perde força por tentar ser tudo ao mesmo tempo e não se aprofundar em uma linha narrativa. E apesar da escrita de Scott Sigler ser ágil essa indecisão quebra o ritmo da leitura em vários pontos e a torna pesada e cansativa.

  A história começa com os detetives policiais Bryan Clauser e Pookie Chang investigando uma série de assassinatos bizarros e brutais, mortes cujas pistas levam a crer que o assassino não seja humano. Em meio a investigação Bryan começa a ter pesadelos vívidos com monstros estripando pessoas e acaba entrando em uma espiral de paranoia após perceber conexões entre seus sonhos e a realidade. Em paralelo há a narrativa de Rex Deprovdechuk, um adolescente que compartilha os pesadelos de Bryan, além de ter uma ligação pessoal com as vítimas.

  Esses elementos são suficientes para criar um mistério que prende o leitor logo nas primeiras páginas, Scott Sigler consegue tecer no começo de Noturno uma ambientação reconhecível, a química entre os protagonistas policiais combinada com a agilidade do texto e a bestialidade das visões são o ponto forte, o problema é que esse mistério é desvendado pelo leitor quase 100 páginas antes que os protagonistas. E somos obrigados a  ler páginas e páginas de voltas e mais voltas até que haja o grande cliffhanger que leva o livro para sua segunda parte. Que é basicamente uma grande cena de ação que perpassa mais de duzentas páginas.

   A partir da segunda metade Noturno perde completamente o ritmo de suspense e se transforma em tiros, monstros e motivações artificiais (e super-poderes!). A narrativa de Scott Sigler se torna previsível e o leitor é tragado por cenas de ação que não surtem nenhum efeito devido as suas repetições cansativas. O contraste entre a primeira e segunda parte é tão grande que a impressão é de estar lendo dois livros diferentes. Sigler tenta reproduzir o que Clive Barker fez em Raça da Noite com Midian, mas seus monstros não causam nenhum espanto e não conseguem ser convincentes como ameaça. No final, Noturno é um livro bem irregular, apesar de ser recheado de boas ideias poucas são exploradas a contento e suas quase quinhentas páginas se mostram um exagero.  

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (6/10 Caveiras)

The Process | Novo livro de Peter Straub retorna ao universo de Um Lugar Especial

Peter Straub apresentou em Um Lugar Especial um de seus personagens mais perturbadores e enigmáticos, Tillman Hayward - o infame Assassino de Mulheres - narrando sua influência maligna na mente de seu jovem sobrinho Keith Hayward. Em The Process (is a Process All Its Own), novela de 96 páginas lançada mês passado nos EUA, Straub retorna à década de 50 para revelar os segredos obscuros de Tillman, criando uma espécie de trilogia macabra, completada por Um Lugar Especial e Um Passado Sombrio. Confira a sinopse:

"Tilly é assassino serial clássico e em The Process nós observamos mais sobre seu "trabalho" no meio-oeste americano da década de 1950. Sua história é sobre uma loucura sanguinária escondida artisticamente sob uma aparência fina e civilizada. Fazendo jus a seu apelido, deixa uma trilha de cadáveres femininos mutilados onde quer que vá.

Straub conta a história de Tilly com uma voz clara e inabalável que é ao mesmo tempo apaixonante e perturbadora, contextualizando-a em um mundo maior, repleto de ocorrências enigmáticas e encontros impossíveis. É um mundo onde os mortos reaparecem, em que a linguagem possui suas próprias propriedades peculiares e "uma música odiosa e discordante" envolve tudo. É um mundo que só Peter Straub poderia ter evocado com clareza e poder."

No Brasil os livros de Peter Straub são publicados pela Bertrand Brasil, mas com grande irregularidade, então dificilmente veremos The Process por aqui em um futuro próximo.

18 de agosto de 2017

Belas Adormecidas | Detalhes da edição nacional do livro de Stephen King e Owen King


  E o primeiro grande lançamento para o mês do horror de 2017 acaba de ser confirmado pela editora Suma de Letras: Belas Adormecidas, escrita em conjunto por Stephen King e Owen King, será lançada no Brasil em outubro, pouco menos de um mês após o lançamento oficial nos EUA. A capa seguirá o padrão americano e o mesmo deve acontecer com o número de páginas: 720!! Confira a sinopse, não oficial, da obra:

  "Em um futuro real e próximo, algo acontece quando as mulheres adormecem; elas ficam envoltas em um tipo de casulo. Se são despertadas, se a gaze envolvendo seus corpos é perturbada ou violada, as mulheres tornam-se selvagens e espetacularmente violentas; e enquanto elas dormem, vão para outro lugar… Os homens de nosso mundo são abandonados em seus dispositivos cada vez mais primitivos. Uma mulher, no entanto, é imune à bênção ou maldição da doença do sono. Evie é uma anomalia médica a ser estudada? Ou ela é um demônio que deve ser morto?”

   Lançamentos simultâneos e novas edições de obras raras, parece que finalmente Stephen King está recebendo o tratamento que merece pelo mercado editorial brasileiro. A  Darkside Books também irá lançar em breve uma nova edição de Coração Assombrado, biografia do King, escrita por Lisa Rogak. Nos resta aguardar ansiosamente e sonhar com reedições de Trocas Macabras e Depois da Meia-Noite, as duas obras mais pedidas pelos leitores constantes.

16 de agosto de 2017

Goblin | Conheça o novo livro de Josh Malerman

Goblin é o novo lançamento de Josh Malerman, autor de Caixa de Pássaros e Piano Vermelho, décimo terceiro volume da coleção anual de Haloween da editora Earthling, especializada em edições de especiais, que será lançado em uma tiragem de 500 edições. O livro terá introdução de James A. Moore (Mar de Angústia) e ilustrações de Allison Laakko. O livro é uma coleção de seis novelas que se interligam entre si. Confira a sinopse:

A MAN IN SLICES: Um jovem quer provar para sua namorada a distância que eles têm um "amor lendário", melhor do que Vincent van Gogh, então ele manda para ela muito mais do que apenas sua orelha.

KAMP: Um homem horrorizado ao encontrar um fantasma cria uma série de "armadilhas de fantasmas" por todo seu apartamento, desesperado para pegar um antes que ele próprio seja possuído.

HAPPY BIRTHDAY, HUNTER!: O grande caçador Neal Nash abandona seu próprio aniversário para ir à caça da Grande Coruja Sagrada (e protegida) de Goblin. Mas as Florestas do Norte não são amigáveis à noite.

PRESTO: Nas páginas da revista Presto, um jovem garoto lê que seu mago favorito, Roman Emperor, está vindo para a cidade. O problema é que Pete não sabe que a magia do Emperor é real e seu último truque envolve a participação da platéia...  e de um pequeno garoto voluntário.

A MIX-UP AT THE ZOO: Dirk Rogers trabalha tanto no Matadouro Goblin quanto no Zoológico Goblin, e essa quantidade de trabalho o está deixando exausto. Ele será capaz de separar os dois empregos na noite em que ele finalmente surtar ou o matadouro e zoológico irão se misturar em sua mente sombria e doentia?

THE HEDGES: Uma jovem finalmente chega ao fim da maior atração turística de Goblin, The Hedges. Mas o que ela encontra lá desencadeia uma perseguição louca entre o proprietário dos Hedges e a polícia de Goblin, através das ruas da cidade chuvosa diretamente para as terríveis Florestas do Norte.

Seja bem-vindo à cidade de Goblin. Que a sua noite seja abençoada pela chuva, cheia de aventuras e repleta de sustos...

15 de agosto de 2017

Resenha: Entre Quatro Paredes de B. A. Paris

Sinopse:
   Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito.
   Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar. Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.

Opinião:
   Entre Quatro Paredes é recheado de momentos de puro horror, um suspense psicológico com uma narrativa tão claustrofóbica quanto seu título pressupõe, B. A. Paris cria uma trama sombria que disseca detalhadamente a intimidade de uma relação psicopata. A cena inicial é uma das mais angustiantes que eu li em muito tempo, o leitor é transportado para o microuniverso de Grace, a esposa exemplar que vive o casamento perfeito, ao menos é o que Rufus e Esther, o casal de amigos que está jantando em sua casa, pensam. Mas o que eles não sabem é que cada palavra, gesto e expressão facial de Grace é controlado para não demonstrar o inferno em que vive, e Jack, seu marido, observa cada movimento. Por trás de todos os sorrisos e amabilidade jaz um monstro sádico que não mede esforços para sorver cada gota de medo de sua esposa.

   O livro obriga o leitor a fazer um tour de force pelo ambiente íntimo da vida de recém-casados de Jack e Grace. A paixão furiosa que os levou ao matrimônio em menos de seis meses foi estrangulada cruelmente na noite de núpcias, quando Grace, descobriu que o homem carinhoso e romântico com quem havia se casado jamais existiu. A pessoa que a olha através dos olhos de seu marido é um completo estranho. Um estranho que possui ideias sádicas para ela e sua irmã, portadora de necessidades especiais. Jack se mostra para a sociedade um indivíduo exemplar, um marido amoroso e um advogado de sucesso, ninguém jamais imaginaria o que ele faz entre quatro paredes. Esta é uma batalha que Grace tem de travar sozinha.

    A narrativa de B. A. Paris é construída em primeira pessoa, na voz de Grace, e dividida entre passado e presente, intercalando flashes de um modo tão hermético que a passagem do tempo nas cenas é natural e serve com perfeição para aumentar a tensão da trama. A escrita é ágil e os protagonistas são críveis, Grace, em tempos de protagonistas femininas fortes, afirma sua força vencendo seus medos em nome do amor, e Jack, em meio a tantos psicopatas na literatura, consegue convencer o leitor de sua maldade e de sua motivação. A trama é praticamente um jogo de xadrez intelectual, imerso em violência psicológica e tortura mental, no qual a ação é centrada na mente dos protagonistas e a lógica é a arma mais fatal.  B. A. Paris constrói uma história assustadora onde o vilão não é um ser sobrenatural que surge à noite para atacar, mas sim a pessoa que você ama e vive ao seu lado diariamente. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

11 de agosto de 2017

Lugar Sombrio | Detalhes sobre o novo livro de Ed & Lorraine Warren no Brasil

   E a Darkside Books tornou oficial o lançamento de Lugar Sombrio, livro que narra a participação do casal Warren no famoso caso do Exorcismo de Connecticut, uma obra bastante controversa, escrita por Ray Garton em "colaboração" com o casal "assombrado" Carmen Reed e Al Snedeker. Pesquisando sobre o livro encontrei algumas matérias e entrevistas do autor, Ray Garton, que datam da época do lançamento do filme Evocando Espíritos de Peter Cornwell, que gerou polêmica após afirmar que a maioria do livro é ficção (você pode ler a entrevista na íntegra, em inglês, aqui) e isto gera uma ótima discussão. Qual o limite de uma história de não-ficção? Ou das histórias baseadas em fatos reais?

    Sempre acompanho as opiniões dos leitores sobre os livros que são resenhados por aqui e é interessante notar que há uma expressiva preferência por livros de não-ficção "romanceados", como por exemplo Amityville de Jay Anson, do que os que trazem um texto menos "amigável", porém mais fiel a realidade, como Exorcismo de Thomas B. Allen e 1977: Enfield de Guy Lyon Playfair. Demonologistas de Gerald Brittle ao que parece se encontra em um limbo entre esses dois extremos, em sua entrevista Ray Garton destaca que ele foi contratado para escrever a estória exatamente por ser um autor de terror, ou seja, desde o início a obra estava programada para ser um livro de terror. 

   Diferente de Guy Lyon Playfair, que esteve presente em Enfield durante os acontecimentos e escreve os fatos sem embelezá-los, Ray Garton nunca teve contato com a casa dos Snedekers e assim como Jay Anson, escreveu Lugar Sombrio anos depois dos acontecimentos reais, baseado principalmente no relato das pessoas envolvidas. No livro Invocadores do Mal de Cheryl A. Wicks, Ed Warren entrevista George Lutz sobre a verdadeira estória de Amityville e o envolvimento de Jay Anson, segundo ele houve pouca troca de informação entre a família e Anson, que baseou muitas partes do livro nas notícias de jornais da época. 

   Ray Garton questionou a veracidade dos fatos que lhe foram apresentados, seus principais pontos estavam na questão de que os Snedekers contavam versões diferentes do acontecido; nos Warren que prometeram mostrar uma gravação em vídeo da manifestação sobrenatural, mas que depois disseram ter perdido a fita; na impossibilidade de ter acesso à casa, já que os novos moradores não queriam ter nenhuma ligação com a "história" afirmando que jamais haviam presenciado nada de estranho na casa (os Warren disseram que isso é por causa do exorcismo que expulsou as energias malignas do local) e principalmente pelo fato de que todos na vizinhança sabiam que aquela casa havia sido uma funerária, então é praticamente impossível que alguém se mudasse para o local sem saber do fato.

   Independente disso, Lugar Sombrio é uma das histórias dos Warren que eu estava mais ansioso para ler, já que reconhecidamente é uma de suas aventuras mais assustadoras, ainda mais sendo escrita por Ray Garton, um nome reconhecido dentro gênero que recebeu em 2006 a honraria de Grand Master of Horror Award, concedida também a nomes como Stephen King, Clive Barker, Dean Koontz, Robert Bloch e Richard Matheson, mas desta vez embarco na leitura com o pensamento de que estou lendo um livro de ficção. Lugar Sombrio chega às livrarias brasileiras na primeira semana de setembro.