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13 de janeiro de 2016

Resenha: Socorro! de Thomas H. Block


Sinopse:
   Um piloto amador, uma aeromoça obstinada e uma corajosa menina lutam para conduzir até o aeroporto mais próximo um gigantesco jato avariado. Lá embaixo, no entanto, a companhia seguradora, a proprietária do avião e a Marinha Americana chegam à mesma conclusão aterradora: o mundo nunca deverá tomar conhecimento de todo o horror que aconteceu. O Voo 52 nunca deverá pousar!

Opinião:
  Socorro! de Thomas H. Block é um ótimo exemplo da síntese de uma das premissas mais famosas de livros de suspense, na qual os protagonistas estão enclausurados em um cenário sem saída e são antagonizados por uma temível e iminente ameaça. Este tipo de estória se abordada corretamente tem um grande potencial empático com o leitor, a sensação claustrofóbica de angustia e desespero dos protagonistas tem que ser totalmente palatável, seja na figura de um personagem que enfrenta uma noite solitária em uma casa assombrada, ou na de um explorador perdido nas profundezas de catacumbas de civilizações perdidas, a identificação com algo passível de acontecer, verossímil, faz toda a diferença durante a leitura. Socorro! consegue esse efeito através da inserção de  protagonistas improváveis  na cabine de um avião avariado, Thomas H. Block é um piloto profissional e sua experiência com aviação é imprescindível para a criação do texto, a condução narrativa ficou a cargo de Nelson DeMille, um reconhecido escritor de suspense que curiosamente não é creditado na edição nacional. O resultado é um romance explosivo e excitante que tem uma das descrições mais detalhadas de um acidente aéreo de toda literatura. 
   O livro foi publicado no final da década de 70 e Thomas H. Block baseou sua fictícia aeronave no Concorde, o inovador jato supersônico comercial famoso por sua grande altitude de voo,  os passageiros podiam olhar pelas janelas e ver a curvatura do globo terrestre,  além de ser reconhecido por sua grande velocidade, era mais rápido que a rotação da Terra, o que permitia sair de um continente após anoitecer e alcançar outro ainda de dia.  O primeiro voo comercial tripulado do Concorde aconteceu em 21 de janeiro de 1976, ao todo foram produzidos apenas 20 modelos da aeronave o que não ajudou na sua popularização, o maior problema enfrentado por sua empresa aérea foi a quebra da barreira do som, quando uma aeronave ultrapassa a velocidade do som, Mach 1, provoca um estrondo sônico causado pela mudança da pressão do ar, em outras palavras se o Concorde sobrevoasse uma região habitada, construções seriam profundamente abaladas e janelas seriam quebradas. Isso restringiu os voos à apenas grandes extensões intercontinentais de água.  Em meados dos anos 2000 um grave acidente marcou a decadência dessas aeronaves. O último voo do gênero aconteceu em 24 de outubro de 2003. 
  O Straton 797, um potente jato supersônico comercial está fazendo a linha São Francisco a Tóquio com a lotação máxima de 300 passageiros, sendo um dos aviões mais modernos da geração praticamente se pilotava sozinho, apenas com a ajuda do piloto automático. Um atraso na decolagem culminou em um evento de situações improváveis que resultarão em um dos acidentes mais horríveis da literatura. A Marinha Americana programou uma série de testes envolvendo um novo protótipo de míssil sem carga em uma região remota do pacífico, uma aeronave controlada a distância cruzaria a linha de ataque e seria perseguida pelo sistema eletrônico do míssil. Os responsáveis certificaram-se de que nenhum voo comercial seguiria por aquela região, o único programado, o voo 52 do Straton 797  já teria atravessado com segurança a zona de testes antes que o primeiro míssil fosse lançado. Mas aquele pequeno atraso colocou o avião diretamente no raio de ação do míssil, programado para destruir qualquer alvo móvel ele atravessou fuselagem do Straton, ceifando vidas pelo caminho e  saindo do outro lado incólume a não ser por restos de sangue e cérebro que rapidamente congelaram à aquela altitude.
  O buraco na fuselagem do avião rapidamente causou uma enorme despressurização, a força do vácuo sugou e despedaçou cadeiras e corpos humanos em um raio de um metro a partir do ponto de impacto, as pessoas pegas de surpresa não tiveram nenhuma reação a não ser o extremo horror, seus corpos foram esmagados em direção a poltrona, parafusos e outros artigos menores tornaram-se projéteis mortais, o ar logo se tornou rarefeito e aqueles que não morreram de ataques do coração ou devido a mutilação, lutavam contra a máscara de oxigênio sentindo os pulmões explodirem, como não havia vedação entre o rosto, a máscara era inútil e deixava todo o ar escapar através de suas junções com e pele. O piloto automático logo tratou de descer o avião a uma altura em que a pressão interna se estabilizasse com a externa, na tentativa de evitar maiores danos. Foram necessários três minutos para essa manobra. Nesse meio tempo, dos trezentos passageiros, mais de cem tiveram mortes instantâneas, os outros que conseguiram colocar a máscara respiratória tiveram danos cerebrais severos causados pela privação de oxigênio. 
   Alguns entraram em estado catatônico, a grande maioria guardou uma centelha de animal de inteligência que aliada ao choque os tornam extremamente agressivos. Alguns poucos passageiros tiveram a sorte de estarem hermeticamente fechados nos banheiros da aeronave e conseguiram sobreviver com sequelas mínimas, porém estão presos em um avião completamente recheado de cadáveres e uma horda de "zumbis" violentos. Sua única saída é entrar em contato com o controle de navegação e pedir ajuda. Mas em terra, há muitos olhos voltados para aquele acidente, a Marinha decide que aquele avião deve ser derrubado de toda maneira para que seu erro seja escondido da população, a Empresa Aérea responsável pelo avião não quer se responsabilizar por centenas de passageiros com danos cerebrais que terão de receber cuidados pelo resto da vida. E tudo isso acontece apenas nas primeiras páginas de Socorro! Thomas H. Block e Nelson DeMille criam uma narrativa viciante, com cenas de ação explodindo a cada página e um profundo e angustiante suspense que cresce a cada linha, é uma leitura claustrofóbica, o tipo de livro que você não consegue parar a leitura, a  velha promessa de "apenas mais um capítulo" antes de dormir é impossível de manter, pois no final de cada um deles há sempre um gancho que te puxa para mais além e além, reserve um fim de semana inteiro para devorar a obra, pois não terá paz até descobrir o que acontece na última página. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 comentários :

  1. Rafa, me interessei! Pela sua resenha, parece ser um livro interessante, do tipo "ação pura". Com certeza, vou incluí-lo em minha lista de leitura. Vamos sair à caça do 'próprio' (rs)

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  2. Existe um outro livro do Thomas H. Block, com o nome de Fora de órbita, li faz uns cinco anos, mas a estória ainda está na minha cabeça, lembro-me que era angustiante acompanhar aqueles passageiros dentro do avião na órbita terrestre. Socorro deve estar o mesmo nível, vou procurar pra ler.
    http://estantepolicial.blogspot.com.br

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  3. Fora de Órbita também me chamou a atenção Hellysson! Está na minha lista de leitura. Os livros do Thomas H. Block se encaixam na categoria dos thrillers pré-tecnológicos, escritos nos anos 70 e 80, numa época em que a popularização de celulares e internet não passava de um sonho da ficção científica. Muitas cenas desse livro teriam sido cortadas se um dos passageiros tivesse um simples telefone, mas é isso que torna o livro tão angustiante. Poucos livros modernos conseguem igualar o clima de tensão desse tipo de obra. Hoje se uma garota está presa em uma cabana de um assassino abandonada no meio de uma floresta é só ela chamar a emergência com seu celular, antigamente ela tinha que escapar e correr através da escuridão enfrentando seus temores, em cenas que eram poesia pura! Há maneiras de fazer isso atualmente, mas a veracidade é brutalmente assassinada para que isso ocorra...

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