Terrorspectiva | Os 60 Melhores Livros Brasileiros de Terror da Década (2010-2019) - Biblioteca do Terror

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Terrorspectiva | Os 60 Melhores Livros Brasileiros de Terror da Década (2010-2019)

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A literatura de terror nacional na última década emergiu das profundezas obscuras, como um nicho literário esquecido e pouco valorizado, para finalizar este ano em uma posição de grande visibilidade, com acesso a grupos de leitores maiores e com um reconhecimento de uma produção vasta e rica em subgêneros e ambientações.

Isso se deve em grande parte graças ao ótimo trabalho de publicação tanto de editoras pequenas, como posteriormente as grandes casas editoriais, que decidiram investir em uma produção nacional de qualidade. Mas também é fruto de um esforço de escritores, que romperam os processos tradicionais por meio da autopublicação, atingindo e formando públicos leitores nas mais diversas plataformas.

Com a popularização das redes sociais as formas de se ler e escrever se alteraram e muitos autores alcançaram reconhecimento através dessas plataformas de autopublicação. Se por um lado elas se mostraram democráticas oferecendo um espaço onde qualquer um poderia publicar qualquer coisa, por outro se revelaram problemáticas em vários pontos, como por exemplo a própria preservação do texto. Esta lista foi muito prejudicada nessa questão, pois vários dos livros que entraram nas edições anteriores dos "melhores do ano" já não existem mais para a venda, seus autores ao fecharem contratos com editoras, acabaram retirando as obras que estavam nessas plataformas. Dessa forma um dos requisitos primários utilizados nessa seleção é se a obra está disponível ou não para a leitura.

Para a composição desta lista foram escolhidos apenas livros que eu li nesses oito anos de existência do Biblioteca do Terror, dentro é claro das minhas limitações orçamentárias e temporais (durante os últimos quatro anos estive envolvido com uma graduação, lutando para conciliar estágio, curso e tempo para o site), de modo que há muitas obras que não tive acesso, embora acredite que tenha lido os principais lançamentos e autores.

Optei por escolher apenas livros de um único autor, a seleção de antologias tornaria o processo muito complexo já que a qualidade dos contos de uma única obra é varia bastante. Tentei fazer uma lista definitiva com os livros mais divertidos que li, que ajudasse tanto a quem é iniciante no gênero e busca conhecer mais profundamente a produção nacional, como quem já é um leitor veterano. A lista completa de todas as minhas leitura você pode encontrar no meu perfil do Skoob

60 - Lapso Esquizofrênico de Jean Thallis Rodrigues (2013)
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Lapso Esquizofrênico é uma obra de horror visceral que se destaca entre as publicações nacionais pela originalidade e qualidade narrativa. Jean Thallis em seu primeiro livro demonstra uma grande maturidade na arte de contar histórias e consegue arrepiar o leitor ao criar cenas assustadoras com imagens formadas pelos mais profundos pesadelos e delírios de uma mente esquizofrênica. É um livro que tem como tema a loucura, uma demência pegajosa que verte vagarosamente pelas linhas, escorrendo pelas páginas e encontrando as mãos do leitor incauto, que é absorvido pela insanidade.

59 - Caligem de Dark Gero (2017)

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Caligem de Dark Gero é uma história perturbadora que disseca o medo primordial, não o arrepio que sentimos diante de uma ameaça que sabemos não ser real, mas o pavor instintivo e irracional que faz você perder qualquer traço de humanidade e pensar apenas na própria sobrevivência. A narrativa é construída a partir de uma síndrome cujas vítimas são atormentadas pela percepção de que "algo" as está seguindo, algo que adquire a forma de seus piores pesadelos. Alterando entre realidade e ilusão, Caligem possui o tipo de história que vai tirar o seu sono, mesmo após as páginas finais. 

58 - Inferno no Ártico de Cláudia Lemes (2018)

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Inferno no Ártico não é exatamente uma história de horror, mas se encaixa perfeitamente nesta lista, é um thriller ambientado em uma cidadezinha do Alasca durante os dois meses de escuridão da noite polar, onde uma detetive brasileira enfrenta um serial killer cujos crimes são permeados por símbolos ocultistas. Com uma narrativa ágil e imersiva a autora constrói um texto impecável que reflete sobre temas sensíveis, como a xenofobia e o preconceito contra a mulher, a escuridão não descreve apenas o ambiente físico, é uma metáfora que reflete o interior de cada personagem, sejam traumas ou segredos, todos escondem algo nos recônditos mais profundos do coração. Outra indicação é a coletânea Trabalhos Ocultos, formada por cinco histórias: O Estranho, O Tanatopraxista, Feliz Vítima Nova, Bathory Vive e Sexta-feira 13: Massacre no Acampamento Pornô, este último uma deliciosa e sangrenta homenagem ao gênero slasher. 

57 - Malditas Serpentes de Ricardo Serafim (2019)

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Ricardo Serafim é uma das novas vozes do terror nacional, seu estilo de escrita simples e direto remete à produção de Stephen King e Dean Koontz dos anos oitenta. Malditas Serpentes é sua primeira novela e narra os horrores de um piloto de táxi aéreo, que ao levar um grupo de cientistas até uma ilha cheia de cobras, vive o seu pior pesadelo, sofrendo traumas que o perseguem até os dias atuais. Serafim também publica contos em seu site, destaque para o sangrento A Mosca na Cabeça, sobre um homem que acredita que há uma mosca morando em seu crânio.

56 - Círculos de L.A. Tecau (2018)

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Círculos  de L. A. Tecau utiliza como premissa a aparição de misteriosos círculos em plantações de milho de uma cidadezinha catarinense para explorar a complexidade a podridão das relações sociais, com precisão cirúrgica o autor utiliza o sobrenatural, adicionando uma nostálgica dose de humor, para tecer situações extremas que trarão à tona o pior e o melhor da humanidade.

55 - O Edifício de Susy Ramone (2016)

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O Edifício de Susy Ramone é uma história de fantasmas primorosamente construída, com personagens profundos e cativantes, um enredo forte e cenas arrepiantes de aparições de espíritos. No interior de São Paulo, em meados da década de setenta, um casal marcado por uma tragédia acolhe um jovem da capital, que se diz um pastor religioso, e embarca em uma sucessão de desventuras que acabarão por culminar em um horror inimaginável.

54 - Terra Amaldiçoada de Douglas Lobo (2015)

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Terra Amaldiçoada explora a raiz  folclórica do mito do lobisomem, não a figura europeia demonizada pelos jesuítas dentro das tradições indígenas, mas sim a própria manifestação bestial e selvagem da natureza, o protetor sanguinário que não distingue meio termos na  busca por vingança. Douglas Lobo consegue recriar com perfeição o cenário mítico do interior, onde o saber das crendices populares é mais aceito do que as explicações científicas, de um modo que o leitor sente-se inserido dentro da estória, mais do que isso, representa bem o saudosismo de "tempos mais simples", através de um olhar atual que contextualiza o efeito que as inovações tecnológicas tiveram na vida do homem do campo. 

53 - Contos de alguns lugares de Paul Richard Ugo (2015)

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Contos de Alguns Lugares disseca o lado negro do coração humano descortinando seus piores temores e medos em vinte e duas histórias. A obra se destaca pela qualidade de suas tramas, Richard Paul Ugo soube fracionar a exata medida de sobrenatural para deleitar o fã de horror sem que  o medo torne-se banal, cada página traz uma nova surpresa, em cada linha jaz escondido um arrepio. A especialidade do autor são finais chocantes, o leitor encontrará sempre uma grande surpresa na conclusão dos contos, poucas vezes acontece o esperado.

52 - Onde o Vento Faz a Curva de Larissa Brasil (2019)

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Onde O Vento Faz a Curva é uma pequena coleção de contos que flertam com o fantástico e o sobrenatural, Larissa Brasil possui uma escrita bastante sensível que captura a aura dos "causos de cidade pequena" e os embala em altas doses de mistério e nostalgia. As histórias são fechadas, mas dividem entre si a ambientação na pequena cidade de Campos das Flores e compartilham várias referências e personagens, bem como o do premiado conto do Coronel Fantasma, criando uma espécie de conexão que enriquece ainda mais a leitura. 

51 - O Cordel de Sangue de Aislan Coulter (2016)

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O Cordel de Sangue de Aislan Coulter traz o lado fantástico e sobrenatural do sertão dos cangaceiros, uma terra regada à sangue onde cadáveres florescem o ano inteiro. Um livro de contos que mescla regionalismo com gore em uma voz original e imaginativa, com uma escrita simples e direta trabalha na construção de cenas bizarras que causam horror e repulsa no leitor, o texto é cuidadosamente apimentado por um humor negro refrescante. 

50 -  Pela estrada afora de Lucas Dallas (2017)

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Pela Estrada Afora de Lucas Dallas é uma coleção de contos de terror, que percorrem vários subgêneros, com ambientações sombrias e sufocantes.  A 'estrada' do título pode ser definida como uma metáfora para caminho pessoal, cada protagonista está prestes a embarcar em uma jornada que o levará às raias do sobrenatural. Um ponto interessante da obra de Dallas são as pequenas referências que interligam alguns de seus contos, criando assim um universo compartilhado que amplia ainda mais o horror de suas narrativas. Outro livro indicado do autor é Quando tocam os tambores, um romance que mistura a mitologia dos lobisomens com magia.

49 - Fúria Lupina: Brasil de Alfer Medeiros (2010)

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Alfer Medeiros conseguiu reescrever o mito do lobisomem com grande êxito e com uma nova visão sobre o tema criou um livro magnífico que não apenas enaltece esses poderosos seres, mas também a mitologia brasileira mostrando que ao contrário do que muitos pensam possuímos uma vasta coleção de lendas e seres folclóricos não deixando nada a desejar em relação a outras culturas.  Fúria Lupina também aborda a ecologia através da organização Green Death que ganha vida própria e dá um show a parte com suas grandiosas atuações em prol da natureza. 

48 - O Corpo de Rodrigo Ortiz Vinholo (2017)

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O Corpo de Rodrigo Ortiz Vinholo é uma novela curta de terror psicológico extremamente perturbadora. Uma história que questiona o próprio conceito de mortalidade e da sacralidade do corpo ao narrar os horrores que o protagonista sofre ao observar gravações da mutilação de seu próprio corpo, o que configura a tortura é que sua mente não tem nenhuma lembrança de seus membros serem cortados ou sensação física que comprove isso. Lentamente loucura e paranoia começam a se infiltrar em sua mente.

47 - Dominus Mortuorum de Décio Gomes (2014)

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Dominus Mortuorum é o primeiro livro de Décio Gomes protagonizado pelo padre caçador de demônios Jullian Bergamo. Com uma escrita excepcional e a capacidade de evocar o horror em qualquer ambiente, o autor vai além das convenções do subgênero do exorcismo e apresenta uma história arrepiante sobre um demônio necromante. O protagonista, após ser transferido para uma cidadezinha, descobre que há forças sombrias atuando no local e para sobreviver e salvar a alma de seus fiéis deverá enfrentar hordas de mortos-vivos e criaturas demoníacas.

46 - A Casa que Sobra de Lia Cavaliera  (2019)


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A Casa que Sobra de Lia Cavaliera é um conto, mas que merece seu lugar na lista por ser uma das abordagens recentes mais originais e instigantes do tema  casa assombrada. Um texto sensacional que consegue passar com perfeição a sensação claustrofóbica e arrepiante que a premissa necessita. 

45 - Inocência de Kelly Amorim (2019)

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Com uma delicadeza arrepiante Kelly Amorim ressuscita os horrores do imaginário infantil na coletânea Inocência, suas histórias se utilizam da perspectiva pueril para flertar com o terror psicológico, utilizando a ambiguidade do olhar da criança para explorar pavores que advém desta época, conseguindo o equilíbrio perfeito entre a nostalgia e reflexão.

44 - Jarbas de André Bozzetto Jr. (2011)

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Jarbas de André Bozzetto Jr. acompanha a vida de um protagonista homônimo, um garoto que se torna de maneira sangrenta e violenta um lobisomem, por escolha própria. Desde criança ele já tinha uma besta cruel escondida dentro de si, mas sem poderes para causar mal aos outros, porém após um confronto enigmático com os segredos de um antigo morador de rua da cidade, toda a selvageria surge na forma de um monstro indestrutível, um grandioso lobisomem sedento por vingança e levando morte e dor pelo caminho. Mais do que uma simples história de lobisomens, Jarbas é uma reflexão sobre a maldade humana e suas implicações perante o poder.

43 - O Balé Das Aves Mortas de Larissa Prado (2019)

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O balé das aves mortas é um livro curto e direto, Larissa Prado com seu estilo de escrita envolvente e evocativo, traz uma visão particular e refrescante sobre o tema que decide se debruçar, que só é revelado em sua surpreendente conclusão. Luzia é uma jovem que vive numa pequena fazenda do interior, imersa em uma rotina de trabalho pesado e privações. Um dia quando acaba ficando sozinha na propriedade, e essa solidão começa a se prolongar indefinidamente, a loucura começa a tornar sua realidade opaca. Mas nada é o que parece nessa história inteligente e inovadora.

42 - A Vila dos Pecados de Soraya Abuchaim (2016)

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Soraya Abuchaim disseca o coração sombrio de uma cidadezinha do interior em A Vila dos Pecados, um suspense psicológico que examina a corrupção e maldade que vicejam em lugares inóspitos abandonados as  suas próprias leis. Quando o padre Alfonso chega a vila de Ponta Poente descobre que o mal está enraizado na comunidade e na batalha para salvar a alma dos moradores terá que colocar a sua própria alma à prova para descobrir os segredos que jazem por trás de uma onda de mortes locais.

41 -  Quando Os Pesadelos Acordarem de Guilherme Solari (2014)

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Quando os Pesadelos Acordarem é um romance bem escrito, com um clima de suspense e um ar misterioso, que consegue arrebatar o leitor desde a primeira página. É uma história de horror que mistura o cenário atual de uma cidade grande brasileira com os mitos antigos de Lovecraft. É um livro curto, mas que faz em poucas páginas o que muitos não conseguem com centenas: assombrar o leitor com uma narrativa cheia de tensão, do tipo que te faz roer as unhas de ansiedade e torna a leitura compulsiva até as linhas finais. 

40 - Os Filhos da Tempestade de Rodrigo de Oliveira (2017)

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Os Filhos da Tempestade de Rodrigo Oliveira mistura de forma eficiente alguns temas comuns da literatura de terror, como uma ilha amaldiçoada, o Triângulo das Bermudas, um grupo de adolescentes perdidos e bruxaria. O destaque é pela forma intrincada e precisa com que a narrativa é amarrada, a história que se inicia como uma inocente aventura juvenil acaba se revelando uma trama sangrenta envolvendo maldições e possessões. Leitura indicada para fãs das histórias clássicas de terror dos anos setenta e oitenta. 

39 - Jantar Secreto de Raphael Montes (2016)

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Jantar Secreto é um livro para ser devorado sem moderação, Raphael Montes acertou a mão nesta narrativa que mistura a agilidade de um bom suspense com o toque macabro da antropofagia gourmet. Na estória um grupo de jovens do interior é forçado a adotar medidas drásticas para sobreviver na cidade grande, através de uma página na internet anunciam o serviço de jantares secretos, exclusivos para a nata da alta sociedade carioca, cujo prato principal é nada menos que carne humana. Raphael Montes consegue capturar a atenção do leitor logo nas primeiras páginas e a mantém através de um clima sufocante de suspense que aumenta sua pressão à cada linha, um livro que cumpre sua função e deixa como herança a sensação de saciedade, ou seria a vontade de degustar uma carne exótica?

38 -  Passeio Noturno - Vol. 2 de Everaldo Rodrigues (2017)

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Everaldo Rodrigues mostra sua evolução como contador de histórias em Passeio Noturno Vol. II, sua segunda coleção de contos. Os destaques vão para o inesquecível conto, O Cabelo da Boneca, uma história fantasmagórica de vingança, narrada em seu estilo inconfundível que ecoa forte inspiração de Stephen King, escrita com uma elegância e primor que são um deleite para os fãs de histórias clássicas. E A aberração da fazenda Sete Trilhas, cuja narrativa sangrenta e arrepiante mergulha nas crenças populares do interior para trazer à vida um horror sem precedentes. Everaldo Rodrigues é um dos autores brasileiros dessa nova geração que possui uma das escritas mais belas e imersivas. 

37 - O Escravo de Capela de Marcos DeBrito (2017)

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O Escravo de Capela de Marcos DeBrito é uma viagem aos horrores do Brasil Colonial, com uma escrita carregada de emoção e sentimento, o autor consegue evocar o clima perfeito para uma história de terror que reinventa um dos personagens mais emblemáticos do folclore nacional. Violento, sangrento e repugnante, é um livro cuja principal fonte de maldade não está no sobrenatural, mas sim no próprio coração ganancioso dos homens.

36 - Peixeira & Macumba de Pablo Amaral Rebello (2018)

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Imagine um épico nacional da mesma grandeza de A Torre Negra de Stephen King, troque a arma de fogo do protagonista por uma peixeira afiada, a magia por macumba e a ambientação no Mundo Médio por um sertão pós-apocalíptico onde o solo que é regado com suor e lágrimas verte sangue. Um livro macabro que mistura o gênero conhecido como espada e feitiçaria, referências a histórias do velho oeste e pós-apocalipse a uma ambientação genuinamente nacional criando um livro único cuja melhor definição de gênero é seu próprio título: Peixeira & Macumba. Na trama acompanhamos a jornada de Tião Peixeira e João Macumba atravessando um sertão pós-apocalíptico em busca de vingança, uma terra brutal que regurgita cadáveres com negócios terrenos inacabados e se nutre do sangue que escorre do aço da peixeira.

35 - Deuses Caídos de Gabriel Tennyson (2018)

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A definição mais perfeita de Deuses Caídos de Gabriel Tennyson é um livro de terror escrito por um fã de terror para quem ama terror. O prólogo já recebe o leitor com uma bela homenagem ao clássico Hellraiser de Clive Barker, uma cena visualmente impactante da materialização de um corpo em meio a sujeira de um beco. Gabriel Tennyson mistura horror e fantasia urbana para criar um Rio de Janeiro fantástico, nascido da miscigenação cultural que deu origem a cultura brasileira, onde dragões chineses convivem com entidades afro-brasileiras e monstros indígenas. Na trama acompanhamos o padre Judas Cipriano em uma jornada ao submundo sobrenatural carioca em sua caça a um serial killer com poderes paranormais, que está assassinando religiosos famosos.

34 - Carniceiro Mefítico de Jean Thallis (2015)

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Carniceiro Mefítico é um livro pesado, extremamente vívido e explícito em suas descrições de violência, necrofilia e outros temas tão bizarros que embrulham a mente só de lembrar, a leitura é uma experiência torturante e angustiante ao mesmo tempo que instigante e prazerosa, é como ser amarrado a uma mesa de cirurgia e ter seus órgãos internos arrancados por um psicopata tendo a dor como única anestesia. Jean Thallis utiliza a figura do Curupira como vilão em sua narrativa, mas não a visão romanceada do menino travesso que utiliza a deformação de seus pés para enganar aqueles que invadem as matas, e sim a criatura que habita as histórias indígenas, de um tempo anterior ao dos europeus, repletas de violência, raptos de crianças e abusos sexuais. 

33 - Barbitúricos: Contos 10mg de Gustavo Paiva (2018)

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Barbitúricos de Gustavo Paiva oferece uma overdose de horror e violência através de dez contos que dissecam a maldade humana e exploram os recônditos mais sombrios da nossa alma. Com uma escrita crua e visceral, o autor constrói histórias que atacam diretamente as cicatrizes sociais e tabus. A leitura não é indicada para os fracos de coração, efeitos colaterais incluem choque, desespero, horror e perturbação emocional. 

32 -  Mistérios do Mal de Carlos Orsi (2016)

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Mistérios do Mal é uma coletânea de Carlos Orsi que mistura ficção científica, horror e fantasia em histórias que cheias de referências, desde H. P. Lovecraft a Robert W. Chambers. Em Rex Ex Machina, por exemplo, uma equipe de teatro monta uma peça de O Rei de Amarelo passado durante os anos de chumbo da ditadura militar; A Maldição do Ang Mbai-aiba aborda experimentos de necromancia em uma mansão escondida na mata atlântica; São no total doze contos que desafiam a sanidade do leitor.

31 - A Vovó Chamou o Diabo para a Ceia de Juliana Daglio (2018)

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Juliana Daglio disseca cuidadosamente o ambiente claustrofóbico da ceia de natal e a fragilidade das relações familiares em A Vovó Chamou o Diabo para a Ceia, uma noveleta ágil e sangrenta que consegue cumprir seu papel com perfeição: entreter e arrepiar na mesma medida, além de fazer você olhar para seus parentes com novos olhos e pensar duas vezes antes de devorar a ceia de sua avó. 

30 - A Ascensão do Alfa de Clecius Alexandre Duran (2016)

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A Ascensão do Alfa  de Clecius Alexandre Duran é uma história de lobisomens ambientada no Rio Grande do Sul, em meados de 1830, em plena Revolução Farroupilha. Mesclando um estilo único de escrita com cenas cheias de suspense e sangue, o autor cria uma mitologia fantástica, com referências a clássicos da cultura pop, do folclore nacional e da miscigenação cultural proveniente da imigração. Na trama, o protagonista busca vingança e redenção após um trágico encontro com uma alcateia de lobisomens.

29 - Mausoléu de Duda Falcão (2013)

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Duda Falcão mostra todo seu virtuosismo nos contos que fazem parte de Mausoléu, histórias que possuem como protagonistas lobisomens, vampiros, zumbis, fantasmas, bruxas, alienígenas, monstros em cenários distópicos, espíritos demoníacos, seres cujo simples vislumbre de sua sombra leva a loucura e a velha crueldade humana, mais assustador que qualquer outra criatura, o homem surge como principal fonte de maldade nas histórias e esse caráter real é o mais assustador. A escrita do autor é leve, variando contos curtos que agem como uma picada de abelha inchando na mente do leitor após o fim e histórias mais longas que são bem aproveitadas na arte de causar calafrios. É o primeiro de uma trilogia de coletâneas, composta ainda por Treze e Comboio de Espectros.

28 - Histórias de Cemitério e Meia-Noite de Carla Luz (2018)

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Histórias de Cemitério e Meia-Noite de Carla Luz é uma coletânea que mistura horror e bom humor em oito autênticos causos brasileiros, são histórias sobrenaturais para serem compartilhadas entre um copo e outro de cerveja e que em meio a diversão conseguem arrancar um arrepio ou dois.

27 - O Andarilho das Sombras de Eduardo Kasse (2012)

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Eduardo Kasse ressuscita a figura do vampiro medieval e com um toque de humanismo que dá a sua narrativa um tom verossímil. O primeiro volume da série Tempos de Sangue é o resultado de um flerte realista entre fantasia, terror e ficção histórica.  A ambientação da história é o principal trunfo de sedução de O Andarilho das Sombras, o autor constrói com primor o cenário medieval inglês, com um profundo conhecimento sobre o assunto, o resultado é uma trama de leitura deliciosa que satisfará o mais exigente leitor de ficção histórica, a dosagem das cenas de violência e erotismo é cirúrgica e o perfeito equilíbrio entre o horror e a fantasia é alcançado. 

26 - Abandonai Toda  Esperança de M. R. Terci (2015)

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Abandonai Toda Esperança é o primeiro feto monstruoso da Trilogia Caídos, um livro de terror que flerta com fantasia, através de uma linguagem poética e visceral, com um requintado toque gótico e de horror cósmico. A história narra as desventuras do amaldiçoado Emanuel do Túmulo, um bruxo capturado pela Inquisição em 1591 na, recém-descoberta por Cabral, Terra de Santa Cruz. M. R. Terci apresentou sua mitologia complexa e sombria nos volumes iniciais da pentalogia O Bairro da Cripta, sabe-se da ação de forças ancestrais em Tebraria, que se servem da maldade pura para se manifestar, mas há poucas informações sobre a origem deste mal. A Trilogia Caídos surge como peça chave para o entendimento deste universo de horror, a obscura mitologia do autor mostra suas raízes putrefatas e prova ser uma das criações mais imaginativas dos últimos tempos. 

25 - Assim na terra como embaixo da terra de Ana Paula Maia (2017)

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Ana Paula Maia não é uma escritora de terror, mas seus livros carregam a essência do gênero, seu estilo de escrita lembra o minimalismo e a crueza em retratar a realidade de Cormac McCarthy. Suas obras possuem vários personagens recorrentes, como Edgar Wilson e Bronco Gil, que convivem em um Brasil brutal e selvagem onde a chuva é feita de sangue e cadáveres são colhidos da terra. Assim na terra como embaixo da terra mostra os estertores de uma prisão, construída para ser modelo do sistema carcerário brasileiro e de onde ninguém jamais conseguiria escapar, imersa em decadência e morte. Construída em um solo com histórico de assassinatos e tortura de escravos, é comandada por um sociopata enlouquecido cuja maior diversão é caçar e matar os detentos como se fossem animais. Nesse ambiente claustrofóbico, os últimos sobreviventes planejam uma fuga.  

24 - A Parasita de Almas de Flávio Karras (2019)

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A Parasita de Almas é uma ópera punk rock recheada de sangue, vísceras, violência e humor negro, uma carta de amor à literatura de terror escrita por um fã do gênero diretamente para outros fãs do gênero, transbordando de referências a cultura pop relacionada ao horror. Com uma trama complexa, a história perpassa vários núcleos de personagens e subtramas que convergem para uma batalha mortal, contra uma entidade que busca reencarnar na Terra para dar início a seu reinado de horror, e que mesmo em sua forma incorpórea é capaz de corromper e macular a alma humana. Seu nome é Walkiria, a parasita de almas.

23 - Maldito Sertão de Márcio Benjamin (2015)

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Márcio Benjamin é um exímio contador de histórias, é incrível sua capacidade de transportar a tradição e o acalanto da oralidade para a narrativa escrita, sem perder a essência e a eficácia dos causos em arrepiar e assombrar o leitor/ouvinte. Sua escrita combina a simplicidade da fala com a complexidade poética do sentimento que a narração em voz alta precisa para funcionar, seus narradores são vozes vivas que transportam os leitores para o mundo folclórico da cultura nordestina. Maldito Sertão, assim como Fome e Agouro, é um tesouro nacional que deve ser preservado com todas as forças, como um dos exemplares vívidos da riqueza e qualidade do horror nacional.

22 - Laicus de J. M. Beraldo (2016)

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Laicus de J. M. Beraldo é um romance de horror histórico que explora um Rio de Janeiro colonial por meio de um mistério que flerta com o sobrenatural. Um dos grandes acertos da obra é abordar a efervescência cultural e religiosa, cuja miscigenação criaria a cultura brasileira posteriormente, para tecer cuidadosamente um universo de crenças e misticismo em que existem até mesmo tentáculos da mitologia de Lovecraft. A reconstrução dos costumes da época, associada às descrições e ambientações, bem como os eventos reais que permeiam a trama tornam a leitura uma experiência deliciosa, ágil e instigante. 

21 - A Capela de Jhefferson Passos (2016)

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A Capela de Jhefferson Passos é um suspense psicológico que explora os limites do horror que a mente humana consegue conceber antes que a sanidade seja devorada pela loucura. O autor utiliza a clássica concepção lovecraftiana sobre o medo, que define sua expressão máxima na forma do medo do desconhecido, para explorar questões como fé, culpa e absolvição numa trama tensa e angustiante que conduz o leitor a uma refinada dissecação da origem de todos os medos. Com uma escrita ágil e afiada de Jhefferson Passos oferece ao leitor uma história de terror claustrofóbica repleta de tensão desde a primeira página, um passeio sombrio aos efeitos causados pelo medo extremo na mente humana, guiado por uma criatura que se alimenta de sanidade e deixa como rastro uma loucura além da imaginação.

20 - Casas de Vampiro de Flávio Medeiros Jr. (2010)

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Casas de Vampiro de Flávio Medeiros Jr. mistura ficção científica com horror para criar uma aventura vampírica ambientada em Belo Horizonte,  ao mesmo tempo em que explora as raízes do mito do vampiro ao longo das épocas traz uma visão particular e curiosa sobre o tema. Na trama o protagonista acaba adentrando uma "casa de vampiro" na infância, em uma experiência traumática que moldou completamente sua personalidade adulta. Anos depois ele precisa revisitar seus tramas e descobrir segredos e conspirações milenares se quiser sobreviver para ver a luz de um novo dia. 

19 - Suprema de Danilo Morales (2018)


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Suprema é uma história moderna de vingança sobrenatural que invoca os aspectos mais sombrios do ocultismo e da bruxaria para dar vida a uma narrativa densa e violenta, repleta de passagens que irão te garantir uma ótima safra de pesadelos. Com uma trama ágil e cheia de reviravoltas, Danilo Morales cria uma história onde o mal perpassa décadas para consumar seu obscuro propósito, destruindo e enlouquecendo todos aqueles que se atrevem a entrar em seu caminho.

18 - Enterre seus mortos de Ana Paula Maia (2018)

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Ana Paula Maia não é uma escritora de terror, mas seus livros carregam a essência do gênero, seu estilo de escrita lembra o minimalismo e a crueza em retratar a realidade de Cormac McCarthy. Suas obras possuem vários personagens recorrentes, como Edgar Wilson e Bronco Gil, que convivem em um Brasil brutal e selvagem onde a chuva é feita de sangue e cadáveres são colhidos da terra. Em Enterre Seus Mortos o protagonista é responsável por recolher cadáveres de animais em estradas e triturá-los em um grande moedor. Sua rotina imersa em morte ganha tons mais profundos e macabros quando encontra o corpo de uma mulher enforcada dentro da mata, na busca por dar um final decente aos restos daquela desconhecida descobrirá que o descaso das autoridades, não é pior que o da própria população com seus semelhantes.

17 -  O Cão Negro de Alec Silva (2018)

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O Cão Negro de Alec Silva é um romance de terror fix-up, composto por vários contos inter-relacionados e ambientados em épocas diferentes, mas que juntos formam um grande mosaico de horror e vingança, centrado na figura do cão negro. O "julgamento" de uma jovem como bruxa desperta uma maldição que percorrerá séculos, deixando uma trilha de sangue e vísceras, em busca de reparação. Para fãs de terror visceral, é uma obra-prima. 

16 - Noites em Claro de Fabiana Madruga (2019)

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Noites em Claro de Fabiana Madruga é uma coletânea com dez contos de horror, cujas narrativas mostram uma predileção pelo terror psicológico e pela sugestão do sobrenatural. Com uma escrita ágil e ambientações verossímeis, a autora se mostra uma profunda conhecedora dos medos humanos e dos lugares onde eles se escondem, utilizando o subtexto do gênero para instigar discussões. Um exemplo é o arrepiante Olhos de Santo, onde a protagonista prefere enfrentar um horror além a imaginação em sua nova moradia, personificado na figura de uma assombração, que retornar para um ambiente onde sofria abusos.

15 - Diário de um Exorcista de Renato Siqueira e Luciano Milici (2013)

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Diário de um Exorcista é baseado em fatos reais, sua história é narrada em primeira pessoa, na voz do Padre Lucas Vidal que relembra sua vida para dois jovens estudantes de cinema, em um relato que apesar de seguir uma linha temporal não se atem a partes desnecessárias, o foco são suas experiências espirituais e sobrenaturais que o moldaram e levaram a se tornar um exorcista. A narrativa começa na infância em seu momento mais traumático, passa pela sua rígida formação eclesiástica chegando até os conflitos mais desesperadores contra as forças do mal em exorcismos cheios de suspense e tensão. Há todo um ambiente sombrio que envolve o leitor desde o inicio como um abraço surreal são necessários alguns segundos de adaptação quando a leitura é interrompida para retornar a realidade. E no final bons minutos para digerir todos os acontecimentos e tirar suas conclusões.

14 - Dança da Escuridão de Marcus Barcelos (2018)

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Em Dança da Escuridão Marcus Barcelos amplia o universo de Horror na Colina de Darrington com uma história sangrenta e sombria, mostrando que os acontecimentos que culminaram no clímax do primeiro livro não foram um incidente isolado, mas sim a primeira parte de um plano maligno orquestrado por uma seita satânica há décadas. Com uma ótima contextualização temporal, Dança da Escuridão responde a todas as questões que ficaram em aberto no enredo anterior, como o verdadeiro propósito da casa na colina de Darrington, o significado das aparições fantasmagóricas e a própria natureza de Ben Simons. Prepare-se para um mergulho no inferno guiado pelas criaturas que rastejam na escuridão da alma humana, esta é uma dança em que apenas um pode estar vivo ao final... 

13 - Nihil de Carolina Mancini (2018)

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Em Nihil, o misterioso, claustrofóbico e arrepiante romance de Carolina Mancini, as interpretações e metáforas variam de leitor para leitor, mas uma coisa é unanime: é uma leitura poderosa e desconcertante. Em um mundo tomado por uma estranha neblina, cujo contato causa estranhos efeitos nas pessoas, desde um furor suicida até mutilações inexplicáveis, vários sobreviventes permanecem trancados, enclausurados, em suas próprias casas. Alguns se agarram aos mínimos fiapos de esperança, enquanto outros enlouquecem aos poucos...

12 - Indigesto: Contos gástricos de Flávio Karras (2018)

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Indigesto é um "arroto pútrido" de criatividade, a receita da coleção de contos de Flávio Karras oferece um banquete surpreendente e inusitado ao leitor. A mistura da consistência pegajosa do terror com o sabor exótico da fantasia, cuidadosamente temperada com pitadas ardentes de sarcasmo e humor ácido, enfeitada com uma deliciosa cobertura de weird fiction fazem deste um dos lançamentos nacionais mais palatáveis deste primeiro semestre. O primeiro livro de Flávio Karras nos apresenta a um autor extremamente confortável com sua narrativa e que possui grande domínio na arte de contar histórias, com uma voz própria e autoral seus contos fertilizam o solo da imaginação do leitor para uma ótima safra de pesadelos.

11 - Numezu de Jorge Alexandre Moreira (2019)

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Alexandre Moreira retorna em Numezu à mesma temática  de sua novela Parada Rápida para uma discussão mais aprofundada sobre as questões envolvendo relacionamentos amorosos problemáticos, a partir das reações de seus protagonistas diante de um evento inesperado, que neste caso  está associado ao sobrenatural por meio de uma possessão demoníaca. Na trama a estátua de Numezu (uma referência a Pazuzu de O Exorcista) um deus antigo, sádico e cruel é resgatada das profundezas do mar por Raul, que está em um barco particular com sua esposa, Laura, tentando reacender a relação. A estátua porém carrega o espírito sedento da divindade primeva, que vê na situação uma ótima oportunidade para se libertar de seu cárcere. Começa então uma espiral de horror e desespero que avança rapidamente para uma conclusão sangrenta.

10 - Caveiras de Vitor Abdala (2018)

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Caveiras possui uma narrativa ágil e repleta de tensão, o suspense é construído de maneira sólida ao longo das páginas. Para além das críticas sociais permeadas em seu texto, Caveiras é um ótimo suspense policial que conquista o leitor por trazer elementos facilmente identificáveis com o seu cotidiano e um mistério que instiga a curiosidade desde as primeiras páginas. O elemento sobrenatural se encaixa a contento à trama, coroada por um final violento e surpreendente, que cumpre seu papel com perfeição ao obrigar o leitor a fazer uma reflexão sobre os discursos em voga sobre a segurança pública no Brasil. Vitor Abdala é uma voz nova e interessante que explora com propriedade o gênero do horror no Brasil, utilizando sua experiência jornalística coloca seus protagonistas em contato com o sobrenatural, como metáfora para várias críticas e tabus sociais, isso pode ser experienciado em suas duas coletâneas Tânatos: Contos sobre a Morte e o Oculto, Macabra Mente e Pesadelos Tropicais.

9 - Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões de Marcelo Amado (2016)

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Ele tem o sopro do Diabo é um romance de horror ambientando em um circo de horrores recheado de cenas perturbadoras e insanas. O Le Monde Bizarre acolhe os excluídos pela sociedade, seja por suas estranhas deformidades físicas, morais ou psicológicas e oferece um entretenimento sangrento e exótico para aqueles que podem pagar. Marcelo Amado dosa com perfeição o suspense e o gore em suas páginas, conseguindo assustar e chocar o leitor, repetidas vezes, sem que o mesmo perca a sensibilidade nas sucessivas cenas de mutilação e depravação.   A trama conta a história de Serge e sua ascensão como dono do show de horrores.

8 - Fome de Márcio Benjamin (2016)

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Fome é simplesmente a melhor história brasileira sobre o apocalipse zumbi. O fim do mundo nordestino não surge de uma explosão ou de um suspiro, mas sim do descaso do próprio governo com a população. Márcio Benjamin constrói uma narrativa cheia de metáforas e significados, associando a fome dos mortos-vivos à fome real, com personagens representativos do povo, seja na figura da jovem que retorna para a cidadezinha do interior após ir embora em busca de condições melhores ou da idosa que se nega a abandonar seu casebre, em seu estilo poético, simples e direto.

7 - Ferrão de Escorpião de Soraya Abuchaim (2018)

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Ferrão de Escorpião de Soraya Abuchaim é uma leitura rápida, ácida e visceral. São quatro histórias em cujo cerne está o gélido toque da vingança, passando pelo mais puro terror psicológico até um flerte com o sobrenatural, protagonizadas por mulheres que buscam retribuição contra os mais diversos tipos de agressores. 

6 - A Casa dos Pesadelos de Marcos DeBrito (2018)

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A Casa dos Pesadelos de Marcos DeBrito é um suspense psicológico claustrofóbico e impactante que explora de forma inteligente e cuidadosa o efeito dos traumas de infância na mente humana.  Com uma narrativa envolvente, o autor constrói uma história que flerta com o sobrenatural a todo o instante, ao mesmo tempo que questiona essa percepção a todo momento, instigando uma deliciosa e cruel dúvida que corrói o sossego da mente durante a leitura. Sua revelação final é construída com tamanha eficiência que o choque após terminar de ler as últimas linhas é devastador. Na trama o adolescente Tiago retorna após anos à casa de sua avó, lugar que é fonte de seus pesadelos desde a infância, convencido de que a figura sombria que assombra sua sanidade é fruto de uma imaginação infantil. Porém seu irmão mais novo aparenta estar sofrendo dos mesmos terrores que o acometeram anos atrás. Qual será o segredo da casa dos pesadelos?

5 - Bile Negra de Oscar Nestarez (2017)

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Bile Negra de Oscar Nestarez é uma obra única e perturbadora, um terror psicológico que apresenta uma abordagem inovadora para a narrativa apocalíptica, baseada na teoria humoral, onde uma pandemia de melancolia, tristeza e raiva começa a afetar a população. O protagonista percebe que há algo de errado e em sua busca por um local seguro terá de enfrentar horrores que o mudarão para sempre.

4 - Quando o Mal tem um Nome de Glau Kemp (2017)

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Quando o Mal tem um nome de Glau Kemp pode ser definido como uma mistura bem feita de O Bebê de Rosemary e A Profecia, mas sua qualidade está em ir além dessas obras ao explorar o lado psicológico dos personagens. O horror da história não está só nas cenas bem construídas de pactos demoníacos e perturbações sobrenaturais, o verdadeiro terror advém da verossimilhança com a realidade, é o tipo de história que realmente poderia acontecer na vida real. A autora cria protagonistas tão profundos que é impossível não se sentir afetado por seu sofrimento. Destaque especial para a mudança da voz narrativa pouco antes da metade, a desconstrução da visão que o leitor tinha da personagem, criada a partir da perspectiva anterior, eleva o horror a níveis inimagináveis.  

3 - O Capeta-Caolho contra a Besta-Fera de Everaldo Rodrigues (2018)

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O horror sobrenatural encontra a sangrenta realidade dos cangaceiros em O Capeta-Caolho Contra a Besta-Fera, um mergulho profundo no misticismo do sertão. Com uma narrativa regionalista e fortes influências do folclore oral e da literatura de cordel Everaldo Rodrigues dá vida a uma sombria história de lobisomem recheada de sangue, chumbo e vísceras. Com um domínio excepcional em ambientação, criação de personagens e diálogos, O Capeta-Caolho Contra a Besta-Fera oferece uma leitura imersiva e cinematográfica mostrando os motivos pelo qual o autor é um dos grandes nomes dessa nova safra de escritores nacionais de terror.

2 - O Bairro da Cripta: As Elegias de M. R. Terci (2014)

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M. R. Terci é um dos autores nacionais de terror mais prolíficos e importantes desta década, sua gigantesca obra (infelizmente grande parte atualmente indisponível) criou uma espécie de Brasil assombrado, que explora diferentes épocas, ambientações e acontecimentos com uma narrativa extremamente pessoal e poética. Um dos pilares de sua obra é a pentalogia O Bairro da Cripta, cujo primeiro volume foi relançado este ano, é uma obra bastante corajosa e autêntica que transporta o clima gótico vitoriano que assombra os castelos europeus para o interior de São Paulo, moldando o estilo à realidade brasileira. É uma coletânea de contos que exploram todas as nuances do horror de um bairro no limiar da imaginação e da realidade, os terrores que se escondem nas sombras das ruas e atormentam os moradores. 

1 - Ultra Carnem de Cesar Bravo (2016)

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Em uma das minhas primeiras resenhas de um livro de César Bravo, isso em meados de 2013, eu disse que ele surgiu para elevar o gênero nacional a um outro patamar de qualidade. E anos depois a afirmativa é mais verdadeira que nunca. César Bravo é o escritor brasileiro de terror mais popular da atualidade, mesmo que a maioria de seus livros não esteja mais disponível, seus dois últimos lançamentos Ultra Carnem e VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue são triunfos artísticos e marcos da literatura de terror nacional. Com um estilo único, misturando horror com humor, crítica social e cultura popular, sua assinatura é garantia diversão, vísceras e sangue.

Para ficar por dentro das novidades do gênero, visite o nosso Calendário de Lançamentos de Livros de Terror e Suspense em 2020 no Brasil.

18 comentários:

  1. Coletânea maravilhosa, vou salvar o link para consultas futuras.

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  2. Essa década só termina ano que vem.... Décadas começam no ano 1... ��

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    1. Haha eu tinha certeza de que alguém iria comentar isso :) Mesmo eu tendo cuidadosamente especificado no título da postagem que a "minha" década se refere de 2010 a 2019.

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  3. Com certeza vai ser uma ótima lista pra 2020! Alguns eu já li. Só fiquei chocadíssima por não ter encontrado O Rosemberg de Patrick Correa...

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  4. Um dia eu entro nessa lista. Comecei agora, então tenho tempo para aparecer por aí! Mas concordo com a grande maioria. Li quase todos!

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  5. Que honra ter A Ascensão do Alfa em tão seleta lista! Com o perdão do trocadilho, tem muitas feras nesse rol! Vou salvar o link para buscar algumas obras que ainda não conhecia.

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  6. Que honra e surpresa encontrar meu nome na lista. Muito obrigado!

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  7. E o VHS, que foi mencionado na resenha do Ultra carnem?

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  8. A CAPELA é um amontoado de equívocos desnecessários. Apesar da premissa inicial interessante (personagens recorrem a uma capela como refúgio ante uma ameaça maior em meio a um canavial) o autor aparenta não saber representar de forma convincente determinados aspectos de sua narrativa. A começar pelos diálogos.

    Os diálogos são quase sempre rasos. Alguns são tão descabidos que se quer permitem ao leitor interpretar certas falas. A explicação ocorrerá uma ou duas linhas após. Muitas falas soam como embromação.

    Outro ponto negativo, a representação do estados físico das personagens submetidas a fome e a sede por dias. Famélicos e sedentos são normalmente apáticos. Como um corpo pode pensar em molhar lábios ressequidos com a língua? Essa língua não deveria estar inchada, áspera? A sensação é de que o autor se apegou a velocidade da escrita, deixando de lado uma posterior verificação dos fatos ou de como eles ocorrem na realidade. A verdade: sede mata mais rápido do que fome.

    Lamentável também é o fato de que tais detalhe falhos encontram-se nas primeiras páginas da narrativa. O que, para um leitor mais atento, é um completo desestímulo à continuidade. Parei em 33% do livro no Kindle. E espero não voltar.

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  9. QUANDO O MAL TEM UM NOME

    É certo dizer que Glau Kemp dispôs de maestria e inspiração ao redigir QUANDO O MAL TEM UM NOME. Esta é uma obra soberba sobre desejo e loucura. Sobre o que é ser humano e o que ser humano é capaz de realizar para alcançar determinados objetivos.

    Narrado de forma direta, com detalhes minuciosos e imagens de impacto, eis aqui uma GRANDIOSA SUPRESA. Cenas de puro horror imputado a quem as executa (01) e a também quem participa (02) são de uma perfeição que havia muito não sentia em uma obra nacional.

    O final é arrebatador.

    Indubitável, este foi o livro nacional de terror e horror que mais me surpreendeu.

    Lamentável somente o fato de não ter uma edição física, em capa dura, com um punhado de ilustrações.


    SPOILER


    Algumas das inúmeras passagens soberbas:

    01: Cena dos gatos
    02: Ritual com a entidade
    03: O desfecho quando da procissão para a igreja.

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  10. Gostei da lista, mas, para mim, faltou André Vianco.

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    1. Concordo! Um senhor autor de terror, com livros excelentes!

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  11. Essa coletânea é só de autores nacionais? Cara, que maravilha.

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  12. Você já leu o Nova Jaguaruara? É sensacional.

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  13. O "Assombrada BR" não vale a pena?

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