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20 de janeiro de 2016

Resenha: O Demônio na Cidade Branca de Erik Larson


"Um livro envolvente, dinâmico, e bem pesquisado (...) com uma verdade realmente mais estranha que a ficção." The New York Times

"Uma história fulgurante sobre o lado escuro da Exposição Internacional de Chicago." New York Magazine

"Eu nasci com o demônio. Não pude evitar o fato de ser um assassino, assim como um poeta não pode evitar a inspiração para compor." H. H. Holmes 

Sinopse:
   Em O Demônio na Cidade Branca, Erik Larson cria um livro dinâmico e envolvente, recheado de informações assustadoras. Um retrato literário de uma realidade mais estranha que qualquer ficção. Embora os dois homens — o arquiteto Daniel Hudson Burnham e o jovem médico psicopata Henry H. Holmes — nunca tenham se encontrado, ao menos não formalmente, os seus destinos se uniram por um evento único e mágico, que na época acreditava-se possuir um caráter transformador quase igual ao da Guerra Civil; a Grande Exposição de Chicago, em 1893.


O Castelo da Morte ou A Câmara dos Horrores do demônio
   H. H. Holmes era o típico cavalheiro da sociedade americana no final do século XIX, um jovem e promissor  médico que esbanjava inteligência e carisma entre suas pacientes, bonito e bem educado era considerado um dos melhores partidos da região, o que atraía uma legião feminina a sua farmácia. Mas o que ninguém desconfiava é que por trás de todos aqueles sorrisos de simpatia e das feições que transbordavam bondade, existia um monstro carniceiro, cujas perversões e fantasias com torturas suplantavam em crueldade o bicho-papão da época, Jack, O Estripador. Nascido Herman Muldget, Holmes fugiu para Chicago ainda jovem em busca de riquezas e das comodidades que uma cidade grande proporcionaria para a realização de seus desejos macabros, entre eles o anonimato e a fácil obtenção de vítimas. Através de inúmeros golpes e calotes ele conseguiu adquirir uma farmácia, onde construiu uma sólida reputação, os lucros permitiram comprar parte do quarteirão em frente a seu estabelecimento. Os próximos anos de sua vida foram empenhados na construção de seu maior sonho, o famoso "Castelo da Morte".
    O Castelo de Holmes era um edifício de três andares que possuía mais de cem quartos, o térreo era formado por pequenas lojas, desde uma farmácia, um relojoeiro, uma mercearia e até serviços de barbearia e restaurante eram oferecidos por empregados de Holmes, o segundo e terceiro andares eram exclusivamente formados por quartos de hóspedes. Segundo relatos a beleza exterior da construção era oposta a seu interior sombrio, um verdadeiro labirinto de corredores escuros que faziam curvas estranhas e terminavam abruptamente em paredes rústicas, a impressão geral é que o interior era menor do que a visão externa do prédio levava a acreditar. Isso porque, Holmes em seu projeto, havia adicionado várias passagens secretas, quartos separados por paredes falsas, que  o permitiam observar as acomodações, alçapões e rampas que levavam a salas a prova de som, câmaras de gás, e seu projeto mais ambicioso que estava escondido no porão, um  laboratório completamente aparelhado com instrumentos cirúrgicos, no qual dissecava e conduzia suas experiências com cadáveres, além de um forno crematório. Estima-se que no período de funcionamento do hotel Holmes tenha matado um número entre 27 e 200 mulheres. Mas como um homem conseguiu construir tamanha estrutura macabra e mantê-la em segredo? Como ninguém notou  a quantidade crescente de mulheres desaparecidas? O método de construção de Holmes foi extremamente inteligente, os operários eram trocados semanalmente, demitidos antes que pudessem descobrir a verdadeira finalidade do prédio, numa espécie bizarra do modelo fordista de produção, exemplo é o engenheiro que projetou o forno crematório, até a descoberta dos corpos acreditou ter trabalhado na construção de uma fábrica de vidros. A resposta para a segunda pergunta é mais simples. Nesse mesmo período ocorreu em Chicago, A Exposição Mundial Colombiana, atração que atraiu centenas de milhares de visitantes a cidade. 
   A ideia inicial da grande Exposição Mundial de Chicago era comemorar os quatrocentos anos do descobrimento da América por Colombo, mas aos poucos suas gigantescas estruturas arquitetônicas começaram a servir de exemplo para a grandiosidade da população americana, o mundo voltou seus olhos para Chicago e vários países mandaram delegações representativas, a Espanha, por exemplo, mandou três réplicas em tamanho original das três caravelas de Colombo, o Japão mandou um séquito para construir um jardim e um templo e representar sua cultura, do Egito obras e artefatos faraônicos acompanhadas de autênticos moradores da cidade do Cairo e da África uma tribo inteira de pigmeus foi trazida especialmente para a ocasião. A Cidade Branca,  como ficou conhecida a Exposição, marcou a época como uma das maiores realizações do homem moderno, sua principal atração era uma grandiosa  roda gigante, que tinha capacidade para mais de duas mil pessoas e cuja volta completa demorava mais de vinte minutos. A Exposição reunía centenas de pessoas diariamente,  nos dias de pico foram registrados quase meio milhão de visitantes,  número este que deixou a cidade de Chicago à beira do colapso, hotéis com a capacidade máxima improvisavam camas em corredores e salas, restaurantes produziam toneladas de comida todos os dias e a própria mobilidade urbana foi prejudicada. Toda essa reunião de pessoas também marcou a maior concentração de criminosos já vista, a polícia recebia dezenas de chamados por hora envolvendo roubos, assaltos e desaparecimentos, mas devido aos poucos servidores disponíveis apenas os casos que envolviam a nata da sociedade eram investigados. E foi neste cenário de beleza e horror que H. H. Holmes e seu Castelo da Morte floresceram.

  Erik Larson consegue em O Demônio na Cidade Branca um feito único, uma reconstrução criteriosa e exata da vida de um serial killer, dissecando sua mente psicopata não apenas através de suas ações, mas situando-a geográfica e temporalmente dentro do contexto social da época que a produziu. Para contar a história de um homem, é preciso antes conhecer o ambiente que o moldou e cada palavra presente dentro dessas páginas é real.  Cada nome, cada morte, cada sentimento é perturbadoramente real. Para conseguir o nível de exatidão histórica presente em seu texto o autor realizou uma minuciosa pesquisa,  as últimas sessenta páginas são uma compilação de notas e fontes, obtidas através de livros, cartas e artigos que serviram de embasamento para a história. A narrativa é a mistura de um supense policial, construído a partir de um romance histórico e com um toque biográfico, que a torna bastante assustadora. Não é um livro de leitura fácil, Erik Larson utiliza cada parágrafo necessário para contar sua história, não se preocupando com a agilidade do texto, mas sim com a precisão histórica dos fatos. É uma leitura tão desafiadora que às vezes chega a ser desgastante, os personagens entram na cabeça do leitor e seus sentimentos se mesclam com seus próprios medos criando uma simbiose de emoções angustiante. O foco narrativo segue duas linhas diferentes, uma protagonizada pelo assassino e outra por Daniel Hudson Burnham, o brilhante construtor da Cidade Branca, ambas possuem seus próprios atrativos e são instrutivas por si só, de um modo que você não encontrará apenas um história sobre serial killer, mas também, um fragmento de um período da História Americana, especialmente de Chicago, recheado de pequenas narrativas. Se você é um leitor que busca um livro diferente e desafiante, este livro é para você, a leitura é uma caminhada árdua por caminhos inexplorados, você vai suar, querer desistir, mas no final ficará surpreso com a visão e a experiência que adquiriu. Se quer um empurrão a mais, uma adaptação do livro está sendo feita, protagonizada por Leonardo DiCaprio e dirigida por Martin Scorsese, promete ser o filme definitivo sobre o "primeiro serial killer americano."

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. Nossa, curti demais!.. Terei q adquirir! Parabéns!

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  2. Nossa, curti demais!.. Terei q adquirir! Parabéns!

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