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Resenha: Nefastas Lembranças de Jean Thallis


Sinopse:
   Um assassino preso e diagnosticado com sociopatia grave, faz relatos sobre as experiências de um estuprador, colocando em xeque as contradições de sanidade mental que a sociedade constrói. Seu cotidiano na prisão lhe trazem reminiscências das mortes brutais que cometeu com um misto de prazer e horror, buscando refúgio na religião católica e adoração da Virgem Maria, enquanto se martiriza com as dores da mãe e da irmã que sofrem no mundo lá fora. 

Opinião:
     Jean Thallis mergulhou fundo em uma mente insana para trazer os horrores de Lapso Esquizofrênico, percorreu o interior sobrenatural do Brasil galopando o misticismo popular em Carniceiro Mefítico, e agora, em Nefastas Lembranças chafurda em lágrimas e sangue para dissecar a pútridão da alma humana. Diferente de seus outros livros, desta vez o horror não surge do sobrenatural, o mal toma a forma humana e nasce no mesmo berço em que o amor e compaixão florescem. Nefastas Lembranças percorre os caminhos tortuosos de uma mente que é invadida por um tsunami de memórias apodrecidas, formada por seus pecados, cada ínfimo detalhe de dor causada e sofrida é revivido em seu mais puro êxtase , a fronteira entre o prazer e a dor se mesclam em um desfile macabro de sensações que contaminam e envolvem o leitor com seu abraço gelado. 

   Em Nefastas Lembranças somos apresentados a um jovem psicopata, na áurea de sua adolescência o delicado véu que separa a imaginação e a fantasia da realidade é rompido, com ele suas amarras morais e a culpabilidade são exterminadas, tudo em vista de um bem maior, a obtenção do prazer. Encontrar a primeira vítima não foi difícil, em cidades pequenas a confiança é algo intrínseco a população, uma colega de escola, uma tarde chuvosa, um convite descompromissado. E o primeiro crime. E assim o protagonista ultrapassa a linha divisória entre a humanidade e a selvageria e torna-se uma criatura instintiva que segue os mais primitivos e animalescos impulsos carnais. Inicia-se assim sua jornada de autodestruição guiada pela sede de sangue da psicopatia. 

   A narrativa de Jean Thallis continua apresentando suas reconhecidas características, a simplicidade de um relato direto aliada a uma visceral descrição de cenas explicitamente violentas e a abordagem de temas pesados e extremamente chocantes sem qualquer maquiagem que "preserve" a integridade do leitor, um verdadeiro tour de force pelo caminho sombrio do qual as mães advertem seus filhos desde o nascimento. Nefastas Lembranças é um livro de difícil digestão, sua leitura é uma miríade de emoções, o desespero dos seus personagens é um abraço sufocante, o assombro diante da violência explícita transcende as páginas e planta sementes na mente do leitor, mais do que chocar, a estória serve como um aviso às nossas pequenas escolhas do dia-a-dia, de como um pequeno desvio em uma esquina escura pode transformar para sempre uma vida.

   É o tipo de livro que retira o leitor da sua zona de conforto e o confronta com a cruel realidade do mundo atual, cuja estória permanece vívida na memória muito tempo depois da última página ser fechada.  Não espere sustos nessas páginas, Jean Thallis é especialista em horrorizar o leitor, ao invés de utilizar sombras se movendo na escuridão, ele ilumina toda sua narrativa com uma luz cirúrgica, garantindo visão privilegiada de cada gota de sangue derramada. Se você tem estômago fraco, evite este livro. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 comentários:

  1. Maravilhsosa esta resenha.Apresnta o livro com maestria e descreve de forma poética o horror dentro da história. Adorei Rafa!

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  2. Onde consigo os livros de Jean Thallis? Já estou atrás deles faz tempo.

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    Respostas
    1. Olá amigo, pode entrar em contato pelo meu site jeanthallis.com
      ou pelo facebook! https://www.facebook.com/jean.berimbau

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