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19 de dezembro de 2014

Resenha: Quatro Estações de Stephen King


Sinopse:
    Em Quatro Estações, o leitor tem a oportunidade de conhecer uma outra faceta do mestre do suspense, Stephen King. São quatro histórias bem diferentes do universo habitual do autor, mas com a mesma marca de excelente contador de histórias que ele conquistou ao longo de sua carreira. King constrói narrativas baseadas no dia-a-dia de personagens comuns e mostra sua habilidade em criar demônios, mas sob uma nova perspectiva: eles aparecem de modo subliminar, povoando a natureza humana. Em Quatro Estações, King, o mestre do terror americano, se distancia do sobrenatural e mergulha no dia-a-dia de personagens comuns, comprovando mais uma vez seu talento como um dos melhores ficcionistas da literatura contemporânea.


Opinião:
   Quatro Estações é formado por quatro contos longos ou romances curtos que sozinhos jamais ganhariam uma publicação. Após o sucesso de Carrie, a história de uma menina que consegue mover as coisas com o poder da mente, Stephen King quando inquirido por seu editor apresentou mais dois romances, Blaze, um drama sobre um criminoso com problemas mentais que sequestra um bebê, e Second Coming uma releitura de Drácula sobre uma cidadezinha no Maine infestada de vampiros. O escolhido foi logicamente Second Coming que passou a se chamar Salem´s Lot, Blaze passou anos engavetado até Stephen King publicá-lo em 2007 como um romance póstumo de Richard Bachman. Seu editor na época, Bill Thompson, comentou que com esses livros ele acabaria sendo rotulado como um escritor de horror. King riu e disse que não se importava. Após isso veio O Iluminado e sua se consolidou no gênero.
    O tempo passou e Stephen King, com um novo editor comemorava o sucesso de mais recente livro, Cão Raivoso quando lançou a ideia de escrever um livro com quatro contos, todos com histórias comuns e com um nome que não leve os leitores a acreditaram que há histórias de casas mal-assombradas ou vampiros entre ás páginas, Quatro Estações. Seu editor ficou com o pé atrás, afinal a marca "Stephen King" vinha há anos funcionando bem movida a terror, o que os fãs pensariam de histórias normais? King prometeu inserir um toque sobrenatural em um deles e mesmo contrafeito, o editor resolveu publicar sob a promessa de um próximo livro de terror, desta vez sobre um carro assombrado. 


A Primavera Eterna: Rita Hayworth e a redenção de Shawshank
   O conto que abre Quatro Estações é uma das histórias mais emocionantes de Stephen King, a primeira incursão do mestre ao mundo violento e sádico das prisões americanas. Red, chamado assim por sua descendência irlandesa, é o tipo de cara que consegue qualquer coisa dentro da prisão, foi em uma primavera que conheceu Andy Drufesne, banqueiro condenado pela morte da esposa e de seu amante. Em Shawshank o desespero é como uma mortalha que cai sobre a cabeça dos condenados, acompanhando-os em toda a sua estadia na prisão em um constante estado de medo e apreensão, junte a claustrofobia física de estar preso atrás das grades à prisão mental que o confinamento produz, guardas e outros criminosos violentos são medos presentes, mas o maior perigo está dentro da cabeça do homem. Esperança e amizade são atenuantes amplamente buscados, mas poucas vezes encontrados. Andy Drufesne mostra que a desistência é o escape dos fracos e que mesmo perante o maior desafio temos que ser fortes. A história foi adaptada ao cinema com o nome de Um Sonho de Liberdade protagonizado por Tim Robbins e Morgan Freeman. 


Verão da Corrupção: Aluno Inteligente
    A Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos mais catastróficos que a humanidade já produziu, os fornos crematórios e os campos de concentração são manchas que jamais serão apagadas da nossa história. Stephen King escreveu uma história onde o monstro é o próprio ser humano em sua degradação e o desenvolvimento da trama até o seu final são fantásticos. Um garoto é aficionado por histórias nazistas e seus feitos, a maior surpresa de sua vida é descobrir que seu velho vizinho é na verdade um dos ex-oficiais se Hitler, na verdade um dos mais sanguinários carniceiros dos campos de extermínio, conhecido por sua grande capacidade de matar com extrema eficiência.  Kurt Dussander não se surpreende quando um menino invade sua casa e o acusa de ser um nazista, preparado para a extorsão pergunta seu preço e o que ele quer é ouvir relatos dos campos de concentração, toda a violência praticada, as mortes causadas, os gritos forçados. Um mergulho no lago escuro do coração humano onde o sadismo divide espaço com a vergonha. Será que a loucura é contagiosa?


Outono da Inocência: O Corpo
   O Corpo é uma das histórias mais conhecidas por quem não conhece Stephen King. Adaptado para o cinema como Conta Comigo, o filme fez parte da infância de muitas pessoas e se tornou um clássico dos anos oitenta. Uma ode aos bons tempos da infância e as amizades inesquecíveis dessa época, é também a história de seu final, sempre há um acontecimento marcante que nos coloca enquanto crianças em contato com mundo cruel e adulto. Stephen King confronta seus jovens protagonistas com um corpo, encontrado por um irmão mais velho de um deles enquanto este esteva drogado e havia roubado um carro, e a jornada que empreendem para matar a curiosidade sobre a morte. É a história mais bela e comovente do livro.


Inverno no Clube: O Método Respiratório
   O último conto de Quatro Estações é uma homenagem de Stephen King a seu amigo Peter Straub para quem o mesmo é dedicado. Em Os Mortos-Vivos, Peter Straub cria uma fantástica história de fantasmas ao redor de um grupo de homens que compõe uma espécie de clube, que se reúne para dividir relatos sobrenaturais. Em O Método Respiratório o mesmo princípio é observado e a véspera de Natal é reservada para a mais macabra de todas as histórias do ano. A história desta vez é narrada por um médico que encontrou em uma jovem grávida solteira o símbolo da determinação, abandonada pelo namorado e julgada pela sociedade a mulher resiste bravamente buscando forças na criança que carrega em seu ventre. É o conto que mais se aproxima do sobrenatural que permeia a obra do King e o final é sem dúvidas um dos mais assustadores já descritos na literatura. 


Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 comentários :

  1. ótima resenha rafa! apenas um adendo: o ator que fez Um Sonho de Liberdade é o Tim Robbins e não o Robin Williams.

    parabéns pelo site!
    quase nunca comento, mas sempre leio.

    wagner

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  2. Hahaha Valeu pela correção, eu estava com o Tim mesmo na cabeça mas por causa do Robbins devo ter confundido tudo. E olha que nem me toquei disso.

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  3. Acompanho seu blog com muita assiduidade. Por possuir um gosto literário semelhante ao seu, sempre utilizo suas resenhas como norte para minhas próximas compras e próximas leituras. Muitas vezes já aconteceu de, antes mesmo de você postar uma determinada resenha, eu já ter comprado o livro (como por exemplo o Quatro estações)!
    Quando isso ocorre, ao ler sua resenha, eu praticamente me coço de vontade de devorar aquele livro que guardei em minha estante para uma leitura futura!! Chega a ser torturante, mas infelizmente o tempo é escasso... Não dá para ler tudo o que quero e no momento que desejo.
    Enfim, obrigada por aguçar ainda mais esse meu macabro gosto literário e parabéns pelo seu magnífico trabalho.

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