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25 de outubro de 2014

Livros de Sangue III de Clive Barker


   “Os mortos têm suas estradas. Por elas transitam filas constantes de trens-fantasmas, carruagens de sonhos, atravessando a terra árida atrás das nossas vidas, com o tráfego infindável das almas que partiram. Seu ritmo monótono e pulsante pode ser ouvido nos lugares devastados do mundo, através de fendas produzidas por atos de crueldade, violência e depravação. Sua carga, os mortos errantes, pode ser vista de relance quando o coração está a ponto de explodir, e visões que deviam estar ocultas surgem definidas.”


Opinião:
   Clive Barker escreveu seu nome como um dos mais proeminentes escritores de horror de todos os tempos através de seus contos publicados no seis volumes dos assustadores Livros de Sangue. Os contos são feitos de uma matéria arenosa que engole o leitor, em toda sua glória e horror, sugando-o para o seu âmago sombrio e pútrido, onde não há luz e não há escuridão, apenas um limbo atemporal onde seres monstruosos e demoníacos vivem uma espécie de sobrevida aguardando apenas uma brecha na realidade para invadir o mundo humano.  Barker escreve sobre o medo como ninguém, nada de causar suspense com a questão de se existe ou não um monstro atrás da porta, escreve sobre o pavor, aquela sensação de horror que cresce dentro do estomago e reflete em fezes e urina. O desconforto que se sente com as cenas explicitas e gore de Livros de Sangue é a mesma de ter seu cérebro moído em liquidificador e o prazer que advém disso é como um orgasmo em um harém de súcubos.
   O Filho do Celuloide: Clive Barker se utiliza de antigo cinema para tecer a ilusão através das películas de cinema. Quando a heroína morre durante o combate final arrancando lágrimas da plateia, quando a madrasta maltrata a inocente enteada, quando a bela atriz é adorada pelos olhos masculinos, quando o monstro faz sua primeira vítima, enfim todas as reações emocionais da plateia são que dão vida ao cinema. O sorriso, a felicidade, a raiva, o ódio, a tristeza, a adoração, são sentimentos que os filmes obtém de seus expectadores e que define seu sucesso ou esquecimento. O celuloide se alimenta dessas emoções e as ilusões precisam delas para existir, mas quando o cinema entra em decadência e a plateia já não se envolve tanto quanto antigamente e quando um catalisador maligno surge às ilusões ganham vida. O resultado é monstro amoral que busca adoração para existir, sua forma pútrida e horrível fica escondida atrás das belas atrizes e cenas marcantes, mas no fim seu objetivo sempre é o mesmo, arrancar seus olhos e devorar seu corpo.
   Cabeça Descarnada: Cabeça Descarnada é um antigo deus pagão que vivia em reinado sangrento de mortes e mutilações até que um grupo de religiosos conseguiu aprisioná-lo embaixo de uma grandiosa pedra que serviria como túmulo para o mal desde que ficasse inviolável, se a pedra fosse retirada o horror renasceria. O segredo foi passado de geração em geração através dos séculos e a propriedade em que o monstro foi enterrado foi abandonada e deixada à sorte da natureza, isso até os dias de hoje quando um jovem fazendeiro decide utilizar aquele grande pedaço fértil de terra para ampliar sua plantação. É a primeira vítima cruelmente brutalizada pelo antigo deus que arranca sua cabeça enquanto se banha em seu sangue. Deu origem ao filme Rawhead Rex, como é chamado no Brasil Monster: A Ressureição do Mal.
   Confissões da mortalha (de um pornógrafo): Um contador sem querer acaba descobrindo a verdade sórdida sobre seus patrões, eles são distribuidores de pornografia, não as que as bancas vendem as realmente pesadas envolvendo torturas e animais. Ele fica horrorizado e discute com os chefões que o ameaçam por seu silencio. Dias depois os jornais também descobrem o local de podridão moral onde as revistas ficavam, mas não há nada que possa ser associado a seus patrões, ao contrário, as provas apontam para ele como único responsável pela pornografia. O que se segue é o relato da mais fria e cruel vingança já orquestrada. Quando destroem a realidade por trás da existência de um homem normal o que sobra é o animal na luta pela sobrevivência. Um pequeno detalhe a história é contada por um fantasma.
   Bodes Expiatórios: Navegando pelo mar durante um nevoeiro um grupo de jovens acaba encalhando em uma ilha no meio do nada, formada apenas por rochas não está presente em nenhum dos mapas que possuem a bordo. Quando decidem explorar o local, enquanto aguardam a maré subir, descobrem que a ilha é desabitada, porém há algo estranho, em meio às rochas há um pequeno cercado com algumas ovelhas e bodes de aspecto decrépito. O que descobrem a seguir é que aquilo é uma espécie de oferenda a uma criatura muito antiga e que seu naufrágio não foi tão acidente assim, afinal míseros sacrifícios animais não aplacam a ira desse ser cruel, na verdade servem como aperitivo. E Por último Restos Humanos uma sátira ao pensamento narcisista com um protagonista à lá Dorian Gray que encontra uma criatura que pode reproduzir sua imagem com perfeição.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 comentários :

  1. Gostei muito do seu blog. Seguindo... segue o meu !

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  2. Muito bom este livro de contos. Achei o conto Cabeça Descarnada bem impactante.
    Maurilei.

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  3. Já estou concluindo o 5º livro da serie e ate agora o melhor foi o 3º mesmo. 10 caveiras com merito.

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