Depois de uma grande espera finalmente Os Doze foi lançado no Brasil, para você que como eu ansiosamente esperou por isso fique tranquilo não darei nenhum spoiler nesta resenha e para você que ainda não leu A Passagem eu recomendo que leia imediatamente! Sem duvidas ao lado da Trilogia da Escuridão de Del Toro, a Trilogia A Passagem é em décadas o melhor que a humanidade produziu sobre vampiros em livros, o antigo mito foi modificado e no novo século somos nós mesmos que criamos a nossa destruição. 

A grande novidade entre esses romances é um vírus como o causador do vampirismo, sendo transmitido através da mordida e contato com o sangue do infectado. Os Doze tinha como tarefa dar continuidade a grandiosa saga criada por Justin Cronin, mas será que seria tão bom quanto o primeiro volume? Como se desenvolveria a história? As expectativas dos leitores serão saciadas com o novo livro? Bem responderei a essas e outras perguntas a seguir, mas antes vamos relembrar como a disseminação do vírus começou...

Em a Passagem a história começa quando um cientista, ganhador do premio Nobel, descobre um vírus nas profundezas úmidas da floresta tropical Amazônica. Logo com a ajuda do governo americano, pesquisas se iniciam na tentativa de através dessa nova descoberta criar super soldados para isso são escolhidas 12 cobaias, homens cuja morte passará despercebida para a sociedade, presidiários que por seus crimes cruéis e violentos estão na fila do corredor da morte. A experiência dá certo e novas criaturas são criadas e chamadas de virais, porém os cientistas descobrem não possuir nenhum poder sobre esses monstros e sua insaciável sede por sangue e então é que por ironia do destino as coisas começam a dar errado. 

Numa sucessão de reviravoltas somos a um mundo de destruição causado por esses virais que em poucos meses se espalham por toda a América do Norte com uma mão levando morte e desolação por todos os lados. Os Doze começa com uma espécie de resumo sobre os acontecimentos do primeiro livro e contrariando as expectativas ao invés de ir direto mostrando o que aconteceu aos protagonistas, a história volta ao ponto de partida quando a infecção dos virais se espalhou. Fui surpreendido por essa abordagem do autor e confesso que gostei muito, uma das coisas que faltou em A Passagem foi uma exploração mais profunda do Apocalipse, na história é visto sob as perspectivas de Wolgast e Amy que se escondem da civilização e acompanham tudo através de notícias atrasadas pelos jornais. 

Neste livro Justin de maneira hábil e inteligente insere novos personagens lutando pela sobrevivência nos dias que iniciaram o apocalipse, em meio a corpos em decomposição e uma cidade mergulhada em caos, você leitor encontrará a melhor história apocalíptica desde a Dança da Morte de Stephen King. Cronin cria personagens profundos e pessoais, altamente identificáveis com as variadas personalidades dos leitores. Após a grande noite sangrenta onde a maioria dos seres humanos morreu ou se transformou, alguns poucos sobreviventes escaparam da matança e agora solitários tentam manter a lucidez diante da visão do de sobrou do mundo. 

Alguns personagens são memoráveis, como Danny Chayes, que me lembrou bastante o Tom Cullen da Dança da Morte, que escapou por pura sorte e talvez por ser autista trancado em casa com a sua mãe morta ele pensa no porque do mundo estar parado e silencioso, as pessoas caídas na rua sem se mover e as sombras que se esgueiram de noite buscando algo que ele não consegue entender. A maneira inocente com que ele vê o apocalipse é encantadora.

Os Doze difere muito em termos de enredo e foco da história de A Passagem. O primeiro livro destacou o horror da sobrevivência, criaturas horrendas, o terror apocalíptico e um ambiente totalmente desesperador e deprimente. Já na sua continuação o foco é mais no suspense e na ação, na evolução que tanto os humanos quanto os virais passaram para viver em um mundo devastado e sem esperanças e os arremedos de sociedade que surgiram esparsas no meio do deserto desolado. Com uma narrativa não linear, atravessando as barreiras do tempo Cronin nos conta uma história de um novo mundo e de um novo horror: Os Doze e seus muitos. Outro ponto destacável é a evolução dos protagonistas tanto emocionais como psicologicamente já que a história acontece cinco anos depois do final da Passagem.

Enfim como todo segundo livro de uma trilogia, Os Doze serve mais para aumentar o universo criado por Justin Cronin e como um prelúdio para o fim, o tão esperado final. O autor com sua escrita emocionante e hábil criou uma sequencia digna de A Passagem, cheia de muito suspense e reviravoltas numa trama tecida devagar, mas de maneira perfeita com nenhum ponto fora do lugar. A sensação final ao terminar o livro é como ter lido três livros diferentes cujas tramas se unem ao fim com uma grande surpresa formando uma história importante. O que resta agora é iniciar a espera novamente, agora por A cidade dos espelhos.

  Os Doze (2013) | Ficha Técnica 
   Título original: The Twelve (2012)
   Autor: Justin Cronin
   Tradutor: Alves Calado
   Editora: Arqueiro
   Páginas: 592 páginas
   Compre: Amazon
   Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)