Primeiramente o que mais interessa é: O livro é bom? Não ele é ótimo.  Na verdade ótimo não o descreve bem o suficiente para que um possível leitor entenda o quão rico em descrições, situações e personagens Morte Súbita é. Rowling se superou criando uma história bastante diferente do mundo que a consagrou e mesmo assim alcançou um grande êxito ao esmiuçar a mentalidade dessa grande massa viva chamada de cidade pequena além de converter em palavras toda a gama de pensamentos e duvidas presentes na cabeça de todo adolescente.

Stephen King é um mestre na arte de desenvolver tramas em cidades pequenas, ele conhece a fundo o que se passa nas vielas escuras à noite ou as maquinações malignas atrás das portas de casas familiares. Rowling alcança o mesmo efeito do mestre, em um livro que poderia ter sido escrito pelo próprio, ao descrever Pagford em toda sua complexidade e simplicidade.

Morte Súbita em muitos pontos tem sua prerrogativa parecida com Sob a Redoma de King, a principal delas é que o livro não trata de um personagem em especial, mas sim da cidade como um todo através dos olhos dos próprios moradores que possuem uma relação de amor e ódio com o lugar. O livro começa com a morte (súbita) de Barry Fairbrother.

O leitor encara isso como algo normal e inevitável, afinal é apenas o começo e alguém tem que morrer, porém conforme a narrativa se desenvolve e a comoção entre os moradores pela morte dele é contada, começa uma mudança de pensamento. Passamos a conhecer tão bem Barry através dos olhos de seus amigos (e inimigos) que a vontade de tê-lo conhecido em vida é tão grande que chega a ser estranha.

Após a morte de Barry a comodidade e a luxuria do dia-a-dia repetitivo que a cidadezinha possuía parece cai por terra e acontecimentos a primeira vista desconexos começam a acontecer, entre eles fica um furor para saber quem tomará a vaga dele no conselho da cidade já que ele era o principal defensor dos direitos do bairro mais pobre de Pagford e talvez o único que impedia que os conselheiros votassem por deixar o bairro aos cuidados da cidade vizinha.

Depois de todas as lágrimas no funeral do falecido que as coisas começam a acontecer, pessoas mudam de posições e mostram suas verdadeiras faces em jogos políticos cheios de egocentrismo e desejos ocultos.  Mas em meio a toda essa confusão estão os adolescentes do livro que veem seus pais brigar por algo que ainda não entendem. E como sempre os adolescentes são os personagens mais profundos e melhor descritos pela Rowling.

É impossível alguém não se ver na pele de algum deles ou já ter passado pelas situações típicas que enfrentam. As incertezas e vergonhas da primeira paixão e a luta para fazer com que a pessoas amada note sua existência. O desejo de provar para o mundo adulto a sua serventia. A vontade de mudar o mundo e a cabeça das pessoas. A dor da humilhação do bullying repetido diariamente e que não se relega a apenas a escola, mas se espalha pela internet, além do descaso dos pais. Tudo isso aumenta ainda mais a riqueza do livro que é imperdível.

Morte Súbita se tornou uma das minhas melhores leituras desse ano e está entre os melhores que já li. Indico a todos que querem uma leitura marcante e de qualidade onde os personagens ultrapassam a ficção e se tornam reais. Quando a leitura se inicia é impossível parar.

   
  Morte Súbita (2012) | Ficha Técnica 
   Título original: The Casual Vacancy (2012)
   Autor: J. K. Rowling
   Tradutoras: Izabel Aleixo e Maria Helena Rouanet
   Editora: Nova Fronteira
   Páginas: 512 páginas
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   Nota:☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠(10/10 Caveiras)