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14 de fevereiro de 2018

Resenha: A Peste Negra de Gwyneth Cravens e John S. Marr

"Lendo este romance, admiravelmente construído, comecei a sentir em mim mesmo todos os sintomas da peste negra..." Christopher Cerf, editor da Vintage Anthology of Science Fantasy

'Um romance de terror, a medicina frente a uma catástrofe que podemos friamente admitir que possa acontecer..." David Viscott, autor de The Making of A Psychiatrist


O protagonista acorda em um hospital dias após uma catástrofe dizimar a população, sem nenhuma memória de como foi parar lá, e ao sair do quarto se depara com uma visão assustadora: cadáveres por todos os cantos e uma cidade completamente em ruínas... Não, essa não é a cena de abertura de The Walking Dead ou 28 Days Later, na verdade é de um livro publicado em 1978, The Black Death, ou como foi chamado no Brasil: A Peste Negra, escrito à quatro mãos por Gwyneth Cravens e John S. Marr.

Gwyneth Cravens escreveu algumas histórias de ficção científica ao longo de sua carreira, com seus temas sempre mesclando o fantástico ao romântico, em 1979 a Record publicou de sua autoria o livro A Magia das Alturas, tradução de Speed of Light: The Adventures of Ella Speed. 

John S. Marr é um epidemiologista especializado em surtos de doenças infecciosas, além de A Peste Negra, foi publicado no Brasil pela Rocco, A Décima Primeira Praga, obra escrita em colaboração com John Baldwin, que aborda o surgimento de várias epidemias nos Estados Unidos que possuem uma assustadora semelhança com as pragas bíblicas.

A união desses dois autores criou uma obra interessante, a habilidade de escrita aliada ao conhecimento científico fazem de A Peste Negra um grande thriller médico apocalíptico, que explora os efeitos de uma epidemia de peste bubônica na New York da década de setenta. Com um ritmo vertiginoso a trama se passa em apenas doze dias, partindo desde o início da infecção até o caos total advindo do contágio incontrolável.

O livro é dividido em duas partes, a primeira ilustra todos os caminhos e vícios que propiciam uma infecção mortal se espalhar no ambiente urbano com grande rapidez, ao mesmo tempo que mostra os esforços dos protagonistas médicos para conter a doença e descobrir sua origem. 

Enquanto a segunda mergulha no pandemônio de uma cidade devastada por milhares de mortes e enclausurada pelo resto do país em quarentena, onde a falha dos serviços básicos providos pelo governo cria uma nova organização social, baseada em violência e anarquia.

A Peste Negra é um ótimo suspense, que mesmo tendo sido publicado há mais de trinta anos ainda conversa uma narrativa ágil que aborda discussões relevantes, desde a burocracia política por trás da administração de grandes hospitais até os pequenos deslizes sanitários do dia-a-dia e seu efeitos em grande escala, quando entra em perspectiva milhares de pessoas cometendo o mesmo deslize.

A leitura pode ser definida como uma mistura da narrativa de Robin Cook com a premissa de A Invasão dos Ratos de James Herbert, só que ao invés de apenas devorar carne humana, os ratos transmitem doenças e fazem ninhos em cadáveres empilhados nas ruas. Se você é fã dos suspenses dos anos setenta, A Peste Negra é uma leitura imperdível.

 A Peste Negra | Ficha Técnica  
   Autor: Gwyneth Cravens e John S. Marr
   Tradução: Martha Soares dos Santos
   Editora: Nova Fronteira
   Páginas: 294
   Gênero: Suspense
   Ano: 1978
   Nota: ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ (10/10 Caveiras)

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