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4 de maio de 2015

Resenha: O Demonologista de Andrew Pyper


“Muito bem elaborado, delirantemente assustador e uma leitura compulsiva do começo ao fim. Imagine O Exorcista e O Código Da Vinci escrito por Daphne du Maurier. Não perca de jeito nenhum!” JEFFERY DEAVER

“Um romance inteligente, emocionante e absolutamente enervante. O dom de Pyper é que ele respeita profundamente seus leitores.” GILLIAN FLYNN

Sinopse:
   O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico. Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas uma boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma.


Opinião:
   O Demônio ao longo dos séculos assumiu muitas formas na literatura de horror, de um simples delírio religioso passou a ser uma entidade real com uma presença macabra e marcante, os autores foram amplamente influenciados pelo pensamento social da época em que viveram e atualmente o estigma de Pazuzu em O Exorcista é a referência que norteia histórias sobre exorcismos e manifestações demoníacas. O Demonologista não é diferente, Andrew Pyper conseguiu tecer uma trama ágil e cheia de mistérios misturando a ação típica de thrillers com a tensão das cenas de horror, unindo a visão medieval do mal, através das citações de Paraíso Perdido de John Milton, com o ambiente claustrofóbico moderno de livros como O Bebê de Rosemary de Ira Levin e A Profecia de David Seltzer, o resultado é um dos melhores livros de terror publicados no Brasil nos últimos anos. 
  O demonologista é o professor David Ullman, especialista nas várias manifestações da figura demoníaca na literatura, em especial na visão pouco ortodoxa de O Paraíso Perdido, livro que fala sobre a queda de Lúcifer e a expulsão de Adão e Eva do paraíso. Seu profundo estudo teórico aliado a seu ceticismo natural fazem com que veja a religiosidade como uma mitologia ultrapassada, um misticismo em decadência. Tudo muda porém quando uma estranha mulher entra em seu escritório, carregando consigo um cheiro de enxofre ela o incita a fazer uma viagem até Veneza, onde toda sua experiência e conhecimento poderão ser testados na prática. Ullman vê a viagem como uma espécie de escape para os problemas pessoais e uma maneira de reaproximação de sua filha, após convencê-la a acompanhá-lo passam os melhores dias de suas vidas perdidos como turistas nas belezas da cidade italiana. 
  O horror começa quando Ullman decide investigar o endereço que a mulher lhe havia dado. Uma casa aparentemente normal, escondida entre as grandes criações arquitetônicas renascentistas, que tem suas janelas protegidas por pesadas cortinas. À porta é aberta por um médico em péssimo estado, com roupas amassadas, olheiras profundas e barba por fazer é uma figura estranha que reacende a chama ancestral do medo no professor. Com poucas palavras o conduz até um quarto em um corredor escuro, do outro lado da porta fechada é possível escutar uma respiração pesada, como se um afogado buscasse sofregamente por ar, após indicar que ele devia entrar, o médico desaparece misteriosamente. Ullman sozinho na escuridão se vê sem opções a não ser abrir a porta e matar sua curiosidade. O que seus olhos veem é um profundo golpe devastador em suas crenças e abala as estruturas de sua alma. Fortemente amarrado em uma cadeira, jaz um homem de meia idade, seus ferimentos resultado de uma luta feroz para se soltar mostram o quão debilitado ser corpo está, mas seus olhos são diferentes. Possuem uma aura de maldade e sabedoria que ultrapassa o tempo e espaço. Sua voz é como o som de fricção de cacos de vidro diretamente nos tímpanos e suas palavras carregam o horror ancestral do inominável... 
   Andrew Pyper constrói uma narrativa em primeira pessoa habilmente, a sutileza das visões e horrores que se sucedem com o protagonista o fazem questionar sua própria sanidade, o leitor é envolvido por uma neblina sobrenatural que o desafia a acreditar no que está lendo ou aceitar que tudo aquilo não passa de histeria traumática. E é bom escolher o lado certo porque no fim não adiantarão lágrimas e súplicas para que um poder maior o salve do que está contido entre as páginas. A construção das cenas de horror é primorosa, não são poucas as vezes que o leitor é acometido por aquela incomoda sensação de estar sendo observado enquanto lê, conseguindo arrancar arrepios com algumas cenas icônicas como a estranha figura da menina à beira estrada pedindo carona e da adorável velhinha que esconde seus segredos na escuridão do porão. 
   A única ressalva é com relação ao final, tudo se desenrola tão rápido que é uma surpresa quando a narrativa acaba e algumas pontas soltas não são amarradas. Ira Levin e David Seltzer conseguem concluir seus livros com cenas fortes e marcantes que deixam o leitor sem fôlego ao término da leitura, Pyper tentou fazer o mesmo mas não obteve o sucesso desejado. Mas muitas vezes não é o destino o mais importante e sim a própria viagem, o autor consegue  transportar o leitor através de uma sinuosa rodovia, cheia de paisagens assustadoras e sombras que se movem, figuras aparecem no acostamento suplicando por ajuda, mas não se engane pelos rostos conhecidos em pranto, o mal está à espreita em cada curva e um simples deslize pode ser sua danação. Pegue seu crucifixo e sobreviva a viagem!


Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

14 comentários :

  1. Excelente resenha mais uma vez Rafa. Comprei o meu O Demonologista na pré-venda e ainda não chegou. Não vejo a hora de devorar o meu.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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  2. Será que vou gostar???

    Hum... bom, pelo menos quando você diz que terei aquela sensação de estar sendo observada já me deixou com vontade. Adoro isso.

    Não posso vir aqui, toda vez saio com mais um na lista.

    Até falei de você no blog domingo por causa disso, rsrs.

    Adorei a resenha. Vou comprar sim!!

    Bjks

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  3. Comprei na pré-venda! Acabou de chegar. Já vou mergulhar na leitura...

    Abraços.

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  4. Só discordo quando dizem "o filho entre o código da Vinci e o Exorcista", o livro não tem tantas descobertas fantásticas quando o código da Vinci e não tem um terror tão "impactante" quanto o exorcista, mas ainda assim é incrível. É um livro para bem poucos já que não é igual a um livro convencional com um fim feliz e explicativo, na verdade dependendo das suas crenças o livro deixa de ser uma simples ficção fantástica e passa a ser uma mensagem sobre o pode existir por ai... Não o recomendo pra quem tá acostumadinho com livros "normais" (esses se chegarem a ler vão se decepcionar bastante) mas o considero um bom livro.... (A edição é ainda mais incrível do que nas fotos, a capa parecendo envelhecida, as artes, o papel usado nas paginas tudo teve um trabalho realmente bem feito).

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  5. Como todos nós temos nossa opnião e sempre é diferente uma da outra,eu digo cara que livro ruim ele simplesmente não se aprofunda em nada que ele trás para o leitor ele não aprofunda o horror com cenas pra lá de entendiantes,não aprofunda a aventura,sinceramente tinha lido sua resenha e comprei o livro pela temática que eu gosto e esperei algumas resenhas,que li algumas que eram positivas.Talvez seja eu sei que é injusto comparar mais depois de voce ler livros de grandes escritores de horror e ler isso é difícil de aceitar.Como apontado acima mix de O exorcista e Dan Brown?Sem profundidade e personagens desinteressantes.

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  6. Eduardo acredito que essa problemática seja algo de todos os gêneros na atualidade, o escritor moderno não apenas quer escrever um livro, quer fazer algo de fácil adaptação para o cinema, porque o filme hoje em dia é o passo lógico para uma obra deste tipo. Desse modo a narrativa fica bem mais rasa, personagens não são bem aproveitados e cenas que ficam muito melhor em uma tela de cinema deixam o livro para alguns deficiente. Não foi meu caso, não criei grandes expectativas sobre a estória então não houve decepção. Quanto a Dan Brown, apesar de todos os comentários negativos e blábláblá de haters eu adoro os livros do cara, eis um autor que sabe entreter o leitor :) Opinião pessoal. Abração e obrigado pela visita :)

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  7. A Sim concordo não acho Dan Brown horrível,só não gostei de tentarem fazer esse mix entre duas coisas,odeio ter expectativa sobre um livro ainda mais de um autor que agente não conhece mais quando se cria,eu estava imaginando algo completamente diferente,algo realmente de horror,me lembrou de supernatural pela roadtrip mais o supernatural na fase ruimkkk.

    Mais acompanho sempre seu blog e gosto muito,valeu e sempre estou visitando.

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  8. Acabei ontem de ler e gostei do livro até as páginas finais, ficou um gostinho de que o escritor teve pouco tempo para acabar a historia. O livro todo é mt bem escrito e bem descrito, o final aconteceu do nada, com uma revelação beeeemm preguiçosa. Mas não deixa de ser um livro muito bom, caso tivesse um final adequado, seria um ótimo livro. Fiquei mt interessado sobre O Paraíso Perdido também.
    Obs.: acabo de conhecer esse site, ta de parabéns, mt interessante!

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  9. Lendo a resenha como preparação para a gravação do episódio 06 do podcast Edição Rápida. Gostei do livro. Ressalvas ao final. Mas um bom livro. 4/5!

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  10. Eu queria muito ter gostado desse livro. Muito mesmo! Não vou mentir que, depois de pegar um livro incrível como O Exorcista (William Peter Blatty), ir para O Demonologista foi como um chute no saco - desculpe a expressão! A road trip que David fez me cansou horrores, os personagens secundários são entediantes, e os diálogos me pareceram (poeticamente) forçados demais. Acho que o que se salva desse livro são: (1) indicações de livros sobre o estudo da melancolia; (2) despertar o interesse em ler O Paraíso Perdido; (3) a qualidade gráfica do livro.

    Abração, Rafa!

    Sobrevivendo à Noite

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  11. Essa é a a primeira resenha que leio falando bem desse livro! Agora, estou curiosa! Bjss

    Leitora Compulsiva
    http://olhoscastanhostambemtemoseufascinio.blogspot.com.br/

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  12. O primeiro ato do livro é muito bom... e só. Acaba por ai. É mais uma 'ROAD TRIP' do terror, estilo John Green em "Cidades de Papel". O livro tem uma parte teórica que parece adulta até você chegar no diálogo entre os personagens. Parece livro de adolescente. Não dá medo, não tem surpresas, não tem clímax. É desnecessariamente gigante e desgastante. Horrível. E olha que eu já li O Exorcista e Psicose, e sinceramente, MUITO melhores. E mesmo que Exorcista tenha umas partes meio lentas e sem "emoção" o livro termina com chave de ouro, o desenrolar é ótimo e dá medo de verdade. O Demonologista só tem beleza. Nadinha de conteúdo.

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  13. O início do livro é maravilhoso, instiga curiosidade e fim. Realmente faltou aprofundamento. Por fim fiquei mais interessada no "Paraiso perdido" de Milton do que propriamente no livro em si.
    No entanto, é importante lembrar que ele é classificado como ficção e o título por si é uma pegadinha. A mim ele é mais uma viagem na mente de um melancólico que prorogrediu para um enlutado, um enlutado demonologista, o que dá margem à características decorrentes disso.
    Não gostei. E ainda estou buscando um motivo para indicar o livro para alguém.

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