ÚLTIMAS NOTÍCIAS

26 de agosto de 2013

Resenha: Psicose - Robert Bloch

"Meu Filme Psicose veio todo do livro de Robert Bloch."  Alfred Hitchcook

"Os livros de Robert Bloch escreveu nos anos 1950 - A Echarpe, The Deadbeat e Psicose - tiveram uma influência fundamental no curso da literatura norte-americana."  Stephen King

"Friamente aterrorizante!"  The New York Times

" Robert Bloch é um dos mestres de todos os tempos."  Peter Straub

Sinopse:
   Psicose, o clássico de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas. Em Psicose, Bloch antecipou e prenunciou a explosão do fenômeno serial killer do final dos anos 1980 e começo dos 1990. O livro, junto com o filme de Hitchcock, tornou-se um ícone do horror, inspirando um número sem fim de imitações inferiores, assim como a criação de Bloch, o esquizofrênico violento e travestido Bates, tornou-se um arquétipo do horror incorporado a cultura pop.

Opinião:
     Psicose é uma obra clássica do horror e do suspense escrita por Robert Bloch no final da década de cinquenta se tornando base para o gênero e inspirando muitas das obras seguintes que se apropriaram da nova visão de narrativa que o autor apresentou a literatura na época, o horror como sendo fruto da mente ao invés do habitual sobrenatural, sendo assim um dos precursores do horror urbano moderno. No Brasil, Psicose, estava fora de catálogo há mais de 50 anos e era considerada uma obra rara, sendo encontrada em livrarias e sebos a preços exorbitantes em edições de péssimo estado e com gramática totalmente desatualizada. Recentemente a Editora DarkSide® relançou o livro, com edições em brochura e a de capa-dura de colecionador recheada de fotos do filme com uma tradução impecável.
   Robert Bloch foi um autor que sofreu muito a influencia de H. P Lovecraft. Seus trabalhos iniciais demonstram sua inclinação a literatura fantástica, era membro ativo do "Lovecraft Circle" mantendo comunicação com vários outros grandes nomes do horror como Clark Ashton Smith, August Derleth e o próprio Lovecraft que foi a fonte inspiradora de seus contos. Dá pra notar um pouco disso, em Psicose, através dos livros da biblioteca de Norman Bates que fazem referencias ao ocultismo e bruxaria.  Com o passar dos anos a escrita de Bloch foi se refinando na mesma medida que seu estilo se tornava mais singular e pessoal de modo que seus escritos passaram naturalmente do horror sobrenatural para o microcosmo assustador da mente humana.  Em Novembro de 1957,  Ed Gein era preso por crimes que ultrapassavam o limite da credulidade humana nas razões e porquês, nascia assim à inspiração para Norman Bates e Bloch lançou-se na notável tarefa de explicar a mente de um assassino.
   A história de Psicose é simples gira em torno dos acontecimentos iniciais e suas ramificações de causais. Uma jovem mulher  sente a chance de mudar de vida quando a oportunidade de ouro surge e acaba roubando uma soma admirável de dinheiro do banco em que trabalha. Seu nome é Marion Crayne e em sua cabeça tenta a todo custo justificar seus atos em nome do amor.  Em uma fuga desesperada, ela tenta cobrir seus rastros e vai atrás de seu noivo com a história de que recebeu uma herança de um parente distante, mas a emoção e excitação de seus recentes atos atrapalham seu senso de direção e Mary acaba se perdendo em meio a uma noite chuvosa no caminho desconhecido. Após ter desistido da ilusão de que o caminho havia mudado encontra um pequeno motel de beira de estrada, com o letreiro desligado ela quase passa direto mas mesmo em meio à escuridão da noite consegue ler: Motel Bates.
   Norman Bates está cansado após mais uma de suas discussões com a Mãe. Imerso na leitura não nota a passagem do tempo acompanhado da tempestade e do crepúsculo e sua Mãe vê nisso, como em quase todas as suas ações motivo para reclamar. Norm é um homem de quarenta anos que nunca saiu debaixo da saia da Mãe, loiro e gordinho traduz em sua fisionomia a expressão filhinho da mamãe  coisa que o próprio ao menos tem coragem de admitir como verdade. Nessa noite em especial, sua Mãe doente está mais irascível que regularmente e a discussão reflete todas as decepções e medos guardados a fundo durante os anos e que pela má conservação apodreceram e ficaram piores. Porém são interrompidos pela chegada de um novo hospede. Uma mulher loira. Norm a atende com cordialidade mas não pode disfarçar a timidez, nunca esteve com mulher alguma em todos seus anos sem ser a Mãe e qualquer presença feminina o deixa desnorteado. Mesmo assim consegue travar algum dialogo com a hospede e acaba a convidando para um jantar em sua casa, localizada na colina atrás do Motel. Tudo discorre de maneira relativamente normal e a mulher se encanta com a timidez do dono do motel. Acha engraçada sua maneira até um pouco antiquada de ser. Porém a Mãe Bates não gosta nem um pouco da situação. Não é uma mulher qualquer que vai seduzir seu filho amado. É então que temos a célebre cena do chuveiro.
    
"Não podia ouvir nada além do  barulho da água, e o banheiro começou a se encher de vapor. Foi por isso que não percebeu a porta se abrir, nem o som de passos. Logo que as cortinas se abriram o vapor obscureceu o rosto... Mary começou a gritar. A cortina se abriu mais e uma mão apareceu, empunhando uma faca de açougueiro. E foi a faca que , no momento seguinte,  cortou seu grito."

   Após a morte da Mary, Norman se vê em um frenesi para ocultar o acontecido e proteger sua Mãe. A maneira como Bloch  retrata o relacionamento Mãe/Filho é sem precedentes e é o que dá o toque do horror a história pois incita no leitor memórias pessoais de sua própria mãe. Norm era o filho único e foi criado sem influência paterna alguma, sua única conexão com o mundo era através da sua mãe por quem desenvolveu um amor acima de qualquer sentimento existente e com força para superar até a morte. Um amor que chega as raias do complexo de Édipo, curioso notar que sempre que Norman se refere a Mãe seja verbal ou em pensamento, a palavra tem conotação maiúscula e assume certa posição infantil perante ela, mesmo tendo consciência de sua idade. Outro pequeno detalhe é a dissociação a personalidade de Norm que se reflete nas suas ações ao longo da trama, conforme as investigações se aproximam da verdade sua noção da realidade se torna surreal e a grande comprovação ocorre na hora do barbear na frente do espelho, onde mesmo com óculos ele não consegue ver seu reflexo nitidamente.
   Psicose é um dos casos raros em que filme e livros se enriquecem mutuamente. Por isso digo: Veja o filme antes de ler o livro. Mesmo conhecendo o final, a leitura não é comprometida em nenhum segundo ao invés se torna mais detalhada e perceptiva além de que as cenas adquirem trilha sonora. É um livro forte e impactante, cheio de suspense e uma profunda dissecação da personalidade humana. Uma leitura obrigatória aos amantes de terror. 

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 

15 comentários :

  1. Obrigatória sim!! Vou comprar o mais rápido possível!
    Enlouqueci com a resenha. Incrível, pois já vi este filme incontáveis vezes, e mesmo assim me surpreendi com ela, como se não conhecesse a história.
    Tenho certeza que quando eu tiver a oportunidade de ler, terei mais uma surpresa.

    Muito bom!!

    Bjkas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem dúvidas é uma história fascinante e a maneira como Hitchcock a adaptou ao cinema é simplesmente perfeita e genial. A nova edição também está linda e impecável, um preço muito menor que o que estava antigamente com uma qualidade ótima. Mais um livro para a lista de preferidos rs

      Excluir
  2. Olá Rafa,

    Por muito que se fale em 'Psicose' em tempos de moda da série 'Bates Motel', eu ainda não tinha parado para ler a resenha do livro que deu origem a tudo isso. Como qualquer fã do gênero, já conhecia a história por causa do clássico do cinema, mas foi com surpresa que li sua resenha e identifiquei coisas novas a respeito da trama que apenas a perspectiva da leitura do livro é capaz de dar. E é por isso que afirmo sem medo que você conseguiu me instigar ainda mais a ler o livro e a descobrir os pormenores da trama. Sem sombra de dúvidas, uma resenha genial. Parabéns!

    Beijos,
    Isabelle | www.blogmundodoslivros.com

    ResponderExcluir
  3. Preciso juntar uma grana para esse livro. Os caras da Darkside tem mandado muitíssimo bem. Parabéns pela resenha super-duper, deu mais vontade ainda te torrar meu dimdim.

    ResponderExcluir
  4. Preciso juntar uma grana para esse livro. Os caras da Darkside tem mandado muitíssimo bem. Parabéns pela resenha super-duper, deu mais vontade ainda te torrar meu dimdim.

    ResponderExcluir
  5. HAHAHA, cara, eu também indico ver o filme antes de ler o livro. Principalmente pq você pega as artimanhas do autor de dizer sem realmente falar (sobre a Mãe dele). Muito legal.

    A edição ficou linda, né? ♥ Fiquei apaixonada!

    Bjs

    Raquel
    www.pipocamusical.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É o que eu disse Robert Bloch escreve bem e mesmo tendo visto o filme algumas coisas só são percebidas numa releitura. Adorei a Editora ter relançado a obra, ficou maravilhosa, o autor teria orgulho disso rs

      Excluir
  6. Acredita que nunca nem vi esse filme? Mas pretendo.
    Gosto muito de histórias de terror, vou acompanhar o blog!


    http://sobrelivroseletras.blogspot.com

    ResponderExcluir
  7. nunca nem vi o filme, mas estou gostando muito da série Bates Motel, mesmo percebendo que pela sua descrição o Normal é fisicamente diferente do descrito.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ele é diferente mas a o filme do Hitchcock projetou um Norman Bates através do Anthony Perkins maravilhosamente perfeito e ator que interpreta-o na série é igual a ele de modo que essa visão é bem mais agradavel ao publico de cinema e televisão do que um gordinho loiro mas mesmo assim ambos são bons porque apesar da descrição cada personagem é unico na mente de cada leitor. Super Recomendo o filme e livro

      Excluir
  8. apresenta continuação?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Existem outros dois livros que não foram publicados aqui no Brasil

      Excluir
  9. Opa, muito boa a resenha! Essa é realmente uma grande obra, a qual tenho dentre meus "desejos de consumo".
    Abraços

    Fabricio
    http://loucamenteloucamente.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Olá Rafael!
    Mais uma interessantíssima resenha. Acompanho o blog já faz um tempo, e admiro muito o trabalho que você vem fazendo pelo gênero. Parabéns mesmo!

    Gostaria de saber se o blog, ou você, tem um e-mail para contato profissional. Eu escrevo terror, e estou para lançar um e-book, mas antes gostaria muito da opinião de uma pessoa "da área".

    Abraço e aguardo sua resposta.

    Att.

    Mr. Belzebu

    ResponderExcluir
  11. Queria te fazer uma sugestão Rafa. Há alguns contos de Bloch nos livros de contos de suspense da série Alfred Hitchcock Apresenta. Além do que alguns títulos dessa série tem histórias que bem bacanas, apesar daquelas capas horrendas darem a impressão de se tratar de algo trash. Seria legal ver uma resenha desses livros aqui, já que é tão difíicil encontrar comentários sobre eles pela internet.

    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/2014/04/sete-criancas-que-tocaram-o-terror.html

    ResponderExcluir