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Resenha | Cesto de Cabeças de Joe Hill e Leomacs


Joe Hill, ao longo dos últimos anos, lentamente vem estabelecendo e cimentando um universo compartilhado que perpassa seus romances, histórias em quadrinhos e contos. São elementos, ambientações e personagens que ultrapassam os limites de suas próprias histórias e possuem conexões não apenas com suas criações, mas também ligações e intersecções interessantes com o universo de Stephen King. Cesto de Cabeças, ambientada no Maine dos anos oitenta, é mais uma dessas histórias que ultrapassam barreiras. É a primeira de cinco minisséries originais lançadas pela Hill House Comics, selo de histórias em quadrinhos de terror da DC Comics chefiado por Joe Hill, que também possui roteiros de Mike Carey e Carmen Maria Machado. 

Em Cesto de Cabeças Joe Hill subverte os clichês dos clássicos filmes slashers, ao apresentar uma heroína decapitando vilões com um machado viking amaldiçoado, em uma narrativa permeada por momentos de violência, de humor doentio e um toque de sobrenatural. Entretanto esta não é uma história de terror, mas sim um suspense cheio de mistérios, ação frenética e reviravoltas. A arte de Leomacs resgata a nostalgia imagética dos filmes de terror da época, com desenhos sombrios e vívidos que não apenas elevam a tensão com seus tons escuros e realistas, mas também evocam o clima perfeito para o roteiro de Joe Hill funcionar.

Na trama a viagem de June Branch para visitar seu namorado policial em Brody Island dá errado da pior forma possível. Para começar uma gigantesca tempestade isola a ilha de qualquer contato com a civilização exterior, exatamente quando quatro presidiários fugitivos ameaçam o sossego local. Conforme a noite avança, a chuva piora, e segredos sombrios começam a transbordar por entre a podridão efervescente que parece corroer qualquer arremedo de bondade em Brody Island. Quando sangue começa a ser derramado, a única defesa de June está em um machado antigo que tem o estranho poder de decapitar pessoas e manter a cabeça decepada viva e consciente. E há uma cesta para se encher até o raiar do dia .

Joe Hill oferece um suspense ágil, cheio de homenagens a obras do gênero, desde o nome do local, Brody Island, uma referência ao protagonista de Tubarão de Peter Benchley, cuja estética cinematográfica da adaptação de Steven Spielberg também é referenciada pela arte de Leomacs, até o fato dos prisioneiros serem da Penitenciária Estadual de Shawshank, a famosa criação de Stephen King. Cesto de Cabeças discute violência, corrupção e moralidade em uma narrativa divertida, sangrenta e surpreendente. 

   Cesto de Cabeças (2021) | Ficha Técnica 
   Título original: Basketful of Heads (2020)
    Roteiro/Arte: Joe Hill/Leomacs
   Tradutores: Érico Assis
   Editora: Panini
   Páginas: 184 páginas
   Compre: Amazon
   Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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1 Comentários

  1. Estou muito afim de acompanhar esse selo, mas esse preço não está ajudando.

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