Resenha | HQ | Hellraiser de Clive Barker nº 1 - Biblioteca do Terror

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Resenha | HQ | Hellraiser de Clive Barker nº 1

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Hellraiser de Clive Barker é o tipo de história cujo sucesso é tão grande que sua mitologia transcende as mídias e se materializa em diversos suportes, além dos filmes e livros protagonizados pelos Cebonitas, há um grande universo de histórias em quadrinhos, entre adaptações e spin-offs, que expandem a franquia. Entre 1989 e 1992, a Epic Comics, uma marca ligada à Marvel Comics, publicou uma série de HQs antológicas cujas narrativas aconteciam no universo de Hellraiser, totalizando vinte edições. 

As histórias eram assinadas por artistas como Bernie Wrightson, Dan Spiegle e John Bolton, com Clive Barker atuando como uma espécie de consultor à mitologia. No Brasil a editora Abril publicou apenas os quatro primeiros volumes da série, entre os meses de abril e outubro de 1991. As edições nacionais tinham 68 páginas e  traziam sempre quatro histórias completas, além de ilustrações de artistas relacionadas ao universo da franquia. 

É curioso notar a inflação da época no preço da capa das revistas, elemento que talvez tenha tido um papel importante no abandono da série pela editora, a primeira edição do mês de abril custava Cr$ 550,00 (cruzeiros) enquanto a quarta edição em outubro custava mais que o dobro, Cr$ 1.300,00. A título de curiosidade na mesma época outra revista em quadrinhos de Clive Barker teve uma vida mais longeva pela editora, Raça das Trevas teve apenas dez edições publicadas, em um formato menor com 32 páginas, entre agosto de 1991 e janeiro de 1992, de um total de vinte de cinco.

Os Cânones da Dor, com arte de John Bolton e história de Erik  Saltzgaber, abre o primeiro volume com uma história de choque entre a fé e o prazer carnal na França medieval. Após participar de sangrentas batalhas na Terra Santa para recuperar artefatos sagrados das mãos dos pagãos, o Conde de Carillion retorna para casa com a única relíquia que encontrou, uma estranha caixa que não é mencionada em nenhuma parte da bíblia. Mesmo assim imagina que sua importância deve ser grande já que foi defendida até a morte pelos muçulmanos. 

Melancólico e desiludido deixa a caixa nas mãos de sua esposa, que junto de um padre tenta desvendar os mistérios daquele objeto. A curiosidade da dupla acaba invocando os sacerdotes do inferno. Os Cânones da Dor apresenta uma narrativa  interessante ao inserir os cenobitas no contexto das crenças da época medieval, a arte realista de John Bolton destaca tanto as cenas de mutilação quanto a deformidade dos cenobitas e complementa o tom sangrenta e bizarro do texto. A história curiosamente apresenta pela primeira vez uma as mascotes cenobitas, animais tão desfigurados e sádicos quanto seus donos. (10/10 )

A Mão do Morto, com arte de Dan Spiegle e história de Sholly Fisch, explora o fardo que é carregar a Caixa de Lemarchand e como a sorte e o destino podem conferir a vida ou danação eterna a um homem. Carver's Creek, Estados Unidos, velho oeste. Um forasteiro vestido de preto adentra o saloon local e desafia o melhor jogador da cidade, Jed Lawson, para uma partida de pôquer. 

Se ele vencer fica com todas as posses de Lawson, se perder ele lhe dará a coisa mais valiosa da terra. De seus bolsos retira a Caixa de Lemarchand. É uma adição interessante à mitologia cenobita, apesar de nenhum deles aparecer, sua existência é uma ameça constante à narrativa devido ao próprio conhecimento prévio do leitor. O texto brinca com as possibilidades e caminhos que seguem aqueles que tem a posse da Caixa. (6/10 )

Vermelho Quente, com arte de Bernie Wrightson e de Jan Strnad, resgata o erotismo, a violência e a insanidade que jaz por trás das interações entre humanos e cenobitas. Estados Unidos. Maureen Endicott recebe a indicação de uma propriedade no interior cuja posse poderia a render bons frutos no futuro. O local é uma fazenda decadente controlada por Brian Rhodes, que não pensa em vendê-la. 

Maureen tenta seduzi-lo, embora Brian tente dissuadi-la a fugir enquanto pode. Quando ela encontra a Caixa de Lemarchand é tarde demais. Em um roteiro cheio de reviravoltas, que despedaça a linha entre vítima e assassino, Jan Strnad apresenta a primeira adição de peso às hostes infernais: Face, um cenobita com o rosto esfolado em carne viva que utiliza a pele de suas vítimas grampeadas em sua face. (8/10 )

A Dança do Feto, com  arte e história de Ted McKeever, possui uma narrativa bizarra, surrealista e onírica. Seu traço desforme contribui para a ambientação da trama. Em mais uma grande metropole de aspecto industrial uma mulher percorre sem muitas vontades sua rotina. Quando chega em casa encontra o cenobita que tanto desejou invocar, a morte é algo que ela deseja e o monstro está decidido a entregá-la. O que ele não esperava é que aquele corpo tivesse outro inquilino e há regulamentos cenobitas sobre isso.  (6/10 )

  Hellraiser nº 1 (1991)
   História da capa: Os Cânones da Dor
   Artistas: Bernie Wrightson, Dan Spiegle, John Bolton, et al.
   Editora: Abril
   Páginas: 68 páginas
   Compre: ----
   Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (8/10 Caveiras)

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