Resenha | O Homem de Giz de C. J. Tudor - Biblioteca do Terror

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9 de abril de 2018

Resenha | O Homem de Giz de C. J. Tudor

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O Homem de Giz é um suspense psicológico que mergulha em uma espiral de paranoia, assassinatos e sinais misteriosos para contar uma história sobre amadurecimento, amizade, perda e a sempre traumática passagem abrupta da infância para a fase adulta. Com toques delicados e sombrios que remetem às histórias de Stephen King e Ray Bradbury sobre o tema, C. J. Tudor imprime em sua primeira obra uma voz narrativa própria e original, e como resultado obtém um suspense sólido e instigante que prende o leitor do início ao fim.

A história é narrada por Eddie Adams e se desenvolve simultaneamente em dois períodos de tempo diferentes: em 1986, como diria Bradbury, no outono da infância um grupo de amigos se envolve em acontecimentos macabros, permeados de acidentes bizarros e assassinatos, interligados por um elemento em comum, estranhas figuras de "homens de giz" desenhadas pela cidade e nos locais dos crimes; e em 2016, onde trinta anos após os eventos traumáticos, o mistério que marcou a infância do grupo ainda jaz sem solução.

Mas os segredos não permanecerão enterrados por muito tempo, uma visita do passado e um incidente irão reabrir feridas de traumas antigos e revirar memórias esquecidas em seus túmulos. C. J. Tudor mostra que às vezes o tempo não cura os machucados, ao contrário, sua ação direta acelera a putrefação e as cicatrizes resultantes se desenvolvem como um tumor nos recônditos mais sombrios da mente e do coração. E basta apenas um gatilho para liberar a insanidade.

A narração fragmentada do protagonista aumenta ainda mais a sensação claustrofóbica e angustiante de suspense, o leitor desde início se vê diante de uma mente à beira da loucura, e cambaleando entre traumas e segredos tem acesso apenas a uma perspectiva dos acontecimentos, a do próprio Eddie. O desafio é enxergar além dessas limitações e juntar as pistas soltas do quebra-cabeças em meio a história, para então desvendar o que realmente aconteceu. 

O Homem de Giz não tem uma grande reviravolta no seu final, ao contrário, sua solução é construída aos poucos ao longo das páginas e talvez por isso mesmo seja muito mais chocante. Enquanto as peças se encaixam e os nós da narrativa se desfazem o leitor é literalmente arrastado por uma narrativa ágil e alucinante. Mais do que em sua temática, são nesses momentos em que a influência de Stephen King se manifesta na escrita de C. J. Tudor, com inteligência e sutileza a autora flerta com o sobrenatural, tornando o trabalho de adivinhação do leitor ainda mais complexo.

A edição em capa dura de O Homem de Giz da Intrínseca está impecável, o trabalho de acabamento com páginas em preto e figuras de giz nas folhas de guarda e lombada dão um ar macabro ao livro e complementam a experiência da leitura. Se você é o tipo de leitor que busca um livro instigante, ágil, cheios de momento de tensão e suspense contínuo, O Homem de Giz é perfeito para você.

 O Homem de Giz | Ficha Técnica 
   Autor: C. J. Tudor
   Tradução:  Alexandre Raposo
   Editora: Intrínseca
   Páginas: 272
   Gênero: Suspense
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   Nota: ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ ☠ (10/10 Caveiras)

Um comentário:

  1. eu comprei na Amazon
    amanhã chega , ansioso pela leitura
    amei a resenha

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