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4 de agosto de 2017

Resenha: A Última Noite em Tremore Beach de Mikel Santiago


Sinopse:
   Recém-divorciado e no meio de um bloqueio criativo, Peter Harper decide tirar férias na bela e isolada Tremore Beach, na Irlanda. Tudo parecia correr bem, mas, depois de ser atingido por um raio durante uma tempestade, ele começa a ter terríveis dores de cabeça e sonhos cada vez mais estranhos. Conforme a linha que separa sonho e realidade fica cada vez mais difusa, Peter percebe que talvez seus sonhos sejam um aviso do horror que está por vir... 

Opinião:
     A Última Noite em Tremore Beach resgata o clima claustrofóbico dos livros de suspense da década de setenta, mesclando a simplicidade de uma narrativa direta e sem rodeios com uma sólida construção de verossimilhança, cria um suspense psicológico  que flerta com o horror. Ao mesmo tempo que possui a agilidade de um thriller, com a tensão borbulhando ao longo das páginas, tem profundidade narrativa o suficiente para fazer com que o leitor seja abarcado pelas emoções e problemas dos protagonistas. Mas o diferencial do autor também é o ponto mais sensível de sua trama: o sobrenatural, ou melhor, a maneira como o sobrenatural é encaixado na trilha de acontecimentos.

    A narrativa de Mikel Santigo é comparada a de Stephen King e essa similaridade é bem visível na questão de que ambos são exímos narradores de dramas humanos, principalmente os de personagens comuns subitamente inseridos em situações fantásticas, cujo horror advém de pesadelos que ultrapassam a linha divisória da existência imaginária e se tornam uma ameaça real. O livro conta a estória de Peter Harper, um músico talentoso que após enfrentar problemas pessoais e sofrer com bloqueio criativo se isola em um pequeno vilarejo irlandês e aluga uma bela casa à beira-mar em Tremore Beach. Um dia retornando de um jantar no chalé de amigos, durante uma tempestade, ele é atingido em cheio por um raio, sem grandes ferimentos físicos, Peter tem que enfrenter como sequelas do acidente fortes dores de cabeça e pesadelos assustadores que o perseguem até mesmo quando está acordado.

   Esses sonhos são permeados de mortes sangrentas, sempre de familiares e ente-queridos. Há uma certa urgência naquelas visões e Peter tem que correr contra o tempo para descobrir o que elas significam e manter intacta a própria sanidade. A construção do clima de tensão dessas visões é angustiante, a sensação de não saber se o que está acontecendo é real ou fantasia aliada ao mistério crescente acerca do motivo de Peter estar vivenciando aquelas cenas, impulsiona o leitor a devorar as páginas. Dá para sentir que algo sobrenatural está agindo em Tremore Beach e a curiosidade é uma corrente que prende o leitor à trama.

    Mas em determinado ponto essa sensação vai perdendo força até o momento em que uma explicação fajuta, construída em cima de fatos que o leitor não tinha como saber até então, coloca o sobrenatural em segundo plano e transforma a história em um dramalhão. A explicação para a motivação do que acontece nas visões é forçada e isso faz com que a trama perca um pouco de sua força na reta final da leitura, apesar de que a conclusão entrega a explosão de suspense e violência que a primeira metade do livro promete, mas é um final que deixa aquele gosto amargo na boca após a leitura.

   Mikel Santiago peca em querer explicar cada detalhe de sua história e sua predileção por verosimilhança destrói aquele clima fantástico que instigava a leitura no início. A Última Noite em Tremore Beach é um bom livro, uma leitura que diverte e cumpre seu papel de entreter o leitor, mas fica aquela sensação de que poderia ter sido ótimo se o autor tivesse abraçado o sobrenatural e seus mistérios sem ter medo do resultado final

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (7/10 Caveiras)

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