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Resenha: Piano Vermelho de Josh Malerman


Sinopse:
   Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.

Opinião:
   O exército dos Estados Unidos descobriu um som desconhecido com efeitos estranhos à audição humana, acredita-se que sua origem seja em algum ponto do deserto africano, mas são poucos os detalhes disponíveis e as tropas enviadas para coletar mais informações jamais retornaram. Os soldados que de alguma maneira conseguiram encontrar o caminho de volta estavam tão desorientados que conseguiam apenas balbuciar coisas sem sentido. O som afeta instantaneamente quem o ouve, na verdade você só percebe que o está escutando quando já está experimentando seus efeitos, que incluem tonteira, vômitos e alterações de consciência. Porém seu efeito mais devastador é a inutilização de qualquer arma a seu alcance. Será este som a arma biológica definitiva ou a antítese de uma arma?

   Quando terminei de ler Piano Vermelho fiquei alguns minutos encarando o vazio, tentando entender se tinha gostado ou não de sua história, é difícil categorizá-lo como um simples livro de terror ou ficção científica, Josh Malerman escreveu uma carta de amor à música, utilizando esses gêneros para explorar tanto seus aspectos benéficos, através da capacidade de unir pessoas diferentes, como os malefícios fictícios da sua utilização,  através de uma melodia sombria que provoca a obnubilação da mente. O resultado é um romance de horror "sensorial" que desafia o leitor a sentir a pulsação sombria que há por trás de suas linhas.

   Piano Vermelho tem todos os elementos que fizeram de Caixa de Pássaros um sucesso, a narrativa é vertiginosa, desde o início o leitor é apresentado a um mistério que prende a atenção; o clima de suspense é claustrofóbico, a sensação de que sempre há algo a espreita é angustiante; o horror é associado à percepção de um dos cinco sentidos, que neste caso é a audição e a narrativa que se altera entre eventos do passado e do presente. Os problemas estão nas diferenças, em primeiro lugar achei o final sombrio e aberto de Caixa de Pássaros muito mais crível que o apresentado aqui, não sei se as críticas tiveram influência sobre o autor, mas o final de Piano Vermelho é muito forçado, criado exatamente para dar aquela "impressão de felicidade" que quem não gostou de Caixa Pássaros sentiu falta.

   Outro ponto fraco é a relação amorosa entre os protagonistas, a forma como isso foi desenvolvido é um tanto quanto bizarra, as coincidências forçadas mescladas com um toque de obsessão dão um tom artificial ao relacionamento. Como o autor opta por um estilo de escrita cinematográfico, com frases curtas e cenas visualmente impactantes, falta profundidade para explorar essas relações entre os personagens e até mesmo para desenvolve-los melhor, de modo que quase nenhuma morte consegue afetar o leitor de verdade. Apesar disso, após reler as páginas finais, cheguei a conclusão de que gostei do livro, o mistério e o suspense prometidos pela sinopse são entregues pelo autor, mas não com facilidade, acredito que cada leitor, a partir de suas próprias experiências, vai tirar um sentido diferente sobre qual a real origem do som.

   Josh Malerman mostra em Piano Vermelho porque é um dos grandes nomes dessa nova geração de autores de terror, sua narrativa é divertida e imersiva, destaque para a construção de suas cenas de horror, como o relato do casal de velhinhos que vive isolado em meio ao deserto e enfrenta algo além da imaginação e a primeira aparição da criatura que deixa marcas de casco em meio às dunas. É bom saber que a editora Intrínseca está apostando em seu trabalho, tanto que já está confirmado para o segundo semestre o lançamento de sua novela (a edição americana tem 156 páginas) A House at the Bottom of a Lake.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (8/10 Caveiras)

8 comentários:

  1. Sábado irei busca O Mestre Das Chamas é Piano Vermelho, vou começar pelo Mestre pois estou numa expectativa grande nesse livro !

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    1. Mestre das Chamas é muito bom! Mostra um Joe Hill mais amadurecido, além de várias referências a Stephen King e homenagem à outros autores, como John Wyndham, Ray Bradbury e J. K. Rowling. E tem conexão com Torre Negra cara! Com uma palavra Joe situa o livro no universo da Torre. Enfim, eu adorei. Tem resenha em breve :)

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  2. Sério que mestre das chamas tem conexão com Torre Negra?? Eu to terminando o último da série, são incríveis. Vou ter que ler esse do Joe Hill.

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    1. Cara, tem sim, todos os livros do Joe acontecem em um mesmo universo, que tem similaridades com o de Stephen King, ele deixa isso bem claro em Nosferatu, então fiquei imaginando como Mestre das Chamas se encaixaria nisso, visto que é um livro sobre o apocalipse. A conexão Torre Negra explica isso.

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  3. Sendo honesto CAIXA DE PÁSSAROS é de longe um dos livros mais poderosos que já li. E, com certeza, será insuperável por longo tempo. O fator de o autor conseguir ligar leitor e personagens e manter isso ao longo de toda obra é muito, muito interessante. Além, são cenas de suspense e terror que literalmente me fizeram perder o fôlego. E olha que eu sou escolado em literatura de terror. Inclusive, CAIXA DE PÁSSAROS me lembrou a sensação que tive ao ler um conto de uma antologia composta pela Heloísa Seixas, acho que a antologia era DEPOIS (ou algum dos outros dois livros que vieram em seguida). O conto é OS SALGUEIROS. CAIXA DE PÁSSAROS me passou a mesma sensação. Como dito, um livro poderoso como poucos.

    Outra surpresa boa que tive esse ano foi EU ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO, do Iain Reid. Uma amostra igualmente bem engendrada de que um excelente vínculo com o leitor é capaz de fazer as páginas voarem. Trata-se de uma obra de suspense, terror implícito nas entrelinhas. Nesse ponto, estou praticamente tentado a ler esse livro conforme uma das personagens sugere ao final da obra.

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    1. Yuri Bandeira como faço pra me comunicar com você? Temos opiniões bem parecidas, inclusive a respeito de CAIXA DE PÁSSAROS e OS SALGUEIROS instigarem as mesmas sensações ao leitor

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  4. A Caixa de Pássaros foi um dos melhores livros q li nos últimos tempos, então eu acabei lendo Piano Vermelho com uma sede muito grande pois eu amei a narrativa do autor, porém sendo bem injusto talvez, esse livro não me impactou como a caixa de pássaros, como vc disse não consegui me conectar com os personagens, e eu achei a narrativa meio perdida e confusa nada comparada ao primeiro livro q tem uma narrativa bem costurada. Enfim, acho realmente injusto essas comparações mas sinto q são inevitáveis perante o impacto de uma grande historia como A Caixa, mas mesmo assim valeu a leitura, é um livro bom.

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  5. Como eu venho recendo a mensagem que meu texto “deve ter no máximo 4.096 caracteres...”

    PIANO VERMELHO é um livro capaz de instar ao memsmo tempo suspense ao leitor e interrogações devido a banalidade da abordagem de alguns pontos. Não é algo soberbo, ao nível de CAIXA DE PÁSSAROS. Tampouco é ruim.

    Apesar disso PIANO VERMELHO é sim um bom livro de suspense. Possui ritmo, estabelece vínculo imediato com o leitor, mas dispõe de poucos personagens de fato carismáticos. Afora Ellen, as personagens são todas superficiais. Suas motivações se não banais são pouco apresentadas já que nem sugeridas são. Acima de tudo, o problema de PIANO VERMELHO é que antes dele veio CAIXA DE PÁSSAROS. Talvez por isso a linha de corte da expectativa possa se encontrar por demais alta.

    (Spoilers). Existem “buracos na narrativa”. O primeiro deles está logo no início da narrativa. Por que o Governo dos EUA contrata uma banda de ROCK para desvendar um mistério tão nefasto que põem em risco a Segurança Nacional quando possuiria ao seu dispor de cientistas? Afinal os Duanes, grupo em que Philip Tonka é o pianista, é o terceiro a se embrenhar pelo deserto.

    Como um medicamento age de forma sobrenatural no paciente agora, sendo que levou um semestre para agir? Talvez autor pudesse destacar a sugestão de que não se trata apenas do medicamento injetável que age sobre o corpo de Philip. Entretanto, página após página, dose após dose, torna-se evidente que a recuperação dele ocorre principalmente devido ao medicamento milagroso e não necessariamente ao evento sofrido.

    Outro ponto é que o autor parece ter sido acometido por uma súbita pressa em encerrar a narrativa. Os capítulos finais apresentam um sem número de situações apenas como pontos de passagem. Por exemplo: como Philip consegue deixar os EUA em direção ao deserto da Namíbia sendo quem é? Como ele e Ellen – que vem a ser a parceira, amante, enfermeira – alcançam o deserto também sem serem importunados pelo Governo dos EUA ou o Governo local? Como ele consegue alcançar tão facilmente o local do som em meio ao deserto? Observe que o grupamento que ele estava demora alguns dias para chegar até lá – e esse grupamento tinha recursos. Por falar em recursos, como tudo isso acontece em termos financeiros? Será devido ao fato de que se demorasse em sair dos EUA e chegar ao deserto, o Governo Estadunidense seria informado do ocorrido no hospital por consequência sobre a fuga de Philip Tonka?

    Também é banal e pouco elucidativo a forma como o desfecho final desse livro se apresenta. É certo que a simples sugestão de alguns eventos seria mais saudável.

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