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13 de julho de 2017

Resenha: Piano Vermelho de Josh Malerman


Sinopse:
   Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.

Opinião:
   O exército dos Estados Unidos descobriu um som desconhecido com efeitos estranhos à audição humana, acredita-se que sua origem seja em algum ponto do deserto africano, mas são poucos os detalhes disponíveis e as tropas enviadas para coletar mais informações jamais retornaram. Os soldados que de alguma maneira conseguiram encontrar o caminho de volta estavam tão desorientados que conseguiam apenas balbuciar coisas sem sentido. O som afeta instantaneamente quem o ouve, na verdade você só percebe que o está escutando quando já está experimentando seus efeitos, que incluem tonteira, vômitos e alterações de consciência. Porém seu efeito mais devastador é a inutilização de qualquer arma a seu alcance. Será este som a arma biológica definitiva ou a antítese de uma arma?

   Quando terminei de ler Piano Vermelho fiquei alguns minutos encarando o vazio, tentando entender se tinha gostado ou não de sua história, é difícil categorizá-lo como um simples livro de terror ou ficção científica, Josh Malerman escreveu uma carta de amor à música, utilizando esses gêneros para explorar tanto seus aspectos benéficos, através da capacidade de unir pessoas diferentes, como os malefícios fictícios da sua utilização,  através de uma melodia sombria que provoca a obnubilação da mente. O resultado é um romance de horror "sensorial" que desafia o leitor a sentir a pulsação sombria que há por trás de suas linhas.

   Piano Vermelho tem todos os elementos que fizeram de Caixa de Pássaros um sucesso, a narrativa é vertiginosa, desde o início o leitor é apresentado a um mistério que prende a atenção; o clima de suspense é claustrofóbico, a sensação de que sempre há algo a espreita é angustiante; o horror é associado à percepção de um dos cinco sentidos, que neste caso é a audição e a narrativa que se altera entre eventos do passado e do presente. Os problemas estão nas diferenças, em primeiro lugar achei o final sombrio e aberto de Caixa de Pássaros muito mais crível que o apresentado aqui, não sei se as críticas tiveram influência sobre o autor, mas o final de Piano Vermelho é muito forçado, criado exatamente para dar aquela "impressão de felicidade" que quem não gostou de Caixa Pássaros sentiu falta.

   Outro ponto fraco é a relação amorosa entre os protagonistas, a forma como isso foi desenvolvido é um tanto quanto bizarra, as coincidências forçadas mescladas com um toque de obsessão dão um tom artificial ao relacionamento. Como o autor opta por um estilo de escrita cinematográfico, com frases curtas e cenas visualmente impactantes, falta profundidade para explorar essas relações entre os personagens e até mesmo para desenvolve-los melhor, de modo que quase nenhuma morte consegue afetar o leitor de verdade. Apesar disso, após reler as páginas finais, cheguei a conclusão de que gostei do livro, o mistério e o suspense prometidos pela sinopse são entregues pelo autor, mas não com facilidade, acredito que cada leitor, a partir de suas próprias experiências, vai tirar um sentido diferente sobre qual a real origem do som.

   Josh Malerman mostra em Piano Vermelho porque é um dos grandes nomes dessa nova geração de autores de terror, sua narrativa é divertida e imersiva, destaque para a construção de suas cenas de horror, como o relato do casal de velhinhos que vive isolado em meio ao deserto e enfrenta algo além da imaginação e a primeira aparição da criatura que deixa marcas de casco em meio às dunas. É bom saber que a editora Intrínseca está apostando em seu trabalho, tanto que já está confirmado para o segundo semestre o lançamento de sua novela (a edição americana tem 156 páginas) A House at the Bottom of a Lake.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (8/10 Caveiras)

5 comentários :

  1. Sábado irei busca O Mestre Das Chamas é Piano Vermelho, vou começar pelo Mestre pois estou numa expectativa grande nesse livro !

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    1. Mestre das Chamas é muito bom! Mostra um Joe Hill mais amadurecido, além de várias referências a Stephen King e homenagem à outros autores, como John Wyndham, Ray Bradbury e J. K. Rowling. E tem conexão com Torre Negra cara! Com uma palavra Joe situa o livro no universo da Torre. Enfim, eu adorei. Tem resenha em breve :)

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  2. Sério que mestre das chamas tem conexão com Torre Negra?? Eu to terminando o último da série, são incríveis. Vou ter que ler esse do Joe Hill.

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    1. Cara, tem sim, todos os livros do Joe acontecem em um mesmo universo, que tem similaridades com o de Stephen King, ele deixa isso bem claro em Nosferatu, então fiquei imaginando como Mestre das Chamas se encaixaria nisso, visto que é um livro sobre o apocalipse. A conexão Torre Negra explica isso.

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  3. Sendo honesto CAIXA DE PÁSSAROS é de longe um dos livros mais poderosos que já li. E, com certeza, será insuperável por longo tempo. O fator de o autor conseguir ligar leitor e personagens e manter isso ao longo de toda obra é muito, muito interessante. Além, são cenas de suspense e terror que literalmente me fizeram perder o fôlego. E olha que eu sou escolado em literatura de terror. Inclusive, CAIXA DE PÁSSAROS me lembrou a sensação que tive ao ler um conto de uma antologia composta pela Heloísa Seixas, acho que a antologia era DEPOIS (ou algum dos outros dois livros que vieram em seguida). O conto é OS SALGUEIROS. CAIXA DE PÁSSAROS me passou a mesma sensação. Como dito, um livro poderoso como poucos.

    Outra surpresa boa que tive esse ano foi EU ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO, do Iain Reid. Uma amostra igualmente bem engendrada de que um excelente vínculo com o leitor é capaz de fazer as páginas voarem. Trata-se de uma obra de suspense, terror implícito nas entrelinhas. Nesse ponto, estou praticamente tentado a ler esse livro conforme uma das personagens sugere ao final da obra.

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