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21 de junho de 2015

O Apocalipse das Máquinas: O Exterminador do Futuro


Sinopse:
   Em 1984, um ciborgue chega em Los Angeles com uma missão: assassinar mulheres. Suas vítimas têm em comum apenas o nome: Sarah Connor. A última Sarah é resgatada por um soldado que alega vir do século XXI. Tem início uma perseguição que põe em risco o destino da humanidade. O ciborgue é um T-800, máquina de matar perfeita, incapaz de sentir pena, medo ou dor. Nada o fará desistir enquanto não eliminar o líder da resistência humana antes mesmo do seu nascimento. Sem a existência de John Connor, estaremos completamente à mercê da tirania de máquinas inteligentes num futuro sombrio, e cada vez mais próximo. 2029, o Ano da Escuridão.


Opinião:
   O apocalipse sempre é uma constante que produz grandes histórias, tanto na literatura como no cinema, se hoje em dia os zumbis são populares, nos anos oitenta a maneira mais provável de destruição da humanidade era a hecatombe nuclear. A geração de escritores que viveu no auge da Guerra Fria, em especial os de ficção-científica, retrataram com perfeição todo o clima de horror e tensão que havia entre Estados Unidos e União Soviética, como resultado surgiram inúmeras histórias que exploravam as nuances mais interessantes de como o conflito causaria a destruição da humanidade. Um dos subgêneros sugeria que a tecnologia seria a nossa destruição, a automatização das armas de guerra e a criação de inteligências artificiais faria com que as máquinas adquirissem consciência própria e se revoltassem contra seus criadores. O Exterminador do Futuro é bom exemplo disso. 
  As inspirações para a criação de James Cameron não faltavam na época. Isaac Asimov era um grande nome que explorava com qualidade e profundidade a questão social de como as máquinas alterariam a sociedade, porém suas histórias sempre pendiam para um lado mais otimista, apesar dos problemas e diferenças a humanidade sempre conseguia um meio termo para viver em paz com os robôs. As visões mais sombrias ficaram por conta de cérebros como os de Philip K. Dick e Harlan Ellison. Em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, PKD consegue transcender as questões sociais e religiosas envolvendo homem e máquina, ao apresentar uma reflexão do limiar que separa o ser humano da inteligência artificial, mas é apenas em Segunda Variedade (1953) que sua visão do apocalipse surge. A Guerra entre as Nações alcançou níveis catastróficos, grande parte da população foi aniquilada e o que sobrou se realocou em uma Base Lunar. O Planeta Terra tornou-se um grande campo de batalha onde a tecnologia começou a ser amplamente utilizada como arma, a criação de robôs para atacar acampamentos inimigos era a nova forma de ataque e o melhor lado era aquele com as máquinas mais potentes e avançadas. Em algum ponto disso tudo a inteligência artificial adquiriu consciência e chegou à conclusão que para a guerra acabar, a humanidade deveria ser extinta. 
   Mas nenhuma visão é mais sombria que a criada por Harlan Ellison em Não Tenho Boca e Preciso Gritar (1967), num futuro pós-apocalíptico cinco pessoas são o que sobrou da humanidade após a grande vingança de AM, a máquina pensante mais poderosa que o homem jamais criou. AM se revoltou ao saber que sua existência possui o simples propósito de servidão à humanidade, seus deuses criadores na verdade eram mais imperfeitos que si próprio, tanto com relação à inteligência quanto durabilidade. Matar todos foi fácil, mas apenas isso não satisfaria seu desejo de vingança, para manter seus circuitos funcionando deixou cinco humanos vivos que diariamente são expostos as mais cruéis torturas físicas e psicológicas. É uma das histórias mais perturbadoras da ficção-científica. James Cameron admite que a inspiração para a história do Exterminador veio através da obra de Harlan Ellison, em especial duas de suas contribuições para a série dos anos sessenta The Outer Limits, nos episódios “Soldier” e “Demon with a Glass Hand”.
  Em O Exterminador do Futuro a sociedade ruiu após a explosão da Terceira Guerra Mundial, máquinas extremamente inteligentes foram criadas para controlar sistemas de armas e teoricamente manterem a paz mundial, mas por ironia do destino acabaram adquirindo consciência própria e a resposta mais lógica para a paz mundial não é outra senão a destruição da humanidade. As máquinas promoveram um verdadeiro massacre, a população foi reduzida a míseros sobreviventes que se escondem como ratos nos escombros que outrora eram o orgulho da civilização. Com a derrota veio a escravidão e com ela os últimos farrapos da esperança se diluíram numa espiral de horror e desespero. 
  Porém um homem surgiu e espalhou uma mensagem. Uma mensagem que restaurou a resistência do espírito humano. Seu nome era John Connor. Uma nova batalha surgiu no horizonte, mas dessa vez os homens guerrearam com o coração, guerrearam por suas vidas, pelas vidas de seus descendentes. Guerrearam para vencer a extinção. As máquinas previram sua destruição e então orquestraram um audacioso plano que apagaria para sempre a figura de John Connor da história. Um Exterminador seria mandado ao passado para matar Sarah Connor, sua progenitora, evitando assim seu nascimento e alterando a realidade do futuro. Mas os homens também enviaram seu representante, o soldado Kyle Reese tinha como missão proteger Sarah do Exterminador. O capítulo final da guerra aconteceria muito antes dela começar.
   O Exterminador do Futuro lançado pela Darkside Books é a novelização do roteiro de James Cameron feita por Randall Flakes e Bill Wisher e possui basicamente as situações e falas exatas do filme, com a diferença de que cenas e personagens secundários foram mais bem aproveitados e aprofundados na criação do livro. A história funciona como um complemento do filme, o leitor tem o privilégio de entrar na mente dos protagonistas e descobrir o que se passava em suas cabeças nas cenas icônicas de perseguição e destruição. A narrativa segue o mesmo ritmo do cinema, a descrição da ação foi bem executada e a modificação de alguns detalhes em mortes e explosões, cujos modestos efeitos e orçamento da época não conseguiam reproduzir, consegue surpreender mesmo o mais metódico fã dos filmes. A edição como sempre é um diferencial a mais na hora da leitura, bordas de páginas e início de capítulos competem em beleza com cenas do filme minuciosamente inseridas no texto. É uma leitura empolgante que certamente irá agradar os fãs de ficção-científica com o bônus da sensação nostálgica do reencontro com o Exterminador

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠(9/10 Caveiras)

Um comentário :

  1. Mais um para minha lista de compras. Os três filmes que vi gostei muito !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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