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Resenha | O Transe de Brooks Stanwood


O Transe de Brooks Stanwood é um daqueles livros de terror dos anos setenta que fez um enorme sucesso na época de sua publicação, mas que nas décadas seguintes foi completamente esquecido. Um dos fatores que explica seu sucesso foi a capacidade sintetizar e se aproveitar da efervescente mania cultural do momento: o jogging. Atividades físicas e uma preocupação com a saúde e com o corpo estavam se popularizando na época, então porque não aproveitar o próprio momento de alta do mercado da ficção de terror para explorar o lado obscuro dessa obsessão com o condicionamento físico? 

Foi exatamente isso que Brooks Stanwood fez, ou melhor, o pseudônimo adotado pelo casal Howard Kaminsky e Susan Stanwood Kaminsky (o Brooks, é uma homenagem ao Mel Brooks, primo de Howard). Por outro lado, um dos fatores que explica o esquecimento da obra, é que O Transe se utiliza da mesma premissa de O Bebê de Rosemary, em uma linha tão tênue que diversas críticas apontaram para um suposto plágio (acusações que ganham contornos mais complicados quando se leva em conta os rumores de que Susan Standwood havia tentando adquirir os direitos de publicação do clássico de Ira Levin quando era editora e quando O Bebê de Rosemary ainda não era um clássico). Fato é que até o título original, The Glow, ou O Brilho em tradução livre, faz uma referência a outro clássico: The Shining de Stephen King.

Jackie e Pete Lawrence são um jovem casal de Nova York que acaba de passar dos trinta anos e decidem que precisam melhorar sua condição física e também de um novo lar. Eles começam a correr e a procurar um bom apartamento por um aluguel razoável. Depois de buscar por muito tempo por um local decente, todos os que encontraram e que podiam pagar estavam em condições e localizações piores que sua residência atual, uma pequena tragédia aparentemente fortuita resolve seus problemas.

Pete, que agora corre todos os dias no Central Park, tem sua jaqueta roubada por um ladrão. Um simpático grupo de idosos que também fazia corrida testemunha o acontecido e oferece ajuda. Logo Pete descobre que os idosos são proprietários de um belo prédio, que têm um apartamento disponível para alugar e que gostam de ter pessoas jovens e saudáveis ao seu redor, sendo este, segundo eles, ao lado de uma dieta saudável e exercícios físicos, o segredo para uma juventude duradoura. Exatamente o que eles estavam buscando.

Pouco depois de se mudar, Jackie passa a desconfiar de que há algo estranho por trás de toda a simpatia exibida pelos idosos, desde uma imposição de um rígido regime de exercícios físicos até o fato de parecer que eles estão sempre a observando. Suas dúvidas são desacreditadas por Pete, cuja relação com o grupo cresce conforme os dias passam. Jackie tenta se encaixar na rotina do lugar e deixa suas dúvidas adormecerem, porém o medo retorna quando um dos outros jovens casais que viviam no prédio, com o qual tinha acabado de fazer amizade, desaparece da noite para o dia. Quando ela decide investigar o que realmente está acontecendo descobre uma verdade horrível.

A escrita de Brooks Stanwood envelheceu moderadamente bem, mantendo um suspense agradável até um clímax visceral e pessimista, o mesmo não pode ser dito do seu retrato do casal americano de classe média dos anos setenta, que em determinados momentos soa levemente caricato e preconceituoso. O principal trunfo da trama é a construção e o desenvolvimento da paranoia ao longo das páginas, embora sua semelhança com O Bebê de Rosemary seja frustrante em certas partes. O Transe está longe de ser uma das melhores produções de terror da década de setenta, mas é uma leitura que diverte e até surpreende, principalmente se você é fã do estilo da época.

   
  O Transe (1979) | Ficha Técnica 
   Título original: The Glow (1979)
   Autor: Brooks Stanwood
   Tradutor: João Távola
   Editora: Record
   Páginas: 237 páginas
   Compre: ---
   Nota:☠☠☠☠☠☠(6/10 Caveiras)

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1 Comentários

  1. Clássico sessão da tarde, versão livro? Hehehe. Apesar da capa, me chamou atenção.

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