A imaginação humana sempre trouxe da escuridão de seus recônditos sombrios as criaturas mais pavorosas e aterrorizantes que podia conceber, visualmente falando as décadas de setenta e oitenta alcançaram a excelência na arte da criação e descrição de tais monstros. 

A época foi propícia para o nascimento das histórias protagonizadas por animais assassinos, uma evolução que ocorreu a partir dos clássicos de ficção-científica que exploravam a destruição advinda da mutação de pequenas criaturas, desta vez não era o tamanho a fonte do horror, mas sim a quantidade. O êxito deste tipo de narrativa estava na abordagem do medo através de uma ótica reconhecidamente sangrenta que mesclava o asco de insetos como aranhas, ratos e baratas com o ambiente familiar de uma casa comum.  

O gatilho inicial da infestação geralmente determinava o tom da história e poderia ser desde uma resposta violenta a interferência humana na natureza até uma onírica possessão demoníaca. A Praga de Hefesto se imiscui por essa linha de pensamento com uma narrativa pegajosa que é um amálgama entre um desastre natural e um horror que existe desde os tempos pré-históricos. Um terremoto dá inicio aos incidentes que ameaçam a existência da raça humana no planeta, entre casas destruídas e plantações arruinadas surge uma rachadura gigantesca no meio de uma fazenda no interior dos Estados Unidos. 

Pouco tempo depois os agricultores da região notam o aparecimento de uma nova espécie de inseto, um grande besouro negro com uma couraça intransponível. Surgidos das profundezas da fenda os besouros são cegos e se movem com uma lentidão angustiante, de uma forma bizarra a mãe natureza lhes dotou com um par de antenas traseiras que quando esfregadas produzem faíscas, sua dieta consiste no carbono presente nas cinzas, então tal aparato é conveniente na hora da alimentação.

Qualquer superfície inflamável torna-se comida e tudo aquilo que era sinônimo de conforto e segurança para a humanidade passa a ser fonte de horror e desespero. Thomas Page demonstra um conhecimento em entomologia assombroso, há várias curiosidades sobre os hábitos de insetos em geral, a explicação da gênese das criaturas é interessante assim como a evolução que sofrem ao longo das páginas. 

A Praga de Hefesto possui uma narrativa audaciosa na exposição de suas ideias, o autor consegue fazer o leitor acreditar na mitologia que envolve os besouros e cada descoberta científica sobre eles os tornam ainda mais misteriosos e assustadores. Algumas das cenas mais fantásticas do livro envolvem tais experimentos, para descobrir um predador natural os cientistas testam as criaturas em batalhas vividamente chocantes contra tarântulas, cobras, ratos e escorpiões e os resultados são arrepiantes.
 
A segunda metade de A Praga de Hefesto é o que faz o livro valer a pena, é impossível imaginar o rumo apocalíptico que a narrativa segue e sua conclusão é épica. Se você é fã da cultura "trash" dos anos setenta este livro é perfeito para você!

   
  A Praga de Hefesto (1973) | Ficha Técnica 
   Título original: The Hephaestus Plague (1973)
   Autor: Thomas Page
   Tradutor: A. B. Pinheiro de Lemos
   Editora: Record
   Páginas: 201 páginas
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   Nota: ☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)