ÚLTIMAS NOTÍCIAS

12 de julho de 2015

Depois: Sete histórias de horror e terror de Heloísa Seixas



“Quando objetos do cotidiano são marcados por uma sugestão de horror, estimulam a imaginação mais do que os objetos de aparência estranha." Algernon Blackwood

Sinopse:
   O livro é uma coletânea de contos de terror pouco conhecidos, todos eles escolhidos a dedo por Heloísa Seixas, que em seu prefácio explica a razão da inclusão dos autores e contos selecionados por ela. Entre os autores que figuram nessa antologia estão Edith Wharton, H.P. Lovercraft, Sheridan Le Fanu, Alexander Woolcott e Algernon Blackwood.

Opinião:
  Qual a diferença entre terror e horror? No prefácio de Depois: Sete histórias de horror e terror, Heloísa Seixas faz uma brilhante e didática explicação das qualificações que separam esses subgêneros. Podemos definir o terror como a forma mais pura do medo, aquela sensação de antecipação diante do desconhecido, aquele arrepio que nos perpassa a espinha segundos antes de um ambiente escuro ser iluminado ou em uma cena de um filme em que o mocinho sem saber vai de encontro a armadilha do vilão. Ou seja o terror é uma resposta emocional a determinada situação que nos causa medo. Já o horror está ligado mais a reação física de uma cena particularmente "horripilante", basicamente é o choque com que lemos uma descrição detalhada de um assassinato em uma cena sangrenta. De um modo simples podemos concluir que o terror é a antecipação que sentimos antes de o monstro destroçar sua vítima e o horror é a reação às cenas sangrentas do ataque em si. 
   Os contos presentes na antologia são: Depois de Edith Wharton, uma história de assombrações diferente do convencional; O Túmulo de H. P. Lovecraft uma composição gótica inspirada pelo clima sombrio de Edgar Allan Poe; A Janela Aberta de Saki, um conto curto que mistura horror e humor; O Quarto Mobiliado de O. Henry uma trágica história de amor recheada de uma ironia macabra; Chá Verde de Sheridan Le Fanu questiona os limites da sanidade e da loucura com as visões tormentosas de seu protagonista; Sonata ao Luar de Alexander Woolcott é outro estudo sobre a loucura, rápido e cortante como uma guilhotina e tão atordoante como um soco no estômago; Os Salgueiros de Algernon Blackwood é uma história insólita em que o sobrenatural se imiscui pelas páginas aos poucos até engolir o leitor em um clima sufocante de horror. 
  Heloísa Seixas baseou suas escolhas em autores pouco conhecidos no Brasil, em contos que fogem do usual e clichês do gênero e proporcionam ao leitor novas sensações através de visões diferenciadas de temas clássicos. Poderia falar detalhadamente de cada uma das histórias porém estragaria o prazer da descoberta dos segredos que cada conto traz, a leitura se faz mais interessante quando é feita às cegas, cada página é um degrau escuro descendente em direção a um horror desconhecido, cada linha é carregada de sombras que crescem e tomam formas não naturais diante dos olhos do leitor. O resultado é uma leitura angustiante que se baseia em uma sobrenaturalidade subjetiva, muitas vezes o horror não está visível na primeira camada da trama mas é uma sensação presente e ininterrupta de que algo está errado, mesmo tudo estando aparentemente normal, assim como aquela sensação de sentir estar sendo observado em um ambiente vazio. 


Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. vou procurar esse livro, achei interessante.

    ResponderExcluir
  2. Parece ser interessante, gosto de contos porque eles são rápidos de ler.
    Tomara que eu encontre em pdf (rs)
    http://www.livricios.com/2015/10/resenha-o-bebe-de-rosemary.html
    Beijos

    ResponderExcluir