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19 de abril de 2014

Resenha: Battle Royale de Koushun Takami


“Battle Royale é uma pulp riff insanamente divertida [...]. Ou talvez só insana. Quarenta e dois estudante japoneses, que acreditam estar partindo para uma excursão de escola, são largadas em uma ilha, equipados com armas, de metralhadoras a garfos de cozinha, e forçados a lutar entre si até que apenas um sobreviva.” Stephen King

Sinopse:
    Depois de inspirar filmes e mangás, o cultuado, violento e controvertido clássico japonês e best-seller mundial Battle Royale ganha edição brasileira. Em 1997, o jornalista e escritor japonês Koushun Takami sofreu uma grande decepção. O manuscrito de seu romance de estreia havia chegado à final do Japan Grand Prix Horror Novel, concurso literário voltado para a ficção de terror, mas acabou preterido. Não era para menos. Embora habituado a tramas assustadoras, o júri se alarmou com a história do jogo macabro entre adolescentes de uma mesma turma escolar que, confinados numa ilha, têm de matar uns aos outros até que reste apenas um sobrevivente. Detalhe: o organizador da sangrenta disputa é o próprio Estado japonês, imaginado pelo autor como uma totalitária República da Grande Ásia Oriental.
   O livro, intitulado Battle Royale, só seria lançado em 1999, espalhando um rastro de polêmica – vendeu mais de 1 milhão de exemplares e foi comentado no Japão inteiro. A repercussão foi tão intensa que apenas um ano depois já eram lançadas as adaptações da história para o cinema e para os mangás – mais tarde, viriam sequências tanto na tela grande como nos quadrinhos.

Opinião:
    Battle Royale é um livro fantástico e difícil de ser classificado em um simples gênero literário. Poderia dizer que trata de um terror psicológico pelas várias cenas de tensão que ocorrem antes e durante os combates, ou também que é uma história de horror pela quantidade de corpos que são fabricados e o tanto de sangue derramado durante as páginas, é possível até o leitor manchar seus dedos de vermelho durante a leitura. Quem sabe drama seria um gênero mais adequado, pois no jogo sádico ao que os estudantes são obrigados a participar saber quem são os verdadeiros amigos é crucial, há tantas maquinações cruéis, traições desesperadas e até erros inocentes que elevam as relações sociais a um novo patamar, baseadas na tensão reinante no jogo. Ao mesmo tempo consegue ser uma história de amor e de amizade, mesmo nas piores situações o ser humano encontra forças em seus sentimentos para continuar, empenhar o melhor de si para proteger aqueles que ama. Battle Royale fala sobre tirania, desespero, união, controle, crueldade, mas seu principal foco é na confiança mútua.
    Em um futuro não muito distante um governo tirano assumiu o controle do antigo estado japonês, criando a totalitária República da Grande Ásia Oriental governada com mãos de ferro pelo Supremo Líder. A sociedade se baseia num aceitação supérflua da politica dominadora e opressiva governamental, os indivíduos que possuem coragem suficiente para expressar sua opinião contrária contra o regime são reprimidos violentamente. Todas as influencias de outros países, como os imperialistas americanos, foram abolidas e o novo estado é fechado em si mesmo. Como uma forma de controle populacional, uma medida foi criada para conter rebeliões e desestimular os jovens, chamada de “O Programa” surgiu como uma propaganda extremamente patriótica no qual os estudantes dão a vida para ajudar seu país, todo ano uma turma do nono ano escolar japonês é escolhida para participar do jogo, os pais são forçados a aceitar pacificamente a inevitável convocação forçada e aqueles que tentam se rebelar são cruelmente mortos como exemplo.
    O Programa consiste colocar a classe inteira sob observação em uma ilha isolada, despida de todos seus moradores originais. Cada estudante ganha uma espécie de kit de sobrevivência contendo entre outras coisas, garrafas de água e alguns mantimentos fornecidos pelo governo, além de uma arma para se defender durante o jogo, o objeto pode variar desde uma pequena faca de caça até uma metralhadora de uso exclusivo do exercito. Uma espécie de coleira high-tech foi colocada em todos os alunos que, além de informar a exata localização do jogador, serve como incentivo a "prática", pois dentro de cada uma existe uma bomba que será ativada se o jogador invadir uma área proibida, outra medida para dar velocidade ao jogo forçando-os a se moverem constantemente, ou se ao final do tempo estipulado não houver apenas um vencedor. A essência de Battle Royale é simples, você deve matar todos os seus companheiros em troca de sua liberdade.
   Koushun Takami conseguiu explorar os recônditos mais profundos e obscuros da mente humana em sua obra. Além de ser surpreendentemente chocante e violento Battle Royale traz uma reflexão sobre a sociedade, o ser humano e suas ações em momentos de crise. A primeira vista a quantidade gigantesca de protagonistas, são quarenta e dois estudantes, parece se mostrar um empecilho ao leitor principalmente pelos nomes dos personagens, que são em japonês como Shuya Nanahara ou Shogo Kawada. Mas é nesse exato ponto que o autor e sua fantástica mão se fazem presentes, cada aluno tem sua personalidade desenvolvida através de flashbacks e suas ações explicadas pela pessoa que ele é. Há alguns que irão matar pelo simples prazer do ato, outros que buscam apenas a sobrevivência, há aqueles que colocam os amigos em primeiro lugar e os que dariam a vida pelo amor de sua vida. Há os que não querem matar, os que almejam fugir e aqueles desalmados sem coração em busca de vingança. É impossível o leitor não identificar com ao menos uma das variadas personalidades expostas nas páginas.
   Desde a sua publicação Battle Royale foi considerado controverso, cunho que as adaptações para o cinema e mangá também carregam, a ideia de jovens se digladiando até a morte quando foi escrita em 1999 foi considerada violenta a sanguinária. Hoje são diversas as histórias onde se notam a influencia de BR, principalmente nos animes japoneses que expandiram a trama nas mais diversas situações e gêneros. É um livro que vai agradar uma grande gama de leitores, desde aqueles que gostam de uma história sangrenta até os que preferem subtramas de terror psicológico. Leitura altamente recomendada e sem dúvidas um dos melhores lançamentos de horror deste ano.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 

14 comentários :

  1. Ótima resenha! Esclareceu-me bastante sobre do que se trata o livro e o porque da criação desse Programa. Com certeza é um dos livros mais esperados do ano e depois da sua resenha fiquei ainda mais ansiosa para comprá-lo. Beijos :*

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  2. ja tinha lido o primeiro manga, achei muito legal, vou ler agora o livro pra ver qual é

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  3. Oi :)

    Battle Royale é minha próxima compra, estou muito ansioso. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  4. Ótima resenha! Comprei o livro porque a trama se assemelha bastante com a do filme "Os Condenados", a diferença é que no filme os personagens são presidiários em guerra pela liberdade, literalmente. Parabéns!

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  5. adorei tua resenha. Fiquei ainda mais empolgada pra ler. Vi o filme mas faz muitos anos, e desde então, queria ler os mangás e não tiive chance. Fora que essa edição é linda. Vi na livraria outro dia e fiquei babando...
    Simplesmente perfeito *--*
    bjs
    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  6. Cara to lendo o livro, o q ta pegando são os nomes japoneses, ta me confundindo pra caramba ! Pelo menos tem o lance de aluno numero tal, mais to gostando ! Ate mais. ps: Nada de novidade sobre o novo de Joe Hill ,,,

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  7. (Chateado porque deu erro na página aqui e meu comentário se foi sem ser publicado)

    Que livro! Que resenha! Que ansiedade. Ainda não comecei a ler BR, mas minha ansiedade quase me faz parar os livros que estou lendo para passá-lo a frente. Cada livro a seu tempo. Fiquei esperando sua resenha, e valeu a pena, porque me deixou mais agonizadamente ansioso, e o curioso foi que eu havia descrito o livro - a meu modo - como Terror Psicológico só lendo a sinopse do mesmo, e na sua opinião vi que se assemelhou a minha. Enfim.

    GabryelFellipeealgo.blogspot.com
    El Costa - Confins Literários

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  8. Adorei a resenha me deu mais vontade de ler o livro e de adentrar no mundo sangrento de Battle Royale. Próximo livro que vou comprar é ele.
    O blog ta massa parabéns

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  9. Resenha ótima, o livro está na minha lista de desejos e depois dessa resenha já vai pro topo! Me ajudou bastante a entender a história e me deixou mais ansiosa ainda para ler!

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  10. Boa resenha! Só fez aumentar as expectativas para a leitura o/

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  11. Ótima resenha!
    Fiquei ainda mais curiosa e a aumentou minha vontade de ler.
    Parabéns :D

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  12. Olá, Rafa!
    Vi seu convite lá no Skoob e vim conferir seu blog. Cara, eu estava ansiosíssimo pelo lançamento de Battle Royale, pra conferir a história original. Já li muitas coisas sobre o assunto, filme, mangá... e agora temos em Pt-Br traduzido diretamente do japonês. O livro ainda não chegou, mas não vejo a hora de começar a ler!
    Abração, Miguel. Parágrafos & Capítulos || @PrCapitulos

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  13. terminei ontem...
    li em duas semanas!
    é um livro fantastico, de começo, meio e fim perfeitos... nao teve nem uma hora que eu ficasse cansado de ler...
    vcs vao se surpreender muito varias horas do livro... o unico problema eh memorizar os 42 nomes e associa-los depois no decorrer do livro'

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  14. Li Battle Royale faz alguns meses, e tinha me esquecido de dar minhas impressões por aqui. Que livro espetacular, intenso, bem escrito. Muito dinâmico, sem enrolação, as páginas fluem muito rápido sem o leitor perceber, e quando estava chegando o final do livro eu achei que talvez não tivesse um final a altura do restante do livro, mas digo que me enganei; este foi um livro que gostei da primeira a última página. Já está no meu top 10 do ano e dificilmente sairá, superou e muito minhas expectativas. Eu não tinha me interessado por este livro quando li a sinopse pela primeira vez, mas agradeço mais uma vez ao Rafa, que mais uma vez com uma excelente resenha, eu me interessei pelo livro e o comprei e tive o privilégio de ler esta preciosidade. Maurilei.

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