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Resenha | Mindhunter: O Primeiro Caçador de Serial Killers de John Douglas e Mark Olshaker

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Mindhunter é uma incursão à mente de John Douglas, o homem que desbravou os recônditos sombrios do cérebro humano para combater o grande monstro moderno: o assassino serial. Escrito em parceria com Mark Olshaker o livro mistura um tom biográfico com extensas descrições explicativas sobre métodos dos assassinos e a aplicabilidade do raciocínio criminalista na criação de perfis. Diferente de outras obras que trazem crimes reais como tema, Mindhunter não explora o lado visceral dos assassinatos e sim o viés psicológico e comportamental dos assassinos. 

Este é um dos pontos que faz com que a narrativa seja assustadora, desde o assassino que raptava mulheres para soltá-las em florestas e caçá-las como animais até o que matou a própria mãe, arrancou sua cabeça e manteve relações sexuais com seus restos mortais, jaz uma terrível certeza: qualquer um pode ser uma vítima. Não há como saber se a pessoa que se senta ao seu lado no ônibus não é um predador em plena caça ou que tipo de pensamentos se escondem por trás do sorriso do motorista de carro, assassinos seriais sabem como se misturar à sociedade e "fingir" que são normais. 

O que John Douglas mostra em Mindhunter é a possibilidade de enxergar através deste disfarce por meio da análise comportamental, mesmo em casos que não hajam pistas é possível determinar informações importantes sobre o assassino, apenas observando o modo como a vítima foi tratada, os tipos de ferimentos infligidos e as tentativas de ocultação do crime. Douglas sempre afirma que para conhecer um criminoso é preciso pensar como ele, do mesmo modo, para conhecer a evolução dos métodos de caça a assassinos seriais é preciso entrar na mente de um dos criadores da análise comportamental e é esse insight que o tom biográfico de Mindhunter proporciona.

O livro começa narrando o difícil caminho de John Douglas até o  FBI, sua evolução como agente no período marcado pelo tradicionalismo de J. Edgar Hoover na organização e sua batalha política para que o potencial de suas atividades, principalmente a abordagem psicológica, seja reconhecido e adotado por seus colegas. A partir do momento em que é estabelecida uma base de ação, o livro passa a tratar de vários casos que exemplificam os conceitos mais importantes da análise comportamental, desde assassinos comuns que escolhem suas vítimas ao acaso até os mais metódicos e violentos.

A narrativa de Mindhunter é bem acessível, o que vai determinar a agilidade do texto é o seu interesse pelo que está sendo discutido, se o seu foco é nos assassinos e seus atos em si encontrará poucos momentos interessantes, mas se procura conhecer a fundo o processo de racionalização através da análise do comportamento encontrará cenas dignas de Sherlock Holmes. Os capítulos são divididos através de temas que vão desde o processo de identificação de comportamento pré e pós-crime até a discussão de como na vida real, às vezes assassinatos ficam sem solução. 

A série de televisão da Netflix é bem fiel à realidade apresentada no livro, embora grande parte da vida pessoal do protagonista seja ficção, então se você gostou do projeto de David Fincher encontrará uma dimensão mais profunda e detalhada na narrativa de John Douglas e Mark Olshaker, sem falar que várias piadas da série só fazem sentido quando você conhece todo o contexto que o livro oferece. 

   Mindhunter (2017) | Ficha Técnica 
   Título original: Mindhunter (1995)
   Autor: John Douglas e Mark Olshaker
   Tradutor: Lucas Peterson 
   Editora: Intrínseca
   Páginas: 384 páginas
   Compre: Amazon
   Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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