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Resenha | Sexta-Feira 13 de David Grove


A Coleção Dissecando da Darkside Books foi uma das primeiras apostas de publicação da editora,  combinando edições espetaculares recheadas de imagens inéditas e diagramação especial com um texto simples e interessante, os livros da série abordam os os bastidores dos filmes de terror através de entrevistas com elenco e equipe técnica. Dois clássicos já haviam ganhado uma edição nacional, Evil Dead - A Morte do Demônio de Bill Warren e O Massacre da Serra Elétrica de Stefan Jaworzyn e agora é a vez de Sexta-Feira 13! 

Os Arquivos de Crystal Lake segue os mesmos padrões de qualidade das edições anteriores, disponível em brochura e limited edition, seu diferencial está na abordagem do autor, David Grove, que já escreveu um livro sobre a série de filmes e disseca de maneira minuciosa apenas o primeiro filme, alcançando uma profundidade e riqueza de detalhes que nenhum outro livro conseguiu alcançar. É uma edição definitiva sobre o filme Sexta-Feira 13.

Sexta-Feira 13: Os Arquivos de Crystal Lake pode ser dividido em três partes principais, a pré-produção, as filmagens e a recepção do filme nos cinemas. Quem leu os volumes anteriores da Coleção Dissecando sabe o quão dispendioso e difícil é o processo criação de um filme,  a preocupação não é apenas com ter uma boa história, é preciso conseguir dinheiro para bancar a produção, muitas vezes o dinheiro sai do bolso dos próprios produtores. Sexta-Feira 13 conseguiu o apoio de uma produtora independente de filmes, mas isso foi tanto uma maldição como questão de sorte. 

A história do filme está intrinsecamente ligada com a carreira do diretor Sean Cunningham, o livro começa com traçando um paralelo entre suas experiências na indústria cinematográfica e a origem da ideia de Sexta-Feira 13, que sofreu grandes influências de outro clássico, Halloween de John Carpenter. Cunningham queria manter a mesma premissa desse filme, porém com uma história mais violenta e assustadora que surpreendesse o expectador no final. 

Os primeiros obstáculos de Sexta-Feira 13 começaram antes mesmo de a história sair do papel, um dos diretores da produtora responsável pelo orçamento do filme colocou como condição da aprovação do roteiro, a aceitação de ideias que ele tinha de como a história deveria acontecer. Algumas dessas mudanças desgostaram o diretor e o roteirista, como a introdução de policiais em Crystal Lake que quebraria a sensação de isolamento que tentavam passar. 

Entre suas principais contribuições está o fato de Jason ser um personagem mais representativo para o enredo, na primeira versão do roteiro ele era apenas o garotinho que sofria um acidente. A ideia de uma série lucrativa de filmes já existia na mente dos produtores, apesar de não ser cogitada pelo diretor e sua equipe. As pessoas que estavam envolvidas diretamente no projeto não imaginavam o sucesso que  Sexta-Feira 13 faria, estavam lá por sua paixão por cinema e pelo terror, a verdade é que muitos ganharam quantias ínfimas por suas participações mas o prazer e a diversão das filmagens é uma lembrança que não tem preço.

Hoje em dia a grande magia dos filmes de horror, com suas criaturas assustadoras e mortes horríveis, deixou de existir com a criação dos efeitos especiais computadorizados,  embora as imagens em CGI sejam bastante próximas ao real parte da sensação de autenticidade se perdeu. Os grandes clássicos dos anos setenta e oitenta são marcados pelo seu visual sombrio e sangrento, grande parte deste sucesso se deve ao maquiadores artísticos que eram responsáveis por tornar reais as mortes e pelos efeitos que até hoje assustam. 

Sexta-Feira 13 não teria o poder de horrorizar seus expectadores até hoje senão fosse um nome: Tom Savini, um dos grandes nomes dos efeitos especiais dessa época,  responsável pelo efeito de filmes como Dawn Of The Dead e Maniac. A experiência de Savini no Vietnã fez com que ele conseguisse um um aspecto de realidade em suas criações nunca visto antes na indústria do cinema. Os Arquivos de Crystal Lake traz as minúcias de seu trabalho como maquiador, os desafios que enfrentou para criar as cenas de morte, decapitações, desmembramentos e a maneira engenhosa com que conseguia isso. 

Primeiro você precisa de um lugar, de preferência onde as pessoas fiquem isoladas e não consigam procurar ajuda, depois de um assassino, quanto mais cruel, deformado e assustador melhor, não se esqueça do motivo, é muito importante que faça sentido, vingança sempre funciona, e para completar um bom grupo de jovens prontos para o massacre. Sexta-Feira 13 foi um dos primeiros filmes slasher a fazer sucesso e definiu algumas nuances do gênero que seriam exploradas pelos filmes que viriam a seguir. 

Seus dois principais ensinamentos são: Se você fizer sexo em um filme de terror será o primeiro a morrer! Geralmente nem saberá o que atingiu mas terá uma morte bem sangrenta. Não seja o engraçadinho da turma, sempre haverá um e sua morte será a mais dolorosa. Se puder seja sempre a mocinha tímida e virgem. Ela é a única que sobrevive.

Se você é fã da Coleção Dissecando e principalmente dos filmes da série Sexta-Feira 13, esse é definitivamente um livro que você precisa ter em sua coleção! David Grove revirou as entranhas de todo o processo criativo, as filmagens, as dificuldades de produção e a recepção de Sexta-Feira 13, criando um livro que é a expressão do deleite máximo para o fã, informativo e que entretém. Arquivos de Crystal Lake é uma boa leitura para fãs de horror e também para estudantes de cinema, os segredos e dicas presentes nessas páginas são imprescindíveis. 

   
  Sexta-Feira 13 (2015) | Ficha Técnica 
   Título original: Making Friday the 13th (2004)
   Autor: David Grove
   Tradutor: João Marques de Almeida
   Editora: Darkside
   Páginas: 320 páginas
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   Nota: ☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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4 Comentários

  1. A série dos livros sexta-feira 13 é minha preferida do gênero. Até a máscara do Jason eu tenho ! hehe

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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  2. * "A série dos filmes". Errei aí em cima.

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  3. Matou à pau! (ou melhor, picou no facão). Excelente resenha. Eu sou fã da franquia, Jason é o melhor, o mais "seco" dos matadores, um verdadeiro herói do underground.

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  4. Realmente, o único slasher dos anos 80 em que a mocinha tem vida sexual ativa e sobrevive é Pague Para Entrar, Reze Para Sair (1981).
    Nos filmes do Jason, os personagens tarados sempre morrem. Apesar de que os não-tarados também escapam meio por sorte, né?

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