A Casa do Mal é sem sombra de dúvidas um dos melhores livros de Dean Koontz e uma obra obrigatória para os fãs de terror. Pode-se dizer que faz parte da fase "agressiva" do autor na qual misturava personagens normais a tramas sobrenaturais e vilões grotescos com os mais estranhos e doentios poderes, criando um thriller de leitura viciante que mescla a tensão inerente ao terror com reviravoltas e cenas gore remanescentes do horror dos anos oitenta. No Brasil a obra é considerada rara, com uma única publicação no inicio da década de noventa, porém A Casa do Mal faz valer a pena cada centavo gasto em sua compra.

Diferente do que o título faz acreditar o livro não se trata de casas assombradas, mas se refere a uma metáfora bastante comovente que mistura inocência e uma profunda compreensão das diretrizes do mundo. Dean Koontz é especialista em criar personagens carismáticos e profundamente reais, e esta característica aliada a seu estilo narrativo rápido e contumaz consegue tecer tramas cheias de suspense e mistério. Mais do que tudo é um exímio contador de histórias, consegue prender a imaginação do leitor e transportá-lo para lugares fantásticos onde o bem e o mal travam suas silenciosas batalhas no coração dos homens. Enquanto Stephen King domina os cenários sombrios do Maine no leste americano, Dean Koontz mostra que o ensolarado oeste também possui sua cota de horrores.

"Vagalumes em um vendaval". É com essa curiosa frase que Frank Pollard desperta em meio a uma rua deserta. Como cenário de fundo, uma praia californiana com suas palmeiras balançando através do suave toque do vento e o inconfundível som das ondas na areia. Porém essa calmaria é superficial, a brisa possui um toque gélido e a impressão de que olhos observam a partir da escuridão traz um arrepio que surge do fundo da alma. Frank não sabe onde está e não tem a mínima ideia de quem possa realmente ser, a única certeza é do perigo que o espreita, algo tão terrível que a memória impressa em sua mente é forte demais para ser apagada pela amnesia. Sua única chance de salvação é correr, fugir sem direção buscando um refúgio inexistente. 

Koontz nas primeiras páginas deixa o leitor imerso em tensão, sabe-se que algo maligno está escondido por trás daquelas frases e palavras de abertura, mas invisível ao olhos passa sorrateiramente pelo canto da visão, partilhando com protagonista o medo e terror. Ao mesmo tempo o leitor é apresentado ao casal de detetives Bobby e Julie Dakota, o autor tem um carinho especial para tecer a relação existente entre os dois, e apesar de seguirem o estereótipo dos heróis bondosos de Koontz, neste caso o desenvolvimento das personalidades alimenta a profundidade da trama.

Bobby possui um senso protetor gigantesco com relação a sua esposa, é instintivo e guiado pela emoção, o oposto de Julie que é quem faz o que tem que ser feito, mesmo que isso seja questionável às vezes, guiada pela razão e sem dar vazão ao sentimentalismo no trabalho forma uma dupla diferente e ao mesmo tempo perfeita com seu marido. 

Há mais personagens que tem relevância ao enredo, mas não falarei deles para não estragar a surpresa e emoção de descobri-los durante a leitura, a capacidade de surpreender presente na história é seu principal trunfo. A construção mais admirável de Koontz no livro é seu vilão. Definitivamente um dos mais cruéis, profundos e violentos que ele deu vida. Uma mistura de serial killer com poderes sobrenaturais elevando o grau de periculosidade e tornando-o perturbado no sentido mais doentio da palavra. Destaque para a maneira como o leitor entra na mente do psicopata nas suas investidas mais sangrentas além de experimentar as sensações finais de algumas de suas vítimas.

Em A Casa do Mal, Koontz fala sobre a condição humana mostrando o que existe de mais belo e o contraste com o lado mais obscuro de nossa alma. Consegue tirar do leitor as mais diferentes reações, deixando-o triste com as derrotas e feliz com as conquistas,  tenso quando o protagonista é encurralado e aliviado quando uma fuga se concretiza. Misturando suspense, horror, um toque de ficção cientifica e fantasia criou um livro maravilhoso que irá  agradar os fãs do gênero e iniciará em muitos a paixão pelo terror. Leitura Obrigatória!

   
  A Casa do Mal (1994) | Ficha Técnica 
   Título original: The Bad Place (1990)
   Autor: Dean Koontz
   Tradutores: Geni Hirata
   Editora: Record
   Páginas: 414 páginas
   Compre: ---
   Nota:☠☠☠☠☠☠☠(10/10 Caveiras)