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4 de fevereiro de 2019

Clive Barker | Atualizações sobre seu novo livro, Deep Hill, e a série baseada em Livros de Sangue



Uma das tradições do site oficial de Clive Barker, Revelations, são as chamadas "entrevistas reveladoras" onde Phil e Sarah Stokes, responsáveis pelas publicações no site, conduzem um bate papo com o autor discutindo o andamento de seus projetos. Na última dessas entrevistas, a trigésima terceira, os principais pontos abordados foram informações sobre o novo romance de Barker, Deep Hill, e atualizações sobre o projeto que pretende adaptar os Livros de Sangue para uma série de televisão. A entrevista completa em inglês você pode conferir aqui,  selecionamos algumas partes interessantes:

Sobre Deep Hill, seu novo romance:

"[..] Deep Hill está metade datilografado agora. Eu ainda estou trabalhando nele e estou muito animado. É um livro maior do que eu pensava que seria, mas como você sabe, isso sempre acontece comigo. Não é um livro para os leitores muito jovens de Thief of Always, digamos, porque tem um conteúdo macabro e fantástico, mas não contém qualquer material sexual e nada que você não poderia ouvir no noticiário noturno, porém  é assustador e eu não vou tentar diminuir esse fato. [Nota: Deep Hill evoluiu de um rascunho chamado Scarebaby, baseado em um poema de Abarat, série juvenil de Barker].

De certa forma, eu acho que é uma das coisas mais assustadoras que eu já escrevi, porque mescla tanto horrores imaginados (isto é, criaturas estranhas e coisas assim) com questões realmente ameaçadoras sobre o mundo em que vivemos. [...] Fui levado a entrar na história com uma intenção mais séria do que os rascunhos anteriores continham, porque cheguei perto da morte há alguns anos e nada mais força sua mente a se concentrar que a proximidade de um adeus permanente!

Sinto muito por soar sombrio neste ponto, mas quero ser sincero: quando comecei este livro não tinha certeza se iria viver o suficiente para escrever outro depois. Não tenho mais esse medo, mas mesmo assim minha ansiedade em expressar minhas preocupações mais profundas sobre a maneira como nos tratamos mutuamente e o planeta em que vivemos tinha que ser declarada neste livro, porque eu podia nunca mais ter uma chance de faze-lo novamente. O livro é impulsionado pelo fato de que estamos fazendo coisas terríveis para o mundo em que vivemos e para os outros. E essas coisas me parecem ainda mais terríveis do que as coisas que costumavam me aterrorizar quando eu tinha dez anos e eu quero muito, colocar essas preocupações em um livro."

Sobre a série baseada em Livros de Sangue:

"A adaptação para televisão de Livros de Sangue [...] estou trabalhando com Brannon Braga [conhecido por seus trabalhos em Jornada nas Estrelas, Cosmos, Salem, entre outras] e as coisas estão evoluindo rápido. Devo acrescentar que isso é maravilhoso, porque a série foi expandida para além das histórias dos Livros de Sangue com novas narrativas que seguem o mesmo estilo delas [...] fazem trinta anos que escrevi aqueles contos e minha mente certamente não permaneceu vazia desse tipo de ideia nesse período. Portanto, há, eu acho, cerca de trinta narrativas que eu desenvolvi, e que você poderia chamar de "Histórias de Livros de Sangue', como esboços narrativos, mas que ainda não haviam sido transformadas em contos. Provavelmente transformaremos algumas em episódios para a série.

[...] O que estou tentando fazer é pelo menos igualar, e em alguns casos superar, a intensidade dos Livros de Sangue originais. Algumas dessas histórias têm um aceno e uma piscadela para outras histórias- quero dizer New Murders in a Rue Morgue é um exemplo, obviamente um aceno para Poe, mas há Rawhead Rex, que é uma história de monstros e eu quero revisitar esses tipos de histórias. Quero fazer uma nova história de monstros, algo fresco para um público moderno.

Espero que na série Livros de Sangue não cheguemos apenas ao mais arrepiante e intenso dos livros, mas acrescentarei a essa soma de narrativas, novas histórias que talvez nem me ocorressem há trinta anos. O mundo mudou e se tornou um lugar mais sombrio e assustador desde então, essa é a verdade. [...] estamos tentando garantir que, quando levantarmos o monstro, ele não se pareça com nada que tenhamos visto antes. Eu sempre me orgulhei de tentar - pelo menos tentar - criar monstros que não se parecem com criaturas de outras pessoas, obviamente, Pinhead seria um exemplo. E nós, definitivamente estamos indo atrás disso também."

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