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Resenha: Noturno de Scott Sigler

Sinopse:
Você já teve um sonho que jurou ser real? Ou até mesmo aquela sensação de déjà-vu ao passar por um lugar em que com certeza nunca esteve? Imagine se esse local for uma cena de crime e você, um detetive de homicídios? Para piorar: e se, nos sonhos, você fosse o próprio assassino para, num piscar de olhos, acordar e estar no mundo real com uma pessoa morta aos seus pés?

Opinião:
   Noturno não é um livro de terror, muito menos um romance policial e embora se encaixe bem na definição de fantasia urbana é mais como se fosse uma mistura de todos esses gêneros, batida em um liquidificador com várias referências à cultura pop, que resulta em um grande amálgama literário. Essa liga se mantém coesa boa parte do tempo, privilégio das suas cenas explosivas de ação, mas perde força por tentar ser tudo ao mesmo tempo e não se aprofundar em uma linha narrativa. E apesar da escrita de Scott Sigler ser ágil essa indecisão quebra o ritmo da leitura em vários pontos e a torna pesada e cansativa.

  A história começa com os detetives policiais Bryan Clauser e Pookie Chang investigando uma série de assassinatos bizarros e brutais, mortes cujas pistas levam a crer que o assassino não seja humano. Em meio a investigação Bryan começa a ter pesadelos vívidos com monstros estripando pessoas e acaba entrando em uma espiral de paranoia após perceber conexões entre seus sonhos e a realidade. Em paralelo há a narrativa de Rex Deprovdechuk, um adolescente que compartilha os pesadelos de Bryan, além de ter uma ligação pessoal com as vítimas.

  Esses elementos são suficientes para criar um mistério que prende o leitor logo nas primeiras páginas, Scott Sigler consegue tecer no começo de Noturno uma ambientação reconhecível, a química entre os protagonistas policiais combinada com a agilidade do texto e a bestialidade das visões são o ponto forte, o problema é que esse mistério é desvendado pelo leitor quase 100 páginas antes que os protagonistas. E somos obrigados a  ler páginas e páginas de voltas e mais voltas até que haja o grande cliffhanger que leva o livro para sua segunda parte. Que é basicamente uma grande cena de ação que perpassa mais de duzentas páginas.

   A partir da segunda metade Noturno perde completamente o ritmo de suspense e se transforma em tiros, monstros e motivações artificiais (e super-poderes!). A narrativa de Scott Sigler se torna previsível e o leitor é tragado por cenas de ação que não surtem nenhum efeito devido as suas repetições cansativas. O contraste entre a primeira e segunda parte é tão grande que a impressão é de estar lendo dois livros diferentes. Sigler tenta reproduzir o que Clive Barker fez em Raça da Noite com Midian, mas seus monstros não causam nenhum espanto e não conseguem ser convincentes como ameaça. No final, Noturno é um livro bem irregular, apesar de ser recheado de boas ideias poucas são exploradas a contento e suas quase quinhentas páginas se mostram um exagero.  

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (6/10 Caveiras)

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