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2 de outubro de 2016

Resenha: O Mágico de Sol Stein


"É quase impossível não se deixar arrebatar imediatamente pelo enredo."
The New York Times

"Um golpe violento que não será facilmente esquecido... um livro de ritmo atordoante, incisivo, feroz, inteligente e dramático." 
Library Journal

Sinopse:
  Ed Japhet é um jovem de 16 anos com um hobby todo especial: ele gosta de fazer mágicas, tem extraordinária queda para seguir a carreira profissional de mágico, graças à sua habilidade torna-se extremamente popular entre os colegas. Exatamente depois de Ed realizou um magnífico show, durante uma festa no seu colégio, ele sofreu uma agressão selvagem de um colega de classe, um tipo psicótico, líder de uma turma de delinquentes que mantém os alunos sob um clima de terror constante...

Sinopse:
    Existe um tipo de livro que é extremamente perigoso, cuja escrita é insidiosa e ágil, ao mesmo tempo em que facilita a leitura, torna o virar das páginas um vício. O leitor se vê escravizado por sua estória, anestesiado pelo pensamento de que lerá apenas mais um capítulo, atravessa noites inteiras na ânsia de chegar ao fim, seu corpo não conhece exaustão até chegar à última linha, quando no momento em que o esperado final feliz deveria chegar, acontece algo inesperado. Uma conclusão que é como um soco direto no cérebro que atrapalha toda a linha de raciocínio do leitor, fazendo com que o mesmo não tenha nenhuma reação a não ser um balbuciar desconexo, na tentativa de organizar os pensamentos e deglutir as palavras lidas. Esse é um evento extremamente raro de se acontecer, principalmente por literatura se tratar de algo pessoal, a faísca que incita essas emoções é única para cada um. Para mim, O Mágico de Sol Stein foi direto a este ponto.
  O Mágico não é um livro espetacular ou aquele tipo obra arrebatadora que ganha a atenção dos críticos e se torna um sucesso nos cinemas, na verdade não é nem um livro inesquecível, tanto que provavelmente você nunca ouviu falar nele ou em seu autor,  mas é o tipo de livro que me lembrar cada vez que encontro uma estória de ritmo similar o porque de eu ser um leitor,  tocando diretamente no cerne onde jaz o prazer pela leitura. É um livro rápido, o devorei em apenas um dia, com um final típico dos livros de suspense dos anos setenta: na última página um plot twist que explode cabeças. Alguns leitores acham essa sensação maravilhosa, ser surpreendido e ficar embasbacado com as implicações que o ponto final suscita, enquanto outros a odeiam com todas suas forças, já que destrói toda a expectativa de um final hermeticamente fechado. A literatura nos conforta porque ler sobre finais felizes faz com que acreditemos que nossa vida pode ter um final feliz, se algum autor mostra a realidade nua e crua, ou no caso das obras de horror se nega a revelar a fonte do sobrenatural em sua história, ele é criticado e crucificado sem misericórdia. 
   Existe uma espécie de linha narrativa comum a todos os livros de suspense, geralmente seu foco é na ação da perseguição, há um mocinho e um vilão, crimes são cometidos e após uma busca frenética o protagonista consegue capturar sua nêmesis no exato momento em que a força policial entra em cena para dar apoio. O leitor então é transportado para um epílogo, que se passa meses depois e mostra o mocinho feliz seguindo com sua vida, enquanto o vilão apodrece atrás das grades. Porém a verdadeira batalha entre os dois lados não é mostrada, é no tribunal que todos os atos serão examinados microscopicamente e julgados. Sol Stein começa seu livro com o que normalmente seria o clímax da história, no baile de formatura da escola um garoto recebe a atenção de todos ao realizar um truque de mágica, de quebra consegue envergonhar o valentão da escola o fazendo passar por um covarde. Eis então que após a festa ele é brutalmente atacado pelo grupo dos valentões e o que se segue é uma verdadeira guerra, que ocorre dentro de um tribunal de justiça, cujas armas são as palavras pomposas e difíceis de advogados engravatados. 
    Sol Stein destrói a fronteira existente entre vilão e mocinho, através de um embate de ideias entre advogados, que manipulam as vítimas e o código penal para conseguir o resultado favorável. A narrativa é construída de um modo que a tensão cresce a cada centímetro da lei dobrado, chegando a um nível psicológico tão pesado que em determinados momentos o leitor é forçado a repensar seu posicionamento. Diferentemente de um thriller jurídico, o foco da estória não são as leis, mas sim o posicionamento das pessoas perante as mesmas. O destaque especial vai para a tradução característica dos anos setenta, repleta de termos nostálgicos para aqueles que "cresceram" lendo as edições antigas dos livros de Stephen King. Se você gosta do estilo de escrita da época, extravagante, seco e abrupto, encontrará em O Mágico uma leitura interessante para um final de semana, é o tipo de livro cuja história só funciona na primeira leitura, então se encontrar ele perdido na estante de alguma biblioteca, assim como eu encontrei, não deixe de emprestá-lo

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

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