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16 de abril de 2016

Resenha: Caminho das Sombras de Brent Weeks


Sinopse:
   Para Durzo Blint, matar é uma arte... e ele é o artista mais talentoso da cidade. Temido por muitos, Durzo é uma lenda viva com as mãos manchadas de sangue e nenhuma culpa pelas vítimas que deixa pelo caminho. Esse mundo sombrio também não é novidade para o jovem Azoth. Sobrevivendo entre becos sujos, ele aprendeu que a esperança é uma piada. Pelas regras das guildas, crianças são agredidas e surradas todos os dias. 
   Tentar contestar essa realidade seria um risco alto demais. Mas quando a morte se torna questão de tempo para ele e seus amigos, Azoth se vê forçado a vencer o medo e agarrar a chance de virar um derramador, um assassino. Ele precisa se tornar discípulo de Durzo Blint. Para ser aceito, o garoto abandona sua antiga vida e abraça uma nova identidade. Ao se tornar Kylar Stern, ele aprenderá a transitar no mundo dos nobres, sobreviver às magias de seus inimigos e cultivar uma amizade muito especial: a da escuridão.

Opinião:
    Caminho das Sombras apresenta a clássica divisão social dos romances modernos de fantasia, na qual a população está dividida entre os dois extremos econômicos, um lado é representado pelos nobres, que imersos em suas riquezas, muitas vezes provenientes de fontes ilícitas, tem suas necessidades primordiais garantidas e relegam seu tempo a maquinações e conspirações políticas, o grupo é essencialmente representado por famílias nobres, mas a nata do submundo criminoso também está presente à margem das sombras, muitas vezes com uma influência política maior que a do próprio rei. E do outro lado jaz a grande parcela da população, que condenada à sujeira chafurda na própria violência alimentada pela fome e pelo desespero. É neste espectro de existência que surge o protagonista, um garoto pobre, que para sobreviver aos perigos da rua se torna parte de uma das inúmeras gangues de crianças, que conseguem seu sustento através de pequenos furtos e crimes. Seu nome é Azoth e ele não é o herói que o leitor espera ele que seja. Em seu horizonte de órfão abandonado existem duas opções, ceder às forças que o humilham e virar o brinquedo sexual de sádicos, ou resistir e se transformar em um dos muitos cadáveres que alimentam os ratos na sarjeta. No fundo dessas opções existe outro caminho sombrio e coalhado de escuridão, uma existência que transcende a humanidade, onde as emoções e medos são extirpados em busca da perfeita máquina de matar. É o caminho das sombras, o de um Derramador. 
   Existe uma espécie de paz mantida através do medo da morte nesta sociedade, na evolução natural da organização social surgiu uma classe altamente especializada de assassinos de elite, os chamados Derramadores. Um Derramador é muito mais que um simples assassino profissional, é uma criatura treinada à exaustão na arte de matar e que possui o conhecimento das maneiras mais sutis e cruéis de abençoar um homem com o beijo frio e vazio da eternidade, partindo desde a aplicação de venenos conhecidos e exóticos até assassinatos tão perfeitamente executados que parecem ter sido cometidos por fantasmas. Parte deste conhecimento é recebido durante o árduo e cansativo treinamento, que lapida o corpo humano através da dor transformando-o em uma máquina assassina, porém a outra metade destas qualidades é adquirida apenas através da magia, uma qualidade inerente na escolha do possível aprendiz, chamada de Talento. 
   O Talento é o que possibilita a execução de um trabalho perfeito por parte do Derramador, é a fonte das qualidades sobrenaturais que os diferenciam de um simples assassino, uma das utilizações básicas do Talento, por exemplo, é na criação de ilusões de sombra, que permitem ao Derramador transitar por ambientes escuros e pouco iluminados em um estado que alcança as raias da invisibilidade. Uma das coisas que o pequeno Azoth aprenderá são os limites desse poder. Outro ponto importante a ser colocado é que os derramadores são apolíticos, ou seja, não estão diretamente ligados a serviço de nenhum governante ou nobre, suas ações são executados através de contratos, pela quantia certa você pode obter a morte de qualquer pessoa, até mesmo a de um rei. Essa curiosa situação faz com que o papel e o poder de um derramador dentro de uma sociedade sejam ilimitados, as guerras já não são mais travadas apenas por exércitos nos sangrentos campos de batalhas, mas também dentro da própria corte através da ação desses Derramadores, os anjos da noite.
   Caminho das Sombras é o primeiro livro da trilogia Anjo da Noite escrita por Brent Weeks, a construção de sua estória se baseia na premissa "clichê" do protagonista de origem humilde, que sofre humilhações ao longo da infância, para após um treinamento com um grande mestre em algum tipo de arte, ressurgir como um dos personagens mais poderosos de todo o reino, isso fez com que minha primeira impressão sobre o conteúdo do livro fosse a de estar diante de uma mistura de Os Nobres Vigaristas com A Saga do Assassino, mas não foi o que aconteceu. O diferencial de Brent Weeks está na sua maneira de conduzir a estória, sombria na medida certa e com um humor bastante peculiar a narrativa é bastante ágil, a fluidez do texto torna a leitura extremamente agradável, ao mesmo tempo em que a construção do enredo não é prejudicada por isso, as transições temporais que regem a evolução dos protagonistas são bem explicadas, de um modo que não fica a sensação da existência de furos dentro da estória. O verdadeiro trunfo do autor são as reviravoltas da trama, seja nas atitudes de personagens que surpreendem ou nas situações chave que modificam totalmente o rumo da narrativa,  consegue prender a atenção do leitor sempre criando a expectativa do que acontecerá na página seguinte. Caminho das Sombras é divertido e surpreendente, o tipo de livro perfeito para uma leitura relaxante. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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