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6 de dezembro de 2015

Resenha: King Kong de Delos W. Lovelace [Baseado no Roteiro de Edgar Wallace e Merian C. Cooper]


Sinopse:
   O animal mais famoso do cinema aparece em sua história original. Durante uma expedição a uma ilha tropical, uma equipe de exploradores encontra um gorila gigantesco e decide levá-lo para Nova York, onde pretende lucrar com sua exibição. Há trechos eletrizantes, como o da fera no alto do Empire State Building - com a Bela na mão - sob o fogo dos aviões de caça.

Kong, o Rei do Mundo Perdido
   Esta é a novelização do clássico filme de 1933, dirigido por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, responsável por introduzir o gigantesco King Kong ao imaginário popular. A estória se mantem atualizada entre as  mais de sete décadas que separam sua publicação  dos dias atuais, porém neste grande abismo temporal inúmeras adaptações, refilmagens, reboots e crossovers modificaram a estória original, adicionando novos elementos à mitologia da Skull Island, alterando importantes e atualizando algumas questões de uma forma tão profunda que muitas partes do livro são totalmente diferentes do que conhecemos. Um exemplo disso é o papel da única personagem feminina da estória, na versão clássica dos anos trinta havia pouca participação da mulher na sociedade, até em filmes suas participações eram boicotadas e o cerne da premissa de King Kong é a ideia de fazer um filme sobre o monstro. Nas versões modernas ela é retratada como uma mulher forte e aguerrida que enfrenta corajosamente a criatura enquanto na original é apenas um misto de histeria e gritos, a perfeita personificação do estereótipo do sexo frágil. Este é um ponto a ser levado em questão na leitura, a época que o livro foi escrito.
  A ideia original de King Kong surgiu de Merian Cooper, que para desenvolver o roteiro buscou a ajuda de Edgar Wallace, um dos autores policiais mais famosos do início do século XX. Curiosamente Wallace faleceu antes do lançamento do filme e jamais ficou sabendo da proporção da fama que sua criação ganharia. A novelização ficou a cargo de Delos W. Lovelace, um repórter escritor de contos de mistério. No Brasil você vai encontrar duas edições do livro, a publicada em 1980 pela Editora Record e a de 2005 que foi lançada pela Ediouro aproveitando a esteira da refilmagem de Peter Jackson. O livro é pequeno, com pouco mais de 200 páginas é uma ágil e envolvente novelização que descreve praticamente quadro a quadro do filme. Isso me faz questionar a extensão de Lovelace no controle criativo do livro, apesar do resultado ser uma ótima narrativa, o que fisga o leitor é o bestial protagonista King Kong,  a escrita não possui nenhuma personalidade, é seca e econômica com palavras e descrições. 
 Carl Denham é um cineasta controvertido, seus filmes são reconhecidos por  suas chocantes cenas de extremo realismo, sua última empreitada se baseia em sussurros de marinheiros amedrontados sobre a pior viagem de suas vidas. Segundo os relatos as embarcações após enfrentarem um furioso temporal, são engolidas por um  manto branco de uma neblina tão cerrada que mal é possível enxergar um palmo diante dos olhos. Após angustiantes horas de cegueira, o nevoeiro se abre para uma  pavorosa imagem, uma gigantesca ilha coroada por uma montanha em forma de caveira, mas o que causa o maior espanto é o imenso muro que a atravessa além da visão. Que civilização é capaz de uma construção tão monumental? E o pior para conter que tipo de horror monstruoso? King Kong é ótima diversão para uma tarde chuvosa, a estória é despretensiosa e alcança êxito naquilo se propõe, ser um divertido entretenimento para o leitor, suas melhores passagens estão nas incríveis lutas do grandioso gorila contra as gigantescas criaturas esquecidas pela natureza que vivem em sua ilha, destaque  para o duelo com um trio de Triceratops.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. Rafa, vi esse livro em um sebo durante uma viagem de trabalho. Fiquei na dúvida e acabei não adquirindo. Agora, lendo a sua resenha, acho que acertei, pois não gosto de novelizações. Quanto aos filmes, gostei da produção dos anos 70 com a Jessica Lange. Eram os aureos tempos do Dino de Laurentis. Esta foi a que mais me marcou.
    Abcs!!

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  2. Olá Jam :) Particularmente eu adoro essas novelizações de filmes antigos, principalmente pela questão de ser uma leitura bem leve e divertida, como é caso de King Kong, mas se você espera algo mais pofundo e elucidativo com relação ao filme sem sombra de dúvidas irá se decepcionar, o exemplar que eu li foi emprestado na biblioteca pública da cidade, infelizmente o livro parece ter se tornado raro e seu valor não condiz com a realidade. Se algum dia topar com ele em alguma biblioteca da vida sugiro que dê uma chance, em questão de entretenimento não irá se arrepender! Abração :)

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