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17 de dezembro de 2015

Resenha: A Fúria Cega de John Saul


Sinopse:
   Paradise Point é um cidadezinha aprazível na costa leste dos Estados Unidos, a poucos quilômetros de Boston. É ali que o médico Cal Pendleton decide se fixar, fugindo da tragédia de um menino que morreu em suas mãos, em Boston. E é ali que sua filha, Michelle, encontra uma estranha boneca, a que dá o nome de Amanda, e uma estranha menina chamada Amanda, que surge do passado para fazer coisas terríveis e assustadoras...


Opinião:
   Se Stephen King é o autor que recebe os leitores de terror no hall de entrada do "salão do horror" e Dean Koontz é o mestre de cerimônias à alguns passos atrás,  John Saul é o cara que está trancado no sótão e cujos trabalhos estão escondidos sob uma mortalha coberta de sangue. Saul produziu um grande volume de obras que se alteravam entre thrillers psicológicos e horror, seus temas sempre abordam assuntos considerados tabus entre a sociedade como a violência infantil e o extremismo religioso. No Brasil seus dois primeiros livros [Suffer the Children e Punish the Sinners] foram simplesmente ignorados e apenas os três seguintes receberam tradução, Chorais Pelos Estranhos [Cry for the Strangers, 1979], A Fúria Cega [Comes the Blind Fury, 1980] e Quando o Vento Sopra [When the Wind Blows, 1981]. O interessante de sua narrativa é a maneira insidiosa com que o sobrenatural influência suas vítimas, poucas vezes acontece um ataque frontal, o mal afeta seus personagens de maneira adversas, sempre incitando o que há de pior em suas almas a cometer os piores atos em busca de vingança por algo acontecido anos atrás. 
  A pequena Paradise Point é mais uma comunidade, isolada em meio às florestas do interior americano, que foi fundada sob os pilares do puritanismo inglês. Por trás dos sorrisos de seus moradores e da falsa sensação de calmaria que permeia o ar, existe um passado de ódio e preconceito marcado violentamente pela tragédia. Há anos a antiga mansão dos Carsons é tida como amaldiçoada, acidentes sobrenaturais que terminam em mortes horríveis são a herança que passa de geração a geração, os sussurros atribuem a maldição ao fantasma de uma garota cujo túmulo jaz vazio no cemitério da família. Isolada do mundo pela cegueira, a jovem teria supostamente se perdido na mata e despencado para morte em um dos muitos penhascos que escondem o mar. Mas a verdade é mais sangrenta. E quando o último Carson vivo decide vender a mansão é que o horror irá acordar.  Coberta de poeira no fundo de um antigo armário está uma estranha boneca esperando ser encontrada por uma mente frágil. Seus olhos cegos guardam um horror além da imaginação e em seu sorriso se esconde o violento beijo frio da vingança.
   A Fúria Cega é, dentre as escassas publicações nacionais, o livro mais emocionalmente obscuro e angustiante que John Saul escreveu, a construção da narrativa segue o modelo clássico dos livros de terror dos anos oitenta, inicialmente há a apresentação dos personagens, bem como de todo o misticismo que envolve o ambiente, seguida de uma cuidadosa inserção do sobrenatural, cujas aparições entram em ritmo crescente através das páginas, até o rompante de horror da dolorosa conclusão. Um dos defeitos da estória está justamente neste modelo, quando um livro de terror é protagonizado por crianças, os adultos, desenvolvem uma ignorância que beira a inocência e passam toda a estória imersos no ceticismo, para então no final passar a uma credulidade artificialmente cega difícil de dar crédito. Para o fã de terror que busca uma estória que evoque o clima de suspense da época de ouro do terror, A Fúria Cega é uma ótima alternativa, com sua abordagem explícita de fantasmas e assombrações é uma leitura que entretém e no final deixa aquela sensação de saciedade. É uma pena que não existam mais obras de John Saul publicadas por aqui. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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