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4 de dezembro de 2015

Os Livros Raros de Koontz [A Semente do Diabo e Visões]

  Dean Koontz não é apenas mais um rostinho bonito a ostentar uma estilosa peruca no meio literário, na verdade é um dos maiores escritores modernos de suspense, cuja popularidade em seu país de origem se equipara a nomes como Stephen King e James Patterson. Koontz é um escritor bastante volátil com os temas de seus livros, o início de sua carreira foi marcado por obras que mesclavam a ficção cientifica com horror, visões sombrias de um futuro onde a evolução da tecnologia tornava-a maléfica e um perigo para a humanidade. Na década de setenta sua obra passou por uma gradual transição para temas sobrenaturais, no que é considerada sua época de ouro, onde no ápice de sua atividade lutava com King pelas primeiras posições na lista de mais vendidos, época também na qual produziu alguns de seus maiores clássicos. No Brasil a Editora Record é detentora dos direitos de suas publicações, a grande maioria dos livros que você vai encontrar no mercado são deles, mas em meados dos anos setenta a Francisco Alves publicou duas edições que acabaram tornando-se raridades,  A Semente do Diabo e Visões. Na mesma época a Editora Cedibra publicou A Máquina dos Sonhos e A Revolta das Lesmas na Coleção Urania, ambas pequenas novelas de ficção científica. Mas hoje falaremos de A Semente do Diabo e Visões. 

A Semente do Diabo (Demon Seed 1973, 1997)
   Antes de falar da estória de Demon Seed, é interessante esclarecer alguns pontos curiosos aqui no Brasil. Existem três livros que foram traduzidos como A Semente do Diabo, ambos praticamente publicados na mesma época por aqui, o primeiro é uma nova edição de O Bebê de Rosemary de Ira Levin cujo título foi estranhamente alterado para o nome da versão portuguesa do filme, talvez por motivos jurídicos já que a referida edição saiu por uma editora diferente da detentora dos direitos do autor. O segundo é o próprio livro de Dean Koontz, cuja tradução ao pé da letra de Demon Seed é a que mais faz sentido nesta lista. E a última é a novelização do filme Prophecy de David Seltzer, filme que no Brasil ganhou o nome de Semente do Diabo, curiosamente a clássica novelização do filme The Omen, do mesmo autor, foi imortalizada em solo nacional como A Profecia, de modo que Prophecy não pode ganhar uma tradução mais literal. 
   Outro ponto é uma teoria que alguns leitores brasileiros veem como verdade, que o relançamento de A Semente do Diabo é proibido pelo próprio autor e desta premissa surge a origem da sua raridade. Essa mesma teoria cita Visões da mesma maneira. Na verdade o que acontece é que a edição publicada no Brasil é a de 1973, a mesma que inspirou o filme de 1977 que foi o motivo da tradução, e nos Estados Unidos por questões contratuais com a Editora esta edição específica está proibida, porque Dean Koontz relançou uma nova versão em 1997, totalmente reescrita e com grandes mudanças no enredo. A primeira versão é narrada pela heroína Susan e por Protheus a inteligência artificial que a aprisiona, enquanto na nova versão o livro todo é escrito no ponto de vista de Protheus.
   A Semente do Diabo é um dos últimos livros de ficção cientifica publicados por Dean Koontz, como o próprio autor disse em várias entrevistas é um exemplo da sua escrita em seu estado mais cru e experimental, a estória foi imaginada por uma versão jovem e ignorante de si mesmo numa época em que virava noites lendo um livro de ficção científica. Como essa é a versão antiga fico curioso para ver as modificações que aconteceram no novo livro, já que na versão dos anos setenta a estória se passava em 1995. Demon Seed explora os limites da tecnologia ao sugerir a possibilidade da uma inteligência artificial se reproduzir com um ser humano, criando um corpo físico para sua existência virtual. Basicamente a mesma premissa das histórias envolvendo o Anticristo. Não indico A Semente do Diabo para qualquer leitor, é um livro bem mediano no qual somente os fãs do autor conseguirão aproveitar a estória.

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (7/10 Caveiras)

Visões (The Vision, 1977) 
 
   Em Visões a escrita de Dean Koontz está bastante evoluída, porém mesmo assim é pobre ao ser comparada com seus clássicos oitentistas, a edição nacional adiciona um empecilho a mais na leitura ao apresentar um texto com vários erros  ortográficos e uma construção estranha de frases e diálogos. O próprio texto do Koontz é bastante confuso, não há referência à troca de narração demarcando as mudanças de vozes, o que não seria completamente ruim se os diálogos não envolvessem muitas vezes três pessoas. Várias vezes durante a leitura fiquei confuso quanto a quem estava falando o que, foi um exercício de adivinhação. Basicamente Visões é uma versão mais cinematográfica e resumida da mesma premissa que King explora em Zona Morta, com muito mais propriedade. 
   O livro foi escrito na época da captura do assassino serial o Filho de Sam, como é conhecido David Berkowitz, cuja figura se transformou em um monstro que assombrava a imaginação dos americanos naqueles tempos. Koontz na criação do vilão de Visões se apropriou bastante dos relatos do Filho de Sam para moldar a doente mente psicológica por trás dos assassinatos. A protagonista é uma clarividente que ajuda a polícia na resolução de crimes difíceis, a partir dos fragmentos das cenas de crimes consegue ter visões de ataques futuros e do próprio assassino. O problema é que a sede de Dean Koontz em escrever uma narrativa sobrenatural faz com que mergulhe ao mesmo tempos em vários assuntos, como clarividência, telecinese e polttergeists, sem efetivamente se aprofundar em nenhum deles. Gostei bastante do modo como o mistério foi se desenvolvendo ao longo das páginas, mesmo que o forte do autor não seja o whodunnit, a atenção do leitor é fisgada com maestria. Embora este seja um livro bem mais popular, é indicado para quem já teve contato com o autor anteriormente e conhece seus maneirismos literários, entre eles a enervante mania de querer criar finais felizes. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (8/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. Ler The Vision 1977 com certeza foi horripilante para mim, realmente é uma obra perfeita, até o ambiente ao seu redor fica sombrio durante a leitura, o que falta no King, Koontz completa e virce-versa, se é que falta algo em ambos como escritor, adorei a resenha parabéns Rafa, agradeço mais uma vez pela página pois é aqui que desabafo pois não conheço ninguém pessoalmente para falar sobre esses temas, aliás, não conheço quase ninguém!^^

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  2. Há uns meses escrevi um post em meu blog sobre as obras raras de Dean e foi muito difícil achar informações. Sua matéria teria me ajudado muito. Visões eu li e não achei de todo ruim, mas era um livro bem imaturo. Se quiser conferir meu post:

    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/2015/08/sete-raridades-de-dean-koontz.html

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