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3 de novembro de 2015

Resenha: Eu Sou a Lenda de Richard Matheson


"Quando as pessoas falam sobre o gênero horror, acredito que mencionem primeiro o meu nome; mas, sem Richard Matheson, eu não estaria aqui." Stephen King


Sinopse:
   Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso... 


O Apocalipse Vampiro


 Richard Matheson foi um dos maiores autores do século passado, sua importância é quase incalculável e suas contribuições estendem-se desde a ficção científica, com a estória do incrível homem que encolheu, ao terror, com a criação do estereótipo do vampiro moderno influência seminal ao apocalipse zumbi, em narrativas ágeis que transportaram o horror dos castelos sombrios do velho continente para a porta da casa dos americanos.  Seu trabalho abrange mais de sete décadas e influenciou gerações, entre alguns exemplos famosos estão Stephen King, George Romero e Guillermo Del Toro, através de clássicos como  “I Am The Legend” (Eu sou A Lenda, 1954), “The Incredible Shrinking Man” (O Incrível Homem Que Encolheu, 1957) e “The Lengend Of Hell House” (Hell House: A Casa Infernal, 1973).  Famoso por seus roteiros para televisão foi responsável por alguns dos mais espetaculares e originais episódios da série The Twilight Zone (A Zona do Crepúsculo): Nigthmare at 20,000 Feet (Pesadelo a 20,000 pés),  além de roteirizar suas estórias também conduziu várias adaptações cinematográficas de contos de Edgar Allan Poe como “House of Usher" (O Solar Maldito, 1960), "The Pit & the Pendulum" (A Mansão do Terror, 1961) e "The Raven " (O Corvo, 1963).
   Eu sou a Lenda é sua obra mais conhecida, clássico adaptado várias vezes para os cinemas e referenciado em centenas de outras mídias, é um dos responsáveis pela gênese do apocalipse zumbi e a popularização do tema do fim da humanidade através de uma doença contagiosa. O ano é 1973 e em um cenário completamente devastado encontramos Robert Neville, o último homem da Terra, imerso em sua esmagadora solidão. A humanidade não acabou com um suspiro e nem com uma explosão, o final veio coroado com gemidos de dor, galopando através das altas temperaturas febris de uma estranha doença que inevitavelmente vitimava todos que a contraiam.  A moléstia alastrou-se rapidamente contornando qualquer tentativa de contenção e enquanto a população agonizava, os mortos retornaram a vida. Pessoas que seriam normais a não ser pelo detalhe de se alimentarem de sangue e serem sensíveis à luz do sol. A ruína e o caos que se seguiu é inenarrável, Neville  sobreviveu a tudo isso e agora está sozinho em um mundo habitado por vampiros.
  Richard Matheson inova ao realizar a vivissecção dos mitos clássicos associados aos vampiros através de uma ótica científica, Neville realiza experimentos para tentar encontrar uma cura para o vampirismo, analisando desde a repulsa a luz solar até a aversão às propriedades do alho. A narrativa é bastante sentimental e pessimista, a última esperança da Terra é um homem que tem sua sanidade sugada aos poucos pelas criaturas noturnas, mesmo com todas as proteções físicas em sua casa, os gritos e insultos atravessam suas barreiras emocionais minando seu psicológico. O final é magnífico, o sofrimento do protagonista é doloroso e nos faz pensar  na necessidade de socialização e a de ser reconhecido e aceito pelos iguais, mais do que isso, que o conceito de normalidade é tecido baseado na estrutura compartilhada de indivíduos. O que me faz pensar em um período em especial do Paleolítico no qual o Homo Sapiens conviveu com Homo neanderthalensis, a extinção deste último é ainda grande questão de controvérsia, mas todas as hipóteses convergem para a causa mais provável ser o aparecimento de uma raça mais adaptada e evoluída. Leia Eu sou a Lenda e entenderá sobre o que estou falando.
   A edição da Editora Aleph está impecável, a capa dura assegura a conservação do livro mesmo em um apocalipse e o miolo está recheado de belas ilustrações, o diferencial como sempre está nos materiais extras que vem com os livros da editora, uma introdução de Stephen King sobre a importância de Richard Matheson para sua escrita, um artigo científico que disseca a obra no contexto biocultural e uma curiosa entrevista do autor, concedida na turnê de autógrafos que divulgava a nova adaptação de Eu sou a Lenda com Will Smith em 2007. Quem é fã de Richard Matheson sabe o quanto ele odiou o filme. Uma das últimas notícias com relação à obra é o possível reboot do último filme baseado em um roteiro de Gary Graham chamado  A Garden At The End Of The World. Não é nem preciso dizer o quão receosos estão todos diante da ideia. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. Adorei a sua resenha! Todo mundo está falando super bem desse livro! Vai para a minha lista de leitura :)

    EntreLinhas Fantásticas

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