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10 de julho de 2015

Ouça o que eu digo de César Bravo


Sinopse:
   Quando a filha de Galileu Sultão é brutalmente assassinada, todos em Nova Enoque sentem que a seca e a superpopulação de pragas que assolam suas terras são apenas fagulhas do incêndio que se aproxima. Em pouco tempo a loucura tomará conta da cidade, palavras voarão nas asas dos insetos, crescerão com a poeira dos ventos, corrompendo e inundando quem se atrever a ouvi-las.  Uma sombra no escuro da noite, um velho computador, alguém que bate à porta vendendo porcarias ou buscando um prato de comida. Melhor pensar bem, você pode não gostar do que eles têm a dizer.

Opinião:
  O mal caminha pelas ruas da cidadezinha de Nova Enoque. Seus habitantes incautos imersos na rotina diária não percebem que estão aproveitando seus últimos momentos de paz e calmaria antes de um horror ancestral emergir em busca de vingança. Como todos os lugares antigos Nova Enoque tem suas próprias histórias assombradas, os mais novos as conhecem como lendas para assustar que são contadas durante a noite e os mais velhos as consideram assunto proibido, pois as chagas da dor e do abuso ainda ardem no coração das testemunhas. Mas o mal caminha pelas ruas. Sua voz é sedutora e sussurra maldições nos ouvidos dos que possuem o coração impuro, plantando mentiras com sementes de verdade seu desejo é colher a discórdia e a violência. Quando a noite cai as mentes envenenadas por suas ideias malditas brilham com a luz do pecado, Nova Enoque é um formigueiro de más intenções prestes a explodir em um furor assassino.
  Ouça o que eu digo é novo lançamento de César Bravo, um livro que explora o mal dentro de cada um de nós, o monstro primitivo e sanguinário que vive enjaulado pelas amarras sociais e que mostra suas garras em momentos de fúria. O homem é um ser essencialmente bom, mas também é extremamente suscetível a maldade, com o incentivo certo, ou errado dependendo da visão, pode praticar as mais cruéis atrocidades sem perder uma noite de sono. A prova disso encontra-se na própria história da humanidade como por exemplo, o nazismo na Alemanha e a exploração dos escravos na América. César Bravo explora esse conceito a partir do sentimento de vingança, como um cirurgião com seu bisturi disseca a "alma" de Nova Enoque através das ações de seus moradores, o lado negro da cidade surge como esgoto a céu aberto empestando o ar e espalhando seu odor maligno como uma doença contagiosa.
   A premissa de Ouça o que eu digo é bastante parecida com a de Trocas Macabras de Stephen King e O Distribuidorde Richard Matheson, no sentido da essência da história se focar em uma figura maligna que espalha a discórdia em uma cidade pequena, a diferença se encontra na abordagem de César Bravo, seu estilo próprio e autenticamente brasileiro mistura seu típico humor negro com cenas de horror sangrentas que arrepiam o leitor de horror mais empedernido, mais do que isso suas várias referencias a cultura popular nacional e outras mais sutis de suas obras criam um universo próprio, uma realidade fantástica que abarca várias cidadezinhas do interior de São Paulo da mesma maneira que Stephen King fez com o interior do Maine.  
   César Bravo consegue mais uma vez criar uma narrativa crível e assustadora com profundas raízes brasileiras, é o tipo de livro de horror que você acredita na história e sente na pele as dores dos protagonistas,  a angustia que acompanha as páginas é imensa, desde o início aparentemente inocente até a explosão de horror nas páginas finais, é um verdadeiro prato cheio para os fãs de horror. Ouça o que eu digo é a prova que César Bravo é um dos melhores autores nacionais em atividade. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 comentários :

  1. Uma pena que não tem versão impressa de seus livros. Se tivesse, compraria todos.

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  2. Isso vai acontecer, Daniel, não tenho dúvidas. E não é só pelo que escrevo, é principalmente pelo que vocês leem. Abração!

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  3. Certo de que teremos a versão impressa. Cesar está num excelente caminho.

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