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5 de abril de 2015

Uma Breve Introdução ao Demônio na Literatura de Horror

   No coração sombrio de cada livro de horror existe um verme que se alimenta das fobias do leitor, as histórias não existem apenas para assustar, mas também para mostrar se somos capazes de superar nossos medos nas situações mais adversas. O escuro assombra a mente humana desde os tempos das cavernas quando ocultava perigos mortais e horrores inomináveis em suas sombras deturpadas, mas há um medo mais arraigado na psique dos homens com raízes tão profundas que é impossível negar sua existência, marcado a ferro e fogo na própria carne é o medo vida após a morte, a danação eterna é um flerte que alma sofre nas mãos dos mais variados demônios que tentam liberar as trevas que há em cada um de nós. Sacrifícios humanos eram feitos para aplacar a ira dos antigos deuses, inimigos eram torturados e virgens defloradas em um furor religioso que buscava reconciliação dos pecados cometidos durante a vida. Desde os primórdios do tempo o demônio habita a escuridão do coração humano. 


   A figura do demônio ganhou força na Idade Média e desde então sorrateiramente percorre a imaginação dos homens sussurrando mentiras e questionando sua própria existência. As igrejas das mais variadas religiões jamais tiveram receio de o utilizar como fonte de inspiração para a contrição dos pecadores. A literatura da época era fortemente influenciada por esse tipo de visão, obras como A Divina Comédia (1304) de Dante Alighieri, que descreve vivamente os horrores que aguardam os pecadores no inferno e o Paraíso Perdido (1667) de John Milton, que narra a revolta e a expulsão de Lúcifer do Paraíso são exemplos desta influência. Milton é responsável por uma das frases mais famosas atribuídas ao do demônio "É melhor ser rei no Inferno que servir no Céu". A lenda alemã de Fausto foi a inspiração para o clássico homônimo de Johann Wolfgang von Goethe, o qual inova ao mostrar o demônio com uma aparência humana, diferenciando-se bastante do estereótipo das visões de Dante, Mephistopheles surge através de um véu de mentiras e sedução, oferecendo prazeres mundanos em troca da alma humana. O Diabo Enamorado (1772) de Jacques Cazotte foi um dos primeiros livros a incutir emoções a Lúcifer, na trama o demônio acaba se apaixonando pelo jovem que o invocou e assume a forma de uma bela mulher para tentar conquistá-lo. Outras obras clássicas que merecem citação são As Flores do Mal (1841) de Charles Baudelaire e O Mestre e Margarida de Mikhail Bulgakov, que serviu de inspiração para uma das maiores canções dos Rolling Stones, Sympathy For The Devil. 
  O demônio invadiu a literatura moderna de horror no final dos anos sessenta com o clássico de Ira Levin, O Bebê de Rosemary no qual um culto satânico conspira para trazer ao mundo a encarnação do filho de Satã. Porém a grande explosão de popularidade do tema aconteceu com O Exorcista de William Peter Blatty. O Exorcista é um dos poucos livros de terror cuja simples menção de seu nome consegue deixar arrepiado qualquer leitor, independente de ter tido contato ou não com a obra, a história da inocente garotinha possuída pelo demônio é uma das mais assustadoras já escritas, que ainda contém o aviso de baseada em fatos reais. Sua influência se estendeu ao cinema a e literatura servindo como inspiração para grandes obras clássicas que marcaram o áuge do horror como A Profecia de David Seltzer, Cerimonias Satânicas de T. E. D. Klein, A Entidade e O Demônio de Gólgota de Frank de Felitta, Coração Satânico de William Hjortsberg e A Sentinela de Jeffrey Konvitz. Mestres como Stephen King também exploraram a figura do demônio em suas obras, como em Dança da Morte na enigmática forma de Randall Flagg e em Trocas Macabras com o assustador  Leland Gaunt.  Entre os lançamentos atuais que exploram o demônio estão 616 - Tudo é Inferno dos espanhóis David Zurdo e Angel Gutiérrez e O Pacto de Joe Hill
 Um dos lançamentos mais aguardados da Darkside Books é o celebrado O Demonologista do canadense Andrew Pyper. A Editora tem a proposta de trazer o que há de mais sombrio para o leitor fanático por terror, não importando se para isso eles têm que escavar túmulos em cemitérios para reviver clássicos, recolher os pedaços de membros humanos mutilados por serras elétricas ou contar os corpos mortos em cabanas no meio de florestas, esconder corpos em pântanos atrás de pequenos hotéis de beira de estrada ou ainda confrontar os serial killers mais monstruosos, espremendo seus segredos mais obscuros e assustadores. Desta vez é a hora de expurgarmos nossos demônios encarando a criatura que vive na escuridão, O Demonologista promete ser uma leitura sufocante e claustrofóbica, ao mesmo tempo em que a tensão cai como uma mortalha paralisante a adrenalina da ação injeta forças ao leitor que se vê escravizado por uma história que só o libertará após a leitura. Quem sabe nem após disso. A pré-venda já foi liberada. Pegue seu crucifixo e embarque em uma das jornadas mais sombrias da literatura.

4 comentários :

  1. Excelente artigo Rafa. Não vejo a hora de chegar o meu O Demonologista.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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  2. Fiquei com medo só de ler esse post, imagine O Demonologista como deve ser!

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  3. Olá! No começo deste ano tive a chance de ler "O diabo enamorado", de Cazotte, e achei interessante a representação do demônio que se apaixona pelo rapaz. Também li algumas obras citadas em seu (ótimo) post e é difícil apontar qual demônio foi melhor construído... eu achava que era Mefisto, de Goethe, até ler o sensacional "O mestre e Margarida". São todos...diabolicamente muito bem estruturados. rs

    Gostei da indicação do Demonologista. Valeu! :)

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  4. Achei curiosa a citação sobre o livro em que o Diabo se apaixona pelo rapaz e vira uma mulher pra seduzì-lo... Sobre o Demonologista pareceu muito intrigante, mas ainda quero ver o livro ao vivo antes de decidir se compro ou não. Vou tentar começar a comentar aqui, porque sempre leio as resenhas mas nunca comento... rsrsrs

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