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13 de março de 2015

Resenha: The Walking Dead: A Queda do Governador Parte II de Robert Kirkman e Jay Bonansinga


Sinopse:
   A franquia de zumbis mais celebrada da década está de volta. O quarto e último livro promete contar em detalhes o destino deste que é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Com seu senso doentio e muito particular de justiça, ele convence a todos de Woodbury que a única forma de acabar com o mal é destruir todos os habitantes da prisão.


Opinião:
   A série The Walking Dead foi a grande responsável pela popularização dos mortos-vivos, transportando-os dos cenários trash de filme de horror B para as grandes produções hollywoodianas, o apocalipse zumbi nunca esteve tão na moda. Aproveitando o sucesso das HQs e da própria série de TV Robert Kirkman, a grande mente criativa por trás de tudo, se uniu com o escritor Jay Bonansinga para criar o que seria incialmente uma trilogia de livros que contaria a história do vilão mais famoso até então, Philip Blake, o Governador. A série de livros acabou servindo como um complemento a televisiva, porém a história seguiu a "mitologia" das HQs que difere bastante da conhecida pelo grande público. Em suma as histórias de quadrinhos são mais cruéis e violentas e esse traço foi transportado para as páginas dos livros. Porém o próprio sucesso estragou a obra, o último livro acabou sendo dividido em dois volumes e a história que poderia ser contada magistralmente ganhou ramificações e becos sem saída existentes apenas para preencher as páginas. 
   No mundo de The Walking Dead, os zumbis são chamados de errantes ou "walkers", porém apenas nos primeiros livros eles tem grande importância. Em qualquer obra sobre o apocalipse, qualquer que seja a causa ela só será instigante e fonte de suspense nos primeiros momentos, após alguns meses o foco muda para os sobreviventes e suas tentativas de socialização e criação de lugares estáveis para viver. George Stewart em Só a Terra Permanece faz um paralelo interessante com relação ao ser humano pós-apocalipse, não é apenas o ambiente que é modificado pela destruição, o homem em sua essência é principal afetado pela destruição de sua organização social. O instinto de sobrevivência ressurge de tempos pré-históricos, e antigos tabus e convenções sobre assassinatos e mortes perdem sua validade. O homem torna-se um animal. Surgem tribos e facções, crenças morrem e nascem com uma força surpreendente, as pessoas começam a fazer qualquer coisa para manter a pequena realidade que criaram. Matar ou torturar ou explorar. Não há limites para a maldade desenfreada do ser humano insano. É isso o que acontece com o Governador, um homem normal que foi transformado pelas situações cruéis que enfrentou, a insanidade que se imiscui através de A Ascensão do Governador e o Caminho de Woodbury explode neste último livro.
  O maior êxito de A Queda do Governador é trazer a visão da cidade Woodbury, enquanto a série  de televisão tem seu foco no grupo de Rick na Prisão, o livro traz Lila Caule como protagonista vivendo sobre a sombra do Governador. Bonansinga consegue descrever magistralmente toda a tensão sentimental e as emoções com as quais o vilão manipula a população da cidade, se colocando como vítima ele pinta uma imagem maligna dos moradores da prisão inflando ânimos e incentivando o ódio e a violência. O livro funcionaria melhor se não tivesse sido dividido, o ápice da primeira parte é cortado por mais de cento e cinquenta páginas que poderiam muito bem ser cortadas até o Grand Finale da invasão da prisão e a guerra com o grupo de Rick. É uma leitura interessante para os fãs da série que irão se surpreender com um novo olhar sobre os acontecimentos além de explicar e trazer luz ao que acontece depois, porém indico com ressalvas. O final é o que mais vale a pena mas o caminho até lá é bem penoso. 

Nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (8/10 Caveiras)

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