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16 de dezembro de 2014

Resenha: O Senhor do Vento e O Último Evangelista de Gabriel Réquiem


   Gabriel Réquiem é um dos novos nomes do horror nacional que surgiu este ano, publicou dois contos, um deles na Revista Bang! chamado O Senhor do Vento e outro através da Coleção Contos do Dragão da Editora Draco, O Último Evangelista, além de participar da Coletânea “Terra Morta: relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi” com Encaixotando Natália. Seu estilo de escrita é bastante visceral, notadamente influenciado por nomes como Lovecraft, Robert Chambers e Clive Barker mistura em sua narrativa elementos fantásticos com ambiente sobrenatural do horror. Uma de suas características é a maneira como consegue imprimir uma visão moderna e assustadora a histórias clássicas, fazendo com que o horror ressurja nos dias atuais com muito mais realístico e forte.


O Senhor do Vento

  O folclore brasileiro é recheado de histórias fantásticas que refletem a miscigenação das culturas que o formaram, mas em sua grande essência é pouco aproveitado por autores nacionais. Gabriel Réquiem recria a origem de um dos seres mais famosos utilizando como cenário a sanguinária Guerra do Paraguai. Através de uma referência a literatura brasileira, O Senhor do Vento inicia sua trama com ares inocentes e infantis, aos poucos o mistério do sobrenatural se infiltra pelas linhas tão naturalmente que não é possível encontrar definir o ponto que o fantástico se mistura com a realidade, dando assim um tom mais verídico ao relato.
  O jovem Zezinho encontra em um antigo baú na casa de sua avó e a curiosidade vence a inibição de profanar as antiguidades de seu tio já falecido. A ordem vigente proibia de entrar no aposento esquecido, mas o garoto compelido pela curiosidade não dá ouvidos a sua consciência, o que encontra por lá são objetos antigos e apenas dois chamam sua atenção, um cachimbo velho com um formato estranho e o diário de seu tio. Ao tentar fumar o cachimbo descobre que este tem propriedades mágicas e parece trazer consigo o cheiro de florestas antigas e longínquas. Curioso pela origem do objeto começa a ler o diário e o que descobre mudará sua vida, o relato sanguinário do encontro do homem com seres que vivem ocultos na natureza. O que se segue é um relato sombrio com final impressionante.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

O Último Evangelista

   Revirar as entranhas da mitologia de autores imortais é sempre uma tarefa árdua, o autor não apenas se vê com incumbência de criar uma boa história para honrar o nome daquele que o inspirou, mas também sente o pulsar vivo das criações na ponta de seus dedos lutando para escapar para a realidade. E isso é muito mais gigantesco quando esse autor se trata de Lovecraft e Os Antigos. Gabriel Réquiem faz o que muitos autores inspirados por Chutlhu tentam, mas falham recriar o universo lovecraftiano nos dias atuais reproduzindo todo o horror ancestral que apenas o vislumbre da natureza dos deuses causa na humanidade.
   O Último Evangelista começa com o próprio Abdul Alhazred, o árabe louco, reproduzindo em pergaminhos com o próprio sangue os sussurros de outras eras e universos. Sussurros de horror, morte e danação. Sussurros que falam sobre o retorno daquele que aguarda em seu sono em R'lyeh. A história então avança aos dias atuais onde a loucura abriu espaço através da sanidade após o Rei Amarelo ser nomeado. Os dias escurecem e criaturas grotescas começam a caminhar sobre a Terra. Ratos enormes com rostos humanos. Criaturas tentaculares. Monstros aquáticos. Todos anunciando o apocalipse.  Keziah Mason, uma agente americana é a única que pode conseguir informações sobre o que está acontecendo, porém para isso terá que enfrentar o homem mais poderoso do mundo.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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