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2 de outubro de 2014

Resenha: Toda a Verdade de David Baldacci


Sinopse:
   Shaw trabalha para uma agência secreta de inteligência e sua vida se resume a viajar pelo mundo à caça de bandidos perigosos. Abandonado ainda bebê, sem laços afetivos e nem mesmo um nome próprio, ele nunca se importou com o fato de não saber se chegaria vivo ao fim do dia. Até agora. Envolvido com a alemã Anna Fischer, especialista em assuntos internacionais que trabalha para o Phoenix Group, em Londres, tudo o que Shaw quer é deixar essa vida para trás e se estabelecer tranquilamente ao lado da mulher que ama. Mas seus planos estão prestes a ser frustrados. Ao ver seus lucros diminuírem a cada mês, Nicholas Creel, dono da maior fornecedora de armamento militar do mundo, decide que é hora de provocar uma guerra. Para isso, contrata um especialista em manipular fatos e “criar a verdade”. Juntos, eles lançam uma campanha de difamação contra o governo russo, cujos efeitos são bombásticos.

Opinião:
   David Baldacci foi uma das grandes descobertas literárias deste ano, seu estilo de escrita é bastante pessoal, envolvendo bastante ação e suspense, mas para situar melhor o leitor seria algo como o protagonista fortão de Lee Child perdido em uma trama de Harlan Coben. Este é o primeiro livro da saga de Shaw um anti-herói que faz às honras de um caçador/agente secreto que enfrenta os bandidos mais cruéis ao redor do mundo, dando vida a clássica afirmação de combater o mal com o mal. O modo como o livro se desenvolve é totalmente diferente das obras de sua série mais famosa, com a dupla de detetives Sean King e Michelle Maxwell, enquanto em Toda A Verdade a história segue apenas uma linha de curso com uma trama mais rápida e ágil, a segunda sempre possui dois enredos ao mesmo tempo em que os detetives estão trabalhando em um caso principal, surge um problema secundário que eles devem solucionar. De modo que os livros de Shaw são mais interessantes para aqueles que buscam histórias similares aos autores citados acima.
   Em Toda a Verdade somos apresentados a Shaw, um homem sem identidade que possui apenas o sobrenome, que por questões de conveniência adotou como prenome a vogal A. Trabalha como mercenário para homens ricos quando foi capturado por um grupo que combate o crime usando técnicas pouco usuais dentro da classificação de entidade do "bem", não havia julgamento ou prisão para os culpados, era de execução sumária para cima se tivessem sorte. Em troca de liberdade Shaw começou a trabalhar para essa organização, como é um homem que não possui nada a perder, nem família e nem um lar, logo se destacou como o melhor agente em campo em situações delicadas e de morte certa, parecia até que a Morte o deixava viver em troca do tanto de almas que ele lhe mandava em cada missão. Isso era antes de conhecer Anna, com planos de casamento e uma aposentadoria forçada parte para seu ultimo trabalho, um serviço que mudará para sempre sua vida.
  Uma das qualidades de David Baldacci é a profundidade que dá a seus personagens, não tanto com relação ao lado emocional, mas sim as motivações que fazem cada um agir de determinada maneira. Seu vilão é uma criação fantástica, com sua identidade revelada desde o começo e suas motivações destiladas ao longo da trama a grande questão é como os "heróis" chegarão até ele e como conseguirão comprovar sua culpa.  Nicholas Creel é um dos grandes nomes por trás da indústria de armamento mundial, é de sua companhia, a Ares Corporation, que o mesmo tipo de arma que defende o cidadão americano nos países árabes no impasse da região e que vai parar nas mãos de meninos africanos em sua sangrenta guerra civil. Para Creel lucro é o que importa e apesar de estar faturando bilhões com pequenas guerras ao redor do mundo, acredita que o fim da Guerra Fria prejudicou seus negócios e seu desejo é que esse estado de medo retorne. Para isso fará valer uma de suas máximas: ''Por que perder tempo descobrindo a verdade quando se pode facilmente criá-la?''. Através de um conceito chamado Gestão da Percepção.
  A Gestão da Percepção é uma grande ação de marketing no qual as empresas tentam transmitir uma determinada postura perante a sociedade ou com relação a sua imagem e como as pessoas veem suas ações. Não consiste na manipulação de dados, mas sim na criação dos mesmos. David Baldacci apresenta o "lado negro" desta ciência, no qual uma empresa especializada em GP é contratada por Nicholas Creel para "criar uma guerra" entre os dois países mais desconfiados do mundo, Estados Unidos e Rússia. A maneira como o autor ressuscita o temor da Guerra Fria através das noticias "fabricadas" é genial transformando o romance policial em uma intriga internacional nos melhores moldes de Tom Clancy. Toda A Verdade possui uma trama fantástica que parece desenvolver vida própria e sugar o leitor dentro de suas páginas, entrou para a minha lista de favoritos.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

3 comentários :

  1. Este será meu próximo livro que lerei, depois que eu terminar Prince of Thorns que estou gostando muito.

    Maurilei.

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  2. Acabei de ler Toda a Verdade e o achei ótimo, uma escrita muito fluída, de fácil entendimento, com um vilão excelente e uma história que achei espetacular, com esse tema de criar a verdade. Alguns acontecimentos não achei muito crível, como os livros que li de Michael Connely por exemplo, mas não deixa de ser um ótimo livro.

    Maurilei.

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