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31 de agosto de 2014

Resenha: Rio: Zona de Guerra de Leo Lopes

Sinopse:
    Em um futuro próximo, as desigualdades sociais e econômicas chegaram a níveis tão alarmantes que o Estado não tem condições de manter a ordem e garantir a segurança pública. Todo o poder é concentrado nas mãos de megacorporações multinacionais que criam e impõem as leis por meio de suas milícias particulares, chamadas Polícias Corporativas. No Rio de Janeiro, a Fronteira, uma muralha intransponível que cerca a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, protege os interesses das megacorporações, relegando os habitantes dos demais bairros a uma vida sem lei em um território dominado pelas gangues. Tudo pode acontecer quando o assassinato de uma prostituta no edifício de uma megacorporação leva um detetive particular a voltar para a Barra da Tijuca após anos de exílio no que todos se acostumaram chamar de Zona de Guerra.

Opinião:
   Como será o futuro daqui a alguns anos? Será que os políticos irão cumprir suas promessas com relação à segurança e educação, proporcionando um mundo melhor livre da criminalidade que cresce desenfreadamente em todo o país? Que novas tecnologias as sucessivas, e cada vez com um espaçamento de tempo menor, evoluções da área de informática proporcionarão? Será que os avanços médicos evoluirão a ponto de combater as novas invenções bélicas e seus catastróficos resultados? Que tipo de efeito tudo isso pode causar no Brasil? O autor Leo Lopes responde a tudo isso em Rio: Zona de Guerra, um livro que mescla a agilidade narrativa e tensão do suspense com o ambiente claustrofóbico de uma distopia com ares de ficção-cientifica. E o resultado é uma obra que impressiona não por seu cenário altamente tecnológico e cyberpunk, mas pelo profundo questionamento das desigualdades sociais que produz.
  Estamos em futuro não muito distante, em uma nova sociedade em que o centro do poder gira em torno da economia através da figura das grandes corporações multinacionais, responsáveis pelo novo modelo de vida que se tornou mundial, entre seus benefícios para a sociedade está o fornecimento de segurança através de uma polícia privada; os níveis de poluição estão menores, pois o problema do trânsito foi resolvido, agora os automóveis funcionam através de campos magnéticos, com mais conforto e segurança para o motorista. Todas as casas agora possuem inteligência artificial com reconhecimento de voz que basicamente gerencia todas as pequenas sutilezas do lar, tornando-a vida mais deliciosa e, é claro, segura. Cada ser humano possui um BPM, um dispositivo que armazena todo o sortimento de informações acerca de seu usuário em seu banco de dados, possibilitando maior confiança e proteção durante as interações sociais e comerciais. A nova palavra de ordem é segurança. Isto é se você vive dentro das paredes da Fronteira.
   Uma grandiosa muralha foi construída pelas grandes corporações para criar seu mundo perfeito, rodeadas por homens armados e um sofisticado sistema de segurança, seus moradores desfrutam do que de melhor há em sua sociedade futurista.  Enquanto isso o lado de fora é conhecido como Zona de Guerra, um lugar marcado pela violência e a incerteza de viver o outro dia, abandonados pelo governo e pelas próprias grandes empresas, as pessoas construíram suas moradias em meio aos escombros da guerra que foi travada para permitir essa separação, ao invés de vilas e cidades comandadas por prefeitos e vereadores, agora há zonas controladas por gangues que se divertem matando membros de organizações rivais e enfrentando a policia corporativa. Em meio a esse cenário surge um detetive, morador da Zona de Guerra que é contratado para investigar o suposto suicídio de uma acompanhante de luxo dentro das barreiras da Fronteira. Após um começo sangrento descobre que há segredos por trás desta história que alguém não quer que sejam revelados e essa pessoas está disposta a se utilizar dos mais perversos meios para alcançar esse objetivo. Qual será esse segredo?
   A escrita de Leo Lopes é bastante ágil e concisa, sem se demorar em explicações desnecessárias o enredo se desenvolve veloz, há todo um universo criado que pode ser explorado em novos livros ou contos, como menções a grandes conflitos e guerras que ocorreram para a sociedade carioca chegar ao ponto que está. Quanto a influencias pode-se notar grande inspiração na Trilogia dos Robôs de Isaac Asimov, em especial com relação às Leis da Robótica como em uma cena na qual o protagonista se utiliza de grande astúcia para burlar a lógica de uma inteligência artificial. Rio: Zona de Guerra é um ótimo livro, obra de um autor promissor e de um gênero em franca expansão nacionalmente. Altamente recomendado!

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. Hmmmm, me fez lembrar de Rio 2054, que é muito bom também.

    Vou procurar!

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  2. Belo blog! Adorei :)

    Te convido a visitar o meu se gostar segue! Follow-me em @mcm_blog
    Abraços!

    http://meninacharmemoda.blogspot.com.br

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