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31 de agosto de 2014

Resenha: Os Pilares da Terra de Ken Follett

Sinopse:
 Um mergulho na Inglaterra do século XII e na construção minuciosa de uma catedral gótica. Emocionante, complexo, pontilhado de coloridos detalhes históricos, Os pilares da terra traça o painel de um tempo conturbado, varrido por conspirações, jogos intrincados de poder, violência e surgimento de uma nova ordem social e cultural. A figura que melhor expressa os ideais que inspiraram Ken Follett a escrever este livro é Philip, prior de Kingsbridge, um homem que luta contra tudo e todos para construir um templo grandioso a Deus. Mas a galeria de personagens que gravitam em torno da catedral inclui Aliena, a bela herdeira banida de suas terras, Jack, seu amante, Tom, o construtor, William o cavaleiro boçal, e Waleran, o bispo capaz de tudo para pavimentar seu caminho até o lugar do Papa, em Roma. Como painel de fundo, uma Inglaterra sacudida por lutas entre os sucessores prováveis ao trono que Henrique I deixou sem descendentes. Épico que consegue captar simultaneamente o que acontece nos castelos, feiras, florestas e igrejas, Os pilares da terra é a recriação magistral de uma época que nossa imaginação não quer esquecer.
Opinião:
   A ficção histórica sempre produz livros gigantescos que narram à aventura épica de personagens e geralmente cobrindo a totalidade de suas vidas, Os Pilares da Terra não é diferente das histórias que li desse gênero, a maravilhosa edição da Editora Rocco com capa dura e mais de novecentas páginas assusta ao primeiro olhar, mas a narrativa ricamente detalhada e fluída ao ponto das mãos e braços doerem de segurar por tanto tempo um livro tão pesado, fazem com que o leitor realmente se transporte para uma época medieval em meio aos conflitos que permeiam as relações entre estado e igreja, através da obra de construção de uma grandiosa catedral, cujos benefícios não se estendem apenas ao espírito, mas também seguem motivações bastante terrenas.
   Em minha opinião, em relação a livros de fantasia e ficção histórica, quanto maior o tamanho do livro a qualidade se mantém no mesmo patamar das páginas, com poucas exceções a regra. Não foram poucas as obras do gênero que me encantaram com suas grandiosas epopeias narrando a vida toda de determinados personagens, para citar alguns: Xogum e Gai-Jin de James Clavell, um olhar elegante e sagaz sobre a cultura japonesa e os reflexos do choque cultural da seu encontro com o homem ocidental; O Titã de Fred Mustard Stewart, a história de um vendedor de armas que atravessa as duas grandes guerras mundiais; Asteca de Gary Jennings uma visão emocionante dos últimos anos da cultura asteca e seu conflito com uma nova raça vindo dos mares distantes, deuses de quatro patas; O Físico de Noah Gordon, a saga de um aprendiz de médico na idade média. E agora Os Pilares da Terra de Ken Follett, uma viagem impressionante ao século XII, em plena revolução inglesa no ápice do conflito estado e religião no país.
   Os Pilares da Terra consegue ressuscitar um período bastante conturbado da Inglaterra, a morte do Rei Henrique sem deixar herdeiros causou uma grandiosa e sangrenta revolução pela sucessão do trono, o país se dividiu entre nobres que alegavam direitos da coroa sendo por direito sanguíneo ou mesmo apenas porque possuem poder para fazê-lo. Nesse cenário surge uma segunda linha da nobreza, formada por Duques e Condes, que se dividem em intrigas e mentiras para apoiar o melhor candidato, ou aquele que o beneficiará mais se alcançar o poder. A Igreja é uma grande força nesse jogo de poderes, Bispos e Arcebispos, se utilizando de seu grande apoio entre a população delegam poder a seus preferidos para que no momento em que estes chegarem a um cargo importante dentro do governo seus interesses sejam ouvidos, interesses esse que muitas vezes não se relegam apenas a espirituais, mas também aos materiais, já que grande parte dos religiosos de renome são donos de castelos e terras. É nesse cenário que a construção de uma Catedral alcança o esforço de uma tarefa hercúlea da parte de todos os envolvidos.
    É uma época difícil para as pessoas simples que ganham seu sustento através da terra e vivem sob o capricho de senhores cruéis em busca de lucro para a campanha de guerra civil que se avulta no horizonte sombrio do futuro. A trama acompanha a família de um pedreiro construtor em busca de trabalho que atravessa com a esposa grávida o país, um casamento desfeito entre a nobreza o faz perder seu ganha pão durante o inverno, de modo que famintos buscam asilo de aldeia em aldeia sobrevivendo com o mínimo possível. Um prior de uma pequena catedral do interior busca alcançar mais fundos na capital da fé Kingsbridge, um lugar outrora rico e encantador, mas que por má administração de seus prior atual jaz capengando sob as pernas que mal sustentam seu peso, mal sabe que a viagem que está prestes a empreender mudará sua vida para sempre. Muitos outros personagens surgem ao longo do caminho narrativo representando a nobreza e suas sutis maquinações, o lado negro da igreja...
   Ken Follett produziu uma obra de incomparável qualidade, com uma narrativa que mistura descrições de artimanhas no jogo pelo poder à épicas batalhas sangrentas em campos de guerra que atravessam os lares de camponeses. Um livro que traça um profundo perfil do ser humano medieval, a importância de religiosidade e sua influencia na psique humana, os horrores que eram impunemente cometidos, os atos cruéis cujos meios eram justificados pelo fim além de uma aula de história que se mistura suavemente a ficção. É um ótimo livro, ao mesmo tempo em que inspirador nos faz refletir sobre a tristeza e adversidades da vida. Leitura Recomendadíssima. Na lista de favoritos.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

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