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1 de agosto de 2014

Resenha: As Cavernas de Aço de Isaac Asimov


Sinopse:
   Em Nova York, o investigador de polícia Elijah Baley é escalado para investigar o assassinato de um embaixador dos Mundos Siderais. A rede de intrigas envolve desde sociedades secretas até interesses interplanetários. Mas nada o preocupa tanto quanto o seu parceiro no caso, cuja eficiência pode tomar o seu emprego, como acontecera com seu pai no passado. Pois seu parceiro é um robô. Publicado no início da década de 1950, As Cavernas de Aço é o primeiro romance do consagrado Ciclo dos Robôs de Isaac Asimov, mesclando de forma magistral os gêneros de ficção científica e literatura policial.
As Leis da Robótica
1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido.
2 – Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3 – Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei.

Opinião:
  Isaac Asimov é uma das maiores mentes da ficção-científica e em Cavernas de Aço alguns dos pilares das suas histórias são lançados, a nova edição da Editora Aleph traz além de uma tradução maravilhosa e atualizada, uma introdução do próprio autor contando suas experiências com robôs na literatura, desde suas influências e primeiros contos até a criação das chamadas Leis da Robótica. Asimov utiliza a questão dos robôs parecidos com os humanos para discorrer sobre temas que são atuais como a segregação e preconceito, os direitos dos seres vivos além de uma profunda questão sobre o que é ser humano e ser máquina. Qual a linha que separa o vivo do inanimado?
   A humanidade cresceu e evoluiu tanto que ultrapassou as expectativas dos seus antepassados, a colonização de outros planetas foi uma solução para enfrentar a superpopulação que esgotava cada vez mais os recursos da Terra. O tempo passou e duas "raças" distintas de humanos acabaram se formando, os descendentes dos exploradores de outros planetas ficaram conhecidos como siderais, as dificuldades encontradas na colonização e na própria construção de uma nova sociedade fizeram com que se tornassem mais evoluídos que os terráqueos, que se acomodaram na sua nova sociedade estável. Mesmo assim a população da Terra ficou gigantesca, as cidades cresceram tanto que acabaram virando uma grande teia de ferro, que tendo seu crescimento horizontal alcançado o máximo possível, começou uma crescente verticalização criando assim as Cavernas de Aço. Os homens agora perderam o contato com a terra e o ar livre e a luz do sol consegue atingir apenas os níveis mais superiores, as pessoas se revezam para sentir um pouco dessa luz, lógico que protegidos por enormes redomas de vidro, afinal agora são evoluídos e não os medievalistas de outrora.
   As mudanças físicas no espaço humano exigiram grandes mudanças sociais para garantir preceitos básicos como a privacidade e alimentação. Foram criadas grandes banheiros comunitários no qual a conversa era proibida e olhar para o outro era uma violação ao código existente, da mesma forma grandes refeitórios foram construídos para o controle de alimentos, a comida era escassa e de acordo com sua posição na sociedade poderia conseguir um pedaço de carne ou algo mais exótico, porém é bom não de destacar se quiser fazer amizades por aqui. A política também foi afetada, a corrupção parece ser uma gangrena eterna que jamais desaparecerá, a grande mudança, porém parece vir com a intervenção dos Siderais que querem inserir na sociedade terráquea robôs praticamente indistinguíveis dos seres humanos. Entre a população isso causa grande revolta, pois retornamos a mesma espécie de mecanização industrial que ocorreu há séculos atrás na Revolução Industrial. Não há trabalho operacional que um robô não consiga desempenhar de maneira mais produtiva e satisfatória que um ser humano. O desemprego cresce e o descontentamento aumenta na mesma medida.
  É nesse cenário que Asimov insere o protagonista Elijah Baley, um policial que vê seu departamento ser tomado por robôs que executam tarefas básicas antes relegadas a estagiários, competente em seu trabalho e extremamente correto ao seguir os códigos tanto jurídicos como moral acaba sendo o escolhido para fazer parte de uma experiência inédita, trabalhar ao lado de um investigador robótico, uma máquina bastante experimental que se parece em todos os mais ínfimos detalhes com um ser humano de carne e osso, tanto que até os maiores especialistas em robótica da Terra são enganados por sua aparência. O caso que terão que enfrentar também é sem precedentes, um assassinato ocorreu em meio a território dos Siderais e acredita-se que um terráqueo seja o culpado. As Cavernas de Aço mistura clima de ficção-científica com a tensão do suspense policial criando um livro ágil e instigante, que merece destaque por suas implicações e questionamentos sociais que surgem da metáfora robô/humano. Boa Leitura!

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

Um comentário :

  1. Até agora li apenas dois livros de Asimov. "Viagem Fantástica" (novelização do filme - Acha, Asimov escrevendo uma novelização!!!! - rs) e "Eu, Robô". Agora me interessei pelo livro que vc resenhou e classificou com 10 caveiras. Vamos ver se compro é que a minha lista de leitura está quase saindo de controle (rss).
    Grde abraço!!

    www.livroseopiniao.com.br

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