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1 de julho de 2014

Resenha: O Carro de Dennis Shryack e Michael Butler


“Oh poderosos irmãos da noite, que cavalgam nos ventos quentes do inferno e habitam o covil do diabo, movam-se e apareçam!”

Sinopse:
   Lindo, preto, poderoso, invencível. Uma fera metálica à solta, buscando suas presas. Na cidade de Santa Ynez, encontrou o que procurava. Uma por uma, foi matando suas vítimas horrorizadas, e depois desaparecia no deserto. De onde tinha vindo? Ninguém sabia? Quem o guiava? Alguém. Alguma coisa. Talvez o próprio demônio...

Opinião:
   A primeira coisa que você ouve é um som rouco, como um ronronar felino, às suas costas a escuridão completa de uma noite sem lua lhe traz uma cegueira paralisante. Aos poucos as sombras se dispersam em pequenos movimentos calculados, seu coração dispara, seu instinto de sobrevivência grita perigo através de seus poros e logo sangue começa a ser bombeado rapidamente para suas pernas, alguma coisa se esconde nas sombras. Seus ouvidos, através do rugido furioso das batidas do coração, captam o silencio claustrofóbico levemente perturbado pelo farfalhar das folhas de uma árvore próxima ao sabor do vento noturno. É quando um ronco explode a tensão do ar, o ronronar se torna um rugido de leão, o motor potente de um carro acionado com raiva, logo dois pontos brilhantes surgem iluminando as sombras, os faróis ganham o ar sobrenatural dos olhos de um predador em plena caça. Quando seus pés pensam em começar a corrida pela vida, o cheiro de borracha queimada lhe invade as narinas e sua ultima sensação é a queimação que a grade do carro produz em suas costas. Logo toda a dor acaba.
    O Carro é mais uma daquelas histórias de terror da década de setenta baseadas em roteiros de filmes, no Brasil sua versão cinematográfica foi chamada de O Carro - A Máquina do Diabo, que se transformam em pequenos livros cuja leitura é rápida e fluída e que possuem bons momentos de tensão, mas uma de suas principais características é que não dão tanta importância para o desenvolvimento dos personagens, seu foco é no acontecimento em si e em como as pessoas reagem diante do desconhecido. Uma típica história de horror americana que passa em uma cidadezinha pequena, rodeada de superstições indígenas, na qual os moradores têm suas crenças confrontadas com a existência do sobrenatural. Uma curiosidade interessante é que foi a versão cinematográfica que inspirou Stephen King a escrever Christine, uma das cenas mais dramáticas e violentas de O Carro é bastante similar a um dos atos de vingança do Plymouth Fury de King.
   Tudo começa quando dois ciclistas são perseguidos por um estranho carro preto durante um passeio nas montanhas, no inicio imaginando se tratar de um motorista engraçadinho diminuem a marcha das pedaladas com o intuito de deixá-lo os ultrapassar, mas quando fica claro que essa não é sua intenção o desespero toma conta de seus corações, e apesar de todos os efeitos acabam se tornado as primeiras vitimas do grandioso carnaval de sangue que a máquina demoníaca está prestes a iniciar. O Carro é um Lincoln Continental Mark III customizado com vidros escuros de 1971. O livro possui pouco mais de duzentas páginas que passam voando devido a tensão e suspense do enredo, a escrita é bem cinematográfica com mais ênfase nos diálogos e descrições de cenas que na composição dos portes físicos de personagens e cenário em geral. Não é um livro fantástico e assustador mas possui uma história interessante que diverte, é uma ótima opção para uma leitura de final de semana. Boa leitura!

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (8/10 Caveiras)

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