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20 de julho de 2014

Resenha: NOS4A2 (Nosferatu) de Joe Hill


“Joe Hill elabora uma batalha épica e crível entre mundos reais e imaginários, criando uma heroína que pode viajar de uma dimensão a outra. Nosferatué um livro arrepiante e cheio de reviravoltas. Uma obra criativa, astuta, magnífica.” – The New York Times 

“Nosferatu explora brilhantemente fantasias obscuras clássicas e modernas, prendendo a atenção do leitor do início ao fim. Joe Hill é um mestre do terror.” – Publishers Weekly 

“Em A estrada da noite e O pacto, Hill demonstra pistas de um repertório literário fenomenal. Nesta obra-prima, todos os seus recursos foram colocados em prática. Ele é um autor insaciável por histórias e personagens e Nosferatu é seu melhor livro.” – Booklist 

“Nosferatu é uma realização de peso e faz de Joe Hill um dos maiores expoentes – se não o maior – da nova geração de escritores de horror.” – Washington Post 

Sinopse:
   Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem.
   Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
   E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... E acaba encontrando Charlie.
   Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

Opinião:
   NOS4A2 (Nosferatu) é a tese de doutorado em horror de Joe Hill, se antes ele era considerado uma grande promessa do gênero, agora pode ser creditado como um dos maiores nomes da atualidade na literatura de terror, com um futuro gloriosamente sombrio e perturbador. Suas principais características são a descontração de sua narrativa que, assim como seu pai fez nos anos setenta, é um mosaico da cultura popular de sua época, além da exploração de temas atuais através de uma reinterpretação do horror com toques do gore, retirados dos anos oitenta. Stephen King em seus livros, através de pequenas menções subjetivas, criou um universo expandido de suas obras que se relacionam e se cruzam em um universo onde os monstros nunca morrem, coisas más acontecem com pessoas boas e onde o herói nem sempre consegue se sair vitorioso.
   Joe Hill, como uma espécie de brincadeira cria conexões com o universo de seu pai através de menções de lugares como Castle Rock, Shawshank e o Mundo Médio; personagens como Pennywise, além de comparar o trabalho de Manx com o True Knot, vilões de Doctor Sleep. Mas mais do que isso cria seu próprio universo tecendo de maneira mais elaborada e intrínseca a trama que une NOS4A2 com O Pacto e Estrada Da Noite. Há também ligação com a sua série em quadrinhos Locke & Key além da menção de dois livros que podem vir a ser publicados, cujos esboços principais estão formados na mente do autor: The Crooked Alley e Orphanhenge. Em comparação com seus livros anteriores NOS4A2 é gigantesco com mais de seiscentas páginas, mas o próprio autor revelou que o manuscrito passava das mil das quais mais de 100 eram apenas sobre Manx e sua relação de origem com a Terra do Natal, esse material todo foi cortado para surgir depois em forma de uma minissérie em quadrinhos chamada: Wraith: Welcome to Christmasland. Em suma NOS4A2 é uma grande trama que une o recém-criado universo de Joe Hill.
    A história se baseia na premissa de que cada pensamento e fantasia são reais dentro da mente daquele que a criou. O que é a música senão o delírio de um artista expresso em notas musicais? Sua fantasia alucinatória tornada verdadeira através de um instrumento, que forma uma espécie de ponte entre a imaginação e realidade fazendo com que outras pessoas compartilhem sua criação tornando-a "experimentável e real". Mas isso é trazer seu mundo interior à tona e destilar sua paisagem interior a quem se interessar investigar, pois aquilo que saiu de sua cabeça é nada mais que um reflexo de quem você é, um prisma de sua alma. E se o contrário fosse possível? Ao invés de rasgar o frágil tecido da realidade trazendo para fora seus pensamentos, fosse possível levar coisas reais para o seu mundo de imaginação? Victoria McQueen consegue isso através de sua bicicleta, quando quer encontrar algo é só começar a pedalar que uma espécie de ponte se abre exatamente no lugar que aquela coisa ou alguém está. É o mesmo dom de Charles Talent Manx que consegue com seu carro chegar a um obscuro parque de diversões que existe em sua mente, A Terra do Natal onde as crianças são felizes para sempre.
   Joe Hill teve extremo cuidado na criação de seus personagens, cada detalhe foi adicionado com um propósito e o resultado final são protagonistas extremamente humanos, é onde o horror reside, na crença de que todos são humanos e de o monstro não se esconde debaixo da cama, mas sim na escuridão do coração de cada um de nós. A maldade não é restrita aos vilões ao mesmo modo que a compaixão não é apenas um atributo de heróis, o autor navega pelas paisagens interiores dos leitores, criando cenas belas e assustadoras, tão aterrorizantes por serem reconhecíveis. Sem dúvidas é um dos melhores, senão melhor, lançamento de horror da década e deve ser reconhecido como um clássico. Indicado a todos aqueles cujo coração há anos clamava pelo sucessor do Rei, com vocês o Príncipe do Terror, Joe Hill.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

19 comentários :

  1. Como amante do gênero, estava na espera desse livro. Sua resenha deixou minha mente inquieta e sedenta para penetrar neste mundo criado por Joe Hill. Ótima resenha.
    100 Caveiras.rsrs

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  2. Já estava ansiosa por esse livro, agora estou ainda mais! Eu amo os livros de Joe Hill desde o primeiro livro!

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  3. O príncipe do Terror, Joe Hill! Amei!

    Meu, que resenha profunda, cheguei a sentir o livro. Estou extremamente curioso para NOS4A2! E sigo sua indicação, porque quando foi que eu segui uma indicação sua e me arrependi? Nenhuma vez. Battle Royale e O Pacto, pra mim foram muito demais! :D Saudade de ler livros do Rei!

    http://gabryelfellipeealgo.blogspot.com.br/
    El Costa, do Confins Literários

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  4. Queria q Joe tivesse um lançamento por ano, assim como King !

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  5. Lucas de Figueiredo22 de julho de 2014 21:02

    Adorei a resenha. Sou fã de Joe Hill desde quando li A Estrada da Noite há alguns anos atrás (confesso que sempre preferi as obras do filho do que as do pai). Sempre quis ler NOS4A2, mas nunca tive coragem de adentrar no livro em seu idioma original, porém agora, depois de ler a sua resenha e descobrir que o livro já se encontra em português, tenho certeza de que NOS4A2 fará parte da minha estante, onde encontram-se todos os livros que amo.

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  6. Esse livro chegou ontem e caramba, vai ser minha próxima leitura! Parece muito bom e depois da tua resenha fiquei com mais vontade ainda de ler. Ainda não li nada do autor, tenho O Pacto aqui mas ainda não tive tempo de ler, acho que preciso dar um jeito nisso logo!
    Parabéns pela resenha e pelo blog!

    Um abraço
    Lara - Magia Literária
    http://www.magialiteraria.com/

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  7. Eu vi esse livro esses dias nos lançamentos da arqueiro, e definitivamente ele já está na minha lista..
    Li apenas um livro dele, mas foi o suficiente pra eu virar fã... assim como gosto muito do pai dele..

    Adoro livros de terror, mas tenho conhecido poucos exemplares ultimamente...
    =//

    Curti muito a sua resenha
    ;)

    Beijinhos
    Lika
    www.fernandameireles.com

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  8. Depois dessa resenha, só me pergunto porque ainda não li nenhuma obra do Joe Hill. Devo começar por A Estrada da Noite, mas espero que NOS4A2 chegue logo nas livrarias, sua resenha me deixou muitíssimo curiosa :D
    Beijo :*

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  9. O Stephen King deixou o menino perturbado! Muito zica esse livro!

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  10. Nossa, fiquei impressionada. Nunca li nada dele, mas fiquei absurdamente curiosa agora. Só preciso de coragem! Até hoje não consegui ler O Iluminado, mesmo amando o Stephen King. Vamos ver, essa família é de loucos! hahahahaha

    Beijos!!

    Clouds and Fantasy

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  11. Já li o pacto, já li estrada da noite, estou morrendo de curiosidade agora que li essa resenha... Me arrepiei quando no final você coloca "O príncipe do terror".

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  12. Muito exagero nessa resenha e na sinopse, hein... rs. "tese de doutorado em horror!" "Viagem alucinante ao mundo do terror"! A pergunta que faço é: você sentiu medo, ao lê-lo? Porque até hoje só senti medo lendo 3 livros de terror, olha que leio muitos ao ano...

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  13. Na verdade o "sentir medo" é algo bastante pessoal, suas fobias ou o que você teme é baseado nas suas experiencias pessoais e regido pela própria maneira como você encara a história, se você fizer uma leitura sem realmente se inserir na trama e sentir na pele o que o que o protagonista sente nunca irá sentir a emoção de ler. Eu também leio muitos livros ao ano, grande parte de terror e mesmo "velho de guerra" no gênero ainda me pego sendo surpreendido pelas leituras. Na verdade sempre gostei de horror e sou bastante medroso, mas adoro a sensação que esse tipo de leitura trás e é por isso que leio, que amo ler. Senti medo sim ao ler, a figura do vilão buscando crianças com seu grande carro preto bate de frente com a imagem que fazia de carros de estranhos quando criança, mesmo sentimento que ler Christine me causou, a descrição da Terra do Natal com as crianças e seus macabros brinquedos é arrepiante. Só posso dizer que aproveitei ao máximo a leitura e o prazer que Nosferatu me proporcionou é o responsável pelo que nas suas palavras é "exagero". Mas você se quiser não é? Afinal eu apenas indico livros que gostei, se seu gosto é parecido ou não com o meu está no blog errado :)

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  14. Cara, não se chateie com meu comentário. Não o fiz por mal. Acho seu trabalho simplesmente espetacular, já me ajudou muito a fazer boas escolhas, de bons livros. Se fiz uma crítica, acredite, achei que fosse construtiva. Desconfie de pessoas que só lhe elogiam, porque ninguém é isento de falhas. Sempre aprendemos com as críticas alheias, ainda que improcedentes, como as minhas devem ter sido. Também leio livros de horror, há anos! Li Christine quando tinha 17 anos de idade, hoje tenho 43 anos. Na época eu era adolescente, jogava xadrez (ainda jogo, rs) e tinha espinhas no rosto. Logo, foi inevitável me identificar com o protagonista do livro. Não me assustei com Christine, mas adorei cada página desse livro. Hoje comprei Nosferatu, lerei e depois comentarei aqui, se você deixar, claro. Mas quero que saiba que seu blog é maravilhoso, seu trabalho é excelente, já comprei muitos livros que você indicou e gostei de todos! Sem exceção. E nossos gostos batem, sendo muito difícil achar muitas pessoas que gostem de terror. É isso. Na paz!

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  15. Eu tenho esse livro mas não estou conseguindo avançar na leitura, acho que estou com saudade da diagramação da Objetiva nos livros do Stephen King, que por alguma razão eram a "cara" de livros de terror (e eu meio que associo os livros dele com os do filho). De qualquer forma uma hora eu vou terminar de ler, só quero que a Victoria cresça logo, está um pouco chato acompanhar o passado dos personagens, pois eu achei que a história já começaria com ela adulta.

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  16. Um dos melhores livros que já li. Pra mim, a leitura fluiu muito bem. Muito bacana o clima de mistério e mescla entre realidade e fantasia que estão inseridos no livro. Há também um grande enfoque em relação à mente doentia da dupla assassina. Ainda ñ terminei, estou perto, mas até agora foi sem dúvida o melhor livro do gênero que já li.

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  17. Um dos melhores livros que já li. Pra mim, a leitura fluiu muito bem. Muito bacana o clima de mistério e mescla entre realidade e fantasia que estão inseridos no livro. Há também um grande enfoque em relação à mente doentia da dupla assassina. Ainda ñ terminei, estou perto, mas até agora foi sem dúvida o melhor livro do gênero que já li.

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  18. Li Nosferatu mas não consegui me assustar. Acho o estilo de Joe Hill diferente, mas para mim ele não consegue imprimir tanto horror em seus livros como o King e Clive Barker. Em determinadas passagens do livro, sua imaginação realmente é muito boa. Como na parte final em que Vic encontra Manx na Terra do Natal. A descrição que ele faz da Terra do Natal e suas crianças vampirescas, são de arrepiar... Por incrível que pareça, gostei mais de Estrada da Noite, que foi alvo de críticas de especialistas... Mas livros são como perfume e música, cada um com suas preferências... É muito pessoal.

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