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4 de julho de 2014

Livros Baseados em Fatos Reais I (Psicose e O Exorcista)

   Sabe aquele livro de terror assustador que te deixou sem dormir por semanas a fio? Pois é acredita que ele é baseado em fatos reais? Não? Então eu preparei uma série de matérias sobre alguns livros que possuem essa premissa, o que há por trás dessas histórias e outras questões que nos surgem a mente quando nos deparamos com esse lema. Até onde o fino tecido que separa a realidade da ficção é distinguível? Quando entraremos no mundo das suposições e crenças? Os dois primeiros livros selecionados são: Psicose de Robert Bloch e O Exorcista de William Peter Blatty.


Psicose de Robert Bloch


   Uma jovem e bela loira dirige seu carro através de uma cortina impenetrável de chuva, que deixa a noite ainda mais escura, seus olhos quase não consegue ver o letreiro de um motel de estrada desligado, com a certeza de que estava perdida e era melhor descansar, a garota para em busca de descanso. Após um breve encontro, ligeiramente estranho e mórbido, com afetado Norman Bates, dono do local, busca o aconchego e calor de seu quarto onde espera conseguir encontrar a tranquilidade em um banho. Então entra no chuveiro, fecha a cortina de plástico e abre a torneira. A água escorre copiosamente e, enquanto a jovem ensaboa seus cabelos de olhos fechados, um vulto feminino abre devagar a porta. Sua mão empunha uma faca de açougueiro. Ouve-se um grito e a faca avança, avança de novo, e de novo... Logo a água que escorre para o ralo é pintada de vermelha, descendo em um furioso turbilhão que parece refletir as emoções dos olhos arregalados do corpo que cai ao chão.
   Norman Bates, a cruel criação de Robert Bloch e imortalizada pelo grande Alfred Hitchcock, chocou as audiências com suas fortes imagens para a época, porém nada foi mais assustador que saber que o protagonista foi inspirado em um maníaco real, muito mais sádico e violento que o retratado, seu nome era Edward Gein. Psicose foi apenas uma das muitas obras que se utilizaram da figura do monstro para tecer tramas de horror, Tob Hooper fez o mesmo no filme O Massacre da Serra Elétrica e Thomas Harris também na criação do vilão de O Silêncio dos Inocentes. Ed Gein era parecido com Norman em muitas coisas, seu caráter recluso evitava a curiosidade dos vizinhos, que ficaram horrorizados quando foram descobertos os cadáveres em sua propriedade, em principal a relação com sua mãe, que o criou de maneira extremamente dura e possessiva gerando sua visão distorcida sobre mulheres.  O monstro é real e nunca morre, sempre renasce em um novo corpo.

O Exorcista de William Peter Blatty


    A garota amarrada na cama havia perdido toda sua aura de inocência, por trás de seus olhos havia uma lascívia e depravação que não eram comuns para sua idade, aliás, não era comum em nenhum olhar humano. Seu corpo exalava um fedor repulsivo e, o cheiro de vômito se misturava as fezes, sua pele era uma trilha de cicatrizes e feridas mal curadas. A voz doce a gentil foi substituída por um grasnar rouco que transmitia um sarcasmo e ódio que gelava o ambiente do quarto infantil. A menina estava imersa em uma sessão de palavrões quando subitamente para e seu olhar atravessa a janela com um rosnar surgindo do fundo de seus pulmões. Enquanto isso lá fora um homem parado sobre a luz de um poste se preparava para a maior batalha espiritual de todas...
     William Peter Blatty com seu romance e adaptação cinematográfica definiu um marco tanto na literatura como cinema de horror ao apresentar uma adorável garotinha possuída por um espirito diabólico e vulgar, o sucesso de O Exorcista foi tão grande que o tema possessão demoníaca até hoje é explorado incansavelmente por autores, mas foi na década de oitenta que a explosão dos romances diabólicos alcançou seu ápice. O furor da obra somente aumentou com a declaração de que sua história era baseada em fatos reais, na verdade em um artigo que o próprio Blatty leu ainda na faculdade sobre o exorcismo de um garoto de treze anos. As buscas pela origem da história e sua veracidade foram incessantes, inúmeras versões alegando serem detentoras dos segredos surgiram, porém um livro especial, lançado no exato aniversário de vinte anos da obra, é considerado o mais próximo do que se aceita como real na história toda, escrito por Thomas B. Allen, Exorcismo: Uma História Verdadeira se encontra, para nossa surpresa, esgotado nas estantes brasileiras.
    O livro de Thomas Allen foi baseado no diário de um bispo participante dos rituais, ao todo foram nove religiosos envolvidos no exorcismo, e nos relatos de testemunhas, familiares e amigos. O nome do garoto é um dos pontos de discussão, alguns afirmam se chamar Roland Doe, o autor diz que seu nome é Robert Mannhein, embora apesar de tudo para proteção sua identidade seja desconhecida. Diferente da teatralidade que Blatty tenta imprimir em O Exorcista, Allen mostra que o ritual não é aquilo que se espera, ao todo foram realizadas mais de trintas esgotantes sessões de exorcismos no pobre garoto até que finalmente seu espirito se visse liberto de sua perturbação.
    As manifestações sobrenaturais começaram logo após a morte da tia do menino que era uma espiritualista que supostamente o havia apresentado ao tabuleiro Ouija. O menino então teria tentado entrar em contato com a falecida através do Ouija e o que encontrou foi algo muito mais sombrio que acabou dominando seu corpo. Os acontecimentos começaram a se desdobrar assim como no livro: passos eram ouvidos em cômodos vazios da casa, móveis eram inexplicavelmente encontrados em lugares diferentes dos habituais, ruídos noturnos estranhos, além de objetos caindo de lugares e portas e janelas se fechando bruscamente sem contato com vento algum. O garoto começou a ficar bastante perturbado e sua personalidade sofreu alterações, foi levado a psiquiatras e psicólogos que não souberam especificar a origem do que acometia o pobre menino. A constatação da possessão ocorreu através de um reverendo que testemunhou a cama do jovem balançando loucamente e objetos movendo-se através do quarto.
   Com o mesmo fervor que alguns acreditam na história existem aqueles que dispõem todas as inconsistências do caso e tentam desvendar o que realmente há por trás dos exorcismos praticados em quase todas as religiões. Realmente as questões relativas à fé e as crenças são grande enigmas que sempre irão testar os limites da credulidade humana, é lógico que Blatty criou muito das cenas de o Exorcista apenas com o intuito de assustar o leitor que não deve acreditar em tudo aquilo que lê, mas mesmo com todas as divergências sobre o assunto todos concordam em um ponto, o exorcismo do garoto realmente ocorreu e os artigos dos jornais servem como prova do acontecimento que atraiu certa atenção da mídia na época. E você no que acredita?

2 comentários :

  1. CACETADA! Eu fiquei de boca aberta! Eu não duvido muito disso não, acho que foi retirado mesmo de relatos de um diário de um bispo, por quê não? Maravilhosamente trágico! Wool!

    http://gabryelfellipeealgo.blogspot.com.br/
    El Costa, do Confins Literários

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  2. Quero ler os dois livros, principalmente 'O Exorcista' que sempre só vejo bons comentários e recomendações acerca da história, mas o livro sempre está tão caro =/ assim como o Psicose. Amo o filme e acho que eu vou curtir o livro também!

    Abraço!
    www.umomt.com

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