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27 de junho de 2014

Resenha: Os Três de Sarah Lotz


"Os Três é um livro maravilhoso, uma mistura de Michael Crichton com Shirley Jackson. Muito instigante, impossível parar de ler.” STEPHEN KING

Sinopse:
   Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Opinião:
     Os grandes desastres sempre atraíram a curiosidade humana sobre as vitimas e os sobreviventes, aqueles que enfrentaram a morte cara a cara, em uma situação praticamente impossível de se sair vivo, e conseguiram retornar para contar sua história. Mas o que existe por trás desse sentimento mórbido de saber os detalhes dos acidentes? Talvez a vontade de saber em como a morte foi driblada para no futuro tentarmos evitar o inevitável? Ou apenas um instinto pré-histórico que gosta de ver sangue? Sara Lotz, a autora de Os Três discute tudo isso em sua obra, de maneira absolutamente inteligente e sagaz, tecendo teias que vão desde o 'porque' até os 'desdobramentos' dos fatos em uma narrativa fragmentada que é contada através de entrevistas, relatórios policiais e de autópsias, artigos de jornais, blogs e revistas, além de transcrições de mensagens entre os envolvidos. O resultado é um livro arrepiante.
    A sensação ao ler Os Três é estar defronte a um desastre real, a repercussão sensacionalista da mídia e de poderes religiosos é amplamente explorada, temos uma visão aberta que segue os variados seguimentos afetados com a queda dos quatro aviões e o aparição dos sobreviventes: jornalistas, policiais, médicos, seitas religiosas, familiares e amigos. A narrativa divide-se em duas partes, uma contada através da ótica dos familiares e responsáveis pela cuidado com os Três e a outra segue o furor da histeria religiosa, que se espalha como chama através de palha, amplificada pela crença do apocalipse e no retorno do Anticristo. As entrevistas são realizadas após todos os acontecimentos já terem se desdobrado, de modo que os personagens sabem o que ocorreu mas a maestria da autora faz com que o suspense de saber 'o que' e depois 'como' invada o leitor. Assim como Stephen King, Sara Lotz utiliza os finais de capítulos ou títulos de entrevistas para soltar indiretas como 'foi a ultima vez que a viu com vida'.
   Se você espera encontrar uma narrativa linear que responda a todas as perguntas, esqueça este não é um livro para você, a trama é contada através de um livro reportagem, escrito pela jornalista Elspeth Martin, que de maneira objetiva reúne os fatos de cada lado, ao mesmo tempo em que mostra o assédio incontrolável da mídia por um vislumbre dos sobreviventes, disseca a perturbada mente religiosa que acredita que as crianças foram possuídas por demônios ou ainda aqueles que creem numa experiência alienígena. Algumas passagens do livro são bastante similares a premissa por trás de Os Invasores de Corpos de Jack Finney e são elas que contém o suspense que prende o leitor ás páginas, a história vai ficando cada vez mais sombria, até que não sabemos mais em que acreditar, será que é apenas histeria coletiva ou tudo é mesmo real? Os Três se torna uma amarra ao redor da mente do leitor que se vê capturado pela trama e fica a mercê dos caprichos da autora que possui uma capacidade admirável para flertar com o bizarro.
   Tantos elogios fariam de Os Três o livro perfeito se não fosse por seu final, são muitos os pontos em sem desfecho que deixam muito mais perguntas que questões respondidas, em suma é um final aberto para especulações, elogios e ataques verbais grotescos. Depois de algumas pesquisas descobri que a autora planeja uma continuação, que já possui os direitos para uma adaptação para série de TV vendidos assim como Os Três, que se chamará "Day Four" no qual esperamos que o confuso fim seja ao menos esclarecido. Enfim o livro merece ser lido por amantes de terror, a sensação envolvente que a história produz é magnifica, Sara Lotz é talentosa e sabe como contar uma história assustadoramente real, porém sua narrativa não é tão inovadora e original como dizem pois Stephen King já tinha feito a mesma coisa com seu primeiro livro Carrie em meados dos anos setenta. Leia e tire suas conclusões.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (9/10 Caveiras)

4 comentários :

  1. Oi :)

    Eu estou completamente dividido em relação a esse livro. Já li diversas resenhas negativas dele, assim como muitas positivas. Sinceramente... Irei comprar, ler e tirar minhas dúvidas. Abraços!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  2. Olá!!!
    Terror eu passei esperando este livro!!! Hahahaha. Ele ficou um mês com os correios, simplesmente desapareceu. Olha que sinistro!!! Tipo, que nem os aviões. Viajei!!
    Enfim, adorei a resenha. Não sabia que tinha continuação e muito menos que já teve os direitos adquiridos.

    Tenho certeza que vou adorar a leitura!!

    Bjks

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  3. Muito boa sua resenha,e o melhor,sem Spoilers rsrs.Fiquei mais curioso ainda para ler o livro,acho que vou colocá-lo na minha lista de prioridades de compra.

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  4. Oii, descobri esse link através do skoob, eu também tenho um blog, se puder visitar, deixar seu comentário e seguir a gente seria legal! http://portaoazul.blogspot.com.br/

    Eu confesso que estava com muita vontade de ser esse livro, mas depois que você falou que não é uma leitura linear eu desanimei completamente. Não consegui ler "Gerra Mundial Z" por ser contado através de entrevistas tipo um documentário, então, infelizmente, acho que ficarei sem esse livro de capa maravilhosa na minha estante! Bela resenha! E parabéns pelo blog.

    Beijo,
    Mariana Storck

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