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12 de junho de 2014

Joe Hill's NOS4A2: A Tradução e Capa Nacional.


   A nomenclatura dos livros é essencial para a definição do seu cerne, o autor ao escrever e nomear uma história está a definindo, dando uma identidade imutável e um significado que em poucas palavras traduz todo o sentido que a trama quer passar. Na tradução mais que as expressões do texto, o nome do livro ou da saga é importantíssimo para a criação da imagem do texto, nos últimos anos isso tudo tem melhorado no Brasil, mas mesmo assim a deficiência na hora dessa escolha é palpável. Joe Hill é um dos autores que mais sofre com a alteração de títulos e o seu mais recente livro NOS4A2 também passou pelo processo, a edição nacional se chamará Nosferatu, sim acredite isso mesmo. Nosferatu. Argh!


Os livros de terror, ficção cientifica e suspense em geral, no Brasil sempre tiveram seus nomes alterados para chamar a atenção do público, isso ocorreu muito na década de oitenta podemos citar casos como Stepford Wives de Ira Levin que na edição nacional se chamava As Possuídas; Misery, Salem´s Lot, Thinner e Needful Things do King acabaram respectivamente como Angustia, A Hora do Vampiro, A Maldição do Cigano e Trocas Macabras, Philip K. Dick e seu livro Flow My Tears, The Policeman Said se tornou A Identidade Perdida, o clássico Ghost Story de Peter Straub terminou como Os Mortos-Vivos e Ceremonies de T.E.D. Klein acabou como Cerimonias Satânicas. Depois do sucesso de O Exorcista, qualquer livro de terror que era publicado, como uma estratégia de marketing ganhava o sufixo "do Diabo", "Satânico", "do Mal".O primeiro livro de Joe Hill, Heart-Shaped Box que numa tradução mais literal seria A Caixa em Formato de Coração virou A Estrada da Noite, o que em termos não é tão ruim como poderia ser, alguns anos atrás o nome se ficaria algo como A Caixa Assombrada ou ainda O Terno do Fantasma. Depois Horns (Chifres) foi traduzido como O Pacto, um eufemismo que se compara a traduzir o filme O Titanic como Naufrágio, excluindo o sentido da história e a mensagem central por trás do título. Agora com o lançamento de NOS4A2 o processo se repete, além da tradução do nome Nosferatu, a capa escolhida (não é o modelo acima) também me desgostou, o minimalismo da edição americana com a placa do carro como título é perfeita. Aliás o Nosferatu é a tradução fonética de NOS4A2, jogo de palavras em inglês, mas mais do que isso é a placa do carro do vilão, que não é referenciada na imagem do carro (Rolls-Royce Wraith 1938) presente na capa nacional. Uma curiosidade é que a versão inglesa se chama NOS4R2.
   A Editora Arqueiro em resposta a uma fã que questionou a tradução disse que grande parte dos leitores não entenderia o jogo de palavras. Eu pergunto? Em que século acha que estamos? O leitor brasileiro evoluiu e a globalização da informação contribuiu para que os anúncios de lançamentos viajem o mundo quase instantaneamente. As barreiras entre o inglês/português que haviam antigamente praticamente acabaram na nova geração, o novo leitor se sente deslocado quando encontra em um livro antigo o nome Nova Iorque. Não é à-toa que muitas editoras estão apostando muito nessa questão, para citar algumas a Suma de Letras que republicou Misery e Salem com os nomes originais, A Editora Darkside com Prince of Thorns. Realmente dizer que o leitor brasileiro não irá entender um jogo de palavras, ou que mesmo assim não possui a capacidade de buscar o significado é uma desculpa falha. Acredito que a maioria dos leitores e fãs de Joe Hill prefere o nome e a capa original na edição nacional.
   Arqueiro tem um histórico tão forte de interação com seu público leitor que deixar a escolha do título traduzido e capa para NOS4A2 a cargo dos verdadeiros fãs é o correto a se fazer, já que praticamente toda a semana havia alguém perguntando quando o livro seria lançado. Então o que você acha sobre a tradução do título e da capa nacional? Deixe seu comentário e compartilhe, talvez consigamos fazer com que a Editora nos ouça. A capa nacional de alta qualidade ainda não foi divulgada, apenas um ícone da imagem. 

6 comentários :

  1. Sempre odiei o que fazem nos títulos e dessa vez conseguiram deixar mais um totalmente sem conexão com o que o autor quis passar... Amei as novas edições com os nomes certos, mas espero que ainda ocorra com muitos outras.
    O que querem fazer com esse livro deveria ser crime!!! Eu adorei a capa original e odiei a versão brasileira...
    Excelente post e reflete exatamente o que penso =D

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  2. Nãããão!!! A impressão que tive foi que a capa brasileira é uma versão "for dummies". Me recuso a acreditar que o nome e uma capa próximos ao original seriam mal recebidos por aqui... :(

    Pelo contrário, espero que a Arqueiro avalie com cuidado se essa adaptação (ou tradução grosseira) do nome será um recurso que agradará aos verdadeiros fãs do estilo, ou se será um motivo de decepção para quem espera por esse livro no Brasil (como eu).

    Enfim, resta esperar... e dependendo do que ficar decidido, acabarei comprando a edição americana mesmo. :(

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  3. Em se tratando de Joe Hill, tenho certeza que a capa original seria bem recebida.
    Também achei o título original muito melhor.
    Contudo, eu vou ler de qualquer jeito, rs.

    Bjks

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  4. Mas que bosta!
    Eu odiei a tradução do titulo e se for essa mesma, a imagem do ícone, a capa, a Editora falhou legal (y) Joe Hill sofre com isso? Será que ele tem ideia da alteração trágica que suas obras tem aqui no Brasil? Oh, God!

    http://gabryelfellipeealgo.blogspot.com.br/
    El Costa - Confins Literários

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  5. Bom dia Rafa!
    É óbvio que a editora prevê vendas muito maiores com o assintoso nome Nosferatu na capa, ao invés do jogo de pronúncia que a sigla sugere. Eu pretendo colar o nome original por cima, fazendo o melhor acabamento possível. Fica a dica aos demais leitores...
    Abraços!!

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  6. Ainda bem que comprei minha versão em inglês na Irlanda, inclusive peguei uma edição em Hardcover, ador o Joe Hill, e simplesmente odiaria ter que comprar a versão portuguesa com esse nome, lamentável. E para quem não sabe as história do carro do livro se estende em alguns comics escritos pelo proprio Hill, o nome desses Quadrinhos lá fora é chamado de " Wraith "

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