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18 de maio de 2014

Resenha: A Espada de Shannara de Terry Brooks


Sinopse:
    Há muito tempo as Grandes Guerras do Passado arruinaram o mundo. Vivendo no pacífico Vale Sombrio, o meio-elfo Shea Ohmsford pouco sabe sobre esses conflitos. Mas o Lorde Feiticeiro, que todos julgavam morto, planeja regressar e destruir o mundo para sempre. A única arma capaz de deter esse poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada somente por um herdeiro legítimo de Shannara. Shea é o último dessa linhagem e é sobre ele que repousam as esperanças de todas as raças. Por isso, quando um aterrorizante Portador da Caveira a serviço do mal voa até o Vale Sombrio, Shea sabe que começará a maior aventura da sua vida.

Opinião:
   Terry Brooks surgiu na literatura nos finais dos anos setenta com a publicação de A Espada de Shannara, o livro primeiro de uma trilogia que seria sucedido por The Elfstones Of Shannara e The Wishsong of Shannara, que logo se tornou um sucesso de vendas, sendo a primeira obra de fantasia a entrar na lista de mais vendidos do The New York Times. O autor é assumidamente um discípulo de Tolkien, as sementes plantadas pelo grande mestre da fantasia com Senhor dos Anéis e O Hobbit vicejaram nas mais diversas mentes, resultando em grandiosos universos fantásticos como outros exemplos temos Stephen King com A Torre Negra e Stephen R. Donaldson com The Chronicles of Thomas Covenant. As obras escritas nesta época tiveram grande influência da politica mundial do período, os escritores traduziam em palavras os medos mais profundos da população, a iminência de uma guerra biológica e atômica pairava sobre a imaginação de todos como uma nuvem sombria, criando o cenário perfeito para o surgimento das distopias pós-apocalípticas.
   A Espada de Shannara se passa centenas de anos após as chamadas Grandes Guerras, a humanidade conseguiu desenvolver seu poderio militar no mesmo nível que a ganancia e uma catastrófica guerra por poder se seguiu a uma destruição sem limites, que alteraram drasticamente a geografia terrestre criando novas montanhas, depressões e continentes. Os sobreviventes foram poucos e estavam tão empenhados na luta pela vida que a antiga tecnologia se tornou progressivamente obsoleta e logo foi esquecida, grande parte do conhecimento se perdeu e a humanidade retornou a uma espécie mais desoladora de idade das trevas. Grandes regiões se tornaram inabitáveis e inóspitas a vida de modo que as migrações foram se sucedendo em grandes levas que ocasionaram a formação de grandes grupos populacionais. A radiação resultante da destruição não moldou apenas o ambiente, mas os seres também, grande parte dos humanos buscaram refúgio embaixo do solo, com as gerações seus corpos passaram a se adaptar ao novo estilo de vida ficando mais atarracados e baixos, surgindo assim os anões. Outros sofreram a pior parte dos efeitos radioativos se transformando em criaturas como trolls e gnomos. Os homens sobreviveram assim como uma raça que há muito tempo estava escondida, os elfos.
   A história do surgimento das novas nações é grandiosa e extensa, inúmeras guerras e disputas por terras foram travadas até uma espécie de paz ser conseguida através do Conselho dos Druidas, uma organização que reunia os maiores pensadores de cada raça que se denominaram assim por serem detentores do conhecimento que traria novamente a era tecnológica de seus antecessores, porém com a sabedoria aprendida pelos erros que quase custaram a vida de todos. Os sábios se reuniram com fragmentos de informações da época antes das Grandes Guerras e iniciaram os estudos, porém o avanço era lento mas após grande esforço algo foi descoberto, não a tecnologia almejada mas um substituto: a magia. Duas grandes facções surgiram com opiniões em conflitos, alguns queriam a magia para fins práticos outros a tratavam com referencia e sua utilização com sabedoria. Por trás dessa desavença estava um druida chamado Brona que após vários confrontos e sua quase aniquilação pelo seu rival Bremen se tornou uma entidade maléfica formada de sombras e medo conhecida como Lorde Feiticeiro, um ser quase indestrutível. A lenda diz que Bremen criou uma espada com um poder que poderia deter este mal e a entregou nas mãos do rei elfo Jerle Shannara que enfrentou a criatura. Todos acreditavam que o Lorde Feiticeiro estava morto até sua sombra ressurgir nas Terras do Norte, agora apenas um herdeiro da Casa de Shannara possui o direito de sangue de empunhar a espada e despertar o poder contido nela para combater o mal renascido.
  As comparações com a obra de Tolkien são inevitáveis porém ao mesmo tempo em que possuem semelhanças óbvias, as disparidades levam as duas tramas a caminhos diferentes. Enquanto Tolkien é mais teórico e cuidadoso na criação de linguagens, árvores genealógicas e extensos apêndices pode-se dizer que Terry Brooks é um escritor mais popular, sua ênfase está em descrever as aventuras e na criação de um texto de leitura e entendimento fácil que agrade a grande maioria dos leitores, mas não que seja relapso com relação a origem do seu mundo e personagens, apenas não se aprofunda muito evitando cortar o ritmo narrativo, apesar de ser uma leitura fácil, A Espada de Shannara conta com parágrafos extensos e grandes, as vezes ocupando quase uma folha inteira. O autor conseguiu criar uma lenda fantástica e mais do que isso, dar vida a sua própria criação através de personagens exóticos e realistas, seus protagonistas são heróis improváveis que tem que buscar força dentro de si mesmos para seguir seu caminho e como todo ser humano fraquejam e se questionam internamente até o final. E é claro cenas épicas de ação e batalhas grandiosas!
   Apesar de ser o primeiro volume de uma trilogia A Espada de Shannara possui um enredo fechado que se conclui nas paginas finais, o autor deixa pequenas pontas soltas que servirão de ligação para os próximos volumes, porém fica claro que novos protagonistas irão trilhar esses caminhos, que não interferem em nada com o final do enredo principal. Terry Brooks consegue com sua escrita produzir um livro fantástico que se torna uma leitura prazerosa não apenas para os fãs de fantasia, mas também para leitores em geral que nunca tiveram contato com o tema. Indicado a todos. Boa leitura!

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

4 comentários :

  1. Aiiiiiii tava esperando tão ansiosamente essa resenha *-* Depois de Mistborn, é uma das fantasias que eu mais quero ler esse ano :3 E sua resenha me fez querer mais ainda! A capa dele ampliada fica mais bonita ainda, até nisso ele é lindo hehe
    Beijinho :*

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  2. Nossa, resenha muito boa. Desde que eu vi a capa deste livro já fiquei curioso, e sua resenha me fez ficar mais doido ainda para ler este livro. E sou fã do Tolkien.

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  3. É por isso que eu gostaria de ler. Ler Tolkien é abrir a mente para possibilidades e uma obra que tem semelhanças e agradável. Vou comprar e ler. :)

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  4. muito bom... agora a vontade de ler esse livro cresceu mais para mim (ou seja, pulou algumas posições em minhas listas de livros para ler kkkk)

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