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16 de abril de 2014

A Evolução do Zumbi na Literatura de Horror [Parte I]

   A literatura de horror sempre teve como papel transcrever as emoções mais sombrias e os medos mais profundos da mente humana, assombrações e vampiros são exemplos de como a imaginação projeta suas próprias e deformadas sombras em seres sobrenaturais. Nenhuma figura é tão repulsiva quanto a do morto-vivo, que contra as leis da natureza se reergue de sua própria destruição, com podridão exalando pelos poros, lembrando-nos da nossa mortalidade, trazendo consigo o fim de todas as coisas. 
   Hoje na literatura vivemos uma explosão da figura do zumbi, que deixou os cenários de filmes B dos anos oitenta, para se tornar parte da cultura popular atual. As estantes das livrarias estão cheias das mais variadas histórias protagonizadas por essas criaturas horrendas, explorando o apocalipse em toda sua totalidade, desde improváveis histórias de amor até as cenas mais sangrentas de horror. Mas como tudo isso começou?

O Zumbi Clássico
   
   Em 1817 durante um retiro de escritores em um chalé para escrever, uma
garota de dezenove anos começava a escrever um conto, inspirada nas ideias de galvanização e eletricidade, a partir de um sonho no qual um cientista tenta criar um ser humano a partir de partes de cadáveres. Seu nome era Mary Wollstonecraft Shelley e nascia a sua maior criação: Frankenstein. Apesar de não ser uma história de zumbis o livro é o primeiro a questionar a natureza versus a criação maligna humana. Muitas das histórias modernas de zumbis pautam o início das epidemias nas ações dos homens, seja pela criação de um vírus altamente contagioso ou uma devastadora guerra nuclear...
   Frankenstein apesar de ser uma espécie de "morto-vivo" possui a capacidade de pensamento e de utilizar a razão, diferente dos zumbis modernos que não possuem capacidade alguma de discernimento ou traços de inteligência. Algo assim só apareceria na literatura de terror mais tarde, em 1922, através de um conto que possui como inspiração a obra de Shelley: Herbert West: Reanimator de H. P. Lovecraft. Se a criação do Dr. Frankenstein se mostrava consciente de si mesma além de ser pensante, as experiências de Herbert West desde o inicio dá vazão a criaturas extremamente violentas compelidas ao mal e a destruição do próximo. É nessa história que temos a primeira mordida de zumbi na literatura, apesar de sua consequência não ser a mesma da atualidade.
   Foi através das hábeis e talentosas mãos de Richard Matheson que o apocalipse dos mortos-vivos tomou forma, sua obra seminal Eu Sou a Lenda é a inegável fonte de inspiração ao apocalipse zumbi moderno e toas as suas ramificações. Apesar de as criaturas de seus livros estarem mais próximas ao vampiro moderno, possuem a capacidade pensante além de sugar o sangue ao invés de comer a carne a sua principal contribuição é com a maneira de infecção da doença. Matheson foi um dos primeiros escritores a cogitar a possibilidade de uma doença mortal que causasse transformações mutantes no ser humano transformando-o em um ser predador de sua própria espécie. Eu Sou A Lenda foi inspiração direta para o grande gênio George Romero em sua Magnus opus A Noite dos Mortos Vivos, que definiu a identidade do zumbi moderno.
                                             [Continua]                  

2 comentários :

  1. Muito interessante essas informações, realmente a partir de A Noite dos Mortos Vivos foi que os zumbis tomaram forma, deu ideias e inspirações para tudo relacionado a zumbis! Acabei de ler o livro de Jhon Russo e gostei muito!!!

    Espero pela continuação dessa postagem em!

    Abraço,
    Diego de França
    Leitor Sagaz | Participe do Top Comentarista | Grupo Amantes da Literatura no Facebook

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  2. Eu amo histórias de terror, mas demorou um pouco para essa coisa de zumbis me convencer. Gosto de coisas aterrorizantes mais realistas, que dão um pouco de nexo ao medo, e zumbis, para mim, sempre foi fraco. O que me fez gostar do tema foi a série The Walking Dead, e agora quero muito ver A Noite dos Mortos Vivos.
    Beijos

    http://desfocandoideias.blogspot.com

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