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27 de março de 2014

Resenha: O Poeta de Michael Connelly


   "Tanto para um escritor quanto para um leitor pode ser extremamente difícil começar um romance. Ninguém no livro lhe parece familiar e todos os lugares são estranhos; por isso o inicio da leitura é como um ato forçado de intimidade. Uma boa frase inicial pode ajudar. Sou louco por bons inícios, coleciono-os em um caderninho do mesmo modo que algumas pessoas colecionam selos ou moedas, e a primeira frase de O Poeta é magnifica. "A morte é meu negócio", escreve Jack McEvoy, e somos imediatamente fisgados. Não se trata de um embuste, mas de uma frase que estabelece perfeitamente o tom da narrativa: sombria, melancólica, simplesmente assustadora..." Stephen King

Sinopse:
   Jack McEvoy adora a morte. Repórter policial, está sempre à espera do próximo crime brutal. Agora, ele está diante de um enigmático serial killer: O assassino deixa poemas de Edgar Allan Poe ao lado das vítimas. E um triste episódio está para aproximar o repórter do criminoso.

Opinião:
   O primeiro livro de Michael Connelly que li foi Echo Park, conheci o autor através da sua indicação a uma obra do King, presente na versão pocket, não foi grande surpresa quando encontrei o mestre do terror retribuindo a menção com uma bela introdução, em um livro chamado O Poeta. Sou um fã de literatura policial desde o inicio do meu vício por literatura, comecei a gostar do estilo com Raymond Chandler, Jim Thompson, Dashiel Hammet e o meu favorito Jeffery Deaver, foi por curiosidade experimentei Michael Connelly, gostei da sua maneira de escrever, rápida e direta, e de seu protagonista Harry Bosh, porém na época estava focado na leitura de horror e deixei os romances policiais de lado. O reencontro aconteceu com o magnifico e surpreendente O Poeta, no qual o autor apresenta Jack McEvoy, um repórter que se vê em meio da notícia.
   A edição brasileira ficou a cargo da Editora Record que o publicou na Coleção Negra, a maior e melhor seleção de romances policiais publicadas em português, com uma introdução impressionante de Stephen King. Antes de O Poeta eu tinha visto King chamar um livro, de um autor contemporâneo seu, de clássico apenas uma vez, a obra-prima de Peter Straub, Os Mortos-Vivos, Ghost Story. King fala da importância de um bom começo em um livro, seja qual for seu gênero, é nas páginas iniciais que o autor tem que fisgar o leitor, fazê-lo se arrepiar ou atiçar a curiosidade de modo que a página seguinte seja virada e lida com avidez, até que a leitura se torne viciante e a imersão no enredo seja total. Foi isso que aconteceu comigo, na leitura do meu primeiro livro de terror no inicio da adolescência, Jack Torrance na primeira frase xingava mentalmente seu entrevistador na sala do gerente no Hotel Overlook em O Iluminado. A combinação palavrão, estar na mente de um estranho, o escárnio irônico e a atmosfera de suspense, implícita mas existente, me fizeram escravo do livro em uma sensação tão orgástica que jamais achei que iria se repetir. Isso é. Até encontrar O Poeta.
   A cena inicial de O Poeta é bastante sufocante, o leitor é comprimido no banco passageiro de um carro onde três homens compartilham um intrigante e tenso silencio, Jack McEvoy o protagonista está ao seu lado, sua expressão facial demonstra uma força descomunal para esconder a dor. Algo de muito ruim aconteceu, a tensão que enrijece ombros e sobrancelhas se espalha como uma neblina escura e grudenta, que dificulta e respiração e conduz suavemente o estomago a ânsia de vomito. A curiosidade de saber o que aconteceu é infernalmente irritante ao mesmo passo que o medo de descobrir a fonte de tamanha tristeza mude irreparavelmente nossa alma. Quando uma voz rompe o silencio é como se um canhão houvesse disparado ao redor de seu ouvido e uma releitura é exigida quando o segredo é revelado. Mas relaxe, a viagem está apenas começando.
   Michael Connelly sabe dosar bem o suspense dentro da trama, seus diálogos são inteligentes e as passagens cansativas que geralmente permeiam as investigações policiais são praticamente inexistentes. O leitor se agarra a cada linha com medo de perder alguma pista ou indicio e não conseguir acompanhar o raciocínio dos protagonistas, a leitura é rápida e ágil sem tropeços ou paradas desnecessárias. O vilão do livro é uma criação a parte, sua identidade é questionada ao longo de todo o enredo e sua maldade vista e sentida na pele, para quem é fã de Edgar Allan Poe se sentirá familiarizado com as referências as obras e poemas presentes nas mensagens do serial-killer. O Poeta é um livro fantástico que ultrapassa os limites da ficção policial com cenas assustadores que arrepiam o leitor por sua proximidade com a realidade. O livro entrou definitivamente para minha lista de favoritos. Boa leitura!

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 

6 comentários :

  1. Me lembrou a série The Following! Bom, eu sempre gostei de romance policial, Thomas Harris e Conan Doyle pra mim são os melhores, mas não li muitos outros, eu preciso ler livros como esse, voltar, reencontrar.. na verdade, acho que todos os livros que você resenha serão perfeitos pra eu ler. RsRs

    "Battle Royale", "Fênix: " e "O Poeta" estão na minha lista, e vou ler com certeza, esse ano, eu preciso!

    GabryelFellipeealgo.blogspot.com
    El Costa - Confins Literários

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  2. Ontem comprei "O Poeta" na Estante Virtual, após ler a tua resenha. Como sempre ótimas indicações.
    Já que você sempre nos dá esses presentes, vou me permitir lhe indicar um autor que eu achei muito bom no gênero Policial. Trata-se de John Verdon; caso não tenhas lido ainda, recomendo seriamente que o faças. Caso já tenhas resenhado aqui no blog, peço que desculpes a minha distração.
    Abraços.

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  3. Eu fiz o mesmo, acabei de comprar "O Poeta" depois de ler a resenha do Rafa, mais uma vez ótima resenha. Maurilei.

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  4. Fico muito feliz de saber que a minha opinião fez outras pessoas terem vontade de ler o livro haha Esse é um dos motivos por eu não desistir do blog :)
    Já ouvi falar sim de John Verdon mas nunca tinha me interessado pela leitura, uma pesquisa mais aprofundada me aguçou a curiosidade, vou buscar ainda esse semana. Obrigado

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  5. Dei uma olhada nas indicações dos livros de John Verdon que o André Amaral deu ao Rafa, dei uma pesquisada, e acabei comprando os três livros dele; provavelmente são excelentes. Maurilei.

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  6. Faz alguns meses que li O Poeta e tinha me esquecido de passar minhas impressões. Achei o livro excelente, um dos melhores suspenses policiais que li até agora, o livro é tudo isso que o Rafa diz nesta excelente resenha, muito bom mesmo. Te indico Rafa, um livro policial chamado O Aliciador, do italiano Donato Carrisi, que na minha opinião supera O Poeta, simplesmente espetacular. Dos 40 livros que li até agora este ano, coloco O Aliciador em 1º, seguido de IT A Coisa em 2º. Grande abraço, Maurilei.

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